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Ex-ministros do ambiente pedem rejeição a projeto do carro a diesel

Marina Silva, Izabella Teixeira, Rubens Ricúpero, Carlos Minc e José Carlos Carvalho assinam com pelo menos outras 50 cientistas, médicos, ambientalistas e empresários e mais de 30 entidades uma carta em que repudiam a proposta por considerar que ela atenta contra os interesses da sociedade.

Cinco ex-ministros do Meio Ambiente do Brasil se juntaram em um manifesto enviado na manhã desta segunda-feira, 13, à Câmara dos Deputados pedindo a rejeição do projeto de lei que prevê a liberação da fabricação e venda de carros a diesel no Brasil.

Izabella Teixeira (2010 a 2016), Carlos Minc (2008 a 2010), Marina Silva (2003 a 2008), José Carlos Carvalho (2002) e Rubens Ricúpero (1993 a 1994) e pelo menos outros 50 pesquisadores da área de mudanças climáticas, energia e poluição do ar, médicos, ambientalistas, empresários, além de mais de 30 entidades de pesquisa, ambientais, do direito do consumidor e de negócios, como a Proteste Associação de Consumidores, o Agroícone e União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única), assinam a carta.

No manifesto, organizado pelo Observatório do Clima, os signatários afirmam que repudiam a proposta e exigem sua retirada da pauta por considerar que é um atentado aos interesses da sociedade brasileira.

Para eles, o texto, que deve ir à votação nesta terça ou quarta-feira, coloca o Brasil na contramão da tendência mundial de reduzir a poluição no setor de transportes, dificulta o cumprimento das metas climáticas nacionais assumidas junto ao Acordo de Paris e reduz o consumo de etanol.

O grupo também aponta o potencial do projeto de causar danos à saúde pública uma vez que o diesel é um combustível mais poluente. “Cidades europeias como Londres e Paris já anunciaram o banimento dos carros a diesel após 2020, e os combustíveis fósseis no sistema de transportes estão com os dias contados após a assinatura do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas”, escrevem.

Neste domingo, o Estado publicou reportagem (divulgada neste blog um dia antes) mostrando que pareceres anteriores já tinham rejeitado a proposta, mas ainda assim foi criada uma comissão especial, pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, no ano passado. O relator dessa comissão, o deputado Evandro Roman, fez parecer positivo, minimizando os eventuais impactos.

O grupo afirma que essa manobra é um atentado à democracia. “O PL já foi examinado em duas comissões da Câmara em 2014, e rejeitado em ambas – apenas para voltar à tona por uma comissão especial criada em 2015. Desta vez, a proposta tem caráter terminativo, ou seja, vai direto ao Senado sem passar pelo Plenário da Câmara. Fazer avançar à sorrelfa uma proposição derrotada enfraquece a democracia e envergonha ainda mais o Parlamento brasileiro”, escrevem.

“É incrível que ainda tenhamos gente no Brasil que aposta no obsoleto para justificar ganhos de curto prazo. O mundo caminha na direção da economia de baixo carbono e do crescimento inclusivo. O país que mostrou ao mundo o caminho dos biocombustíveis não pode ter como escolha usar diesel em seus carros de passeio. Não é só uma medida absurda ou extemporânea. É inaceitável”, disse ao site do Observatório do Clima a ex-ministra Izabella Teixeira.

“O Brasil não tem políticas suficientemente robustas para mitigar os impactos ambientais dos carros a diesel”, afirmou Cláudio Considera, presidente do Conselho Diretor da Proteste em nota à imprensa. “Antes de considerar a suspensão das restrições de carros a diesel, a União deveria implementar outras medidas que visam proteger a saúde e qualidade do ar provocadas pelas fontes energéticas já existente, como gasolina, álcool e o próprio diesel em veículos leves comerciais e veículos pesados.” (O Estado de São Paulo 13/06/2016)

 

Por que a Microsoft pagou US$ 26,2 bi pelo LinkedIn?

Aquisição é a maior da história da companhia americana, que busca se reinventar; combinar serviços das duas marcas será o maior desafio.

A Microsoft anunciou ontem a compra da rede social para contatos profissionais LinkedIn por US$ 26,2 bilhões. A transação, que surpreendeu o mercado, é a maior da história da Microsoft (veja box ao lado) e a primeira aquisição de uma empresa de internet desde que o presidente executivo Satya Nadella assumiu a companhia, em fevereiro de 2014. O negócio marca a volta da Microsoft para o mundo das redes sociais, mas desta vez em uma estratégia mais alinhada com sua visão de se tornar cada vez mais uma companhia de serviços para o mundo corporativo.

“A aquisição do LinkedIn faz muito sentido para a Microsoft, dada a sua necessidade de encontrar um papel que a coloque de volta em várias guerras que a empresa perdeu nos últimos anos”, disse o vice-presidente e analista da consultoria Forrester, Frank Gillett, em entrevista ao Estado.

Atualmente, a rede social profissional possui pouco mais de 430 milhões de usuários em mais de 300 países, o que representa alta de 19% em relação ao ano passado. A receita da companhia é de US$ 3 bilhões – a maior parte é proveniente dos serviços relacionados à recrutamento de pessoal.

Guerra

Por meio de comunicado interno, Nadella justificou a aquisição. “O time do LinkedIn criou um negócio fantástico focado em conectar os profissionais do mundo”, escreveu o executivo. “Nós podemos acelerar o crescimento do LinkedIn, assim como o do Microsoft Office 365, à medida que procuramos dar poder a cada pessoa e organização do planeta.”

O componente social, segundo analistas, deverá ajudar a Microsoft a modernizar seus serviços baseados na nuvem, como o Skype e a suíte de aplicativos Office 365. “Tudo isso é mais um passo na concretização da posição da Microsoft como um provedor de nuvem”, afirma o vice-presidente e analista emérito do Gartner, Donald Feinberg.

A rede social, por outro lado, vai ganhar mais visibilidade fora dos Estados Unidos e maior capacidade de investimentos.

Desafios

Integrar a rede social aos serviços da Microsoft será o desafio mais complexo que as duas empresas vão enfrentar nos próximos meses. “A Microsoft terá que saber equilibrar a independência do LinkedIn com uma profunda integração com os produtos da Microsoft”, diz Gillett, da Forrester.

Para analistas, a maior parte dos serviços da Microsoft sentirá o impacto direto da integração com a rede social profissional. “A assistente pessoal Cortana, a versão móvel do Windows, o Skype e o buscador Bing serão beneficiados imediatamente”, diz Feinberg.

A empresa também terá de lidar com outros entraves, como novos concorrentes, entre eles a versão do Facebook para empresas, que já começou funciona nos EUA. “O Linkedin é o maior de seu setor”, minimiza Feinberg. “Os outros estão apenas começando e tem um longo caminho pela frente”. (O Estado de São Paulo 14/06/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Tempo perdido: A previsão de clima seco no CentroSul do Brasil nos próximos dias fez com que os contratos futuros do açúcar demerara registrassem queda ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em outubro fecharam o pregão a 19,64 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 9 pontos. Segundo a trading Sucden Financial, os embarques da commodity nos portos brasileiros devem ser normalizados com a persistência do clima seco depois que as chuvas retardaram a moagem e os carregamentos nos portos na semana passada. Na última semana, a espera para os embarques em Paranaguá chegou a 20 dias, de acordo com a trading. No mercado interno, o indicador Cepea Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 83,11 a saca de 50 quilos ontem, alta de 0,63%.

Soja: Realização de lucros: Depois de terem atingido US$ 12 por bushel durante o pregão de sexta-feira por conta do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os contratos futuros de soja cederam ontem na bolsa de Chicago, reflexo de um movimento de realização de lucros. Os papéis com vencimento em agosto fecharam o pregão a US$ 11,69 o bushel, recuo de 8,75 centavos. Os analistas acreditam que a forte alta dos preços da commodity, impulsionada pela atuação dos fundos, deve arrefecer nos próximos dias, já que os investidores estão mais preocupados com os impactos climáticos na cultura do milho. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 97,51 a saca de 60 quilos, valorização de 0,65%.

Milho: Clima seco nos EUA: As previsões de tempo quente e seco no Meio-Oeste americano e o aumento dos embarques do milho pelos Estados Unidos deram sustentação aos preços futuros do grão ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em setembro encerraram o pregão cotados a US$ 4,355 o bushel, alta de 8 centavos. Os boletins meteorológicos indicam que cerca de um terço do "cinturão do milho" nos EUA terá tempo seco nas próximas semanas. Há o temor de que a falta de chuvas afete o desenvolvimento da safra 2016/17 num momento de queda da produção brasileira em decorrência de problemas climáticos e de possível aumento da demanda pelo grão americano. No mercado interno, o indicador Esaql/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 53,29 por saca de 60 quilos, desvalorização de 0,15%.

Trigo: Otimismo com oferta: A elevação das estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a produção e os estoques finais de trigo na safra mundial 2016/17 voltou a pressionar as cotações do cereal ontem nas bolsas americanas. Os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão de Chicago a US$ 5,0325 o bushel, recuo de 3,25 centavos. Em Kansas, os contratos de mesmo vencimento encerraram a sessão em US$ 4,7825 o bushel, queda de 7,25 centavos. De acordo com o USDA, os estoques mundiais do cereal serão de 257,84 milhões de toneladas ao fim da temporada 2016/17, 500 mil toneladas a mais que a estimativa anterior. No Paraná, o preço médio do cereal ficou em R$ 918,56 a tonelada ontem, segundo o Cepea/Esalq, alta de 3,46%. (Valor Econômico 14/06/2016)