Macroeconomia e mercado

Notícias

Juntas, Cosan e Eldorado captam US$ 850 milhões

A três semanas das férias no Hemisfério Norte e com um total de US$ 9,6 bilhões levantados no mercado de dívida internacional, o ritmo de novas emissões corporativas de bônus deve diminuir. Ainda há operações no forno para sair nos próximos dias, segundo executivos de bancos, com potencial para elevar o volume total para um patamar acima dos US$ 10 bilhões.

Ontem, outras duas emissões de bônus foram concluídas. Cosan levantou US$ 500 milhões em uma operação de um dia e Eldorado Brasil Celulose, estreante no mercado de dívida internacional, mais US$ 350 milhões. Na terça-feira, Vale já havia captado US$ 1,25 bilhão. Em maio, Petrobras e Marfrig levantaram US$ 6,75 bilhões e US$ 750 milhões, respectivamente.

Os ativos de risco tiveram um bom desempenho no início desta semana, impulsionados, especialmente, por dados fracos do mercado de trabalho nos EUA e pelo discurso mais cauteloso da presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Janet Yellen. Ontem, o dia foi de realização de lucros. No mercado local, o dólar interrompeu uma sequência de seis pregões em baixa.

"O momento agora é de monitorar o mercado e deixar os investidores digerirem as emissões que acabaram de sair", afirma o executivo de um banco de investimento. De acordo com um profissional de um outro banco, o "pipeline" já não é tao grande como na semana passada, mas há espaço para o volume de emissões corporativas ultrapassar os US$ 10 bilhões nas próximas semanas. "Há operação para sair com potencial de alcançar US$ 1 bilhão, mas vai depender da performance dos papéis no mercado secundário", afirma.

Em uma operação de um dia, a demanda por Cosan superou em mais de duas vez o total captado. "Foi rápida, a fim de evitar ficar exposto à volatilidade do mercado, mas bastante eficiente", conta uma fonte próxima à operação. A transação foi anunciada na segunda-feira e um "roadshow" foi realizado simultaneamente em quatro cidades na quarta-feira. Graças à forte demanda, o preço inicial de cerca de 7,5% caiu para 7,375% na abertura oficial. No fechamento, o retorno ao investidor ("yield") ficou em 7,25%.

Segundo esse interlocutor, a Cosan já tinha tentado acessar o mercado em dezembro de 2014, mas não levou a operação adiante por questão de preço. Em meados do ano passado, fez mais uma tentativa, mas foi justamente na semana em que o então ministro da Fazenda Joaquim Levy anunciou a redução na meta de superávit primário, o que acabou inviabilizando a emissão.

Os papéis, com dez anos e cinco meses, têm vencimento em janeiro de 2027. A companhia usará os recursos para recompra de títulos com vencimento em 2018 e 2023. Coordenaram a operação os bancos Bank of America Merrill Lynch (BofA), Bradesco BBI, Citi, HSBC, Itaú BBA e Santander.

Já a Eldorado, segundo os executivos, fez uma boa estreia, levando em conta que o mercado se fechou para emissores brasileiros, depois do rebaixamento. "Foi um ótimo preço para uma estréia", destaca uma das fontes.

Os bônus de cinco anos saíram com um retorno de 8,875% ao ano, próximo do indicativo. Apesar de ter aprovação dos acionistas para captar até US$ 500 milhões e ter encontrado apetite para esse montante, conta o executivo de banco de investimento, a estratégia foi não atender toda a demanda para que os papéis tenham um bom desempenho no mercado secundário. "A empresa não quis deixar o investidor com um sabor amargo", reforça outro executivo, acrescentando que com os recursos vai conseguir pré-pagar dívidas de curto prazo.

Participaram da oferta da Eldorado Santander, Banco do Brasil, BofA e Credit Suisse. (Valor Econômico 10/06/2016)

 

Fundo canadense compra 10% da divisão de agronegócios da Glencore

A Glencore concordou em vender 10% de sua divisão de agronegócios para o fundo canadense British Columbia Investment Management, por US$ 624,9 milhões. A trading de commodities e mineração, que já havia vendido 40% da empresa ao Canada Pension Plan Investment Board em abril, por US$ 2,5 bilhões, continua sendo sócia majoritária.

Com os dois acordos, a Glencore conseguirá levantar US$ 3,2 bilhões, comparada à meta inicial de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões.

As ações da companhia negociadas na bolsa de Londres subiram 5,9% ontem, quando o negócio foi primeiramente anunciado pela agência de notícias “Bloomberg”, antes da confirmação oficial por parte da empresa.

A Glencore tem valor de mercado de US$ 31 bilhões, com o braço de agronegócios valendo US$ 6,25 bilhões.

A expectativa é que a venda seja finalizada no segundo semestre deste ano. (Valor Econômico 09/06/2016)

 

Desfecho de disputa entre Abengoa e Dedini Agro pode ocorrer na semana que vem

A disputa entre a espanhola Abengoa e a brasileira Dedini Agro pode ter seu desfecho na semana que vem. Após pedido de vistas por um dos ministros no fim de abril, a corte do Superior Tribunal de Justiça (STJ) deverá analisar o caso no próximo dia 15 e, não havendo nenhum outro percalço, poderá completar o julgamento.

Por ora, dois dos 15 ministros já indeferiram a homologação de decisão de uma corte arbitral internacional que determinava à Dedini o pagamento de R$ 150 milhões à Abengoa, em um caso que envolve a compra, em 2007, de usinas de cana-de-açúcar.

A Abengoa adquiriu em 2007 o controle da Dedini Agro por R$ 1,3 bilhão e assumiu R$ 730 milhões em dívidas. Na negociação estavam unidades de processamento de cana localizadas em Pirassununga e São João da Boa Vista, ambas no interior paulista.

O conglomerado espanhol, entretanto, afirma que teve prejuízos por causa de números superestimados de moagem divulgados pela Dedini e cobra ressarcimento. As duas usinas da Abengoa têm capacidade instalada para quase 7 milhões de toneladas de cana por temporada.

No ciclo 2016/17, que começou em abril, a expectativa da companhia é de processamento em torno de 5,8 milhões de toneladas. (Agência Estado 09/06/2016)

 

Produtores de energia se livram de taxa para termelétricas

Justiça isenta 250 geradores – incluindo usinas a biomassa, de arcar com taxa cobrada por uso das termelétricas; conta ficará só para os consumidores.

Depois de uma disputa judicial que já durava três anos, cerca de 250 produtores de energia elétrica conseguiram se livrar do pagamento de uma taxa cobrada para financiar o uso das termoelétricas. O Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1) deu razão a associações de geradores que questionavam a obrigação de pagar por essas usinas. Para a Justiça, apenas os consumidores finais devem pagar essa conta, que atingiu R$ 16,5 bilhões de 2013 até fevereiro deste ano, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A origem do problema está numa resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão que assessora a Presidência da República. Logo depois que o governo editou a Medida Provisória 579/2012, que reduziu a conta de luz em 20%, o País passou por uma estiagem que consumia os reservatórios das hidrelétricas.

Para manter a segurança do abastecimento, o governo decidiu acionar todo o parque de termoelétricas, embora o sistema usado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) não indicasse essa necessidade. Nesse cenário, as térmicas funcionam “fora da ordem de mérito”, o que gera uma taxa chamada de Encargos de Serviço do Sistema (ESS), cobrada na conta de luz.

Como as termoelétricas a diesel e óleo combustível custam muito caro, haveria um aumento quase que imediato nas tarifas. Na tentativa de evitar que a redução das contas fosse comprometida, o governo editou a resolução que rateava a despesa entre todos os agentes do setor elétrico, inclusive geradores, comercializadores e as próprias térmicas.

A decisão despertou a fúria das empresas, que compararam a resolução a um jantar em que a conta é dividida com o garçom, o maître e o gerente do restaurante. Nos cálculos do advogado Guilherme Silveira Coelho, do escritório de advocacia Sergio Bermudes, mais de 200 ações questionaram a resolução na Justiça. Todos obtiveram liminares que livraram os agentes do encargo, e a despesa continuou a ser paga integralmente pelos consumidores.

Na terça-feira, a Sétima Turma do TRF-1 decidiu, por três votos a zero, dar ganho de causa à Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine) e à Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel), excluindo definitivamente cerca de 250 companhias da cobrança.

Entre as empresas beneficiadas estão Tractebel, CPFL, Cesp, Cemig, Copel e AES, além de pequenas centrais hidrelétricas, eólicas e usinas a biomassa. A ação das entidades foi a primeira a obter liminar em 2013. O governo ainda pode recorrer a instâncias superiores, mas a chance de reverter a decisão é pequena.

Para Coelho, a discussão envolvia a segurança jurídica dos investimentos. “O julgamento de mérito de tema tão sensível, agora em segunda instância, dá maior confiança aos investimentos em infraestrutura, ainda mais no momento econômico pelo qual o País passa”, disse.

O ex-diretor da Aneel, Edvaldo Alves de Santana, afirmou que a resolução foi um exemplo do excesso de intervenções do governo no setor elétrico. “A Aneel nem sequer foi consultada sobre o assunto, e depois dessa resolução foi uma intervenção atrás da outra”, afirmou. (O Estado de São Paulo 09/06/2016)

 

Na China, ministro Blairo Maggi discute abertura de mercados com vários países

O ministro da Agricultura da Rússia, Alexander Nicolayevich Thachyov, aceitou o convite do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil (Mapa), Blairo Maggi, para conhecer a agricultura brasileira, em novembro, e discutir temas bilaterais. Os russos têm interesse em vender pescados e trigo para o Brasil. Thachyov disse também que seu país deseja importar maçãs e outras frutas brasileiras. Por sua vez, o governo do Brasil manifestou a intenção de incrementar as vendas de carnes e de soja para a Rússia. Os russos já são um dos maiores compradores de carne bovina, suína e de aves brasileiras.

A vinda do ministro russo ao Brasil foi acertada durante a primeira viagem oficial ao exterior do ministro Blairo Maggi, que também participou da reunião de ministros da Agricultura do G20, em Xian (China), do dia 3 deste mês. Eles assinaram uma declaração em que se comprometem a promover a segurança alimentar, o crescimento da agricultura sustentável e o desenvolvimento rural por meio da inovação, troca de informações em plataforma eletrônica, para atingir os objetivos da Agenda de Desenvolvimento Sustentável de 2030, da Organização das Nações Unidas.

Na mesma viagem, Blairo Maggi também se reuniu com ministros de Agricultura da China, Coreia do Sul, Estados Unidos, México, União Europeia, Argentina e com o Diretor-Geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação. Além de aumento da cooperação, foram tratados temas comerciais de interesse bilateral e compromissos sobre negociações agrícolas internacionais.

O ministro da Agricultura da China, Han Changfu, recebeu convite para conhecer a produção agrícola brasileira. A data ainda será marcada. No encontro com Blairo Maggi, os dois ministros trataram de temas relacionados à cooperação entre os dois países e à exportação de grãos do Brasil para a China, no que se refere à biotecnologia (produtos transgênicos).

A delegação presidida pelo ministro brasileiro também se encontrou, em Pequim, com o ministro da Administração Geral da Qualidade, Supervisão, Inspeção e Quarentena, AQSIQ, Zhi Shuping, para tratar de inspeção sanitária e fitossanitária entre dois países. O governo brasileiro solicitou novas habilitações de estabelecimentos brasileiros de carne suína e de aves.

Segundo o secretário substituto de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa, Odilson Silva, o MAPA pediu também a habilitação de oito frigoríficos, já inspecionados em missões de 2010 e 2012 daquele país ao Brasil. O ministério aguarda para breve a indicação da missão de auditoria chinesa a estabelecimentos que já encaminharam resposta ao questionário de habilitação de plantas frigoríficas que desejam exportar à China.

O governo brasileiro solicitou aos chineses a verificação da autenticidade de certificados sanitários, por meio de consulta eletrônica à página do MAPA na internet, bem como a realização de reunião técnica para tratar de outros temas de interesse como miúdos de aves, suínos e bovinos, frutas e milho.

No encontro com os representantes da Coreia, o minis tro Blairo disse que pretende visitar o país em agosto para negociar a abertura de mercado à carne suína brasileira. Por sua vez, os coreanos manifestaram interesse em exportar pera para o Brasil. O pedido deverá ser analisado na próxima reunião do Comitê Consultivo Agrícola entre os dois países, que deverá ocorrer em agosto próximo, em Seul.

Durante a viagem, também foram marcadas reuniões bilaterais com os Estados Unidos, dia 28 de julho, em Washington, quando haverá uma reunião do Comitê Consultivo Agrícola com aquele país. De acordo com Odilson, aguarda-se a finalização dos procedimentos para exportação de carne bovina do Brasil para os EUA e daquele país para o Brasil. Outros temas da extensa agenda bilateral serão tratados durante o evento.

Com o Comissário para Agricultura e Desenvolvimento Rural da União Europeia foram tratados os avanços na agenda bilateral, as negociações entre a UE e o Mercosul, além da realização do Diálogo em Agricultura, que deverá ocorrer em Brasília, em outubro próximo, com a presença do Comissário e outros técnicos europeus.

Com a Argentina, foram discutidos temas bilaterais e da negociação com outros blocos comerciais como da União Europeia. A agenda bilateral, segundo discutido, tem avançado positivamente por meio de videoconferências e contatos entre os órgãos congêneres de ambos os países. Os ministros marcaram de se encontrar brevemente, no Brasil ou na Argentina.

No encontro com a direção-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), além da ampliação das atividades com aquela organização internacional, o ministro Blairo Maggi informou que o Brasil deverá apresentar, em 2017, candidatura à Presidência do Codex Alimentarius, organização de referência que elabora as regras de alimentos em nível mundial.

Já o México informou sobre o interesse em ampliar a cooperação com o Brasil na área de produção de etanol junto às indústrias que produzem açúcar de cana naquele país. (Mapa 09/06/2016)

 

Commodities Agrícolas

Algodão: Baixa demanda: O esfriamento da demanda pelo algodão americano e a recuperação do dólar em escala global derrubaram as cotações da pluma ontem na bolsa de Nova York. Os papéis da fibra para outubro recuaram 90 pontos, para 65,93 centavos de dólar a libra­peso. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que, na semana até o dia 2, os exportadores do país acertaram a venda de 23,97 mil toneladas da pluma para entrega na safra atual (2015/16), uma queda de 12% na base semanal e de 19% ante a média das quatro semanas anteriores. A previsão de clima seco nos próximos dias no Texas também gera otimismo, pois pode impulsionar o plantio. Na Bahia, o preço da pluma do algodão ficou em R$ 86,08 a arroba, conforme associação local de agricultores, a Aiba.

Soja: De olho no USDA: Os preços da soja fecharam com ligeira queda ontem na bolsa de Chicago, refletindo a liquidação de posições dos traders em busca de realização dos lucros recentes. Os lotes para agosto fecharam a US$ 11,72 por bushel, recuo de 1 centavo. Os traders buscaram ajustar suas posições antes das novas estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que serão divulgadas hoje. Os analistas acreditam que o órgão reduzirá suas projeções para os estoques finais no país e no mundo tanto nesta safra como na próxima. Ao longo do pregão, os papéis chegaram a subir diante do aumento das vendas externas dos EUA e da negociação de 240 mil toneladas do país para a China. Na Bahia, a soja ficou em R$ 79,33 a saca, segundo a associação local de produtores, a Aiba.

Milho: Melhora climática: Os contratos futuros de milho fecharam no negativo ontem na bolsa de Chicago diante da tentativa dos fundos de realizar os lucros e previsões climáticas favoráveis para as lavouras dos EUA. Os lotes para setembro caíram 4,25 centavos, a US$ 4,305 o bushel. Os modelos climáticos indicam que o Meio-Oeste americano receberá chuvas na próxima semana, o que pode aliviar as condições das plantações após uma estiagem que levou os preços do grão aos maiores valores em 11 meses. A alta recente estimulou os produtores a negociarem sua produção, o que acabou pressionando os preços ontem. O mercado espera agora as novas projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho subiu 0,34%, para R$ 53,56 a saca.

Trigo: Otimismo com oferta: A desvalorização do milho, a alta do dólar e a perspectiva de projeções mais confortáveis de oferta fizeram o trigo cair nas bolsas americanas ontem. Em Chicago, os lotes para setembro recuaram 9 centavos, a US$ 5,2150 o bushel. Em Kansas, os contratos para setembro fecharam a US$ 5,01 o bushel, com queda de 8,25 centavos. A recuperação do dólar, que corrige em parte o recuo das últimas sessões, pressiona as cotações ao encarecer o produto americano no mundo. Além disso, os analistas avaliam que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) vai elevar suas projeções para a produção global e para os estoques de passagem mundiais da safra 2016/17. No Paraná, o preço médio do trigo subiu 1,38%, para R$ 45,53 a saca, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 10/06/2016)