Macroeconomia e mercado

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Chinesa CMOC mira controle da Heringer

Após pagar US$ 1,5 bilhão pelos negócios de fosfato e nióbio da Anglo American no Brasil, a chinesa CMOC tem um novo alvo.

Os asiáticos já teriam aberto conversações para a compra do controle da Heringer. O objetivo da CMOC é montar uma grande operação integrada no país, desde a matéria-prima até a produção de fertilizantes. (Jornal Relatório Reservado 17/05/2016)

 

Prejuízo da LDC no país subiu 165%

A Louis Dreyfus Company Brasil S.A., subsidiária da francesa Louis Dreyfus Commodities, uma das maiores empresas de agronegócios do mundo, encerrou 2015 com um prejuízo líquido de R$ 442,44 milhões, um aumento de 165% sobre o resultado também negativo de R$ 166,91 milhões reportado no ano anterior.

Em balanço financeiro publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo no sábado, a empresa informou ainda que sua receita líquida no país em 2015 cresceu 16%, para R$ 16,12 bilhões. O custo dos produtos vendidos e serviços prestados ficou em R$ 14,43 bilhões, o que resultou em um lucro bruto de R$ 1,69 bilhão, mais de quatro vezes superior ao de 2014.

Entretanto, houve uma elevação expressiva nas despesas operacionais, de R$ 450,4 milhões para R$ 729,9 milhões. As despesas financeiras também cresceram quase oito vezes, para R$ 1,95 bilhão.

A Louis Dreyfus Sucos S.A, empresa de suco de laranja controlada pela Louis Dreyfus Company Brasil, também divulgou seus resultados, que apontaram um prejuízo líquido de R$ 247,5 milhões em 2015. Trata-se de uma perda 88,3% superior ao prejuízo de R$ 131,4 milhões em 2014.

Em 2015, a receita líquida da Louis Dreyfus Suco totalizou R$ 1,506 bilhão, alta de 38,6% ante o ano anterior. No ano passado, a Louis Dreyfus Sucos teve despesas financeiras de R$ 281,1 milhões, o triplo dos R$ 93,7 milhões registrados em 2014. (Valor Econômico 17/05/2016)

 

Nova política da Europa para o açúcar muda mercado global e afeta o Brasil

Mudanças expressivas nas barreiras comerciais que controlam o setor de açúcar estão redesenhando o mapa do mercado de uma das commodities mais protegidas do mundo.

Muitos países produtores de açúcar protegem sua indústria doméstica através da combinação de pagamentos garantidos a agricultores, restrições à produção ou limites de importação. Mas esse setor está sendo gradualmente liberalizado com uma série de medidas que podem derrubar os preços do açúcar. Refinarias e exportadores estão tentando descobrir o que vai mudar quando elas entrarem em vigor.

A maior mudança será a remoção das cotas de produção e dos pagamentos mínimos para os produtores de beterraba usada na fabricação de açúcar na União Européia a partir de outubro de 2017. A expectativa é que os agricultores passem a exportar a maior parte do excedente, o que pode transformar a UE em uma grande concorrente no mercado internacional.

Além disso, a Organização Mundial do Comércio está analisando se a Tailândia, o segundo maior exportador de açúcar do mundo, está violando as regras comerciais ao subsidiar sua produção em um processo aberto pelo Brasil, o maior produtor mundial e uma voz potente a favor da liberalização. As barreiras de mercado na África também estão sendo pressionadas por acordos comerciais regionais.

"O mundo do açúcar vai ser sacudido por completo", diz Hartwig Fuchs, diretor-presidente da Nordzucker AG, o segundo maior produtor de açúcar da Europa. Fuchs estima que a Europa tem potencial para colocar mais 3,5 milhões de toneladas de açúcar novo no mercado global por ano, total ligeiramente superior a 6% do volume de comércio global esperado para este ano.

As mudanças em andamento criam incertezas em um momento de volatilidade para o mercado de açúcar. O consumo de açúcar deve ultrapassar a oferta em 2016, depois de cinco anos de superávits e preços estagnados. O mercado subiu nos últimos meses depois que secas reduziram a produção em várias partes do mundo. Ainda assim, analistas acreditam que os preços podem cair no longo prazo pelo excesso de produção. As mudanças que entrarão em vigor na Europa em outubro de 2017 são o auge de um processo que já provocou um corte nos subsídios do açúcar na UE depois de a OMC condenar o bloco em 2005 por praticar dumping em um processo aberto pelo Brasil, Tailândia e Austrália.

Com as reformas do ano que vem, os produtores europeus, que atualmente ocupam o terceiro lugar no ranking da produção mundial, dizem que irão elevar a oferta e exportar mais açúcar.

"A UE certamente se tornará uma exportadora líquida", diz Olivier Lippens, diretor administrativo da Finasucre SA, uma produtora de açúcar da Bélgica. Lippens estima que as exportações líquidas podem atingir até três milhões de toneladas ao ano.

Enquanto isso, as restrições sobre as importações de açúcar demerara serão mantidas na UE. Essa combinação pode prejudicar importadores como Tate & Lyle Sugars, cuja refinaria em Londres vem produzindo açúcar há 138 anos.

"Não seremos competitivos depois de 2017 a menos que a regulação mude", diz Gerald Mason, vice-presidente da Tate & Lyle.

Muitos produtores de demerara do Caribe e da África dependem das vendas para refinadores europeus. "As pessoas que vêm fornecendo para a Europa há mais de 100 anos ou mais, infelizmente, são as vítimas", diz Karl James, gerente da Jamaica Cane Products Cales Ltd.,exportadora jamaicana de açúcar.

Entre essas vítimas potenciais está também o Brasil. As reformas da UE devem reduzir o acesso do açúcar brasileiro à Europa ao mesmo tempo em que cria um concorrente para o produto do Brasil no mercado internacional, disse Geraldine Kupas, assessora sênior da presidência da Unica para assuntos internacionais, em entrevista ao The Wall Street Journal, de Bruxelas. A Unica é a entidade que representa a indústria brasileira de açúcar e etanol.

"Com a abolição das cotas de produção, os países mais competitivos da UE como França e Alemanha irão elevar sua oferta de açúcar, reduzindo a necessidade de importação do bloco em até 50%", disse ela. Esse açúcar que precisará ser importado virá de países com os quais a UE possui acordos de comércio ou cotas sem impostos, acrescentou.

Hoje, o Brasil exporta 600 mil toneladas de açúcar por ano para a UE através de um sistema de cotas pelo qual paga um imposto de 98 euros por tonelada, considerando um preço médio de 350 euros por tonelada. "Como o Brasil não possui um acordo de livre comércio com o bloco para o açúcar e o etanol, esse volume exportado pode desaparecer a partir de 2017", disse Kutas.

Além de perder o acesso ao mercado europeu, o Brasil terá que enfrentar a concorrência dos produtores da UE no mercado internacional de açúcar. Atualmente, a UE tem suas exportações limitadas em 1,4 milhão de toneladas, "mas esse número pode subir consideravelmente com as reformas", afirma a assessora.

A mudança também deve atingir os produtores com custo mais elevado do Caribe, que podem ter dificuldades em competir na Europa quando os preços caírem com o fim das cotas.

Na Europa, os produtores de beterraba já cortaram os preços para ganhar mercado antes da reforma de 2017. O impacto está sendo sentido por todo o setor açucareiro. A refinaria da Tate & Lyle, às margens do Tâmisa, está operando com capacidade reduzida. Em outubro, a Jamaica Cane Products Sales concordou em estender por um ano um contrato de fornecimento de açúcar demerara para a Tate & Lyle por cerca de US$ 370 a tonelada, bem abaixo dos US$ 770 registrados no acordo anterior de três anos.

Em uma mudança de posição em relação à decisão da OMC de 2005 que derrubou as barreiras europeias, o Brasil agora está colocando a mira em seu antigo aliado, a Tailândia. O Brasil tem acusado a Tailândia de aumentar sua participação no mercado de açúcar global subsidiando as exportações. Em uma manobra complexa, o governo tailandês fixa os preços domésticos do açúcar, taxa as vendas e usa a receita para subsidiar os produtores de cana-de-açúcar. O Brasil afirma que isso é uma violação às decisões da OMC que custa aos seus exportadores cerca de US$ 1 bilhão por ano.

O Brasil "quer um resultado similar ao que obteve quando processou a União Europeia", diz João Botelho, analista da corretora INTL FCStone Inc. (Valor Econômico 18/05/2016)

 

Japão semeia crescimento ao investir em ‘startups’ agrícolas

Há alguns anos, o produtor de arroz Senichi Makino (Foto) teve uma ideia para fortalecer seus negócios. Ele queria usar arroz integral para preparar uma mistura que imitasse o sabor e a textura da carne.

O problema era persuadir os bancos locais a liberar financiamento para que ele pudesse construir a fábrica. No Japão, os bancos ainda preferem fazer empréstimos para ativos reais, como terra, em vez de financiar apenas uma ideia brilhante. E em um lugar como Sabae — uma pequena cidade de interior na região central do Japão — é difícil achar um investidor de capital de risco.

Makino encontrou seu salvador em um fundo liderado pelo governo japonês e um banco nacional de agricultura. Ele colocou dinheiro suficiente no negócio para transmitir aos bancos confiança, e eles concordaram em emprestar cerca de US$ 4 milhões à nova empresa. “Eu pude começar esse negócio somente porque encontrei outros que estavam dispostos a compartilhar os riscos comigo”, diz Makino.

Por trás do fundo que o apoiou está um esforço do Japão em conter desafios sem precedentes no setor agrícola. O acordo da Parceria Transpacífico entre o Japão, os Estados Unidos e outros dez países pode abrir as portas para produtos estrangeiros mais baratos. Pressões no orçamento estão limitando a capacidade do governo de dar continuidade a antigos e generosos subsídios aos agricultores. E o envelhecimento das comunidades agrícolas requer novas ideias para impedir que os jovens continuem migrando para as cidades.

O fundo ajudou Makino a criar uma “startup” chamada Maisen Fine Food Co. Em fevereiro, sua fábrica entrou em operação e as vendas começaram no mês seguinte. As empresas de Makino atualmente empregam cerca de 30 pessoas no total e controlam a maior parte da cadeia de suprimentos, desde a plantação e a colheita do arroz em Sabae até os esforços de marketing para promover o produto em Tóquio.

Tradicionalmente, a ajuda do governo para a agricultura têm consistido principalmente em subsídios e apoio aos preços. Juntos, eles representam aproximadamente metade da receita dos agricultores, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. A OCDE, entidade com sede em Paris que reúne países desenvolvidos, afirma que o Japão está entre os integrantes do grupo que mais apoiam práticas agrícolas anticompetitivas.

O novo programa ainda envolve apoio do governo. Mas Yasufumi Miwa, do Instituto de Pesquisa do Japão, um centro de estudos, diz que há uma mudança na forma de pensar, porque o dinheiro dos contribuintes vai para projetos selecionados nos moldes do capital de risco, e não é concedido para todo mundo.

O outro grande investidor do fundo por trás da Maisen Fine Food é o Norinchukin Bank, instituição com sede em Tóquio com 64 trilhões de ienes (US$ 590 bilhões) em carteira, recursos esses que têm origem nas cooperativas agrícolas do país.

O banco Norinchukin normalmente investe seus ativos em títulos de dívida com classificação de risco segura. Mas ele tem ampliado os investimentos em participações de empresas para ajudar os agricultores a encontrar novas fontes de renda.

Isso é parte de uma tendência mais ampla entre os gigantes do setor financeiro japonês, que estão lidando com rendimentos negativos na maioria dos títulos do governo devido à política de juros abaixo de zero do Banco do Japão, o banco central do país.

Até agora, os investimentos têm sido relativamente pequenos. O fundo que ajudou Makino pode investir até 10 bilhões de ienes (US$ 917 milhões) e colocou dinheiro em 11 empreendimentos. Ele investiu 30 milhões de ienes em uma empresa criada conjuntamente por um produtor de cebolinha de Kyoto e a fabricante de máquinasIwatani Corp. para construir uma fábrica mais eficiente para o congelamento de vegetais.

Tudo somado, os fundos que contam com o apoio do governo nas áreas de agricultura, silvicultura e pesca já investiram em cerca de 90 empreendimentos desde que o programa teve início, há três anos.

Os bancos comerciais afirmam que também reconhecem a necessidade de estimular as startups do Japão. Koichi Miyata, diretor-presidente do Sumitomo Mitsui Financial Group Inc., diz que os bancos devem avaliar as startups com base em suas perspectivas de negócios, não apenas pelo montante de garantias colaterais que elas podem oferecer. “Precisamos mudar nossa mentalidade.”

Algumas startups do setor agrícola estão tentando se beneficiar da crescente popularidade dos alimentos japoneses no exterior. “Os alimentos são [características] únicas dos lugares […] Com a estratégia de marketing correta, podemos criar produtos pelos quais os consumidores estejam dispostos a pagar”, diz Shigeaki Koga, diretor de investimento da A-Five, a entidade governamental por trás dos investimentos agrícolas.

Makino, o produto de arroz que fundou a startup que desenvolveu um produto que imita a carne, diz que os investimentos de capital de risco de 50 milhões de ienes que a Maisen Fine Food recebeu — equivalente a metade do seu capital próprio — deu a ela a credibilidade de que precisava para conseguir um empréstimo de 400 milhões de ienes junto aos bancos com taxas de juros mais baixas do que as que a Maisen geralmente conseguia, de 1,5%.

A empresa tem poucos produtos, mas ela espera vendê-los a consumidores e restaurantes. Alguns parecem carne moída e finas fatias de carne. O objetivo é que eles sejam usados como ingredientes em pratos que costumam utilizar carne, como sopas e receitas a base de curry. Um restaurante próximo à fábrica de Makino usa o ingrediente para uma versão vegetariana de pato à Pequim. O movimento global em direção a alimentos sem glúten e vegetarianos pode estimular a demanda, diz ele.

A mulher do empreendedor e seus dois filhos também trabalham na Maisen. Ele diz que tinha uma missão e precisava assumir riscos. “E já que você tem que assumir riscos, é preferível assumir grandes riscos para alcançar grandes resultados”. (The Wall Street Journal 18/05/2016)

 

CNA questiona união europeia pela ausência de cotas para carne bovina e etanol nas negociações com o Mercosul

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) questiona a decisão tomada pela União Europeia de não incluir as cotas para a importação de carne bovina e de etanol, na retomada das negociações com o Mercosul,  ao trocar suas ofertas de acesso a mercado depois de 12 anos  sem avanços nas discussões bilaterais. A decisão, segundo o entendimento da CNA, “é absolutamente frustrante especialmente porque, inicialmente, a Comissão Europeia pretendia liberar a exportação de pelo menos 78 mil toneladas anuais de carne bovina sem hormônios, além de 60 milhões de litros de etanol”.

Dentro desse cenário, a CNA defende que a agropecuária brasileira “tenha prioridade e papel de destaque nas negociações que envolvem acesso a mercados, com a participação decisiva do Brasil e dos parceiros do Mercosul”. A CNA entende, ainda, que a Europa precisa valorizar a importância estratégica do relacionamento histórico e econômico com os países do Bloco, “sob pena de tornar inviável uma possível negociação”.

Para defender a produção local, os agricultores europeus têm “disseminado informações errôneas e questionado padrões sanitários e de rastreabilidade, sem fundamento técnico e científico”, destaca documento da CNA sobre as negociações do Mercosul com a União Européia.

Passo significativo

Mesmo com essas dificuldades, a CNA entende que os dois blocos deram um passo importante e significativo nas relações comerciais. Mas, para a Confederação, a carne bovina é um dos principais interesses do Mercosul no acordo em discussão. “A Comissão Europeia tem consciência de que, se quiser ser levada a sério pelo Mercosul, terá, mais cedo ou mais tarde,  de resolver essa questão do acesso ao mercado para a carne bovina sul-americana”, diz ainda a CNA.

As cotas, em todos os setores, não apenas na agricultura, representam a base para qualquer negociação comercial. Sendo que as definições sobre as suas quantidades e sobre as perspectivas de aumento ou redução dos seus volumes, argumenta a CNA, são tomadas ao longo das rodadas de negociações. Para a Confederação “o Mercosul está oferecendo tudo e está disposto a ir além, mas a União Europeia precisa demonstrar  que tem a mesma intenção e, sobretudo, respeitar o Mercosul como importante parceiro comercial que é”. (CNA 18/05/2016)

 

State Grid espera acordo sobre Abengoa no fim do mês

A chinesa State Grid segue negociando com a Abengoa a aquisição de seus ativos no Brasil, tanto os operacionais como os que ainda estão em construção, afirmou Ramon Haddad, vice-presidente da State Grid Brazil. A expectativa dele é que "um rumo" para as negociações seja definido entre o fim de maio e o começo de junho.

A mudança no governo e no comando da pasta de Minas e Energia, que vinha participando das negociações, não alterou a expectativa da State Grid sobre os ativos, disse Haddad ontem durante o evento Brazil Power & Energy Summit, em São Paulo.

"Não percebemos nenhuma alteração na nossa negociação com os ativos da Abengoa, tudo continua normalmente, as análises estão sendo feitas, a due dilligence sendo finalizada", disse Haddad. Segundo ele, a mudança do governo não mudou esse processo.

Ele disse que não foram definidos valores ainda para a operação, por se tratar de um pacote de ativos com grande complexidade.

O principal projeto da Abengoa ainda em construção à venda é a linha de transmissão que vai escoar a energia gerada na hidrelétrica de Belo Monte aos estados do Nordeste. As obras estão paralisadas desde novembro do ano passado, quando a controladora espanhola pediu recuperação judicial. Em janeiro, a Abengoa entrou com recuperação judicial no Brasil.

Como não poderá haver um aumento da receita anual permitida (RAP) dos ativos da Abengoa, com aumento das taxas de retorno, a State Grid espera uma prorrogação dos prazos de construção, referente ao período de paralisação das obras.

"Nossa análise está sendo complexa, por isso inclusive não definimos nada. As negociações ainda estão acontecendo, mas estamos naquele ponto prévio de tomada de decisão", disse Haddad.

Além da empresa chinesa, outras transmissoras têm demonstrado interesse em ativos da Abengoa e também participam de conversas. Segundo Haddad, a State Grid considerou uma parceria para os investimentos "em um determinado momento, mas estamos evoluindo para uma análise mais isoladamente". A parceria, porém, ainda não está descartada.

Além dos investimentos em transmissão de energia, a companhia chinesa mira outros segmentos no setor elétrico no Brasil, com destaque para fontes renováveis de geração de energia e distribuidoras, disse Haddad.

Em distribuição, o foco é em fusões e aquisições, "pois a distribuição já está totalmente implantada" no Brasil e "as oportunidades de expansão são restritas às empresas que estão atuando". Esse setor pode ser mais afetado pela mudança no governo, mas o interesse nos ativos permanece.

Além de uma consolidação em distribuição, Haddad citou outras possibilidades como a compra de participações em empresas existentes. "Apesar de não haver nada concreto, estamos avaliando". Sobre a Celg D, que deve ser privatizada neste ano pela Eletrobras, Haddad afirmou que o preço, considerado caro, deve ser revisto, "mas vai depender da intenção do governo". (Valor Econômico 18/05/2016)

 

Aposta em nova alta dos juros americanos derruba Ibovespa

A percepção de que o Fed, o banco central dos Estados Unidos, pode elevar a taxa básica de juros da economia mais rápido do que o previsto pelos economistas desanimou o investidor do mercado de ações. As bolsas americanas fecharam em baixa e no Brasil o Ibovespa caiu 1,86% para 50.839 pontos. Nem o anúncio dos integrantes da equipe econômica do governo do presidente interino Michel Temer ajudou na recuperação do mercado de ações.

Os nomes da equipe já eram esperados pelos investidores e não trouxeram surpresas. As dúvidas agora ficam com a capacidade de o governo conseguir aprovar reformas importantes para a retomada do crescimento econômico, como as da Previdência, tributária, trabalhista e fiscal. "Será difícil aprovar as medidas porque elas são impopulares, o governo deve encontrar resistência do Congresso e dos movimentos populares", disse Raymundo Magliano Neto, diretor da Magliano Corretora.

Até a divulgação dessas medidas econômicas, os investidores devem acompanhar o cenário internacional. Ontem, dois diretores regionais do Fed reforçaram os sinais de que uma elevação de juros pode estar próxima, o que não favoreceria os investimentos em países emergentes. Segundo o diretor de operações da Mirae Asset Wealth Management, Pablo Spyer, a divulgação de indicadores econômicos americanos reforçou essa percepção. O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos subiu 0,4% em abril, em relação ao mês anterior, no ritmo mais acentuado em mais de três anos. O índice Dow Jones caiu 1,02%, o S&P 500 recuou 0,94% e o Nasdaq perdeu 1,25%.

Entre as ações que compõem o Ibovespa, os destaques ficaram com os papéis da Lojas Americanas PN, que subiram 6,35%, a maior alta do dia. A empresa anunciou que sua controlada de comércio eletrônico, a B2W, anunciou um aumento de capital privado no valor de R$ 823 milhões. A Lojas Americanas se comprometeu, em seguida, a exercer o direito de preferência do aumento e subscrever R$ 458 milhões na operação.

Também subiram as ações da Bradespar PN, com ganho de 3,88%, Cosan ON, com alta de 3,22%, Vale PNA, que subiu 2,90% e Vale ON, com alta de 1,33%. Essa valorização acompanhou o desempenho positivo do preço do minério de ferro, que subiu 4,9% no porto de Qingdao, na China.

Já os papéis da Petrobras ON caíram 1,11% e Petrobras PN cedeu 2,56%, apesar da alta no preço do petróleo no mercado internacional. A estatal captou US$ 6,75 bilhões com a emissão de bônus de cinco e dez anos. A demanda foi de R$ 20,5 bilhões. A companhia, entretanto, perdeu uma disputa na última instância do Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf), que decidiu que o lucro da controlada ou coligada no exterior deve ser tributado pelo Imposto de Renda e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). O entendimento foi adotado no julgamento de três processos da estatal, que ainda pode recorrer da decisão.

Outra ação com destaque foi Eletrobrás ON, que caiu 6,67%, com o risco de ser sair da listagem da bolsa de Nova York. A empresa informou que não vai entregar à SEC, a CVM americana, informações sobre seu balanço, que não foi assinado pela consultoria KPMG por conter irregularidades. Agora, terá de recomprar os recibos de ações negociados nos Estados Unidos pelo valor de face, de cerca de US$ 3 bilhões. (Valor Econômico 18/05/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Volatilidade intensa: Os preços do café arábica na bolsa de Nova York tiveram um dia de intensa volatilidade ontem, encerrando o pregão a US$ 1,3270 a libra-peso nos contratos com entrega para julho, queda de 0,67%, ou 90 pontos. Foi a primeira desvalorização da commodity após duas semanas de alta nos preços. Uma forte seca no Vietnã e no Estado do Espírito Santo, no Brasil, dá suporte aos preços do robusta na bolsa de Londres, o que influencia as cotações do arábica em Nova York. Em abril, os contratos do café robusta tiveram sua maior média mensal desde novembro do ano passado. Com isso, os preços do arábica acumulam alta de 10,91% desde o início deste mês. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica ficou em R$ 475,54 a saca de 60 quilos, ligeira elevação de 0,08%.

Cacau: Mais chuva na África: A melhora nas condições climáticas do oeste africano segue pressionando os preços do cacau em Nova York. Os contratos com vencimento em setembro encerraram o pregão de ontem cotados a US$ 2.909 a tonelada, queda de 0,88% (US$ 26). De acordo com a agência Reuters, a redução no volume de cacau entregue nos portos da Costa do Marfim, maior produtor mundial da amêndoa, tem perdido força. Na semana móvel encerrada no último dia 15 foram entregues 5 mil toneladas a menos na comparação com o mesmo período do ano passado. Na semana anterior, essa redução havia sido de 10 mil toneladas. Em Ilhéus e Itabuna (BA), o preço médio da amêndoa ficou em RS$ 147 por arroba, conforme a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Alta em Chicago: Após quatro sessões de queda na bolsa de Chicago, os preços da soja tiveram sua primeira alta ontem, refletindo o ritmo um pouco mais lento do plantio nos EUA em relação ao mesmo período da safra passada. Os contratos com vencimento em agosto encerraram o pregão a 10,8250 o bushel, valorização de 1,47% (15,75 centavos). Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 36% da área esperada para a soja estava semeada até o dia 15, abaixo dos 41% observados no mesmo período de 2015. Analistas também atribuíram a elevação à atuação dos fundos de investimento, diante da perspectiva de uma oferta global mais apertada em 2015/16. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o porto de Paranaguá (PR) ficou em R$ 86,05 a saca de 60 quilos, alta de 0,68%.

Milho: Atenção ao plantio: As notícias de plantio um pouco mais lento nos EUA, se comparado ao mesmo período de 2015, ajudaram a sustentar os preços do milho na bolsa de Chicago. Os papéis para setembro encerraram o pregão de ontem a US$ 3,9975 por bushel, alta de 0,95% (US$ 3,75). Foi a quarta sessão seguida de valorização da commodity. Conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a semeadura do grão atingiu 75% da área estimada até o último dia 15 no país, abaixo dos 82% no mesmo período do ano passado. Além disso, os investidores esperam uma migração de até 1,2 milhão de hectares do milho para a soja nos EUA, já que os preços da oleaginosa estão mais atraentes. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 51,81 a saca, alta de 0,5%. (Valor Econômico 18/05/2016)