Macroeconomia e mercado

Notícias

MT: Grupo chinês Pengxin quer investir US$ 2 bi no Estado

O grupo chinês Pengxin está em conversações com o governo do Mato Grosso para implantar um grande projeto agrícola e logístico no estado. Ao todo, os asiáticos acenam com investimentos de até US$ 2 bilhões na compra de terras, plantação de grãos e em infraestrutura.

Governador mostra potencial da agricultura

O governador Pedro Taques e o secretário de Desenvolvimento Econômico Seneri Paludo, se reuniram, no último dia 13 de abril em Cuiabá, com empresários chineses e brasileiros para apresentar as potencialidades de Mato Grosso para investimentos em agricultura, turismo e outras áreas.

O Grupo Pengxin está concretizando um investimento de aproximadamente 3 bilhões dólares em Mato Grosso, com a possibilidade de outros investimentos na ordem de até 20 bilhões de dólares em diversas áreas como agronegócio, infraestrutura, logística, indústria, comércio e setor energético em um prazo de 10 anos. Não foram informados os municípios onde pretendem investir.

Taques apresentou o ambiente negocial que tem sido criado em Mato Grosso, os projetos para melhoria logística do Estado, como integração com o porto do Chile, além de mostrar as riquezas e o potencial do agronegócio local.

O governador também mostrou vídeos institucionais de Mato Grosso traduzidos para o mandarim e propôs um intercâmbio cultural entre estudantes, professores e empresários para ajudar a estreitar os laços entre o país e o Estado.

O secretário Seneri Paludo afirmou que esta foi a primeira reunião do Estado com um grande grupo privado Chinês com investimentos concretos e expectativas de diversas parcerias em outras áreas. “Definimos algumas estratégias como uma rodada de negócios com empresários chineses aqui no Brasil e também levarmos empresários brasileiros para conhecer as oportunidades dos negócios na China”.

Segundo o secretário também foi proposto uma parceria de estados irmãos entre Xangai e Mato Grosso.

Jiagn Zhaobai (Na foto com o governador Pedro Taques), fundador do Grupo Pengxin e Shanghai Pengxin Real Estate Development, conglomerado que conta com mais 40 empresas subsidiárias e trabalhos nos setores imobiliários, construção civil, agricultura, indústria e comércio, contou que ficou bastante surpreso com a seriedade e a ambiência para negócios encontrado em Mato Grosso. Ele afirmou que levará as experiências obtidas no encontro para China e que em breve espera anunciar mais parcerias no Estado (Jornal Relatório Reservado e Brasil Agro 17/05/2016)

 

CNA diz que lei impede retorno imediato de Kátia Abreu

A ex-ministra da Agricultura e senadora Kátia Abreu terá dificuldades se quiser retomar seu posto como presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Reeleita para um terceiro mandato em outubro de 2014 e empossada em dezembro do mesmo ano, ela se licenciou para compor o Ministério no segundo governo Dilma em janeiro de 2015, mas sua posição contrária ao impeachment da presidente afastada a colocou em lado oposto ao da entidade.

Em uma circular enviada aos presidentes de federações estaduais de agricultura, o presidente em exercício da entidade, João Martins, disse que “não há qualquer possibilidade da presidente licenciada da CNA retornar ao cargo no prazo de 180 dias a partir da data de seu desligamento do cargo de ministra de Estado”.

A justificativa é de que servidores públicos têm que passar por quarentena (de 180 dias) antes de assumir funções em entidades que atuam em área semelhante à do cargo anteriormente exercido. A mensagem de Martins foi motivada por uma intenção de boicote, por parte de grupos de produtores, ao pagamento de contribuições sindicais caso a ex-ministra encerrasse sua licença. (leia a íntegra aqui)

Kátia Abreu e CNA entraram em conflito em função do processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff. A entidade apóia a saída de Dilma, alegando que esta é a postura de praticamente todas as federações ligadas a ela. Apenas uma divergiu: a de Tocantins, Estado de Kátia Abreu, pelo qual também tem mandato de senadora até 2018.

“Ela (Kátia Abreu) defende o governo do qual participa, nós defendemos o interesse do setor", disse Martins, quando anunciou oficialmente o apoio da CNA ao impeachment, no início de abril. "Não posso dizer que ela abandonou o produtor, mas se distanciou do produtor rural ao continuar a defender um governo que a cada dia mais está se desintegrando", reforçou.

Oficialmente, a ex-ministra não comenta a situação nem a relação com a CNA. Em sua única declaração pública a respeito da posição da entidade, ela ressaltava sua discordância, mas dizia respeitar a decisão. "Embora não concorde, respeito à decisão da CNA, que é uma entidade de classe independente", respondeu a então ministra da Agricultura.

Sem ambiente

De qualquer forma, com ou sem quarentena, representantes de federações estaduais não veem a possibilidade de retorno da ex-ministra ao comando da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. Dizendo não ter conhecimento de manifestações de produtores contra o pagamento da contribuição sindicado no Estado, o presidente da Federação de Agricultura de Mato Grosso (Famato), Rui Prado lembra que a posição de Kátia Abreu foi contrária à da maioria dos representantes do setor.

“Legalmente ela poderia (reassumir a presidência depois de 180 dias), mas não há ambiente para isso”, reforça. Caso Kátia decida retomar seu cargo após o período, Prado afirmou que a Famato defenderia a convocação de uma assembléia para discutir o assunto.

O presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, também afirma desconhecer movimentação de produtores para boicotar a contribuição sindical no Estado. E reforça a posição contrária ao retorno de Kátia Abreu à presidência da entidade. (Revista Globo Rural 26/05/2016)

 

Indústrias de suco de laranja de SP têm perdas de R$1,1 bi com safra ruim

As indústrias de suco de laranja do Estado de São Paulo tiveram um prejuízo de 1,1 bilhão de reais na temporada 2015/16 devido a uma queda de quase 26 por cento no rendimento industrial, afetado por condições climáticas adversas para as plantações, disse nesta segunda-feira a entidade que representa as grandes empresas exportadoras.

O cálculo tomou como base a necessidade de mais caixas de laranja para produzir o mesmo volume de suco e também a variação dos preços do produto na bolsa de Nova York.

O rendimento industrial médio na safra 2015/16 ficou em 302,2 caixas para a produção de uma tonelada de suco de laranja concentrado 66º Brix (FCOJ equivalente), ante 240,5 caixas registradas na safra 2014/15, informou a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos, (CitrusBR).

"Em vez de processar suco, as empresas processaram água. E essa é uma alta de custo totalmente absorvida pela indústria", disse em nota o diretor-executivo da associação, Ibiapaba Netto.

A entidade disse que suas associadas --Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus-- processaram 240,4 milhões de caixas de laranja de 40,8 quilos na última safra, ante 250 milhões de caixas em 2014/15.

Se a produtividade industrial de 2014/15 tivesse sido mantida, os 240,4 milhões de caixas de 2015/16 teriam rendido 223 mil toneladas de suco (FCOJ) a mais, destacou a CitrusBR.

Na semana passada, o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) estimou que a safra de laranja da região produtora de suco do Brasil deve atingir 245,8 milhões de caixas (40,8 kg cada) na temporada 2016/17, 18 por cento abaixo do total colhido no ciclo anterior, com altas temperaturas reduzindo a produtividade dos pomares.

Em sua primeira estimativa para a nova safra brasileira, o órgão de pesquisa do setor viu ainda uma redução de 6 por cento na área de cultivo em comparação ao ano passado, para 416 mil hectares em 2016/17, com produtores erradicando pomares velhos, em benefício de outras culturas. (Reuters 16/05/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Fôlego técnico: Os preços do açúcar recuperaram o fôlego ontem na bolsa de Nova York com recompras técnicas. Os contratos do açúcar demerara para outubro subiram 13 pontos, para 17,12 centavos de dólar a libra-peso. O pregão foi marcado por compras especulativas e baixo volume de contratos negociados. Embora a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) tenha reportado um forte crescimento da produção no Centro-Sul em abril, os investidores já esperavam pelos dados. Os traders voltam suas atenções nesta semana para um evento do setor que ocorre em Nova York, no qual consultorias divulgarão novas estimativas sobre o balanço entre oferta e demanda de açúcar no mundo. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,73%, para R$ 75,43 a saca de 50 quilos.

Café: Reflexo do Vietnã: O clima desfavorável no Vietnã, maior produtor global de café robusta, afetou as cotações do café arábica na bolsa de Nova York. Ontem, os contratos futuros da commodity com vencimento em julho fecharam o pregão a US$ 1,3360 por libra-peso, valorização de 350 pontos. De acordo com o analista Jack Scoville, da Price Futures Group, as chuvas no Vietnã podem comprometer a floração das cafeeiro no país. Além dos problemas climáticas no Vietnã, a falta de chuvas no Espírito Santo, que lidera a produção de robusta no Brasil, também influencia o preço do arábica, já que uma queda na oferta da espécie robusta pode direcionar a demanda para o café arábica. No mercado doméstico, a saca de café de boa qualidade foi cotada entre R$ 490 e R$ 500,00, segundo o Escritório Carvalhaes.

Cacau: África no foco: O mercado futuro de cacau fechou em queda ontem diante das estimativas de melhora nas condições climáticas no oeste da África. Os contratos com vencimento em setembro encerraram o pregão na bolsa de Nova York a US$ 2.935 a tonelada, retração diária de US$ 40. Em nota, o analista da Price Futures Group, Jack Scoville, destacou que há a expectativa de que a safra intermediária seja melhor que o previsto inicialmente, gerando a esperança de que a produção de 2016/17 volte a patamares expressivos. Por enquanto, a expectativa ainda é de que a produção da Costa do Marfim seja 150 mil toneladas menor do que na safra intermediária do ciclo passado. Em Ilhéus, o preço médio ficou estável, em R$ 153 a arroba, segundo a Secretaria de agricultura da Bahia (Seagri).

Soja: Maior oferta: Com a perspectiva de aumento na área plantada de soja nos Estados Unidos, os contratos futuros da oleaginosa tiveram sua quarta sessão seguida de queda na bolsa de Chicago na segunda-feira. Os papéis com vencimento em agosto encerraram o pregão a US$ 10,6675 o bushel, leve queda de 0,25 centavo de dólar. Antes do encerramento da sessão, a consultoria Informa Economics estimou que o grão deve ocupar 33,6 milhões de hectares no país na safra 2016/17 ­ 311,6 mil hectares acima da última estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e 150 mil hectares a mais que a área plantada do ciclo 2015/16. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&F Bovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 85,47 a saca de 60 quilos, uma queda de 0,37%. (Valor Econômico 17/05/2016)