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O agronegócio e sua dinâmica - Por Luiz Carlos Corrêa Carvalho

Há coisas que não esperam. Na família ou entre amigos, o momento do apoio, do abraço. Nos negócios ou na administração de um país, não é possível esperar o balanço de receita e despesas chegar a R$ 170 bilhões de déficit fiscal. Esse é o montante da dívida que temos de enfrentar no Brasil, fruto da monstruosa irresponsabilidade e da falta de urgência do governo que sai. O atual governo volta às raízes, pois dá prioridade ao ajuste fiscal. Esse novo olhar do governo Michel Temer, do lado da receita, passa necessariamente pela dinâmica extraordinária do agronegócio. Esse é o negócio brasileiro que segura a balança comercial, que irriga todo este país de dimensões continentais com esperança, matéria-prima que se iguala ao abraço aos amigos, à família.

No dia 15 de maio, um artigo assinado por um seleto grupo de economistas e experientes analistas e publicado neste jornal (A economia agropecuária brasileira. O que fazer?) apontou importantes medidas necessárias para sustentar e dinamizar a agropecuária brasileira. A matéria é oportuna diante da conjuntura da crise econômica e política do País. O texto enfatiza exatamente a importância da dinamização do agronegócio brasileiro em face de sua capilaridade sobre toda a economia nacional.

O governo que sai trouxe desconfiança ao meio produtivo, insegurança aos investidores e aumento no custo Brasil. Houve sequelas graves em algumas cadeias produtivas e uma diminuição da atividade comercial brasileira. Mas, apesar de tudo, a balança comercial seguiu com vida, mesmo sem o menor esforço em acordos comerciais e menos ainda em definir regras para reduzir as distorções nas transações comerciais internacionais.

A infraestrutura e a logística do País seguem como barreiras-chave para o pleno desenvolvimento das atividades do agronegócio. A ineficiência da logística brasileira faz com que o setor seja menos competitivo em relação aos seus concorrentes estrangeiros. Agora, a notória escassez de recursos financeiros colabora para o estabelecimento de uma agenda de prioridades. Temos ajustes a serem feitos no programa de ampliação e construção de armazéns, uma solução definitiva para a expansão da malha viária que ligue o Centro-Oeste aos portos das Regiões Norte e Nordeste e medidas para melhorar a eficiência dos portos. Sem investimentos direcionados a esses pontos, o setor terá de conviver com os elevadíssimos custos para exportar, reduzindo a capacidade de ampliação de resultados.

A adoção de tecnologias avançadas em todos os subsetores do agronegócio, desde a fabricação de insumos até o processamento de produtos, é essencial. Para isso, o estreito relacionamento das ações público-privadas ganha ainda mais importância. Sendo assim, pesquisa e inovação são pressupostos essenciais para a continuidade do processo de aprimoramento do setor, além da aprovação de procedimentos relativos à defesa agropecuária.

Uma entidade fundamental para o agronegócio e que presta relevantes serviços ao setor é a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Especificamente em relação a ela, os pressupostos do citado artigo são de que é necessário instituir normativamente um processo de ocupação de cargos dirigentes fundamentados exclusivamente no mérito e na capacidade técnica dos seus ocupantes.

Outro desafio colocado no caminho do agronegócio diz respeito à legislação trabalhista vigente (implantada na década de 1950) nas atividades rurais, que são, por natureza, absolutamente diferentes das exercidas nas áreas urbanas. A atividade no campo não obedece aos pressupostos adotados nos setores industrial, comercial e de serviço.

Mesmo sem um cenário econômico e político estável, o agronegócio brasileiro se mostra o setor menos abalado com a crise, que ainda deve durar mais um tempo no Brasil.

Além do potencial de alcance de mercados internacionais, a adequação ambiental da produção, pautada na eficiência do uso de recursos naturais e financeiros, é uma grande oportunidade que deve ser observada com mais atenção. O uso eficiente dos recursos garante a capacidade de conseguir um expressivo aumento na oferta de alimentos com baixa expansão da área cultivada, por exemplo. Neste tema ainda, o setor tem uma relevante contribuição, expressada nas metas de redução de emissão de gases do efeito estufa, que o Brasil assumiu na 21.ª Conferência do Clima (COP21) em Paris no final do ano passado. A recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas é um dos pontos de ação para reduzir as emissões, e, consequentemente, aumentar a oferta de carne sem a necessidade de abrir novas áreas – além do reforço à oferta equilibrada do etanol, biodiesel e biomassa energética.

O momento é de gerar uma estrutura matricial para todos os segmentos, de maneira que seja possível estimular ganhos de produtividade, eficiência na gestão de recursos e investimentos em inovação e tecnologia. A integração, com senso republicano, acelera as ações, corta caminhos em atalhos relevantes à urgência requerida.

A visão pragmática do setor, levando em consideração os diferenciais de escalas das cadeias produtivas, os riscos das intempéries climáticas e a diversidade dos ambientes de produção, necessita também de políticas de Estado, além do arrojo já comprovado do agronegócio brasileiro. Afinal, insumos, bens de capital, agricultura e indústria são partes do mesmo grande negócio nacional, integrados.

Ainda que sem as condições mais favoráveis, o Brasil segue como protagonista nos temas relacionados à segurança alimentar, à produção de commodities e ao uso de energia renovável. O agronegócio brasileiro espera ser, de fato, prioridade nas ações, porque nos discursos já está sendo (Luiz Carlos Corrêa Carvalho é presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG). (O Estado de São Paulo 28/05/2016)

 

Oferta da Bayer pode render mais de US$ 70 mi a presidente da Monsanto

O presidente da Monsanto, Hugh Grant, pode receber mais de 70 milhões de dólares se a maior companhia de sementes do mundo for comprada pela fabricante de produtos químicos Bayer.

A companhia norte-americana afirmou que está aberta a manter negociações adicionais com a Bayer depois de ter recusado nesta semana uma oferta de 62 bilhões de dólares, afirmando que foi "incompleta e financeiramente inadequada".

A oferta, de 122 dólares por ação, pode permitir que o presidente da Monsanto receba um pacote de mais de 123 milhões de dólares depois da aquisição, incluindo na conta dinheiro com a venda de ações e o exercício de opções que ele já possui, segundo análise da Reuters com base em dados divulgados pela empresa de sementes.

Mas a quantia de 73,5 milhões de dólares desse total representa ganhos que ele pode conseguir como resultado da oferta da Bayer, por conta da valorização do valor de suas opções de ações.

Os ganhos também refletem a valorização de suas ações e a aceleração de pagamentos de bônus que ocorre em caso de aquisições. A conta inclui ainda um pacote de 14,5 milhões de dólares a ser concedido se ele perder o cargo como resultado da venda da Monsanto.

Na maioria dos casos de aquisições, os presidentes-executivos das empresas alvo acabam saindo das empresas vendidas.

A exposição de Grant às ações e opções significa que ele tem um incentivo para conseguir o maior valor possível pela venda da empresa, o que não seria apenas de seu interesse, mas dos acionistas da Monsanto. Uma oferta de 130 dólares por ação, por exemplo, aumentaria o valor de suas participações em mais 12 milhões de dólares, segundo cálculos da Reuters.

Procurado, um representante da Monsanto não comentou o assunto.

A Monsanto, que produz o agrotóxico mais usado no mundo, Roundup, tem enfrentado queda nos preços das commodities agrícolas e cortes nos investimentos por agricultores nos Estados Unidos, o que tem pressionado seus resultados. (Reuters 27/05/2015 às 15h: 02m)

 

Fábio Venturelli é escolhido como ‘Executivo de Valor’

O presidente e CEO do Grupo São Martinho, Fábio Venturelli, recebeu nesta semana, pela terceira vez, o título de ‘Executivo de Valor do Setor de Agronegócios’, promovido pelo jornal Valor Econômico. Seu perfil abaixo foi transcrito da revista ‘Executivo de Valor’ que circulou encartada no jornal.

Presente em todos os detalhes

Impossível colher bons resultados em um ano turbulento como foi 2015 a partir de uma estratégia traçada já no calor das adversidades. É preciso mais juízo do que sorte e, para o Grupo São Martinho, um dos maiores do segmento sucroenergético brasileiro, a receita do sucesso começou a ser escrita no início de 2008, quando foi definido que crescer com qualidade era o grande desafio a ser enfrentado.

Na época, o segmento estava em franca expansão, lembra Fábio Venturelli, CEO da empresa e, pela terceira vez, eleito Executivo de Valor do setor de agronegócios. No mercado, questionavam-se os motivos da postura conservadora que a São Martinho adotou, inclusive com a venda de ativos, enquanto outras empresas anunciavam investimentos e aquisições. Mas a prioridade era melhorar a estrutura de capital da companhia, de forma que, quando a casa estivesse ajeitada, “um mais um fosse igual a três”.

Além da parceria com a Petrobras na joint Venture Nova Fronteira Bioenergia, que reduziu o nível de endividamento da São Martinho, vieram investimentos em usinas do grupo, a incorporação de canaviais que pertenciam à rival Biosev, participações em unidades também valorizadas por suas plantações de cana-de-açúcar e, em 2014, a aquisição da usina Santa Cruz. De 2008 até agora, os investimentos na empreitada somaram R$ 1,5 bilhão, e, segundo Venturelli, o caminho para crescer com qualidade ficou definitivamente pavimentado.

Se, em 2008, a São Martinho tinha uma capacidade total de moagem de menos de 9 milhões de toneladas de cana por safra, atualmente conta com quatro usinas e capacidade total para processar 23 milhões de toneladas. Nesta safra 2016/17, que começou em abril, a companhia espera que sua moagem alcance 20,6 milhões de toneladas, 2,62% a mais que no ciclo 2015/16. Desempenho que, se confirmado, poderá gerar um caixa operacional (Ebit) de R$ 1 bilhão e permitirá a continuidade do avanço do grupo. Nada mau depois de anos de crise no segmento, interrompida, para algumas empresas, pela recuperação dos preços do açúcar e do etanol a partir de meados de 2015.

“O ano passado foi complicado, mas com demanda e preços favoráveis. Estávamos preparados para aproveitar essa virada, com maquinário bem estruturado e canaviais em dia”, afirma Venturelli.

Com quase 14 mil funcionários, o Grupo São Martinho tem com Venturelli um CEO que procura participar de todas as questões que cercam a companhia, desde a troca do sistema de ar-condicionado na matriz em São Paulo até preços e prazos de venda de açúcar e etanol, passando pelas dezenas de inovações desenvolvidas para aplicação no campo.

“Procuro me envolver no limite de não atrapalhar e ser transparente para que as pessoas saibam o que está acontecendo e estejam motivados e preparados com foco no trabalho e nas famílias”.

Um estilo de gestão que foi herdado de seu avô, Américo Venturelli, empresário do segmento de fundição, que faleceu quando Fábio contava 7 anos. Uma das suas marcas era o contato direto com os funcionários, “o que garantia que a mensagem chegasse como ele queria”. Para seu neto, esse é um dos ingredientes da receita de sucesso da São Martinho.

Perfil:

Fábio Venturelli, 50 anos, presidente e CEO do Grupo São Martinho

Formação: Engenheiro de produção

Empresas onde trabalhou: Dow Chemical e São Martinho S.A.

Personalidade que gostaria de conhecer: Papa Francisco

Quantas horas dorme por noite: 7 horas

O que faz para relaxar: Esporte e lazer com a família

O que fez nas últimas férias: Foi para Ilhas Turcas e Caicos

Tema preferido no happy-hour: Bate-papo descontraído e futebol

Time do coração: Palmeiras

Prato preferido: Bobó de camarão

Um livro: “Exponentional Organizations”, de Salim Ismail

Uma música: “Free”, Ultra Naté

Faz algum tipo de coleção? Não

 

Mosaic avança sobre o novo eldorado do fosfato

A indústria brasileira de fertilizantes está em ebulição. No momento em que a China Molybdenum (CMOC) desembarca no país com a compra de ativos da Anglo American e a Vale busca um parceiro no setor, a Mosaic negocia a aquisição de um dos mais cobiçados "pedacinhos" de terra deste mercado.

Os norte-americanos já teriam feito uma oferta pela mina de fosfato localizada entre as cidades de Presidente Olegário e Patos de Minas, deixando para trás concorrentes como a norueguesa Yara.

Os direitos de pesquisa e lavra pertencem ao Grupo Magnor. A jazida, que ocupa uma área de 900 hectares, é a principal reserva de fosfato de Minas Gerais e uma das cinco maiores do país: o volume estimado gira em torno de 1,5 bilhão de toneladas.

O investimento necessário para torná-la economicamente viável beira os R$ 3,5 bilhões. Os norte-americanos consideram o negócio absolutamente estratégico para a montagem de uma operação integrada. A mina deverá garantir mais de um terço do fosfato consumido pelas misturadoras da Mosaic no Brasil, reduzindo em mais de 25% os custos da empresa com a aquisição do insumo, hoje integramente importado.

A investida se dá pouco mais de dois anos depois de o grupo desembolsar US$ 350 milhões para ficar com os ativos de fertilizantes da conterrânea ADM no Brasil e no Paraguai. Maior produtora mundial de fertilizantes, a Mosaic não tem poupado adubo financeiro para expandir sua operação no Brasil.

Além da aquisição dos negócios da ADM, desembolsou no ano passado cerca de US$ 10 milhões para ampliar sua fábrica de Catalão (GO). Mas nem só de flores é feita a lavoura da empresa no país. Há pouco mais de um ano, Tobias Grasso deixou a presidência da Mosaic no Brasil, sendo substituído por Floris Bielders.

Consta que Grasso desgastou-se com os norte-americanos ao conduzir exatamente o processo de compra dos ativos da ADM.( Josnel Relatório Reservado 27/05/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Atraso na colheita: As preocupações com o andamento da colheita da safra 2015/16 no Centro-Sul do Brasil sustentaram as cotações do açúcar demerara na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os contratos com vencimento em outubro encerraram o pregão cotados a 17,68 centavos de dólar por libra-peso, valorização de 5 pontos (0,28%). O clima chuvoso na semana passada gerou apreensão entre os investidores sobre o andamento dos trabalhos na principal região produtora de cana-de-açúcar do Brasil. O país é o maior produtor mundial de açúcar e, num cenário de déficit global do produto, ganha ainda mais peso na formação dos preços no mercado futuro de Nova York. Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 76,37 a saca de 50 quilos na sexta-feira, alta de 0,21% sobre a véspera.

Algodão: Efeito dólar: As declarações de Janet Yellen, presidente do Federal Reserve americano, sinalizando uma possível alta na taxa básica de juros dos Estados Unidos nos próximos meses, pressionou o algodão na bolsa de Nova York na sextafeira. Os contratos para outubro fecharam a 64,37 centavos de dólar a libra-peso, queda de 26 pontos (0,40%). A possível alta dos juros nos EUA ajudou a manter o dólar em ascensão em relação às principais divisas do mundo. Com a moeda americana mais forte, o algodão do país perde competitividade em relação à commodity produzida em concorrentes. No oeste da Bahia, o algodão em pluma pago ao produtor saiu a R$ 86,75 a arroba na sexta-feira, segundo a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Soja: Demanda firme: Os contratos futuros de soja registraram alta na última sexta-feira em Chicago em meio às perspectivas de aumento na demanda mundial pela oleaginosa. Os papéis com vencimento em agosto fecharam o pegão cotados US$ 10,83 o bushel, alta de 5,75 centavos (0,53%). De acordo com Dennis Smith, analista da consultoria Archer Financial Services, o longo período de preços baixos, que não foi suficiente para conter a produção, também gerou um aumento expressivo na demanda. No caso do Brasil, o analista lembra que, apesar dos recordes nas exportações para a China, as projeções para os estoques finais do país já começam a ficar mais apertadas. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 90,61 a saca de 60 quilos, valorização de 1,46%.

Milho: Cinco dias de alta: Os preços do milho na bolsa de Chicago atingiram o maior patamar dos últimos dez meses na última sexta-feira. Os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão cotados a US$ 4,1425 o bushel, alta de 3,75 centavos (0,91%). Foi a quinta sessão seguida de valorização da commodity, em uma semana marcada pela alta no preço do petróleo. A matéria-prima mais cara aumenta a demanda dos EUA pelo etanol produzido a partir do milho num momento em que a perspectiva é de queda na produção global. No Brasil, a consultoria Safras & Mercado reduziu sua estimativa para a safra 2015/16, apontando que ela deve ser 10,73% inferior à temporada anterior. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa ficou em R$ 52,97 a saca de 60 quilos, queda de 0,19%. (Valor Econômico 30/05/2016)