Macroeconomia e mercado

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Petróleo a US$ 50 traz riscos para novos investidores e mantém produtores no mercado

A batalha do petróleo para recuperar o patamar de 50 dólares por barril pode tê-lo deixado em uma situação complicada, onde o preço é muito baixo para atrair novos investidores e muito alto para forçar mais produtores a interromperem produção.

A produção global de petróleo caiu quase 1 milhão de barris por dia no ano passado, para pouco mais de 95 milhões de barris diários, segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). A demanda deverá atingir 96,7 milhões de barris por dia neste trimestre.

O aumento repentino de interrupções de produção não planejadas, causada por incêndios florestais no Canadá, bem como pelo caos político e econômico na Nigéria, Venezuela e Líbia, alimentou um rali de 75 por cento nos últimos seis meses, levando o barril acima de 50 dólares.

Encorajado pela perspectiva de uma sobreoferta teimosa de petróleo indesejada possivelmente desaparecendo mais rapidamente do que se pensava, investidores em óleo aumentaram suas apostas de preços altistas para máximas históricas em abril, no caso do mercado Brent.

Com o petróleo agora em torno de 50 dólares, parte desse entusiasmo parece ter arrefecido, enquanto na questão da oferta parte da produção interrompida está retornando.

"É 'o princípio de Cachinhos Dourados reverso' --não é quente o suficiente e não é frio o suficiente. Se você é baixista, não é baixo o suficiente para os 'ursos' e não é alto o suficiente para os 'touros'. Portanto, (50 dólares) é o número que você não quer ficar", afirmou Paul Hornsell, chefe de pesquisa de commodities do standard Chartered, fazendo referência ao conto infantil. (Reuters 15/06/2016)

 

Demanda por petróleo no Brasil cai pelo 10º mês consecutivo

Segundo a Agência Internacional de Energia, queda é gerada pela recessão vivida pelo País; para 2017, perspectivas 'permanecem precárias'.

A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que a demanda por petróleo e derivados deve cair em cerca de 70 mil barris diários de petróleo (BDP) no decorrer de 2016 no Brasil. A queda é gerada pela recessão vivida pelo País. Com esse recuo, o País deve terminar o ano com consumo médio de 3,12 milhões de barris diários.

O relatório mensal da entidade divulgado nesta manhã destaca que a demanda brasileira por combustíveis caiu pelo décimo mês consecutivo no mês de abril. O recuo mensal de 120 mil barris ante igual mês do ano passado, porém, foi menor que o esperado pelos analistas. A demanda por petróleo e derivados teve queda anual de 3,7%, ritmo menos intenso que o tombo de abril de 7,2% da atividade industrial e do índice gerente de compras (PMI) do setor manufatureiro que marcou 41,6 em maio.

Apesar de a queda ter sido menos intensa no mês de abril, a AIE nota que os mesmos indicadores antecedentes ainda sugerem que a fraqueza da indústria continuará por mais algum tempo e as previsões de demanda, portanto, são prejudicadas por esse quadro.

Segundo as estimativas da entidade, o consumo médio brasileiro ficou em 3,02 milhões de barris no primeiro trimestre, deve somar 3,09 milhões no segundo trimestre e há expectativa de alguma recuperação na segunda metade do ano. Mesmo assim, eventual reação não será suficiente para evitar a queda anual da demanda. Para o terceiro trimestre, a AIE espera demanda de 3,17 milhões de barris diários e consumo de 3,19 milhões de barris no quarto trimestre.

Para 2017, as perspectivas "permanecem precárias", diz a AIE. Usando como referência a previsão de que a economia continuará com problemas e não terá força para se recuperar da recessão no próximo ano, a entidade estima que a demanda média deve ficar em 3,2 milhões de barris no próximo ano.

Produção

Apenas 40 mil barris a mais em 2016. Essa é a perspectiva de crescimento para a produção brasileira de petróleo, de acordo com previsões da Agência Internacional de Energia (AIE). A entidade diz que a manutenção de plataformas e problemas inesperados reduzirão o fôlego do aumento da produção brasileira, que deve terminar o ano em 2,57 milhões de barris diários. Para 2017, a entidade espera que novas plataformas e a solução dos atuais problemas devem adicionar 270 mil barris diários à produção brasileira, a qual deve alcançar a média de 2,85 milhões no próximo ano. Há, porém, risco de atraso em novos projetos.

Em relatório mensal, a entidade destaca que a produção brasileira tem sofrido com problemas em algumas áreas de produção. Ao citar números da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a AIE nota que a produção média brasileira de petróleo e derivados em abril subiu apenas 20 mil na comparação com março. Foram extraídos 2,3 milhões de barris diários em abril e os números mostram que a tendência de desaceleração nos volumes é vista desde o início do ano. Entre os problemas de abril, a AIE destaca a queda no volume produzido no Campo de Lula.

Com o fim da manutenção vista atualmente em vários campos, a Agência prevê "rápida recuperação" da produção nessas áreas. Além disso, novas plataformas como a Cidade de Saquarema começarão a produzir até o fim do ano. Portanto, há expectativa de que o ano tenha aumento marginal da produção.

Para 2017, a produção deve crescer, mas há chance de novos problemas como atrasos nos projetos. "A Petrobrás prevê adicionar novas sete plataformas na Bacia de Campos, incluindo três na área de Lula, duas em Búzios e uma no campo de Lapa, além de outra na gigantesca área de Libra. Análises sugerem que quatro dessas plataformas tiveram grandes problemas durante a fase de construção e sugerem que algumas dessas unidades podem ser adiadas para além de 2017", pondera o documento.

Cenário externo

Os mercados globais de petróleo estão se movendo para atingir um equilíbrio no segundo semestre deste ano, diante de uma demanda significativamente mais forte do que o esperado e interrupções inesperadas na Nigéria e no Canadá.

O excesso de oferta no primeiro semestre deste ano é provável que fique em cerca de 800 mil barris por dia, contra os 1,5 milhão de barris inicialmente previstos, informou a AIE em seu relatório.

A demanda de petróleo global no primeiro trimestre de 2016 foi revista em alta para 1,6 milhão de barris por dia e o crescimento para este ano será de 1,3 milhão de barris por dia, disse a AIE.

Em sua primeira avaliação sobre o consumo de petróleo para o próximo ano, a AIE acredita que a demanda mundial de petróleo cresça de forma constante a 1,3 milhão de barris por dia. Está prevista que a oferta de países não membros da Opep tenha um aumento modesto de 200 mil barris por dia em 2017, mas os ganhos serão quase inteiramente explicados pelo Canadá e pelo Brasil, onde o crescimento foi prejudicado por interrupções não programadas este ano. (O Estado de São Paulo 15/06/2016)

 

STJ julga titularidade de honorários de sucumbência

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) retomou ontem o julgamento que discute se honorários de sucumbência anteriores ao Estatuto da Advocacia de 1994 (Lei n 8.906) e durante a vigência do Código de Processo Civil de 1973 pertencem aos advogados ou devem ser divididos com o cliente. Por enquanto, o placar é favorável à advocacia.

O tema está sendo analisado por meio de embargos de divergência ­ recurso usado quando há entendimentos divergentes sobre um assunto, da Cooperativa de Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Copersucar). Depois de um voto, o julgamento foi novamente suspenso por pedido de vista. Desta vez, do ministro Félix Fischer.

A cooperativa decidiu discutir a questão depois de ser condenada a pagar honorários em valor superior a R$ 80 milhões (atualizado) em processo envolvendo a Central Paulista de Açúcar e Álcool, julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 1985. Para a Copersucar, a questão é relevante porque alega ser credora da Central Paulista e, com os honorários, poderia compensar o débito e ainda teria uma diferença a receber.

Depois de o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ­SP) e a 3ª Turma do STJ decidirem que a titularidade dos honorários é dos advogados, a empresa recorreu à Corte Superior em 2008. No processo, discute se os advogados teriam legitimidade para promover a execução dos honorários.

O julgamento foi iniciado em setembro de 2015, mas tem sido suspenso por pedidos de vista. Na sessão de ontem, o ministro Og Fernandes acompanhou o voto do relator, Luis Felipe Salomão, rejeitando os embargos. Segundo Og Fernandes, os honorários sempre pertencem ao advogado, salvo se acordado de forma contrária. “Os honorários visam a remuneração do profissional pelo trabalho realizado”.

"Por enquanto, há cinco votos contra os embargos, além de Og Fernandes, dos ministros Herman Benjamin, Benedito Gonçalves, Nancy Andrighi e do relator ­ e um favorável, do ministro Mauro Campbell Marque. (Valor Econômico 16/06/2016)

Produção de etanol nos EUA cresce 0,7% na semana, para 1,013 milhão de barris/dia

A produção média de etanol nos Estados Unidos foi de 1,013 milhão de barris por dia na semana passada, volume 0,7% maior do que o registrado na semana anterior, de 1,006 milhão de barris por dia. Os números foram divulgados nesta quarta-feira, 15, pela Administração de Informação de Energia do país (EIA, na sigla em inglês).

Os estoques do biocombustível aumentaram na semana encerrada no dia 10 de junho, em 21,2 milhões de barris, de 20,2 milhões de barris uma semana antes. Os números de produção de etanol nos Estados Unidos são um importante indicador da demanda interna por milho. No país, o biocombustível é fabricado principalmente com o cereal e a indústria local consome cerca de um terço da safra doméstica do grão. (Down Jones 15/06/2016)

 

Commodities Agrícolas

Algodão: Resultados mistos: Os contratos futuros de algodão apresentaram comportamento misto ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para outubro subiram 19 pontos, a 64,33 centavos de dólar a libra-peso, enquanto os demais papéis recuaram. Essas quedas foram reflexo das perspectivas favoráveis ao avanço do plantio nos EUA. De acordo com o banco australiano Commonwealth, o tempo seco no país nos próximos dez dias deve favorecer a conclusão do plantio nos EUA, maior exportador mundial da commodity. Além disso, o escritório australiano de economia agrícola previu um aumento de 10% na safra atual da Austrália, para 579 mil toneladas, após chuvas abundantes no plantio. Na Bahia, a pluma ficou em R$ 84,32 a arroba, segundo a associação local de produtores, a Aiba.

Soja: Chuvas à vista: As cotações da soja cederam ontem na bolsa de Chicago com a perspectiva de chuva nas próximas semanas no Meio-Oeste dos EUA. Os lotes com vencimento em agosto fecharam a US$ 11,55 o bushel, recuo de 11 centavos. Segundo alguns analistas, os modelos climáticos mais recentes apontam para boas chances de chuvas no centro do Meio­Oeste do país nas próximas semanas, com mais intensidade em Illinois e Iowa, grandes produtores da oleaginosa. Nos últimos dias, as previsões de temperatura mais alta que o normal em julho sustentaram os preços devido à ameaça de redução da safra em um cenário de aumento da demanda pelo grão produzido no país. Na Bahia, o preço médio da soja ficou em R$ 80,67 a saca, segundo a associação local de produtores, a Aiba.

Milho: De olho no Meio-Oeste Os contratos futuros do milho registraram queda ontem na bolsa de Chicago em meio às previsões de chuva nos próximos dias no Meio-Oeste dos EUA. Os papéis para entrega em setembro fecharam a US$ 4,34 por bushel, recuo de 7,75 centavos. Apesar das previsões que indicam temperaturas elevadas no cinturão agrícola no fim de semana, a promessa de chuvas antes da fase de polinização, crítica para o desenvolvimento do grão, deu fôlego ao mercado. Durante as duas semanas que antecedem a polinização, no início de junho, o mercado fica muito mais sensível. Nas principais praças do Parana, a saca de 60 quilos foi negociada entre R$ 40 e R$ 52, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura. A média se manteve em R$ 41,96.

Trigo: Safra favorável: Os contratos futuros do trigo caíram ontem nas bolsas americanas, refletindo as boas perspectivas para a safra mundial do cereal. Em Chicago, os papéis com vencimento em setembro recuaram 8,25 centavos de dólar a US$ 4,8950 o bushel. Em Kansas, o contrato com o mesmo vencimento caiu 2 centavos a U$ 4,7450. O recuo é resultado ainda do início da colheita nos Estados Unidos, onde é esperada uma produção de 56,53 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura do país (USDA). Conforme analistas, a ansiedade do mercado em relação à política econômica do Federal Reserve e a possibilidade de o Reino Unido deixar União Europeia também pesaram sobre os mercados agrícolas. No Paraná, o preço médio ficou em R$ 916,17 por tonelada, queda de 0,10%. (Valor Econômico 16/06/2016)