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De posições fortes, ministro Maggi divide opiniões no agronegócio

Apesar de ser um nome de destaque na agricultura, a escolha de Blairo Maggi para o ministério não foi unanimidade no setor. Ainda bem, porque toda unanimidade é burra.

As críticas vêm principalmente de produtores e entidades de regiões que tinham um nome na manga e que não conseguiram emplacar seu ministro.

Há quem diga que a escolha não foi a mais correta porque o país não é feito só de soja. Foi nesse produto que Maggi se destacou em Mato Grosso e se tornou um dos maiores produtores do país.

Na avaliação desse grupo, um ministro da Agricultura tem de entender de grãos a frutas, passando por etanol e carnes.

Há uma outra corrente que diz que ele olha muito para os seus negócios e, consequentemente, terá apenas Mato Grosso como ponto de referência.

O fato de o novo ministro ser um grande empresário incomoda, também, pequenos e médios produtores. Na avaliação deles, o novo ministro não tem visão dos problemas específicos deles.

Para os defensores do ambiente, coloca-se no ministério um defensor do desmatamento em um momento de avanços nesse quesito.

Mas o novo ministro não chega à Agricultura apenas com preocupações sobre ele.

Alguns setores dizem que ele é o nome ideal. É muito bem relacionado tanto no mercado interno como no externo.

Tem visão das dificuldades no campo por passar por elas continuamente. Além disso, apesar de ter uma visão de grande produtor, vai ter de compor com pequenos e médios, caso contrário vai trombar muito com eles.

Na avaliação de um produtor, "vai ter de fazer a coisa certa pelo motivo errado".

Uma das virtudes do novo ministro apontada pelo setor é que ele é técnico e sabe delegar funções. Por isso, a equipe dele poderá ser bastante técnica, uma necessidade constante no Ministério da Agricultura.

Possuidor de empresas que vão do transporte a tradings, o novo ministro sempre teve peso nas principais decisões referentes ao agronegócio do país.

Entende as necessidades da política agrícola, principalmente por ter vivenciado os principais problemas do setor nos últimos anos.

Perfil

Considerado arrogante por uns, Maggi tem posições fortes e vai defender os interesses do produtor em outros ministérios, como na Fazenda e no Ambiente, segundo outros. "É uma Kátia Abreu de calças", circula no meio do agronegócio.

Outro ponto a favor do novo ministro é o poder de agregação e de tomada de decisões, fatores essenciais no ministério. Pode obter conquistas importantes, acredita parte do setor.

O agronegócio está ciente, no entanto, de que, por mais competente que possa ser o ministro, alguns dos principais temas do agronegócio –como logística– estão distantes de serem conquistados em tão breve tempo.

Portanto, a ação do novo ministro deve ser sobre temas de rápidas soluções, como o seguro agrícola. Neste ano ficou clara a necessidade de um programa sério desse seguro devido à quebra de safras em várias regiões do país.

Outra demanda imediata de parte do setor será uma rediscussão sobre o Plano Safra, que só entra em vigor no início de julho.

É preciso rever montante de crédito, juros e teto de capital por produtor, segundo eles.

O setor coloca também entre as prioridades imediatas um olhar sobre o andamento dos registros de defensivos, essenciais para uma redução dos custos de produção.

Agora que a Anvisa fez uma limpa na liberação dos registros a serem liberados, há atraso no Ministério da Agricultura, afirmam.

Questão fundiária e tributação nos Estados também vão bater rapidamente na porta do ministro.

Na avaliação de um dirigente do setor, a unanimidade a respeito do novo ministro jamais será conseguida. Até mesmo Roberto Rodrigues, considerado o papa do setor, não conseguiu tal unanimidade. O que mais esteve próximo dela foi Alysson Paolinelli (ministro nos anos 1970), diz ele. (Folha de São Paulo 13/05/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: À espera da Unica: Em mais um dia de especulações sobre o relatório de moagem de cana-de-açúcar a ser divulgado pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) nos próximos dias, os contratos de açúcar com vencimento em outubro encerraram o pregão ontem com alta de 0,76% (13 pontos), cotados a 17,21 centavos de dólar a libra-peso. Diante de uma perspectiva de déficit na oferta mundial no médio prazo, os investidores têm intensificado suas compras esperando forte valorização da commodity no longo prazo. No curto prazo, o relatório da Unica é visto por analistas como fator baixista para as cotações, já que são boas as condições das lavouras no Centro-Sul do Brasil. Em São Paulo, o açúcar cristal ficou cotado a R$ 75,13 a saca de 50 quilos segundo o indicador Cepea/Esalq, queda de 0,13%.

Algodão: Respiro: As sucessivas quedas nas cotações do algodão após o início da política chinesa de liquidação de estoques perderam força ontem em Nova York. Os papéis com vencimento em outubro tiveram um leve recuo de 0,06% (quatro pontos), cotados a 61,07 centavos de dólar a libra-peso. Já os contratos com vencimento em julho tiveram sua primeira alta dos últimos quatro dias, cotados a 60,73 centavos de dólar a libra­peso (valorização de 0,21% ou 13 pontos). A sustentação veio do relatório de exportações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que apontou alta de 69% no volume de algodão negociado pelos exportadores americanos na semana até 5 de maio. Na Bahia, a pluma ficou cotada a R$ 86,49 a arroba segundo a associação de produtores local, a Aiba, alta de 0,6%.

Soja: Exportações dos EUA: A queda de 74% nas vendas líquidas de soja americana para o mercado externo, divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ontem em seu relatório de exportações, pressionou as cotações dos contratos futuros negociados em Chicago. Os papéis com vencimento em julho encerraram o dia cotados a US$ 10,72 o bushel (queda de 0,56% ou 6,25 centavos). O preço do grão também passa por uma acomodação após alta de 5,6% registrada na terça-feira após o próprio USDA estimar, no relatório mensal de oferta e demanda, que a disponibilidade de soja será mais apertada na safra 2016/17. No mercado interno, o grão encerrou o dia cotado a R$ 85,5 a saca de 60 quilos segundo o indicador Esalq/BM&F Bovespa para o porto de Paranaguá, queda de 0,06%.

Milho: Relatório altista: O relatório de vendas externas divulgado ontem pelo USDA sustentou os preços do milho na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em julho tiveram alta de 3,04% (11,5 centavos) cotados a US$ 3,89 o bushel. Conforme o USDA, o volume de milho negociado pelos americanos na semana encerrada no dia 5 aumentou 44%. Além dos dados do relatório semanal do USDA, o aumento da produção de etanol a partir de milho nos EUA e a informação de que exportadores americanos relataram ter fechado um contrato para exportação de 210 mil toneladas de milho para a Arábia Saudita também ajudaram a elevar as cotações do cereal na bolsa de Chicago. No mercado brasileiro, o grão ficou cotado a R$ 51,03 por saca de 60 quilos, valorização de 1,19%, de acordo com o indicador Esalq/BM&F Bovespa. (Valor Econômico 13/05/2016)