Macroeconomia e mercado

Notícias

Preço da gasolina em alta ressuscita o gás natural no Brasil

O aumento dos preços dos combustíveis provocou uma nova onda de procura pelo gás natural veicular (GNV), mais barato que gasolina e etanol, mas que andava desacreditado desde meados dos anos 2000.

Em São Paulo, o número de conversões de veículos saltou de 1.137 no primeiro quadrimestre de 2015 para 2.340 no mesmo período de 2016.

Executivos do setor dizem que a queda do poder de compra da população, aliada aos reajustes da gasolina em 2015, justificam o interesse.

"Esse é um mercado que se sai melhor na crise", diz Jorge Mathuiy, diretor comercial da MAT SA, única fabricante de cilindros de GNV no país.

Com o crescimento da demanda, a empresa dará início em junho ao terceiro turno de produção em sua fábrica de Campinas, projeto que demandou a contratação de 15 novos trabalhadores.

SETE VACAS MAGRAS

O setor amargou sete anos de ostracismo desde que o governo decidiu, em 2007, eliminar os incentivos ao uso de gás em veículos para priorizar a indústria e a geração de energia. Na época, o Brasil temia cortes no fornecimento após a nacionalização das reservas da Bolívia, então o maior fornecedor do país.

A partir de outubro de 2015, porém, o número de conversões voltou a crescer. A data coincide com o último reajuste no preço da gasolina.

Segundo estimativas da associação das distribuidoras de gás canalizado (Abegás), o custo por quilômetro rodado com GNV equivale hoje, em São Paulo, a cerca de metade do valor pago por outro combustível.

No Rio, a vantagem é maior: o km rodado com GNV está 63% mais barato do que com etanol e 57% mais barato do que a gasolina.

"Com a crise econômica, as pessoas estão mais criteriosas com seus gastos. Se antes apenas táxis optavam pelo GNV, há hoje muitos carros particulares", diz o gerente de marketing da Comgás Ricardo Vallejo.

Ele estima que São Paulo tenha cerca de 100 mil automóveis com equipamentos para uso de GNV, sendo que 10% são táxis. No Rio, principal mercado para o setor, são 1 milhão de veículos.

O combustível é mais usado por motoristas que percorrem grandes distâncias, diante do alto custo da instalação do kit para uso do GNV (entre R$ 4 mil e R$ 5 mil).

Um consumidor que percorre mil quilômetros por mês –pouco mais de 30 por dia– levaria 20 meses para recuperar o investimento.

MOVENDO A CADEIA

Embora em crescimento, o ritmo de novas conversões ainda não garante a volta aos tempos áureos. A Comgás, que vende hoje cerca de 600 mil de m³/dia para o setor automotivo, chegou a vender 1,5 milhão de m³/dia em 2006.

Mas já movimentar os prestadores de serviço. "Estávamos com 15 conversões por mês. Agora, são 45", diz Teresa Signori, gerente da System Gas, oficina em São Bernardo do Campo que contratou um técnico e um auxiliar para reforçar a equipe de três técnicos de instalação.

A vantagem do gás, porém, tende a ficar menor nos próximos meses, com o início da safra de etanol, que reduzirá os preços. Mas o excesso de oferta de gás natural pode manter a competitividade do combustível por mais tempo.

O preço do gás começou a baixar –no Rio, caiu 5% em maio e está em revisão em SP. (Folha de São Paulo 10/05/2016)

 

Produção de carro a diesel no país: a quem interessa este retrocesso?

Diante de um cenário onde o Congresso parece ter foco exclusivo em um só tema, caminha a passos largos a aprovação de um projeto de lei que pretende autorizar a produção e comercialização, em grande escala, de veículos leves movidos a diesel (PL 1013/2011).

É intrigante observar a movimentação em torno desse projeto. Seja em função dos danos à saúde, passando pela poluição do meio ambiente e pelos impactos econômicos decorrentes da importação de diesel, a aprovação do projeto representará um retrocesso para o desenvolvimento sustentável do país.

É essencial lembrar que os motores a diesel são as principais fontes de emissão de partículas finas e de óxidos de nitrogênio, que são altamente prejudiciais à saúde, uma vez que penetram facilmente no sistema respiratório, causando graves doenças.

Motores a diesel são os principais emissores de partículas finas e óxido de nitrogênio, muito prejudiciais à saúde.

Em 2013, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou as partículas finas do diesel como substâncias que podem contribuir para a ocorrência de câncer. Além disso, os óxidos de nitrogênio causam inflamações respiratórias e reagem com outros poluentes na atmosfera formando substâncias como o ozônio e nitratos, que são danosos ao meio ambiente e a saúde.

Estudos internacionais atribuem às partículas finas do diesel cerca de 3% dos óbitos globais causados por doenças cardiovasculares, 5% dos cânceres de pulmão e 3% das mortes em crianças até cinco anos de idade, totalizando cerca de 800 mil óbitos prematuros e 6,4 milhões de anos de vida perdidos por morte prematura.

Não bastassem os danos à saúde, o diesel é altamente emissor de gases de efeito estufa (GEEs), especialmente óxido nitroso, que tem alto poder de aquecimento global. Como o diesel é restrito aos caminhões, ônibus, tratores e transporte marítimo, as emissões decorrem da produção e refino do petróleo e do uso do diesel, categorizadas no setor de energia. Mas a liberação dos veículos leves a diesel deverá aumentar as emissões do sub-setor de transportes, o que contraria as metas brasileiras de mitigação.

A frota de veículos brasileira em 2014 era de 54,3% veículos flex, 34,3% gasolina, 9,8% diesel e 1,5% somente álcool. Reduzir emissões no setor de transportes é um desafio global, e o Brasil tem um diferencial enorme ao ter construído uma matriz de transporte de veículos leves a base de etanol, que reduz em até 90% as emissões comparadas à gasolina.

A despeito do conteúdo energético do diesel, que poderia ser um argumento favorável ao projeto, os custos para reduzir emissões do diesel são caríssimos. Na União Europeia e nos Estados Unidos, fraudes nos sistemas de monitoramento de emissões no diesel motivam mudanças severas nas regulamentações sobre veículos leves a diesel.

Estudo publicado em 2015 pelo renomado King's College de Londres estima que a poluição do ar por partículas finas e óxidos de nitrogênio do diesel resulta em cerca de 9.500 mortes prematuras por ano e custos para a saúde de pelo menos 1,4 bilhão de libras (cerca de US$ 2 bilhões) naquela capital.

Paris, Londres, Madri, dentre outras capitais européias, registraram altos níveis de partículas finas e óxidos de nitrogênio oriundos da queima do diesel na atmosfera, o que vem exigindo medidas e investimentos emergenciais para preservar a saúde de milhões de pessoas.

Os impactos econômicos também contrariam a aprovação do projeto. O aumento da demanda, com oferta interna insuficiente, geraria a necessidade de ampliar ainda mais a importação do combustível fóssil. Em 2014, a importação de diesel chegou a 12 bilhões de litros, com um impacto negativo de quase US$ 9 bilhões na balança comercial.

De acordo com o Plano Decenal de Energia, em 2024, a importação de diesel representará 17% do consumo doméstico. Se ocorrer a liberação de veículos leves, esse número deverá crescer, gerando pressão pela importação de diesel, sujando a matriz de transportes e aumentando o déficit na balança comercial.

No dia 22 de abril, 174 países mais a União Europeia assinaram o Acordo de Paris em uma cerimônia de alto nível nas Nações Unidas. O evento sinaliza uma tendência global em direção à economia de baixo carbono, visando colocar em prática uma nova governança multilateral ligada ao combate das mudanças do clima.

Limpar a matriz energética e investir nos biocombustíveis são metas do Brasil perante o Acordo de Paris. Fomentar a criação de uma frota de veículos leves a diesel, que geraria demanda cativa por este combustível por décadas, não parece ser uma estratégia de reduzir emissões no setor de transportes.

Enquanto a União Europeia e os Estados Unidos apertam suas regras sobre o uso de diesel nos veículos leves e estimulam a adoção de carros elétricos e híbridos, novas gerações de biocombustíveis, como o etanol de segunda geração (2G) que começa a ganhar espaço no Brasil, o Congresso está na iminência de liberar carros leves a diesel.

Reduzir impactos à saúde, minimizar emissões de GEEs, fomentar energias renováveis e o desenvolvimento de novas tecnologias são elementos que compõem o que se chama de desenvolvimento sustentável. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável aprovados na ONU em 2015 estão em sintonia com essa agenda.

Aprovar carros leves a diesel demonstra a vanguarda das estratégias de transporte que o Brasil pretende seguir? Ou ilustra um retrocesso diante dos desafios do desenvolvimento de baixo carbono, onde tecnologias renováveis, melhorias na saúde, especialmente em grandes cidades, geração empregos verdes e incentivos a uma matriz de transporte cada vez mais limpa? A quem interessa a produção de carros a diesel no Brasil?

Caso os carros a diesel sejam aprovados, o Brasil será um comprador e disseminador de tecnologias que estão com os dias contados nos países que buscam trilhar o desenvolvimento de baixo carbono no setor de transportes. É uma escolha: ou consumimos um padrão tecnológico defasado, impondo custos sociais e ambientais altíssimos, ou investimos em tecnologias como o etanol, e suas novas gerações, associado aos carros elétricos e híbridos e à geração de bioeletricidade. Está nas mãos do Congresso Nacional escolher qual rumo seguir. (Valor Econômico 10/05/2016)

 

Reviravoltas no processo do impeachment afetam preço da soja

O mercado interno de commodities agrícolas passou o dia de olho em Brasília nesta segunda-feira (9). As notícias da interrupção do impeachment da presidente Dilma Rousseff na parte da manhã deram ímpeto aos preços, principalmente os da soja, devido à elevação da moeda norte-americana.

No período da tarde, com o anúncio da continuidade do impeachment no Senado, os preços recuaram em várias praças de negociações.

Em Paranaguá, importante porto de escoamento de grãos, a saca de soja no mercado físico caiu para R$ 83,50 nesta segunda, após ter fechado a R$ 84,50 na sexta (6).

Já em Sorriso (MT), importante região de produção, a saca de soja subiu para R$ 70,30 nesta terça, ante R$ 69,50 na sexta-feira, segundo dados da AgRural.

"O mercado oscilou, mas, no final, nada fora do normal", diz a analista Daniele Siqueira. Ela destaca, porém, que as negociações foram em ritmo bastante intenso.

Já em Chicago, o mercado começa a fazer uma correção técnica nos preços, após um período de aceleração nas últimas semanas.

O primeiro contrato de soja no mercado futuro de Chicago caiu para US$ 10,18 por bushel (27,2 quilos), 0,7% menos do que o de sexta-feira.

O mercado ficou atento ainda aos números que devem ser divulgados nesta terça pelo Usda (Departamento de Agricultura dos EUA).

Para Daniele, a quebra de safra de soja na Argentina e de milho no Brasil já foi assimilada pelo mercado.

Quanto aos dados de produção dos EUA a serem divulgados, eles se baseiam em números da área de março, que não devem se confirmar.

Com relação aos números internacionais, O Usda deverá apontar área maior de milho na Argentina na safra 2016/17. O fim da tributação dá vantagens ao cereal em relação à soja no país vizinho.

Mais

As exportações brasileiras de carnes bovina e derivados somaram 465 mil toneladas de janeiro a abril deste ano, 13% mais do que em igual período de 2015.

Pelo mesmo

Já as receitas se mantiveram em US$ 1,76 bilhão em ambos os períodos. As informações são da Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos).

Preços

A queda internacional dos preços da carne bovina não permitiu o avanço das receitas neste ano, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Queda

Nos quatro primeiros meses deste ano, a tonelada de carne "in natura" foi negociada, em média, a US$ 3.864, um valor 9% inferior ao de em igual período de 2015.

Frango

As exportações totais de carne de frango somaram 421 mil toneladas no mês passado, o segundo melhor resultado mensal da história para o setor, segundo informações da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

Em 2016

Já a venda externa de janeiro a abril foi de 1,46 milhão de toneladas, 15% mais do que em igual período de 2015. Os chineses ficaram com 149 mil toneladas, 68% mais do que em 2015.

Etanol

Cerca de 40% da frota flex está em cidades com paridade do álcool de até 70% da gasolina, aponta a Unica. Ou seja, é mais vantajoso o uso do derivado de cana. (Folha de São Paulo 10/05/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: No azul: Movimentos técnicos impulsionaram os preços do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York. Os contratos do produto para entrega em outubro subiram 17 pontos e fecharam cotados a 16,26 centavos de dólar a libra-peso. O movimento ignorou uma nova projeção para a produção do Centro-Sul do Brasil. A consultoria Datagro estimou que a região produzirá nesta safra (2016/17) 35,2 milhões de toneladas de açúcar, um aumento de 12% em relação à produção do ciclo passado, que somou 31,38 milhões de toneladas. O volume também é maior do que a projeção anterior divulgada pela consultoria, que era de 33,8 milhões de toneladas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve alta de 0,24%, para R$ 75,50 a saca de 50 quilos.

Algodão: Negócios da China: Além da influência negativa dos fatores macroeconômicos sobre os preços, o algodão foi fortemente pressionado ontem pelos leilões dos estoques internos na China. Em Nova York, os contratos do algodão para entrega em outubro fecharam com recuo de 47 pontos, a 61,64 centavos de dólar a libra-peso. Na semana passada, a China elevou o limite de algodão para ser leiloado de 30 mil toneladas por dia para 50 mil toneladas. E, de acordo com analistas, os leilões têm alcançado quase 100% da oferta diária, o que contribui para reduzir a necessidade dos chineses em recorrer à oferta do mercado internacional. A alta do dólar ante diversas moedas também pressionou as cotações. Na Bahia, o preço ficou em R$ 85,64 a arroba, de acordo com associação local, a Aiba.

Soja: Ajustes pré USDA: Os futuros da soja perderam terreno ontem na bolsa de Chicago diante de pressões do cenário macroeconômico e de incertezas sobre as estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os contratos para entrega em julho fecharam em baixa de 8,25 centavos, a US$ 10,265 o bushel. A queda do petróleo e a alta do dólar influenciaram nas negociações, mas os traders também estavam menos otimistas com um corte muito drástico das estimativas para a safra 2015/16 do Brasil e da Argentina pelo USDA. O órgão também divulga hoje suas primeiras projeções para a oferta e a demanda da safra 2016/17. No mercado doméstico, o preço da soja na Bahia ficou em R$ 74 a saca, de acordo com a Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Milho: Oferta robusta: As cotações do milho cederam às pressões dos mercados internacionais e das expectativas para o novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ontem na bolsa de Chicago. Os contratos do grão para julho fecharam com queda de 8,5 centavos, a US$ 3,69 o bushel. As negociações foram afetadas pela desvalorização dos preços do petróleo, que reduz a competitividade do etanol feito a partir do grão nos EUA, e pelo fortalecimento do dólar. Além disso, os analistas acreditam que o USDA divulgará, em sua primeira estimativa para a safra 2016/17, uma alta de 22% nos estoques de milho nos EUA entre o fim deste safra e a próxima, para 56,59 milhões de toneladas. No Paraná, o preço subiu 0,57% ontem, para R$ 40,63 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 10/04/2016)