Macroeconomia e mercado

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Ipiranga, da Ultrapar, compra 100% da Ale por R$ 2,17 bilhões

Quarta maior empresa de distribuição de combustíveis, a Ale unirá sua operação à da vice-líder Ipiranga.

O Grupo Ultra, por meio da marca de sua postos de combustíveis Ipiranga, acertou a compra de 100% da rede de postos de combustíveis Ale, a quarta maior do setor no País, por R$ 2,17 bilhões. A empresa, comandada pelo empresário Marcelo Alecrim, detinha pouco mais de 3% do mercado brasileiro e vai ajudar a Ipiranga, a atual vice-líder, a ficar mais próxima da primeira colocada, a BR Distribuidora, da Petrobrás.

Ale é a quarta maior distribuidora do País, atrás da BR Distribuidora, Ipiranga e Cosan, dona da marca Shell

Segundo apurou o Estado, o empresário Marcelo Alecrim deverá permanecer no negócio por pelo menos mais um ano, ajudando na transição da Ale para a Ipiranga. A rede montada por Alecrim e seus sócios contabiliza hoje cerca de 2 mil postos de combustíveis, que agora serão unidos aos mais de 7,2 mil que carregam a marca Ipiranga. Em 2015, a Ale teve eceita de R$ 11,4 bilhões e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de R$ 275 milhões.

Bem menor do que as três primeiras colocadas no ranking de distribuição de combustíveis no País (BR Distribuidora, Ipiranga, e Cosan, dona da marca Shell), a Ale era uma "candidata" à incorporação havia anos. A empresa chegou a ser negociada em diversas ocasiões ao longo dos últimos três anos. Antes de ser incorporada, a Ale ganhou musculatura ao adquirir outras pequenas redes de combustível com operação no País, entre elas a Polipetro e a Repsol.

Bem menor do que as três primeiras colocadas no ranking de distribuição de combustíveis no País (BR Distribuidora, Ipiranga, e Cosan, dona da marca Shell), a Ale era uma "candidata" à incorporação havia anos. A empresa chegou a ser negociada em diversas ocasiões ao longo dos últimos três anos. Antes de ser incorporada, a Ale ganhou musculatura ao adquirir outras pequenas redes de combustível com operação no País, entre elas a Polipetro e a Repsol.

Segundo o mais recente ranking de distribuidoras de combustíveis divulgado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para o ano de 2015, a BR Distribuidora detinha 27,72% do mercado brasileiro de venda de gasolina, seguida pela Ipiranga (20,8%), Raízen (19,6%) e Ale (5,2%). Com a incorporação da Ale, a fatia da Ipiranga subiria para 26% e ficaria bem mais próxima da apresentada pela controlada da Petrobrás.

Em óleo diesel, segundo apresentação divulgada em março, a BR Distribuidora liderava com 37,2% do total, seguida de Ipiranga (22,9%), Raízen (18,9%) e Ale (2,8%). Em etanol, a participação, as três primeiras colocadas são BR, Raízen e Ipiranga, com as seguintes fatias: 20,4%, 19,5% e 19,3%.

Dívida

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa informa que o valor a ser pago aos vendedores terá a dedução da dívida líquida da Ale em 31 de dezembro de 2015 (de R$ 737 milhões) e será sujeito a ajustes de capital de giro e endividamento líquido na data do fechamento da transação.

A consumação do negócio está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela assembleia de acionistas da Ultrapar, ainda a ser convocada. Dada a pulverização do setor de combustíveis no País, fontes de mercado afirmaram que o negócio não deve enfrentar barreiras relevantes com o órgão regulador.

Além de as três principais empresas do setor continuarem a apresentar participação bastante semelhante no mercado, mesmo com a incorporação da Ale pela Ipiranga, a maior parte dos postos de combustível no Brasil ainda é de "bandeira branca" (ou seja, sem marca). (O Estado de São Paulo 12/06/2016)

 

Petrobrás pode vender fatia da BR Distribuidora

Estatal quer se desfazer de fatia minoritária do negócio, mas fundos e concorrentes só teriam interesse no controle.

Na esteira da queda do petróleo no mercado internacional e da Operação Lava Jato, que apura um esquema organizado de corrupção na Petrobrás, a estatal montou um plano de desinvestimentos para reforçar seu caixa e compensar parte do prejuízo recorde sofrido em 2015, quando a empresa perdeu R$ 34,8 bilhões.

Um dos ativos que podem ser incluídos nessa temporada de vendas é a líder em distribuição de combustíveis no País, a BR.

Segundo o Estado apurou, tanto empresas do ramo – como a Cosan, sócia da Raízen, que opera a marca Shell no País – e fundos de investimento internacionais teriam interesse no ativo, considerado de qualidade tanto pela posição de liderança quanto por estar presente de forma homogênea em todas as regiões do País.

Existe, no entanto, um descompasso entre o que a Petrobrás está disposta a fazer e o que seria suficiente para atrair compradores. A estatal afirmou que pretende se desfazer de uma fatia minoritária do negócio. No entanto, vários fundos ouvidos pelo Estado afirmaram que a BR Distribuidora só atrairia interesse caso o sócio tivesse o controle.

Isso ocorre porque, segundo fontes, especialmente depois da crise de imagem sofrida pela Petrobrás, os investidores estão pensando duas vezes antes de ficarem subordinados ao conselho da empresa ao definir estratégias de negócio. (O Estado de São Paulo 12/06/2016)

 

Agora é a hora para produtor comprar adubo, afirma banco

Este pode ser o melhor momento para o produtor pensar no fertilizante que utilizará na próxima safra.

A alta da soja e a queda dos preços internacionais dos fertilizantes abriram uma boa oportunidade para a fixação da relação de troca pelo produtor, segundo Guilherme Melo, analista de agronegócios no Itaú BBA.

A pressão menor da demanda por fertilizantes provocou queda nos preços internacionais. Já a quebra na safra de soja, principalmente na América do Sul, fez o preço da oleaginosa subir.

Nesta sexta-feira (10), a soja chegou a ser negociada por valores superiores a US$ 12 por bushel (27,2 kg) na Bolsa de Chicago.

Antonio Carlos Ortiz, diretor da área de produtores do Itaú BBA, diz que a fixação da relação de troca provoca incertezas, porque preços e demanda podem mudar.

Mas, na avaliação dele, "é recomendável que o produtor considere a fixação agora". Para Ortiz, o produtor deve "travar" parte dos insumos que vai utilizar e parte da soja que será vendida.

Em geral, a antecipação na comercialização de soja é de 30% da produção. Desempenho das lavouras e produtividade poderão determinar outros 20% a 30% durante a safra, com o restante ficando para vendas posteriores.

Para permitir que o produtor aproveite este momento de relação de troca historicamente favorável, o banco estabeleceu uma linha de crédito para a safra 2016/17.

Para Melo, as condições de preços nos próximos meses podem mudar e tornar a relação de troca menos favorável.

As indústrias de fertilizantes deverão adequar a produção com a demanda, que havia recuado.

Com isso, os preços atuais dos fertilizantes podem estar no melhor momento. Além de uma eventual alta com a adequação de produção das indústrias, a demanda pode crescer em algumas das principais regiões consumidoras.

Melo aponta o momento favorável da relação de troca. No início de junho do ano passado, o produtor adquiria 0,8 tonelada de DAP (matéria-prima intermediária para fertilizantes) com uma tonelada de soja.

Neste ano, a tonelada de soja compra 1,3 tonelada de fertilizante, aponta cálculo do Itaú BBA.

MILHO

Além da soja, o milho também está em alta. Para Ortiz, essa elevação se deve a uma mudança consistente e estrutural nesse mercado.

Há uma convergência de preços entre os mercados externo e interno. O produto tem agora canais de liquidez e até de financiamento externo. "É saudável porque dá mais opções ao produtor."

Esse novo cenário do milho está exigindo uma atitude nova das indústrias consumidoras, segundo Melo. Elas estão buscando "estratégias de aquisição do produto", complementa ele. (Folha de São Paulo 11/06/2016)

 

Tereos Internacional realiza emissão de 400 milhões de euros em bonds

A cooperativa francesa Tereos Internacional, de açúcar e etanol, realizou na Europa uma emissão de 400 milhões de euros em bonds, com vencimento em sete anos, a um cupom (juros) de 4,125%. A emissão, que teve uma subscrição de quatro vezes, foi considerada um “sucesso” pela companhia.

Ao Valor, o diretor da divisão brasileira da Tereos, Jacyr Costa, afirmou que os recursos vão servir para amortizar dívidas mais caras e fornecer liquidez para a companhia. “Essa emissão dá um conforto financeiro bastante importante”, afirmou Costa.

Os bancos coordenadores da emissão foram o Natixis, Rabobank e BNT e os bancos associados foram o Credit Mutuel, HSBC, Commerzbank, e ING. A transação foi feita com aconselhamento da consultoria Rothsthild.

A emissão foi classificada em “BB” pelas agências de rating Standard and Poor’s (S&P) e Fitch Ratings.

Em nota, a Tereos informou que essa transação faz parte de um programa de refinanciamento de certas linhas bancárias, incluindo, entre outras, uma linha de 170 milhões de euros da Tereos União Europeia, que vence em setembro de 2017. Além disso, em 6 de junho, a Tereos já antecipou o refinanciamento de outra dívida bancária, de 225 milhões de euros, por cinco anos. (Valor Econômico 12/06/2016)

 

Mudança repentina nas regras traz tensão ao setor de petróleo, diz presidente da Shell no Brasil

Ao mesmo tempo em que consolida a visão de que o investimento privado é importante, o Brasil vem tomando medidas que podem inviabilizar projetos no setor de petróleo e gás. A opinião é do presidente da Shell Brasil, André Araújo, para quem a instabilidade política é um entrave menor do que mudanças repentinas na regulação do setor, como os aumentos de impostos no Rio.

"Essas discussões trazem muita tensão", diz. Araújo afirma que o setor de petróleo pode ajudar a tirar o país da crise e se apresentou como interessado em leilões do pré-sal caso o projeto de lei que flexibiliza as regras seja aprovado no Congresso.

Ele defende, porém, medidas de apoio ao setor, como a renovação do regime tributário Repetro, que isenta de impostos equipamentos petrolíferos, e mudanças nas regras de conteúdo local.

A companhia tem forte presença nos mercados de distribuição de combustíveis –com 11,3% dos postos no país– e produção de etanol e, após a fusão com a britânica BG, concluída neste ano, tornou-se a maior produtora privada de petróleo do Brasil.

Comandando a maior parceira da Petrobras no pré-sal, Araújo diz que a busca por mais independência da estatal em relação ao governo soa "como música".

Folha - A Shell iniciou o processo de incorporação da BG em um momento conturbado do país. Como isso influencia o processo?

André Araújo

A instabilidade não é uma questão só do Brasil. Hoje, o que a gente mais tem no mundo é instabilidade. Nós temos 103 anos de Brasil e já vivemos momentos melhores e piores do que este. A gente sempre entendeu que, no fim do dia, o país encontra seu caminho e consegue retomar um ambiente favorável ao investimento.

O corte de investimentos anunciado pela empresa na semana passada afeta as operações brasileiras?

Estamos falando em limite de investimento anual, até 2020, entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões. É muito dinheiro. E o grande desafio é buscar os projetos que são mais atrativos e os países em que a atratividade é melhor.

O Brasil está entre os países mais atrativos?

Essa é uma mensagem que eu passo para o governo: da mesma forma que nós estamos fazendo o nosso exercício de eficiência e de redução de custos, todos os países procuram, cada vez mais, formas de atrair os investimentos. O Brasil é um país que a gente optou por investir, mas há sempre ajustes a serem feitos. Temos uma agenda junto com a indústria, de medidas que podem tirar qualquer dúvida em relação a estabilidade e previsibilidade.

Quais são?

A primeira é o regime [de isenção fiscal] Repetro, que vence em 2019, e precisamos ter a segurança de que será estendido.

Outro ponto é a questão da unitização de campos [quando uma reserva se estende além dos limites da concessão]. É importante entender como serão as regras.

E outro é a adequação do conteúdo local, em função da capacidade da indústria nacional de entregar sem comprometer os investimentos.

O governo interino tem falado que quer maior participação do setor privado na economia. O sr. espera mudança significativa no setor de petróleo?

Eu acho que há uma solidificação da importância de se atrair investimentos. E o que a indústria de óleo e gás pode oferecer para o país é uma rápida mudança nesse momento em que só se fala de crise. O nosso setor é um setor de commodities, que está menos relacionado com a crise no país, e tem investimentos de capital intensivo. Então o setor de óleo e gás pode rapidamente mudar, com aqueles pequenos pontos endereçados, o ambiente do país.

Mas o que vemos recentemente é o contrário: uma série de iniciativas para aumentar a arrecadação com o petróleo, como a criação do ICMS no Rio e a revisão do cálculo dos royalties...

São movimentos ruins, que criam aumentos de custos. Cada decisão dessas, de um novo imposto ou de modificação de regras, pode significar mais arrecadação, mas também impacta no resultado dos projetos.

Já calcularam se isso inviabiliza projetos da Shell?

Não vou colocar números específicos, mas sem dúvida nenhuma inviabiliza vários projetos. Essas discussões trazem muita tensão.

A Shell está em 80 países e, da mesma forma que eu levo para o grupo projetos de investimento, outros 79 presidentes da Shell de outros países também estão buscando atrair investimentos. E o valor do investimento global está limitado agora. É um ambiente de escolhas.

Com a eventual flexibilização das regras do pré-sal, a Shell vai disputar os leilões?

Respeitamos as escolhas do país, mas sempre fomos favoráveis a um ambiente de múltiplos operadores. Isso é bom para nós, porque nos dá flexibilidade, e é bom para o país, porque cria um ambiente no qual mais empresas podem trazer inovação e com mais compradores da cadeia de óleo e gás. Em um cenário de abertura, sem dúvida a gente vai buscar essa possibilidade.

Mas o pré-sal é viável ao preço atual do petróleo, de cerca de US$ 50 o barril?

Nossos investimentos são sempre analisados olhando o longo prazo. A gente não toma uma posição pensando num determinado patamar de preços. A gente olha o horizonte de 25 a 30 anos. E o nosso desafio é ter projetos cada vez mais sustentáveis a preços de petróleo baixos como estão hoje.

Após a fusão com a BG, a Shell é compradora ou vendedora de ativos no Brasil?

Nós vamos buscar novas oportunidades. Essa é a posição que o CEO da companhia [Ben Van Beurden] colocou quando esteve no Brasil.

Fora da área de exploração e produção também?

Sim. Águas profundas é o foco global do grupo e o Brasil tem potencial grande para isso. Mas a gente tem discutido potenciais projetos na área de gás natural. Acreditamos que o Brasil pode ser um ambiente também para forte crescimento no mercado de gás.

A idéia é importar gás?

Tanto faz. Nós temos uma posição privilegiada de gás natural na bacia do Atlântico e, com a aquisição da BG, temos produção de gás no país. Então, para nós, o país é sem dúvida uma oportunidade.

Como a Shell vê a situação atual da Petrobras, com a Lava Jato e a crise financeira?

A gente reconhece que a Petrobras está passando por um momento de grandes desafios. É um momento de bastante estresse. Mas as ações que a Shell tomou nesses últimos anos, particularmente com a aquisição da BG, demonstram nosso entendimento de que a Petrobras pode sair dessa crise melhor do que ela está hoje. Nós somos otimistas com a capacidade de resposta da Petrobras.

A troca no comando da estatal pode reduzir o risco de novas práticas ilegais?

A gente já vinha encontrando na Petrobras um ambiente em que, nas atividades em que a gente trabalha junto, a empresa vinha buscando se manter bastante independente, olhando seus interesses.

O que a gente sente dos primeiros sinais que estão sendo dados agora é exatamente seguir com o objetivo de manter a companhia independente, fortalecendo a capacidade técnica.

E isso tudo é música para os nossos ouvidos. (Folha de São Paulo 13/06/2016)

 

Montadoras e companhias de energia criam postos de carros elétricos

Apontados como veículos do futuro, por serem ambientalmente sustentáveis, os carros elétricos ganham impulso em vários países, mas ainda enfrentam limitações para se tornarem uma realidade no Brasil. Uma das barreiras é o alto preço -há poucos modelos disponíveis no mercado, todos importados. O outro é a infraestrutura para abastecer esses veículos.

Por falta de legislação, não há exploração comercial do abastecimento de veículos elétricos no país. A recarga de energia fica praticamente restrita à garagem do consumidor, que não tem como abastecer o carro no caminho no caso de uma viagem longa.

Como esses veículos em geral têm autonomia na faixa de 130 km a 180 km, o uso fica limitado ao perímetro urbano. Especialistas afirmam que o ideal é que haja um eletroposto (posto de recarga de veículos elétricos) a cada 100 km.

Enquanto não há regulamentação dos eletropostos, montadoras e companhias de energia firmam parcerias para disponibilizar pontos de recarga gratuita, paralelamente a projetos que visam desenvolver esse tipo de veículo no Brasil.

Ricardo Guggisberg, presidente executivo da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), calcula que há no Brasil de 90 a 100 eletropostos, instalado por empresas.

"Estamos tratando junto à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para legalizar a cobrança da recarga, que é um ponto importante para o desenvolvimento e proliferação desses postos", afirma Guggisberg. A ABVE é uma entidade voltada ao desenvolvimento e utilização de veículos elétricos.

A Aneel abriu consulta pública para avaliar uma possível regulamentação do fornecimento de energia aos veículos elétricos. O prazo para envio de contribuições é 27 de julho deste ano.

INICIATIVAS

A CPFL Energia disponibilizou cinco eletropostos públicos na região de Campinas (SP), onde atua. Os postos fazem parte do projeto Emotive, que prevê investimentos de R$ 25 milhões e inclui a aquisição de veículos elétricos e a contratação de universidades e institutos de pesquisa para realizar estudos na área.

Entre esses estudos, está a proposta de um modelo de tarifação e regulação do mercado de abastecimento de veículos elétricos.

Segundo cálculos da companhia, o preço por km rodado da energia elétrica em uma recarga doméstica fica em R$ 0,12, menos da metade do gasto de um veículo a combustão (movido a etanol ou gasolina).

O projeto trabalha com a estimativa de 5,5 milhões de veículos elétricos, ou 5,8% de todos os veículos no Brasil até 2030. Essa frota consumiria 860 megawatts médios, equivalentes a 1,4% do consumo energético brasileiro em 2030.

A montadora alemã BMW possui atualmente 19 pontos de recarga gratuita de veículos elétricos em seis cidades brasileiras (Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Joinville, Rio de Janeiro e São Paulo). A maioria desses postos está instalada em estacionamentos de shopping centers e em lojas da rede de supermercados Pão de Açúcar.

"A meta é expandir a rede de recarga para 60 a 70 postos no país até o fim do ano", explica Henrique Canto, gerente de projetos de marketing da BMW do Brasil. A montadora vende dois modelos no país, o BMW i3, 100% elétrico, que custa a partir de R$ 169,950 mil, e o BMW i8, um superesportivo híbrido (R$ 799,950 mil).

NICHO DE MERCADO

Em Curitiba, há dez eletropostos instalados em parceria entre a geradora Itaipu Binacional, a prefeitura e a Copel (Companhia Paranaense de Energia).

Itaipu possui o Programa Veículo Elétrico, que atua no desenvolvimento e pesquisa de veículos movidos a energia elétrica e trabalha com várias empresas parceiras.

Celso Novais, coordenador brasileiro do programa, avalia que os eletropostos têm potencial para virar um nicho de mercado, agregando outros serviços, como acesso à internet e pagamento de contas.

"Portugal, por exemplo, tem 10 mil postos de abastecimento de veículo elétrico com cartão, para que o motorista pague a recarga na conta de luz de sua casa", afirma.

Ele estima que o custo para montar um eletroposto varie de R$ 20 mil a R$ 40 mil, mas que seria necessário um grande volume de veículos para que o negócio seja rentável.

Esses postos seriam de carga rápida, em torno de 20 minutos, o que seria suficiente para mais algumas horas de viagem. Já a carga doméstica é lenta, podendo chegar a oito horas.

Segundo Novais, à medida que o carro elétrico se popularizar, a regulação da comercialização da recarga surgirá naturalmente.

"É um grande negócio para o futuro, mas precisamos de investimento e apoio governamental, como acontece na China, por exemplo." (Folha de São Paulo 12/06/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Risco de geada: Os preços do café arábica registraram alta na sexta-feira na bolsa de Nova York diante da possibilidade de geada no sul de Minas Gerais. Os contratos para setembro fecharam a US$ 1,3885 a libra-peso, uma alta de 300 pontos. As previsões meteorológicas de sexta-feira indicavam possibilidade de geada no sul de Minas, que abriga 27,2% dos pés de café arábica do Brasil. Se a previsão for confirmada, o banco Pine acredita que o fenômeno poderá "mudar o mercado de café nos próximos anos". "Além de prejudicar a safra atual, a geada pode matar o pé, e uma planta nova só produz comercialmente quatro anos após plantio", diz o banco, em nota. No mercado interno, o preço do café de boa qualidade oscilou de R$ 510 a R$ 520 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.

Soja: Oferta menor: As cotações da soja registraram alta na sexta­feira na bolsa de Chicago após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimar uma redução na produção mundial da oleaginosa. Os papéis para agosto subiram 5,75 centavos, para US$ 11,7775 o bushel. Em seu relatório mensal, o USDA reduziu em 2,6 milhões de toneladas sua estimativa para a produção mundial da safra 2015/16 e em 500 mil toneladas para a de 2016/17. Segundo analistas, a alta não foi maior porque os traders já esperavam que o órgão fosse cortar suas projeções. "O mercado está indeciso sobre novas subidas, pois já subiu bastante por causa do clima", afirmou Francisco Peres, da Labhoro Corretora. No Paraná, a soja subiu 0,99%, para R$ 83,62 a saca, segundo o Deral/Seab.

Milho: Previsão de chuvas: Apesar da redução dos cálculos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a oferta de milho, os futuros do cereal cederam na sexta-feira na bolsa de Chicago, diante de perspectivas positivas para o plantio nos EUA. Os contratos para entrega em setembro caíram 3 centavos e fecharam a US$ 4,2750 o bushel. As previsões meteorológicas indicavam tempo chuvoso e temperaturas amenas no Meio-Oeste americano, o que deve oferecer boas condições para o desenvolvimento da safra 2016/17. Além disso, segundo analistas, já se esperava que o USDA cortaria suas estimativas para os estoques finais de milho no mundo na próxima safra. No mercado doméstico, o preço médio do grão caiu 0,76%, para R$ 41,95 a saca, de acordo com o Deral/Seab.

Trigo: Produção em alta: O aumento das estimativas de produção e estoques finais de trigo nos EUA divulgadas na sexta­feira pelo Departamento de Agricultura do país (USDA) surpreendeu o mercado. Os papéis com vencimento em setembro fecharam cotados a US$ 5,065 o bushel em Chicago (queda de 15 centavos). Em Kansas, os papéis de igual vencimento fecharam a US$ 4,855 o bushel (queda de 15,5 centavos). De acordo com o USDA, os EUA colherão 56,53 milhões de toneladas no ciclo 2016/17, alta de 3,9% ante o projetado em maio, e encerrarão o período com estoques de 28,58 milhões de toneladas. Os traders apostavam numa estimativa de produção de 54,9 milhões de toneladas nos Estados Unidos. No Paraná, a saca de 60 quilos caiu 0,04%, para R$ 45,51, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 13/06/2016)