Macroeconomia e mercado

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Dívidas de empresas em recuperação judicial no País somam R$ 120 bilhões

Somente os 20 maiores débitos chegam a R$ 73,4 bilhões, aponta Alvarez & Marsal; segundo especialistas, chance de recuperação é baixa e não deve chegar à metade do total.

Os desafios da economia brasileira estão sendo sentidos pelas empresas, que estão cortando custos, revendo estratégias de expansão e realizando demissões. Muitas vezes, todo esse esforço de austeridade não é suficiente e vários negócios são obrigados a recorrer à recuperação judicial – saída legal que permite à companhia uma “moratória” de seis meses para negociar débitos. Apenas entre as empresas que tiveram a recuperação judicial aprovada, o total da dívida é de R$ 120 bilhões, diz a consultoria especializada em recuperação de empresas Alvarez & Marsal.

Segundo os dados da companhia, apenas as 20 maiores recuperações judiciais somam R$ 73,4 bilhões em dívidas (veja quadro ao lado). No curto prazo, existem motivos para acreditar que o “bolo” vá aumentar. O número de pedidos de recuperação judicial no País quase dobrou até abril, na comparação com igual período de 2015, aponta a Serasa Experian. Fontes de mercado dizem que grandes negócios – como a operadora Oi e a siderúrgica Usiminas – correm risco de vir a engordar e muito, os débitos renegociados na recuperação judicial.

Dificuldades

Analisando a complexidade das 20 maiores dívidas, muitas das quais vêm sendo roladas há anos, o diretor-geral da Alvarez & Marsal, Marcelo Gomes, diz que, mesmo numa perspectiva otimista, é pouco provável que os credores venham a reaver sequer a metade do que lhes é devido. Segundo o diretor da BR Partners, Cláudio Citrin, a recuperação judicial é uma “espécie de choque de realidade” para um negócio. “Todos os ativos passarão a valer menos do que em uma situação normal.”

O sócio do Banco Plural, Warley Pimentel, afirma que a questão a ser analisada é a chance de o negócio se perpetuar. “Muitas empresas usam a retórica da crise, culpam o mercado, mas o fato é que alguns negócios em recuperação não param em pé, não são mais viáveis”, diz o executivo. Para Pimentel, o raciocínio vale para as usinas de açúcar e álcool, que vinham com problemas ainda na época em que o Brasil vivia a euforia de crescimento, pois os preços praticados para o etanol nunca foram suficientes para pagar o custo da construção das usinas.

O mesmo argumento vale para empresas que encabeçam a lista de recuperações, como a Sete Brasil, que tem como único cliente a Petrobrás, estatal investigada, por corrupção, na Lava Jato. Segundo Gomes, da Alvarez & Marsal, a Lava Jato é parte do problema. “Acho que, no caso do setor de óleo e gás, a queda do petróleo foi mais nociva do que a Lava Jato.”

Lista de endividamento é liderada pela Sete Brasil, fornecedora da Petrobrás.

Além de ter sido abatida pela queda do petróleo, a OGX (hoje OGPar) não conseguiu confirmar as expectativas de produção de seus campos de petróleo, o que comprometeu a credibilidade do negócio. O processo de recuperação judicial da empresa começou em 2014, quando o País começou a sentir os primeiros sinais da crise atual. A OSX, criada para fornecer à “coirmã”, acabou sendo levada junto. No âmbito da recuperação da OGX, parte dos credores aceitou transformar a dívida em participação do negócio na esperança de rever os valores. “Não adiantou, pois, sem as reservas prometidas, o negócio não se sustenta”, diz o executivo do Brasil Plural.

Rombo

Embora o valor de R$ 120 bilhões devido pelas empresas em recuperação judicial no País pareça gigante, o endividamento das companhias é, na verdade, maior. Isso porque alguns débitos ficam de fora da recuperação, entre eles os tributários. “É por isso que, ao iniciar a recuperação judicial, muitos ativos que poderiam ser vendidos para dar fôlego ao negócio já estão penhorados”, explica Pimentel.

A OGPar afirmou, por e-mail, que a saída da OGX da recuperação judicial dependerá da “combinação do preço do petróleo no mercado internacional e da capacidade de controlarmos nossos custos operacionais”. A companhia afirmou que espera, no futuro, ser uma “empresa enxuta e com a estrutura adequada”. (O Estado de São Paulo 23/05/2016)

 

Shell e Ipiranga investem em conceitos que vão além do abastecimento

O que o Centro Automotivo Santa Helena, no lado oeste de São Paulo, e o Auto Posto da Fé, no leste, têm em comum?

Eles são os postos de gasolina mais antigos das marcas mais lembradas pelos paulistanos das classes A e B pelo segundo ano consecutivo e sinalizam como esse segmento vem passando por grandes transformações.

O primeiro posto, localizado no número 76 da avenida Corifeu de Azevedo Marques, cujas bombas carregam as cores azul e amarela desde 1966, representa a bandeira Ipiranga, citada por 27%.

O segundo, na avenida Conselheiro Carrão, 3.481, e com identidade em amarelo e vermelho, integra desde a década de 1930 a rede Shell, a preferida de 25% dos entrevistados. Como a margem de erro é de três pontos para mais ou para menos, há empate técnico entre elas.

"Temos clientes que são verdadeiros fãs e se identificam com as nossas comunicações e com as extensões de nossa marca", diz Jeronimo Santos, diretor de varejo da Ipiranga. Ele lembra que desde 2011 a marca trabalha a campanha publicitária "Pergunta lá no posto Ipiranga" com o intuito de se posicionar como um "posto completo".

Para saber mais:

Shell/Raízen

Fundação: 1897, em Londres

Chega ao Brasil em 1913

Postos: 5.682 (533 deles ficam na cidade de São Paulo)

Funcionários: 30 mil

Ipiranga

Fundação: 1937

Postos: 7.230 (1.872 estão na cidade de São Paulo)

Funcionários: 2.864

"Como resultado, ela virou referência para os brasileiros em diferentes situações", avalia.

"Neste ano, mantivemos o tom lúdico com o carismático personagem Batata em situações inusitadas, ousando nos roteiros e elementos visuais."

A empresa mudou, ainda, a sua rede de lojas de conveniência, vencedora mais uma vez dessa categoria de O Melhor de São Paulo - Serviços. Foram criadas unidades am/pm especialmente para postos urbanos e outras para vizinhos a rodovias.

A Shell não ficou atrás. Segundo Leonardo Pontes, vice-presidente-executivo comercial da Raízen (licenciada da bandeira Shell no Brasil), o segmento de postos vive uma "grande transformação".

"Muito mais do que apenas vender combustível, os postos estão preocupados em oferecer outras facilidades que os diferenciem de outros estabelecimentos, com ambientes limpos, seguros e convidativos, facilidades no meio de pagamento e uma opção de conveniência de qualidade", diz o executivo da marca, que, apesar da crise, mantém os investimentos.

Leonardo Pontes, vice-presidente executivo comercial da Raízen

Como São Paulo se encaixa nos planos da empresa?

Leonardo Pontes: É o nosso maior mercado do Brasil. Nossos investimentos em infraestrutura logística, embandeiramento de novos postos com a marca Shell, além da ampliação das nossas ofertas de produtos diferenciados como Shell V Power Racing e serviços como as lojas de conveniência Shell Select reforçam esse posicionamento. Enfatizamos o protagonismo do consumidor na construção da nossa marca, apresentando-nos como parceiros de jornadas.

Jerônimo Santos, diretor de varejo da Ipiranga

São Paulo: Como define o paulistano?

Jeronimo Santos: A indisponibilidade de tempo é um fator ainda mais determinante na mudança de comportamento do consumidor em relação a qualquer outra região. A cidade é muito ágil, nunca dorme, e o paulistano é um consumidor bastante exigente, que busca resolver grande parte de suas demandas diárias em um só lugar, com agilidade, conveniência e segurança. Para atender às expectativas e surpreendê-los, buscamos sempre a evolução, a inovação e a diferenciação em nossos produtos e serviços. (Folha de São Paulo 22/05/2016)

 

Pádua Rodrigues: A esperança de um cenário promissor

Para muitos, 2015 foi uma transição para o setor sucroenergético brasileiro. De fato, observaram-se alterações nos mercados de açúcar e de etanol. Isso trouxe alento para esta indústria após um longo período de margens negativas.

No caso do etanol, tivemos três medidas: (i) restabelecimento parcial da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE); (ii) correção da alíquota do PIS (Programa de Integração Social) e da COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social); e (iii) reajustes no preço praticado pela Petrobras. Todas elas, que visavam ao crescimento da arrecadação federal e à melhoria no fluxo de caixa das refinarias, ampliaram a competitividade do etanol hidratado - o seu preço-teto subiu em cerca de R$ 0,30 por litro.

Assistimos, também, a dez estados alterarem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas alíquotas aplicadas nos preços dos combustíveis. Essas mudanças elevaram o diferencial tributário a favor do etanol hidratado, em comparação com a gasolina.

O estado de Minas Gerais, enquanto elevou a alíquota do ICMS da gasolina de 27% para 29%, reduziu, no etanol hidratado, de 19% para 14%. Resultado: o consumo médio mensal de etanol hidratado do estado saltou de 60 milhões de litros para 150 milhões de 2014 para 2015.

No mercado de açúcar, o quadro superavitário global começou a se inverter, com viés de alta das cotações. Essa tendência, somada à desvalorização do real frente ao dólar, melhorou a remuneração dos produtores brasileiros.

Essas mudanças sugerem uma condição melhor em termos de expectativa de ampliação da receita de produtores, fornecedores de cana-de-açúcar e demais agentes dessa cadeia.

Os riscos existem. A safra 2016/17 (abril a março) iniciou na região Centro-Sul. As discussões cercam a política de precificação da gasolina, a retração econômica do País e o menor consumo de combustíveis e açúcar. A ocorrência de intempéries climáticas pesará bastante.

Muitas empresas diminuíram os investimentos na lavoura para manter a atividade e o emprego. Em alguns casos, as despesas financeiras comprometem mais de 20% das suas receitas. Para estas unidades, ficou difícil restabelecer um desempenho econômico razoável no curto prazo.

Vôo de galinha

A conversão das recentes alterações em um ciclo sustentado de crescimento setorial exigirá mudanças estruturais e o empenho dos setores público e privado. Temos desafios internos e externos.

No caso do açúcar, há a necessidade de contestação das medidas protecionistas praticadas em países produtores e de eliminação dos falsos mitos sobre o consumo do produto. No etanol, por sua vez, faz-se necessária a definição de uma diretriz objetiva e duradoura para a matriz energética brasileira, com reconhecimento dos seus benefícios ambientais, sociais e de saúde pública.

O recente compromisso assumido pelo Brasil na 21ª Conferência Mundial do Clima (COP-21) da ONU (Organização das Nações Unidas) pode ser um pontapé nesse sentido - embora ainda faltem maior detalhamento e identificação dos mecanismos a serem utilizados para cumprimento das metas propostas.

Ao setor privado cabe perseverar os esforços para a redução nos custos de produção e o desenvolvimento e a implementação de novas tecnologias. A expansão da produção observada em 2015 pode não passar de um "vôo de galinha" estimulado por uma condição climática favorável, com muito barulho e pouca sustentação. (AgroAnalysis 20/05/2016)

 

Bayer herdaria lucro da Monsanto e também polêmica dos transgênicos

A investida da Bayer AG para comprar a americana Monsanto Co. vai colocar a farmacêutica alemã no centro do lucrativo, mas socialmente polêmico, setor de produtos agrícolas geneticamente modificados ao mesmo tempo em que ela enxuga sua área de cuidados com a saúde.

Sediada em St. Louis, no Estado do Missouri, a Monsanto é líder no seu setor, desenvolvendo e licenciando genes para outros fabricantes de sementes, num mercado que movimenta bilhões de dólares por ano e que transformou a agricultura em alguns países. Mas a empresa está às voltas com desafios comerciais e regulatórios.

Numa iniciativa que poderia rearranjar o setor de pesticidas e sementes, a Bayer, cuja sede fica na cidade alemã de Leverkusen, fez uma oferta de aquisição pela Monsanto, anunciaram as duas empresas na quarta­feira passada. O conselho de administração da Monsanto está analisando a proposta, mas não é certo que o negócio será fechado. Alguns analistas vêem a Monsanto, que tem um valor de mercado de US$ 44 bilhões, como um alvo muito pesado para as finanças da Bayer.

A Bayer e a Monsanto não quiseram comentar.

Os investidores da Bayer podem ser um obstáculo ao negócio, já que muitos deles investiram na empresa principalmente por causa da área farmacêutica e conhecem menos sobre o negócio agrícola e de produtos transgênicos, diz Markus Manns, gestor de fundos na firma alemã Union Investment, uma acionista da Bayer. "Não tenho certeza se gostamos dessa saída do [setor] farmacêutico", diz Manns.

Comprar a Monsanto, a maior fornecedora de sementes do mundo em vendas, tornaria os produtos agrícolas responsáveis por quase metade da receita total da empresa combinada, de acordo com analistas.

Segundo eles, as lavouras geneticamente modificadas estão entre as tecnologias adotadas mais rapidamente na história. Introduzidas há 20 anos, essas plantas agora cobrem mais de 90% da área cultivada com milho, soja e algodão nos Estados Unidos e estão amplamente disseminadas nos celeiros agrícolas da América do Sul, como o cerrado do Mato Grosso.

No Brasil, elas estavam presentes em 93% das plantações de soja, 82% de milho e 66% de algodão em 2014, segundo o Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA).

A FDA, agência que regula alimentos e remédios nos EUA, a Organização Mundial da Saúde e a Comissão Européia concluíram que os produtos agrícolas geneticamente modificados são tão seguros para a alimentação quanto os convencionais. Um relatório recente da Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA afirma que esses alimentos são seguros e inofensivos ao meio ambiente.

Mas o crescimento das vendas globais de produtos agrícolas biotecnológicos vem perdendo força nos últimos anos. A área plantada encolheu no ano passado pela primeira vez desde que a Monsanto vendeu sementes de seu primeiro organismo geneticamente modificado, ou OMG, em 1996.

Grupos ambientalistas têm combatido o uso de lavouras geneticamente modificadas, argumentando que elas são nocivas ao meio ambiente. As sementes de OMG são submetidas a análises demoradas por parte dos reguladores e questões de propriedade intelectual em países em desenvolvimento são um problema para os fabricantes.

Essas empresas estão acessando mercados que ainda não abraçaram essas tecnologias ou adotaram métodos para proteger a propriedade intelectual, diz Brett Wong, analista da gestora Piper Jaffray. "Estamos agora vendo uma reação".

A aquisição da Monsanto traria uma série de novos desafios para a Bayer.

Na Argentina, a Monsanto cancelou na semana passada seus planos de começar a vender suas novas sementes de soja modificadas para a próxima safra, depois que o governo argentino questionou o sistema de testes que a empresa implantou para garantir que os agricultores paguem pelo OMG.

Na Índia, a Monsanto está brigando na Justiça com o Ministério da Agricultura para decidir o quanto empresas como ela podem cobrar por genes de plantas que repelem insetos, cujo uso é bastante generalizado nas lavouras de algodão do país.

E, nos EUA, o maior mercado da gigante do agronegócio, a empresa está conversando com grandes negociadoras de grãos, como Archer Daniels Midland Co. e Bunge Ltd., após elas afirmarem que não vão mais comprar grãos de soja cultivados com as novas sementes da Monsanto.

Essas sementes, que a Monsanto começou a vender neste ano, ainda não foram aprovadas para importação pela União Europeia, um importante comprador da soja americana. Empresas de grãos temem perder vendas se produtos não aprovados acabarem nos carregamentos destinados à Europa e forem recusados pelas autoridades européias.

"Esse é um problema real e vai continuar sendo um problema para essa tecnologia porque os países vão continuar" revendo as questões de segurança em ritmos diferentes, diz Greg Jaffe, diretor de biotecnologia do Centro para a Ciência no Interesse Público, uma organização sem fins lucrativos que é sediada em Washington e se dedica a políticas de ciência e alimentos.

De fato, os produtos agrícolas geneticamente modificados continuam gerando polêmicas entre os consumidores.

A Europa, por exemplo, onde a Bayer já tentou, sem sucesso, introduzir OMGs, limita tanto a variedade quanto a quantidade de milho transgênico. Nos EUA, críticos lançaram iniciativas estaduais para obrigar a identificação nos rótulos dos alimentos que contêm OMGs.

A reputação da Monsanto também foi afetada pelo seu papel pioneiro e relutância inicial em debater com os críticos. No sábado, manifestantes se reuniram em cidades do mundo todo, inclusive em oito da Alemanha, para uma passeata anual chamada "Marcha Contra a Monsanto".

A Bayer não deve tentar reintroduzir os OMGs na Europa, mesmo que consiga comprar a Monsanto, dizem especialistas.

Peter Spengler, analista do banco alemão DZ Bank, diz que, no geral, o público deve se opor à aquisição da Monsanto pela Bayer, já que a firma americana, segundo ele, tem uma "imagem muito negativa" na Alemanha. Mas ele acredita que a imagem da Bayer seria abalada só no curto prazo. "As pessoas costumam dar atenção por um período curto". (Valor Econômico 23/05/2016)

 

Embrapa cria tecnologia que diminui agrotóxicos nas lavouras

Pulverizador eletrostático já é usado por pequenos agricultores.

Equipamento diminui o desperdício e aumenta a eficácia da aplicação.

Uma nova tecnologia desenvolvida pela Embrapa poderá trazer muitos benefícios para a agricultura brasileira. O pulverizador eletrostático visa diminuir a aplicação de agrotóxicos nas lavouras. A novidade já está sendo usada por pequenos produtores.

A agricultura brasileira é uma das maiores e mais produtivas do mundo e justamente por ser muito grande consome muita água, muita semente, adubo e agrotóxicos para combater doenças e pragas de todo tipo.

O agrônomo Marcelo Morandi, chefe da Embrapa Meio Ambiente, que fica emJaguariúna, São Paulo, acredita que os agrotóxicos são ferramentas importantes para a agricultura. Só que muitas vezes esses produtos são usados de maneira errada ou em excesso, o que pode provocar uma série de problemas.

“Pode trazer contaminação de água, contaminação de solo, contaminação do aplicador, e até mesmo ter o resíduo no produtor que vai chegar até o consumidor. Poderíamos usar melhor essa ferramenta”, explica Marcelo.

A redução dos agrotóxicos pode ser feita de várias maneiras. A desenvolvida pela Embrapa é o pulverizador eletrostático, equipamento simples, de baixo custo e que pode ser usado por pequenos produtores. Quem acompanhou o desenvolvimento do produto foi o agrônomo Aldemir Chaim.

“Basicamente o pulverizador contém uma fonte. Essa alta tensão, segue por um fio vermelho que vai eletrificar o líquido na ponta do equipamento, que ao se romper, as gotas saem eletrificadas", conta Chaim.

Segundo Chaim, quando as gotas recebem uma carga elétrica, elas passam a funcionar como imãs, ou seja, ao invés de se dispersarem no ar, elas grudam nas superfícies das plantas, o que aumenta e muito a eficiência da aplicação.

“A planta vai atrair essa gotinha com grande intensidade e isso passa a ser diferente do processo convencional onde a gota é jogada na planta”, explica o agrônomo.

Segundo o agrônomo, na pulverização convencional, cerca de 70% do agrotóxico aplicado acaba no solo ou é levado pelo vento. No caso do pulverizador eletrostático, a conta é inversa. Cerca de 70% do produto fica grudado na planta. Outra vantagem da pulverização eletrostática é que o produto aplicado também se deposita na parte debaixo das folhas, o que é muito importante para o combate de diversas pragas e doenças.

A tecnologia já é usada na agricultura, principalmente nos Estados Unidos, mas em equipamentos motorizados de grande porte. Já o pulverizador da Embrapa é portátil, próprio para pequenos produtores. Com a bateria carregada, o equipamento funciona cerca de seis horas. Como segurança, o equipamento possui um fio-terra. (Globo Rural 22/05/2016)

 

Mosaic vê sinais positivos para vendas de adubos em meio a incertezas

As vendas de fertilizantes no Brasil devem prosseguir em bom ritmo nos próximos meses, mas fecharão o ano apenas com leve crescimento na comparação com 2015, com alguns fatores positivos sendo ofuscados por incertezas econômicas, na avaliação do gerente de inteligência de mercado da Mosaic, Samuel Bortolin.

De janeiro a abril, as entregas de fertilizante no país aumentaram 8,2 por cento, para cerca de 7,5 milhões de toneladas, impulsionadas por "ótima" relação de troca entre o adubo e produtos agrícolas como soja e milho, com o dólar sustentando os preços em reais dessas commodities.

Mas a expectativa é de que o ano feche com um crescimento menos acelerado do que o primeiro quadrimestre, de acordo com o analista da Mosaic, uma das maiores companhias de fertilizantes do mundo e também do Brasil.

"Este ano começou parecido com 2014 (ano de entregas recordes). Esperamos que no final de 2016 não chegue a 2014, mas supere 2015. Deve ficar bem intermediário entre 2014 e 2015", disse o executivo à Reuters, no intervalo de algumas avaliações de colheita em Mato Grosso, realizadas pela expedição técnica Rally da Safra.

Um nível intermediário entre o ano passado e o recorde de 2014 significaria entregas de 31 milhões de toneladas, o que representaria um aumento anual de aproximadamente 3 por cento na comparação com 2015, com agricultores ainda segurando os negócios em meio à insegurança econômica após a troca de presidente no Brasil.

"Os preços das commodities estão altos pelo câmbio e os preços de fertilizantes não subiram tanto assim", disse ele, citando uma relação de troca de 20 sacas de soja por uma tonelada de fertilizantes, bem melhor que a verificada no ano passado.

Ele lembrou ainda que os preços do milho "descolaram" do mercado internacional, pela quebra de safra no país.

O executivo disse ainda que, embora o dólar esteja mais fraco ante os picos do ano, registra uma certa estabilidade, "o que é bom para a relação de troca".

Bortolin afirmou também que no início do ano os agricultores contaram com recursos do pré-custeio do Plano Safra governamental, assim como as tradings liberaram mais crédito, o que ajudou no fechamento de negócios.

Outro fator positivo são as indicações da meteorologia para um clima mais favorável na próxima safra, especialmente no Centro-Oeste.

"O ânimo dos produtores quanto ao clima, acredito que é fator positivo, eles estão esperando chuvas mais regulares no segundo semestre". (Reuters 20/05/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Disparada: Os preços do açúcar atingiram a maior cotação desde 3 de setembro de 2014 na última sexta-feira após mais uma sessão com forte atuação dos fundos. Os contratos com vencimento em outubro encerraram o pregão na bolsa de Nova York cotados a 17,33 centavos de dólar a libra-peso, alta de 2%, ou 34 pontos. De acordo com Gabriel Elias, trader da Olam International, o preço dos ativos está suscetível a fortes flutuações após as usinas terem fixado o preço de boa parte da produção das safras 2015/16 e 2016/17. Corrobora ainda para a alta a estimativa de déficit de 5 milhões de toneladas de açúcar na safra 2016/17 divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 76,02, alta de 0,38%.

Cacau: Incerteza com oferta: Novas dúvidas em relação à oferta de cacau no curto prazo elevaram os preços da amêndoa na bolsa de Nova York na última sexta-feira. Os contratos com vencimento em setembro encerraram o pregão a US$ 2.924 a tonelada, alta de 0,69% (US$ 20). O cacau vinha em queda diante da perspectiva de melhora do clima na África, mas notícias de atraso do plantio em alguns países produtores deu suporte aos preços. O oeste da África é responsável por dois terços da produção mundial de cacau e, em alguns países, a colheita deve começar com dois meses de atraso em relação ao mesmo período do ano passado. Na quinta-feira, o preço médio pago ao produtor em Ilhéus e Itabuna (BA) foi de R$ 150 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Menor produção: Os contratos futuros de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) subiram na última sexta-feira em meio à perspectiva de queda na produção da Flórida e do Brasil, principais produtores de laranja do mundo. Os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão a US$ 1,4975 a libra-peso, alta de 1,01% (150 pontos). No Brasil, a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) estimou que o setor tenha deixado de produzir 223 mil toneladas de suco por conta dos efeitos do El Niño na safra 2015/16. De acordo com o Cepea, as indústrias terão, em junho de 2017, o menor estoque de suco de laranja desde o ciclo 2010/11. No mercado interno, o preço da laranja pago pela indústria ficou estável em R$ 17,57 na sexta, segundo o Cepea.

Milho: Nova alta: A perspectiva de oferta menor em países produtores de milho, como Brasil e Argentina, sustentou as cotações do grão na bolsa de Chicago na última sexta-feira. Os contratos com vencimento em setembro encerraram o pregão a US$ 3,9675 o bushel, alta de 1,08% (4,25 centavos). Após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) ter reduzido em 1 milhão de toneladas a estimativa de produção na safra 2015/16 na Argentina, atrasos na colheita ajudaram a dar sustentação aos preços. O excesso de chuvas no país fez com que o avanço semanal dos trabalhos no campo tenha sido de apenas 0,9%, segundo o último levantamento da Bolsa de Cereais de Buenos Aires. No Brasil, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 52,91 a saca, alta de 0,23%. (Valor Econômico 23/05/2016)