Macroeconomia e mercado

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Yara está visando negócio de fertilizantes da Vale

A Norueguesa Yara International vê o negócio de fertilizantes da Vale como uma entre várias oportunidade de investimentos, com a empresa visando potenciais aquisições no Brasil, disse seu presidente-executivo nesta quarta-feira.

A Vale disse em um documento em abril que "continua a trabalhar para formar uma parceria estratégica em fertilizantes, com o objetivo de desinvestir e arrecadar capital".

"Esta é claramente uma das oportunidades", disse o diretor financeiro Torgeir Kvidal, nos bastidores de uma conferência de investidores da BMO Capital Markets, em Nova York. Ele não quis dizer se a Yara e a Vale conversaram sobre o acordo.

Não é a única oportunidade de compra, no entanto, e Kvidal disse que os preços baixos dos fertilizantes criaram mais disponibilidade entre os vendedores de ativos de produção e distribuição. (Reuters 18/05/2016)

 

Setor de armazenagem agrícola espera recuperação após mudanças em Brasília

A indústria de armazéns agrícolas deverá observar uma recuperação nas carteiras de pedidos a partir do segundo semestre, com uma melhora da confiança dos investidores brasileiros e uma crescente demanda imposta por consecutivas safras recordes no país, disse à Reuters um importante executivo do setor. "O segundo semestre tende a ser melhor que o primeiro. Colocando-se confiança na economia, acredita-se que teremos retomadas dos pedidos já a partir do mês de julho e 2017 só tem como ser melhor que 2016", afirmou Olivier Colas, vice-presidente da Kepler Weber, líder no mercado brasileiro de armazenagem de grãos.

O setor de fabricação e instalação de silos vivenciou anos de ouro no início desta década, quando linhas de crédito do governo ofereceram recursos fartos e baratos para investimentos neste tipo de infraestrutura, ainda escassa no país que é um dos maiores produtores e exportadores globais de grãos. Contudo, a partir de 2015, com o aperto da política econômica, os financiamentos estatais subsidiados minguaram e tornaram-se mais caros, com impacto direto nas contratações de novas estruturas.

A aposta de Colas é que a mudança no governo federal, com uma nova equipe econômica, dê ânimo para os investimentos privados, ainda que as linhas oficiais de crédito não sofram grandes alterações. "Tem dinheiro na iniciativa privada, não é que (o setor) precisa exclusivamente do financiamento público. As condições já são muito melhores do que alguns dias atrás", analisou o executivo. "Tenho que olhar muito mais pra frente... Nos próximos 3 anos vamos voltar a patamares saudáveis, embora abaixo de 2013 e 2014."

Na semana passada, a Kepler Weber divulgou seu balanço do primeiro trimestre, com resultados negativos. A empresa teve prejuízo líquido de 5,7 milhões de reais, como reflexo da queda no faturamento, devido à baixa liquidez da carteira de pedidos. A receita líquida da divisão de armazenagem caiu 13,5 por cento na comparação com o primeiro trimestre de 2015, sendo que a receita líquida da companhia no período só subiu porque teve um impulso da divisão de exportações.

O otimismo de Colas com o futuro deve-se também à posição inabalável do Brasil como grande produtor e exportador de commodities agrícolas. O país está colhendo em 2015/16, pela segunda temporada consecutiva, uma safra de grãos no patamar histórico de mais de 200 milhões de toneladas.

"O primeiro trimestre de 2016 é (o fundo de) um vale. Não é possível ter um nível de atividade tão baixo num país que é o celeiro do mundo", ponderou. Outra expectativa quanto à nova administração federal é que ela consiga fazer deslanchar investimentos em portos, ferrovias e rodovias. "Concessões nos interessam. Quando aumenta o número de estrada e ferrovias, isso aumenta o potencial para construção de novos armazéns ao longo desses eixos de escoamento", afirmou o executivo. (Reuters 19/05/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Pressão do dólar: O fortalecimento do dólar em relação a diversas moedas pressionou as cotações do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York. Os contratos da commodity para outubro fecharam com recuo de 0,12% (2 pontos), cotados a 17,08 centavos de dólar a libra-peso. O dólar mais caro incentiva as exportações do Brasil ao aumentar a rentabilidade das vendas. O país é o maior produtor mundial da commodity e, num contexto de déficit na oferta global, ganha ainda mais peso no mercado. Segundo a consultoria FCStone, a safra internacional 2016/17 terá uma produção de açúcar 7,8 milhões de toneladas menor do que a demanda esperada para o ciclo. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 75,72, alta de 0,37%.

Cacau: Alta técnica: Os contratos futuros de cacau na bolsa de Nova York tiveram ontem sua primeira elevação após seis sessões consecutivas de desvalorização. Os contratos com vencimento em setembro fecharam em alta de 1,06% (US$ 31), a US$ 2.940 a tonelada. A melhora no regime de chuvas no oeste da África vinha pressionando os preços. A região é responsável por dois terços da produção mundial e no último ano sofreu uma severa seca. A trading Olam International estima um déficit de oferta de 400 mil toneladas na safra atual (2015/16), o pior em 30 anos. A alta foi resultado da cobertura de posições vendidas por fundos de investimento. Em Ilhéus e Itabuna (BA), o preço médio ficou em R$ 150 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau, alta de 2,04%.

Soja: De volta à realidade: Os contratos futuros da soja voltaram a cair ontem após a alta pontual no dia anterior. Os papéis com vencimento em agosto encerraram o pregão da bolsa de Chicago cotados a US$ 10,77 o bushel, queda de 0,51% (5,5 centavos). A redução nos preços reflete o possível aumento de até 1,2 milhão de hectares na área plantada dos Estados Unidos ante a redução no plantio do milho. A melhor remuneração e o tempo firme no Meio-Oeste do país são fatores de incentivo para o plantio da oleaginosa. De acordo com levantamento do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 36% da área estimada para a soja na atual safra 2016/17 já foi semeada no país. No mercado interno, o indicador Cepea/BM&FBovespa para soja no porto de Paranaguá ficou em R$ 86,18 a saca de 60 quilos, alta de 0,15%.

Milho: Produção em queda: Os preços do milho registraram ontem o quinto pregão seguido de alta na bolsa de Chicago. Os contratos para setembro fecharam com avanço de 0,62% (2,50 centavos), a US$ 4,0225 o bushel. Desde que o último relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou uma oferta mais apertada de soja, ocasionando alta nos preços da oleaginosa, o mercado tem trabalhado com a possibilidade de redução na área plantada com milho no país. Associado a um cenário de queda na produção de outros grandes exportadores mundiais, entre eles o Brasil, o preço da commodity já acumula alta de 4,86% em Chicago desde o último dia 10. No mercado interno, o indicador Esalq/ BM&FBovespa ficou em R$ 52,82 a saca de 60 quilos, alta de 1,95%. (Valor Econômico 19/05/2016)