Macroeconomia e mercado

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Açúcar tem maior valor desde outubro de 2014

Os preços internacionais do açúcar subiram ontem a patamares não vistos desde 8 de outubro de 2014 na bolsa de Nova York. A alta refletiu a compra por parte de fundos, estimulados pelo cenário de primeiro déficit de oferta global em 2015/16, após cinco anos de superávit. Os contratos futuros de segunda posição do açúcar demerara tiveram alta de 4,2%, ou 69 pontos, e fecharam a 17,08 centavos de dólar a libra-peso.

Segundo Ricardo Nogueira, analista da consultoria FCStone, os investidores esperavam que a União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica) divulgasse ontem o balanço da moagem de cana-de-açúcar da segunda metade de abril, o que não ocorreu.

"Como esse relatório é considerado 'baixista', por conta da safra acelerada no Centro-Sul do país, acredito que os fundos que esperavam por ele voltaram a comprar ainda mais, já que o relatório só deve sair na segunda-feira", avaliou Nogueira.

A disparada do açúcar em Nova York também esteve relacionada ao recuo do dólar em relação ao real ontem. Além de refletir o andamento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a queda da moeda americana também foi influenciada por pressões externas. (Valor Econômico 12/05/2016)

 

Blairo Maggi filia-se ao PP para assumir Agricultura em governo Temer

O senador Blairo Maggi (MT) filiou-se ao PP nesta quarta-feira para assumir o Ministério da Agricultura no cada vez mais próximo governo do vice-presidente Michel Temer.

O ato oficial de filiação ocorreu na liderança do PP na Câmara dos Deputados, enquanto no outro lado do Congresso senadores debatiam na sessão de votação da instauração do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que deve resultar no afastamento da petista por até 180 dias.

Questionado, sobre o que falta para tornar-se ministro da Agricultura, Maggi disse a repórteres que apenas “ter o presidente e a nomeação”.

O senador, que deixou o PR para se filiar ao PP, afirmou a jornalistas que confirmada sua nomeação para o posto, defenderá a ampliação do prazo para que pequenos e grandes proprietários façam o Cadastro Ambiental Rural (CAR), e a redução de custos para os produtores.

Maggi disse ainda que é importante “fazer com que o produtor mantenha sua renda”.

Na semana passada, o senador afirmou que havia sido convidado pelo PP para ser o ministro da Agricultura num governo comandado por Temer e aceitou a “missão”.

“Fui convidado pelo Partido Progressista para assumir o Ministério da Agricultura. Aceitei, falta oficialização do futuro presidente Michel Temer”, disse Blairo no Twitter.

Grande produtor de soja, Blairo, gaúcho radicado no Mato Grosso, foi governador do Estado por dois mandatos e é senador desde 2011. (Reuters 11/05/2016)

 

Etanol tem produção recorde de 30 bilhões de litros

A produção brasileira de etanol bateu recorde em 2015, ao atingir 30 bilhões de litros, um crescimento de 6% em relação a 2014. A constatação é da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que divulgou hoje (10) o estudo Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis no Brasil 2015.

Para o estudo, os principais fatores que levaram a essa safra recorde foram a boa safra de cana de açúcar e as medidas governamentais que aumentaram a atratividade do etanol, como a elevação do percentual de anidro na gasolina C; o retorno da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide) e a elevação do PIS/Cofins para a gasolina A.

Ao justificar os bons resultados, a EPE ressalta o fato de que, no aspecto de políticas públicas direcionadas ao setor, destacam-se dois pontos: a elevação do percentual de anidro na gasolina C, que passou de 25% para 27%; o aumento do preço de realização da gasolina A, o retorno da Cide e a elevação do PIS/Cofins para a gasolina que, juntos, contribuíram para o aumento do preço da gasolina C ao consumidor final.

O estudo da EPE, empresa responsável pelo planejamento energético do país, ressalta, ainda, que no ano passado, o país atingiu 660 milhões de toneladas de cana processada. Na avaliação da empresa, no entanto, o açúcar foi o contraponto, já que apresentou nova baixa em sua produção, atingindo 34 milhões de toneladas, redução motivada pelos baixos preços desse produto no mercado internacional.

Etanol hidratado

O relatório da EPE destaca, ainda, o crescimento expressivo de 34% da demanda do etanol hidratado, alcançando 19 bilhões de litros no ano passado, mesmo com a queda de 7% no consumo de gasolina C e de licenciamentos de veículos leves novos, o que aconteceu pelo terceiro ano consecutivo.

Outro dado importante para o setor foi a relevante contribuição da bioeletricidade proveniente das usinas do setor sucroenergético, que superou em 18,5% a quantidade injetada no Sistema Interligado Nacional em 2014.

A EPE ressalta, também, o fato de que os recordes de produção de etanol e de processamento da cana de açúcar foram atingidos mesmo com a queda dos desembolsos por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o setor sucroalcooleiro.

Outro dado divulgado hoje se refere ao biodiesel, cuja produção, em 2015, atingiu 3,9 bilhões de litros do produto, volume 15% superior ao de 2014. (Agência Brasil 12/05/2016)

 

Bolsa ICE lança contrato futuro para açúcar branco em contêineres

A bolsa ICE Futures Europe informou nesta quarta-feira que planeja lançar em 20 de junho um contrato futuro para o açúcar branco em contêineres e o primeiro vencimento negociado será para outubro de 2016.

O contrato, que um dia poderá superar o atual contrato de referência global para o açúcar branco, reflete a crescente dominância do comércio de açúcar em contêineres.

Operadores estimam que cerca de 75 por cento do comércio global de açúcar branco ocorra em contêineres, uma fatia que deverá crescer ao longo dos anos.

A ICE também opera o atual contrato futuro de referência para o açúcar branco, que está baseado no método tradicional de transportar açúcar em grandes navios graneleiros.

A bolsa disse em uma circular que o contrato deverá ter liquidação física, com contratos equivalentes a 50 toneladas. As entregas serão nos meses de março, maio, agosto, outubro e dezembro.

Os portos de entrega incluem Paranaguá e Santos, no Brasil, além de Bangkok e Laemchabang, na Tailândia; Mundra, na Índia; Jebel Ali nos Emirados Árabes; Jeddah, na Arábia Saudita; Roterdã, na Holanda; Penang e Port Kelang, na Malásia e Le Havre, na França. (Reuters 11/05/2016)

 

Agronegócio foi o único a resistir à desaceleração

Por uma década, política de crédito e boom de commodities ajudaram setor, mas expansão expôs vários gargalos.

Considerado um “oásis” em meio à desaceleração econômica, o agronegócio vem, nos últimos anos, colecionando grandes números e cravando sua competitividade no cenário internacional. No governo petista, o País bateu recordes de produção e virou o principal exportador mundial de soja. Mas infraestrutura deficitária e incertezas em relação a crédito e câmbio causam preocupações.

De 2003 a 2015,a produção de grãos no País cresceu mais de 70%. Parte desse avanço se deveu, além do investimento pesado em tecnologia, à política de crédito favorável. Do primeiro mandato de Lula ao ano passado, o montante de recursos do crédito rural, reajustados pela inflação de dezembro, cresceu quase 140%, segundo o Banco Central.

“Houve ao longo do período razoável liberação de crédito, pois o sistema financeiro teve expansão bastante grande nos últimos 14 anos”, diz Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector. “O agronegócio acabou crescendo. O mérito do governo foi não interferir demais.”

Por uma década, o setor também foi alavancado pelo boom das commodities, com preços valorizados pela crescente demanda da China. “Exportações do agronegócio foram fundamentais para o crescimento das reservas brasileiras de 2003 a 2013, o que também contribuiu para a estabilidade do câmbio.”

Mas a expansão expôs a deficitária infraestrutura do País, com gargalos nas logísticas de transporte, armazenagem e escoamento. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), 9% a 13% da soja é desperdiçada no transporte até os portos e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não conseguiu reverter esse quadro, já que boa parte das obras não saiu do papel.

Outra crítica do setor no governo Dilma foi ao controle do preço da gasolina. “A produção de álcool, que vinha crescendo de forma significativa nos anos de 2005, 2006 e 2007, teve grande retrocesso”, diz Bruno Lucchi, da CNA. Usinas de açúcar e etanol encerraram a safra 2015/16 com endividamento recorde de R$ 95 bilhões.

No fim do primeiro mandato de Dilma, além da paradeira das obras de infraestrutura, a queda do apetite chinês e a recuperação mundial dos estoques provocaram baixa nos preços de commodities em dólar. A rentabilidade da safra 2014/2015 foi mantida graças ao câmbio.

Com a recessão, o volume e o preço do crédito para as próximas safras também causam apreensão. “Somos eficientes da porteira para dentro, mas o custo de escoamento aumenta a cada dia”, diz João Martins, presidente da CNA. “Plantamos com um dólar a R$ 3,80 e podemos colher com R$ 3”. (o Estado de São Paulo 12/05/2016)

 

BNDES suspende crédito para o Moderfrota

O Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) está suspenso temporariamente por falta de recursos, de acordo com o site do BNDES.

A página do programa na internet diz que a suspensão é válida para "operações deste programa com taxa de juros de 7,5% ao ano, devido ao comprometimento da dotação de recursos".  Essa linha é voltada para clientes com renda bruta anual de até R$ 90 milhões.

O Moderfrota serve para financiar a aquisição de tratores,colheitadeiras, plataformas de corte, pulverizadores,plantadeiras, semeadoras e equipamentos para preparo, secagem e beneficiamento de café. O programa beneficia produtores rurais e cooperativas com juros subsidiados pelo governo federal.

Clientes com renda bruta anual superior a R$ 90 milhões (9% ao ano) também podem acessar o programa.  O site do BNDES não faz nenhuma restrição a essa linha. 

Mais crédito

No final da tarde desta quarta-feira (11/5), a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, autorizou o aumento de R$ 140 milhões no valor destinado ao crédito do Moderfrota para a safra 2015/2016justamente para essa linha com taxa de juros é de 7,5% ao ano. A medida somente entrará em vigor após a publicação de portaria pelo Tesouro Nacional. (Globo Rural 12/05/2016)

 

Commodities Agrícolas

Suco de laranja: Ainda a Flórida: O pessimismo com a produtividade da atual safra de laranja na Flórida fez os preços do suco concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) subirem novamente na bolsa de Nova York ontem. Os contratos da commodity com vencimento para julho encerraram cotados a US$ 1,4535 a libra-peso, uma alta de 1,5% ou 240 pontos. A reação do mercado é ainda um reflexo da divulgação do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O órgão aponta uma safra 16% menor em relação à temporada anterior e uma redução de 1% no rendimento de suco em decorrência de um surto de greening na Flórida. No mercado doméstico, a laranja destinada à indústria subiu 0,23% ontem, para R$ 17,33 a caixa de 40,8 quilos, conforme o Cepea.

Algodão: Novo recuo: Os contratos futuros de algodão seguiram ontem a tendência baixista iniciada esta semana com os leilões de estoques da China e a previsão de aumento de produção nos Estados Unidos na safra 2016/17. Em Nova York, os contratos da pluma com vencimento em julho encerraram a 61,11 centavos de dólar a libra-peso, uma queda de 0,6% (37 pontos). Em nota diária, o analista da Price Futures Group, Jack Scoville, destacou que os leilões chineses ofertaram produtos de boa qualidade, atraindo muito interesse de compra. Com os leilões, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê uma redução de 10,4% nos estoques da China na safra 2016/17. Na Bahia, a pluma foi cotada a R$ 85,97 a arroba segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Realização de lucros: Após uma alta de 5,6% na última terça-feira, refletindo a revisão das estimativas de safra do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os contratos futuros de soja recuaram ontem em Chicago. Os papéis com vencimento em julho encerraram o dia cotados a US$ 10,7825 o bushel, uma leve queda de 0,53% (5,75 centavos). A queda nas cotações de soja já era esperada pelos analistas como parte de um movimento de realização de lucros por parte de alguns investidores. Para alguns observadores desse mercado, a alta desta semana foi "exagerada", uma vez que os dados do USDA já eram conhecidos. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a soja no porto de Paranaguá ficou ontem em R$ 85,55 a saca de 60 quilos, queda de 0,13% em relação ao dia anterior.

Milho: Aumento na oferta: A perspectiva de uma safra de 366,4 milhões de toneladas de milho nos Estados Unidos, a maior da história do país se confirmada a estimativa do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) ­ pressionou as cotações em Chicago ontem. Os contratos com vencimento em julho encerraram o dia cotados a US$ 3,775 o bushel na bolsa americana, um recuo diário de 0,92% (3,5 centavos). A queda refletiu ainda as previsões de clima mais seco no Meio-Oeste americano, que deve favorecer o avanço do plantio no país. Alguns analistas também interpretaram o recuo dos papéis como realização de lucros após a alta expressiva nas cotações do grão na última terça-feira. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o milho ficou em R$ 50,43, alta de 0,78%. (Valor Econômico 12/05/2016)