Macroeconomia e mercado

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Duelo de titãs

ArcelorMittal e Rumo ALL estão às portas de um contencioso.

A siderúrgica estuda entrar com uma ação contra a concessionária devido à interrupção dos serviços na Ferrovia Bauru-Corumbá, por onde escoa aço de suas usinas.

Segundo o RR apurou, as perdas da ArcelorMittal com a desativação da ferrovia chegariam a R$ 500 milhões.

Consultadas, a Arcelor nega o litígio, embora já tenha entrado com um processo administrativo na ANTT. Já a Rumo não se pronunciou. (Jornal Relatório Reservado 19/05/2016)

 

Fusão entre Bayer e Monsanto reduziria concorrência no agronegócio

Fusão entre Bayer e Monsanto reduziria concorrência no agronegócio.

Uma fusão entre a alemã Bayer AG e a americana Monsanto Co. colocaria uma fatia significativa do mercado de sementes e pesticidas nas mãos de apenas três empresas, elevando os temores de agricultores e legisladores de que os preços dos produtos subam e que haja menos opções de escolha no mercado.

A Bayer confirmou ontem que entrou em contato com a Monsanto para negociar uma possível fusão. As conversas haviam sido divulgadas pela Monsanto na noite de quarta-feira. Embora os detalhes do acordo ainda não estejam claros, qualquer oferta de aquisição total seria avaliada em mais de US$ 42 bilhões, o valor de mercado atual da Monsanto.

Qualquer nova consolidação da indústria deve levar autoridades antitruste do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e da Comissão Europeia a alterar suas análises dos negócios já anunciados do setor de agricultura, diz Andre Barlow, sócio da Doyle, Barlow & Mazard PLLC, firma que assessora empresas sobre fusões, mas não está envolvida em nenhum dos negócios agrícolas.

Em pouco mais de seis meses, a Dow Chemical Co. e a DuPont Co. fecharam uma fusão — num acordo que depois dividiu a nova empresa em três novas companhias concentradas em agricultura, materiais e produtos especiais. E a estatal chinesa China National Chemical Corp. fechou um acordo para comprar a gigante suíça de sementes e pesticidas Syngenta AG. Ambos os acordos ainda estão sendo avaliados pelas autoridades.

Os acordos “entre a Dow e a DuPont e entre a ChemChina e a Syngenta levantam suas próprias questões, mas o Departamento de Justiça terá de analisar a forma como as três ofertas podem impactar o cenário competitivo daqui para a frente no que se refere a sementes e na proteção de lavouras”, diz Barlow.

Se concluídos, esses acordos e a potencial fusão entre a alemã Bayer e a Monsanto, colocariam 83% das vendas de sementes de milho dos EUA e 70% do mercado global de pesticidas sob o controle de apenas três empresas, gerando preocupação no setor agrícola num momento em que os produtores enfrentam forte pressão, após três anos de queda nos preços das commodities.

“É praticamente certo que haverá bem menos concorrência no mercado e, como consequência, os agricultores vão acabar pagando mais caro”, diz Roger Johnson, presidente da União Nacional de Agricultores, grupo lobista de Washington que representa agricultores e pecuaristas.

A Monsanto informou que seu conselho de administração vai considerar a oferta não solicitada da Bayer, mas afirmou que não havia garantia de que um negócio será fechado. A Monsanto explorou a possibilidade de consolidação antes, incluindo uma tentativa frustrada de comprar a Syngenta por US$ 46 bilhões no ano passado. Não está claro se a Monsanto está interessada em ser comprada ou se as duas empresas chegarão a um acordo sobre os termos de uma fusão.

Empresas de sementes como a Monsanto e a DuPont entraram em guerras de preços para defender suas participações de mercado, à medida que um setor agrícola deprimido e o declínio de preços do milho e da soja têm forçado agricultores a reduzir os gastos com sementes, pesticidas, fertilizantes e equipamentos. A Monsanto, a maior empresa de sementes do mundo, também licencia genes que permitem que culturas biotecnológicas resistam a pragas, herbicidas e à seca.

Nos EUA, os políticos que representam Estados do cinturão agrícola poderiam levantar receios sobre segurança alimentar quando confrontados com a possibilidade de que cerca de 40% das sementes de milho e soja usadas no país sejam vendidos por empresas de fora, caso a Monsanto passe a ser propriedade de uma companhia alemã.

Ao mesmo tempo, a oposição a organismos modificados geneticamente é forte em grande parte da Europa. E apenas uma cultura biotecnológica tem aprovação para ser cultivada no bloco.

Embora a oposição não se traduza em fundamentos legais para impedir a compra da Monsanto pela Bayer, dizem analistas, ela pode desencadear uma nova onda de oposição dos críticos às culturas geneticamente modificadas, que alegam que os pesticidas voltados para sementes biotecnológicas causam danos ao meio ambiente e que o plantio generalizado de monoculturas diminui a biodiversidade.

“A Monsanto representa muito do que há de errado com o agronegócio”, diz Anton Hofreiter, que lidera a coalisão de oposição do Partido Verde no Parlamento alemão. “Ao mesmo tempo em que as pessoas ficam cada vez mais céticas sobre a indústria agrícola, a Bayer vai e investe nessa direção hostil ao consumidor e ao meio ambiente.”

Os detalhes da proposta não foram divulgados, mas uma possível união da Monsanto, maior fornecedora de sementes agrícolas do mundo, com o portfólio muito mais amplo de pesticidas da empresa alemã criaria uma firma com 28% das vendas de pesticidas no mundo, 36% do mercado de sementes de milho nos EUA e 28% do de soja.

O acordo entre a Dow e a DuPont fechado em 2015 criaria um rival com cerca de 17% do mercado mundial de pesticidas, 41% das vendas de sementes de milho nos EUA e 38% das de soja, segundo estimativas do banco americano Morgan Stanley.

A venda da Syngenta para a ChemChina daria à estatal chinesa 26% do mercado mundial de químicos agrícolas, além dos negócios de sementes de milho, soja e hortaliças da Syngenta.
Os analistas reagiram com opiniões divergentes sobre o mérito financeiro da potencial fusão entre Bayer e Monsanto. Analistas da gestora de recursos Sanford C. Bernstein & Co. disseram que uma aquisição total da Monsanto “não faz sentido financeiramente”, já que a Bayer provavelmente terá de emitir US$ 30,3 milhões em ações e captar US$ 16,8 bilhões em dinheiro, além de vender seu negócio de saúde animal para ajudar a financiar a acordo. Mas absorver a Monsanto e depois desmembrar os negócios de agricultura combinados “poderia criar valor”, disseram.

Os investidores da Bayer parecem questionar o possível acordo. A cotação da Bayer caiu 8,2% ontem, para 88,51 euros. As ações da Monsanto fecharam com alta de 3,5%, para US$ 100,55.

Tim Malterer, produtor americano de milho e soja, diz que compreende as vantagens das fusões para as empresas que querem cortar custos e serem mais competitivas. “Minha única preocupação é se vão pensar em nós também, consumidores finais, não só nos acionistas”. (The Wall Street Journal 20/05/2016)

 

Bayer propõe compra da Monsanto e agita indústria agroquímica global

O grupo farmacêutico e químico alemão Bayer fez uma proposta não solicitada de aquisição da companhia de sementes norte-americana Monsanto, visando criar a maior fornecedora agrícola do mundo e assumir vantagem nos mercados convergentes de pesticidas e sementes.

A Monsanto revelou a aproximação na quarta-feira, antes da Bayer confirmar seu movimento, ainda que nenhuma das duas tenha divulgado os termos da proposta.

O valor de mercado de 42 bilhões de dólares da Monsanto significa que o acordo poderia superar o plano de aquisição da companhia suíça de agroquímicos Syngenta pela chinesa ChemChina, um negócio que a própria Monsanto perseguiu no ano passado, e pode encarar obstáculos do regulador antitruste dos Estados Unidos.

Um comunicado da Monsanto disse que sua diretoria está revisando a proposta, que é objeto de análise, aprovação regulatória e outras condições. Não há garantia de que qualquer transação será concluída, acrescentou.

Às 10:57 (horário de Brasília), as ações da Bayer tombavam mais de 9 por cento, tocando nesta quinta-feira as mínimas de dois anos e meio, com alguns investidores preocupados com o custo potencial do acordo. Já as ações da Monsanto subiam mais de 4 por cento. (Reuters 19/05/2016)

 

Pedro Parente, ex-ministro de FHC, será o novo presidente da Petrobrás

A Presidência da República confirmou nesta quinta-feira, 19, o nome de Pedro Parente como o novo presidente da Petrobrás. Parente aceitou o cargo em reunião com o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) e substituirá Aldemir Bendine, que assumiu o comando da estatal em fevereiro do ano passado em meio a um escândalo de corrupção. Em entrevista após a indicação, Parente afirmou que não haverá indicação política para cargos na Petrobrás.

"Foi uma orientação clara do presidente Michel Temer. Sou claro e taxativo nesse ponto: não haverá indicação política na Petrobrás", disse. "Sem indicações políticas, facilitou muito minha decisão", emendou.

Parente citou a intenção de ter uma diretoria estritamente profissional e disse ainda que terá liberdade para indicar nomes para os cargos, mas evitou falar em escolhas. "Eu posso manter e posso tirar diretores. Isso é uma prerrogativa e uma iniciativa do presidente executivo da Petrobrás", disse o ex-ministro.

Ele lembrou, no entanto, que a Petrobrás "tem conselho de administração e diretoria executiva atuantes" e elogiou o trabalho feito por Aldemir Bendine, a quem substituirá no cargo. Indagado se poderia contar com uma capitalização do Tesouro para socorrer a companhia, Parente evitou avançar no assunto, mas alertou: "Quem tem última palavra para capitalização é acionista controlador, o governo."

Segundo ele, a posse na presidência e a transição feita com Bendine só serão definidas após a reunião do conselho de administração da companhia, sem data marcada ainda

Parente, que também é presidente do conselho de administração da BM&FBovespa, disse que manifestou a Temer o desejo de continuar no comando da Bolsa, mas que reconhece a possibilidade de ter que deixar o cargo. "Se houver conflito de interesse obviamente terei que me afastar. Se não houver conflito eu gostaria de continuar", disse.

Bendine foi comunicado da confirmação do novo executivo por Temer nesta tarde. Ambos já tinham conversado em outras ocasiões sobre a transição, e Bendine chegou a cogitar a renunciar ao cargo para facilitar o trâmite da mudança.

Currículo

Parente é atualmente presidente do conselho de administração da BM&FBovespa. Ele iniciou a carreira no setor público no Banco do Brasil, em 1971. Dois anos depois, foi transferido para o Banco Central (BC). Parente foi ainda consultor do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de instituições públicas brasileiras, bem como da Assembleia Nacional Constituinte, em 1988.

Ele foi ministro durante todo o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1999-2002). Ocupou a Casa Civil até 2001 e, depois, o Planejamento. Após deixar o governo, de 2003 até 2009 foi vice-presidente Executivo (COO) do Grupo RBS. De janeiro de 2010 a abril de 2014 presidiu a Bunge Brasil e ainda o conselho da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) entre 2011 e 2014.

Parente também é membro dos conselhos da SBR-Global e do Grupo ABC, do qual é presidente, além de ser sócio-diretor do grupo de empresas Prada de consultoria e assessoria financeira. (O Estado de São Paulo 19/05/2016)

 

Ex-presidente-executivo da Louis Dreyfus deixa conselho

A trading global de commodities agrícolas Louis Dreyfus Company anunciou mudanças em sua gestão nesta quinta-feira, com a saída do ex-presidente-executivo Serge Schoen de seu conselho, outro passo na reestruturação de lideranças dirigida pela maior acionista, Margarita Louis-Dreyfus.

A saída de Schoen, que comandou o rápido crescimento da gigante do agronegócio como presidente-executivo entre 2005 e 2013, acontece após a Louis Dreyfus encerrar uma prolongada busca por um sucessor permanente para o cargo, promovendo o chefe da Ásia, Gonzalo Ramirez Martiarena, no ano passado.

Em um comunicado anunciando as mudanças para seu conselho de supervisão, a Louis Dreyfus não mencionou o nome de Schoen, mas ofereceu uma composição do conselho na qual ele não estava presente.

"Estas mudanças planejadas estão alinhadas com o novo roteiro estratégico do grupo para os próximos anos (Vision 2025), que planeja a resposta da empresa a um novo ambiente, pós-super ciclo do setor de agronegócio, ao colocar uma ênfase maior nas áreas de negócio principais, reorientando a presença geográfica e o modelo operacional da LDC e garantindo um alinhamento ainda mais forte entre a governança corporativa e a administração sênior", disse o comunicado.

O comunicado não disse se Schoen saiu por vontade própria ou se foi dispensado, e uma porta-voz não quis fazer mais comentários. (Reuters 19/05/2016)

 

Em vídeo, Ministro da Agricultura diz que vai agilizar registro de defensivos

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, garantiu, nesta quinta-feira (19/5), que o Ministério vai reduzir a burocracia de registros de defensivos para controle de pragas e doenças nas lavouras brasileiras. Ele gravou mensagem em vídeo para os participantes do Clube da Fibra, evento voltado para a cadeia produtiva do algodão, promovido pela FMC, em Recife (PE).

“Isso é um problema sério. O produtor rural não pode pagar a conta pela ineficiência do Estado. Devemos ter um produto estudado, com segurança, mas com celeridade”, disse o ministro para a platéia de produtores, empresários e especialistas no setor da cotonicultura.

A maior agilidade na liberação de defensivos agrícolas tem sido uma reivindicação constante de representantes do setor agropecuário. E Maggi não é o primeiro ministro da Agricultura a colocar o assunto entre suas prioridades. “A persistência do ministro tem que valer”, disse.

Blairo Maggi disse ainda que pretende tornar o Ministério da Agricultura mais eficiente. Destacando o apoio de lideranças do setor à indicação do seu nome como substituto de Kátia Abreu à frente da pasta, pediu participação ativa das entidades do agronegócio nas discussões da pasta.

“Não desconheço a dificuldades que vai ser neste ano a manutenção dos produtores na atividade porque tivermos uma frustração de safra. E eu, como ministro, tenho que ter essa preocupação e construir pontes com o setor”, afirmou. (Reuters 20/05/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Gangorra com o dólar: As cotações do açúcar demerara registraram queda ontem na bolsa de Nova York, após intensa volatilidade ao longo da sessão. Os contratos para outubro fecharam em queda de 9 pontos (0,53%), a 16,99 centavos de dólar a libra-peso. Houve influência da alta do dólar em relação ao real, o que incentiva as exportações brasileiras. O mercado também já começa a absorver as projeções de déficit de oferta das safras globais 2015/16 e 2016/17. Ontem, foi a vez do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimar um déficit de 5 milhões de toneladas no ciclo 2016/17, que começa em outubro, uma das projeções menos pessimistas até o momento. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu apenas 0,01%, para R$ 75,73 a saca.

Café: Ladeira abaixo: Os preços do café arábica despencaram ontem na bolsa de Nova York, em meio à perspectiva de superávit global da commodity na safra 2016/17. Os lotes com entrega em setembro encerraram o pregão cotados a US$ 1,2590 por librapeso, queda de 3,23% (615 pontos). A Marex Spectron estimou que o volume de café arábica produzido na safra 2016/17 deverá superar a demanda em 1 milhão de sacas de 60 quilos. No Brasil, a corretora prevê uma produção de 43,5 milhões de sacas da espécie, ante as 42,5 milhões estimadas no relatório anterior. A alta do dólar em relação a uma cesta de moedas também colaborou para a queda das cotações. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre R$ 500 e R$ 510, conforme o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Clima favorável: As cotações do cacau voltaram a cair ontem na bolsa de Nova York refletindo a melhora do clima no oeste da África. Os contratos da amêndoa para entrega em setembro recuaram US$ 36, para US$ 2.904 a tonelada. O início das chuvas na região, que concentra dois terços da produção no mundo, tem gerado otimismo em relação ao volume a ser colhido na safra intermediária, que está em andamento, e no próximo ciclo 2016/17. Alguns traders já elevaram suas estimativas para a produção na Nigéria. Segundo a Olam International, uma das maiores processadoras de cacau do mundo, o déficit da safra 2015/16 deve superar as 400 mil toneladas ­ o maior em trinta anos. Em Ilhéus e Itabuna, o preço ficou estável, em R$ 150 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Milho: De volta ao vermelho: O milho registrou sua primeira desvalorização em Chicago após cinco pregões seguidos de alta. Os contratos para setembro encerraram a sessão de ontem a US$ 3,9250 por bushel, queda de 2,42% (9,75 centavos). A alta do dólar em relação a uma cesta de moedas, o que tira competitividade do milho americano, e a queda da demanda no mercado interno dos EUA foram fatores que pressionaram os preços do grão. Em análise diária, a consultoria Zaner Group lembrou que a produção de etanol derivado do milho no país foi 1,5% menor na semana encerrada no dia 13, em relação à semana anterior, e 1% menor que no mesmo período do ano passado. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a saca de 60 quilos de milho ficou em R$ 52,79, ligeira queda de 0,06%. (Valor Econômico 20/05/2016)