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Emissões de Eldorado e Cosan devem fechar hoje

A Eldorado Brasil Celulose e a Cosan devem concluir hoje suas emissões de bônus no exterior. Juntas, elas devem levantar pelo menos US$ 1 bilhão.

Estreante no mercado, a empresa de celulose concluiu ontem "roadshow" iniciado na semana passada, com reuniões nos Estados Unidos e na Europa, e já abriu o livro para receber as propostas dos investidores. Segundo uma fonte próxima à operação, os bônus são de cinco anos e o retorno ao investidor ("yield") estimado inicialmente está pouco abaixo de 9%.

A proposta de emissão da Eldorado, que deve usar os recursos para alongamento do perfil da dívida, foi classificada com rating "B+" pelas agências Fitch e S&P. Coordenam a oferta os bancos Santander, Banco do Brasil, Bank of America Merrill Lynch (BofA) e Credit Suisse .

Já a Cosan, que ontem realizou encontros simultâneos com investidores em Nova York, Boston, Los Angeles e Londres, deve levantar pelo menos US$ 500 milhões com bônus para 2026. A expectativa é que a emissão seja concluída hoje. Participam da operação BofA, Bradesco BBI, Citi, HSBC, Itaú BBA e Santander.

Ontem, a Fitch atribuiu rating "BB+" à proposta de emissão da Cosan. Segundo relatório, os recursos captados serão usados para o pré-pagamento de dívida. Nesta semana, a empresa anunciou que pretende adquirir a totalidade dos bônus no mercado com vencimento em 2023 e cupom de 5% ao ano. Além disso, pretende recomprar papéis da emissão de R$ 850 milhões com vencimento em 2018 e cupom de 9,5% ao ano.

Segundo uma fonte próxima à operação, a intenção da Cosan é aumentar o prazo da dívida e flexibilizar as regras da emissão. Na nova oferta, a companhia já considera a possibilidade de fazer a separação de negócios como a Comgás e a área de lubrificantes. "A intenção da Cosan é fazer o 'spin off' de alguns negócios e a operação de troca das dívidas vai permitir isso". (Valor Econômico 09/06/2016)

 

Shree Renuka tem lucro 4.556% maior no 4º tri de 2015/16, de US$ 33 milhões

A indiana Shree Renuka Sugars, companhia produtora de açúcar e etanol com usinas na Índia e no Brasil, registrou lucro líquido de US$ 33,07 milhões (2,20 bilhões de rupias) no trimestre encerrado em 31 de março de 2016, equivalente ao 4º da safra 2015/16 no Centro-Sul do Brasil. O montante representa forte incremento de 4.556% ante igual período do ano anterior, quando a empresa havia reportado lucro líquido de US$ 646,42 mil (43 milhões de rupias).

No fechado da temporada, a Renuka viu seu prejuízo líquido diminuir 3,32%, para US$ 42,85 milhões (2,85 bilhões de rupias). Em termos consolidados, ou seja, incluindo-se as empresas vinculadas, a queda foi de 0,60%, para US$ 270,93 milhões (18,02 bilhões de rupias).

Com capital aberto na Bolsa de Mumbai, a companhia teve uma receita líquida de US$ 273,18 milhões (18,17 bilhões de rupias) no trimestre, aumento de 8% na comparação anual, e de US$ 880,84 milhões (58,62 bilhões de rupias) no ciclo (+2%).

O Ebit (lucro antes de juros e impostos) ficou positivo em US$ 10,49 milhões (698 milhões de rupias) de janeiro a março, avanço de 806% frente o de US$ 1,15 milhão (77 milhões de rupias) em igual intervalo de 2015.

A receita com açúcar aumentou 8% no trimestre, para US$ 219,81 milhões (14,62 bilhões de rupias), mas caiu 5% na safra, para US$ 632,08 milhões (42,04 bilhões de rupias). No caso do etanol, a receita no trimestre diminuiu 1,44%, para US$ 17,44 milhões (1,16 bilhão de rupias), mas avançou 47,5% no ano, para US$ 75,62 milhões (5,03 bilhões de rupias).

Por fim, a operação de trading da empresa teve uma receita 8,6% inferior no trimestre, de US$ 43,30 milhões (2,88 bilhões de rupias), mas 20,7% maior no ano, de US$ 187,18 milhões (12,45 bilhões de rupias).

A Shree Renuka Sugars tem quatro usinas no Brasil, duas em São Paulo e duas no Paraná, com capacidade total para moagem de mais de 10 milhões de toneladas de cana por safra. No início do mês, a Renuka - Vale do Ivaí, que administra as usinas São Pedro e Cambuí, ambas no Paraná, protocolou um novo plano de recuperação judicial, incluindo a provisão de recursos para amortizar a dívida de quase R$ 710 milhões. (Reuters 08/06/2016)

 

Rabobank eleva estimativa de déficit de açúcar na safra global 2015/16

O Rabobank elevou nesta quarta-feira, 8, sua projeção de déficit de açúcar na safra global 2015/16, de 6,8 milhões para 8,5 milhões de toneladas. Trata-se do primeiro déficit após cinco temporadas consecutivas de superávit. De acordo com o relatório trimestral da instituição sobre o mercado, o aumento leva em conta uma produção menor na Ásia e os problemas climáticos com a safra do Centro-Sul do Brasil, onde as chuvas têm prejudicado a moagem de cana e o embarque do alimento. Já para o ciclo 2016/17, que começa em outubro, a expectativa é de outro déficit, de 5,5 milhões de toneladas.

"Naturalmente, isso implica redução significante nos estoques globais e um aperto correspondente na relação entre estoques e consumo", destacou o banco. De acordo com o Rabobank, na safra 2015/16 as reservas de açúcar devem ser suficientes para suprir 35% da demanda global, porcentual que deve cair para perto de 30% no ano seguinte. Na média dos últimos 10 ciclos, a relação se aproxima de 40%.

Por região, o Rabobank manteve sua projeção de produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil em 34,6 milhões de toneladas, mas destacou que o clima poderá influenciar no volume final da temporada. Na Tailândia, onde a safra se aproxima do fim, o Rabobank informou produção de açúcar 1 milhão de toneladas menor em 2015/16, com 10,4 milhões de toneladas, o menor volume desde 2010/11. A redução deve-se à estiagem provocada pelo El Niño, que diminuiu a moagem em 6,6%, para 94,1 milhões de toneladas. Para 2016/17, o banco estima uma fabricação de açúcar ligeiramente maior, de 10,8 milhões de toneladas.

Quanto à Índia, segundo principal player mundial, o incremento de produção deve ser de apenas 100 mil toneladas em 2015/16, para 26,6 milhões de toneladas. Esse volume, contudo, deve cair com força na temporada 2016/17 em razão da forte seco no país, para algo próximo de 23 milhões de toneladas. Na China, a produção caiu 18% em 2015/16, para 9,2 milhões de toneladas. Para o banco, as importações pelo gigante asiático devem alcançar 4,9 milhões de toneladas na temporada para dar conta da demanda, prevista em 17 milhões de toneladas.

Com relação à União Europeia, o Rabobank projetou produção de 15,1 milhões de toneladas de açúcar em 2015/16, 200 mil toneladas a menos na comparação com a estimativa anterior e 20% abaixo do registrado em 2014/15. As safras de Reino Unido e Alemanha, de 1 milhão e 3,2 milhões de toneladas, respectivamente, ficaram bem abaixo do esperado. Para o ano que vem, a instituição estimou produção entre 16,5 milhões e 17 milhões de toneladas na UE. (Agência Estado 08/06/2016)

 

Venezuela perde para Chile posto de maior comprador do agronegócio brasileiro na América do Sul

A forte crise econômica e política vivida pela Venezuela faz o setor do agronegócio brasileiro perder o principal parceiro comercial na América do Sul.

Com compras de US$ 3 bilhões em produtos agropecuários brasileiros em 2014 e de US$ 1,8 bilhão em 2015, os venezuelanos importaram o correspondente a apenas US$ 220 milhões nos cinco primeiros meses deste ano.

Nesse ritmo, as exportações brasileiras do agronegócio para esse vizinho ficarão bem inferiores às dos anos anteriores e podem não atingir US$ 600 milhões neste ano.

A desaceleração das compras da Venezuela faz com que o país deixe de encabeçar a lista dos principais países importadores do Brasil nesse setor.

O posto de principal parceiro brasileiro nas exportações do agronegócio na região agora passa a ser o Chile.

Os gastos dos chilenos no Brasil nesse setor foram de US$ 266 milhões de janeiro a maio deste ano, 8% mais do que em igual período de 2015.

A principal perda nas compras da Venezuela ocorre no setor de carnes, em que os chilenos ganham força. Nos cinco primeiros meses deste ano, os gastos dos venezuelanos se restringiram a US$ 59 milhões, 90% menos do que em igual período de 2014.

Em 2014, Brasil e Venezuela tiveram as melhores relações comerciais no setor do agronegócio.

As importações de carnes e miudezas do país vizinho, que somavam 152 mil toneladas nos cinco primeiros meses daquele ano, caíram para 16 mil em 2016, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Já os chilenos elevaram as compras de carnes e miudezas para US$ 159 milhões nos cinco primeiros meses deste ano, 25% mais do que em igual período de 2015. (Folha de São Paulo 08/06/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Reflexo do dólar: O derretimento do dólar ante o real foi um combustível e tanto para os preços do café arábica ontem na bolsa de Nova York. Os papéis do grão para setembro avançaram 750 pontos e fecharam a US$ 1,4165 a libra-peso. Ontem, a moeda americana atingiu o menor nível em quase um ano num cenário em que os investidores têm descartado a possibilidade de o Fed elevar os juros nos Estados Unidos no curto prazo. O dólar mais baixo tende a desestimular as exportações, reduzindo a oferta no mercado externo. Além disso, as chuvas dos últimos dias interromperam a colheita e o escoamento e ainda afetaram a qualidade do produto, segundo analistas. No mercado interno, o café de boa qualidade oscilou entre R$ 510 e R$ 520 a saca de 60,5 quilos, de acordo com o Escritório Carvalhaes.

Soja: Futuro incerto: As perspectivas cada vez mais iminentes de formação do La Niña sustentaram as cotações da soja ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em agosto fecharam o pregão cotados a US$ 11,73 o bushel, alta de 34,75 centavos. O La Niña normalmente provoca tempo seco durante o verão no Meio-Oeste dos Estados Unidos, momento considerado crítico para o desenvolvimento da oleaginosa. Com a demanda firme e a redução da produtividade no Brasil e na Argentina, a possibilidade de quebra de safra nos EUA tem causado nervosismo no mercado. A queda do dólar ante as principais moedas do mundo também deu suporte às cotações. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 96,37 a saca de 60 quilos, alta de 0,93%.

Milho: Petróleo firme: O preço do barril do petróleo voltou ontem a ser cotado acima dos US$ 50 o barril no mercado internacional, dando suporte às cotações do milho na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão a US$ 4,3475 o bushel, alta de 4,25 centavos. A queda do dólar, depois que o mercado descartou a possibilidade de alta na taxa de juros dos EUA no curto prazo, também deu suporte às cotações. A moeda americana mais barata tende a dar mais competitividade ao produto dos EUA no cenário internacional, elevando a demanda pelo milho produzido no país num momento em que o Brasil, seu maior competidor, enfrenta problemas climáticos. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa ficou em R$ 53,38 a saca de 60 quilos, alta de 0,23%.

Trigo: Ganhos nas bolsas: Acompanhando os ganhos da soja e do milho, o trigo fechou no azul ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes para setembro fecharam a US$ 5,3050 o bushel, elevação de 11,25 centavos. Em Kansas, onde se oferta trigo de melhor qualidade, os papéis com o mesmo vencimento avançaram 8,25 centavos, para US$ 5,0925 o bushel. A queda generalizada do dólar em relação a diversas moedas é um fator positivo para a competitividade do cereal dos EUA, já que eleva a demanda pelo produto americano no exterior. Além disso, a valorização do milho direciona parte dos compradores que usam o grão para fabricar ração para o mercado do trigo. As chuvas na Europa adicionaram suporte aos contratos. No Paraná, a saca do cereal subiu 0,11%, para R$ 44,91, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 09/06/2016)