Macroeconomia e mercado

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Agronegócio e o governo Temer: ‘É vencer ou vencer’

O jantar em que a Sociedade Rural Brasileira festejou seus 97 anos, anteontem, no Rubaiyat, incluiu um decidido apoio ao governo Temer, referendado por um chamado geral de Gustavo Junqueira (Foto). “Não temos o luxo de retroceder, é vencer ou vencer”, proclamou o presidente da SRB, no discurso de elogio ao convidado de honra da noite, o ministro da Agricultura Blairo Maggi, agraciado no evento com o Mérito Rural 2016.

Junqueira fez o que chamou de “breve avaliação do momento histórico”. Nela, mencionou que “a atuação do agro foi fundamental” para o afastamento de Dilma do Planalto. Detalhando essa operação, ele lembrou um discurso que chamou de inspirador – feito por Rubens Ometto em maio de 2014, em evento em Nova York. “Naquela ocasião, com todas as letras, ele disse que tínhamos que tomar uma atitude, pois a administração federal estava levando o Brasil à ruína”. Mais adiante, chamou de “divisor de águas” a decisão da Frente Parlamentar da Agropecuária que apoiou o impeachment e garantiu, na Câmara, 87 dos 92 votos do bloco em favor do afastamento da presidente.

Junqueira se voltou, então, para os problemas do campo. “Muito tem sido escrito e debatido” sobre o sucesso do agro no Brasil, afirmou.. “Ao mesmo tempo se questiona ‘quem’ ou “o quê’ seria responsável por termos algo hoje que funciona tão bem – mesmo diante de tanta incompetência, ineficiência e corrupção.” Feita a constatação, passou a analisar os grupos que “amam o Estado e buscam nele a solução para seus problemas (…) Isso não é capitalismo nem patriotismo, é simplesmente oportunismo. E o resultado de seu uso contínuo chama-se falência”.

Não faltou na fala do presidente uma avaliação sobre o futuro do setor. Junqueira considerou importante “alterar a lógica do uso da terra, saindo de uma visão social para uma visão econômica, e repensar toda a estrutura de financiamento”. E propôs que os conflitos sejam eliminados através da meritocracia e a segurança jurídica seja consolidada. Nesse ambiente, “a enorme demanda de recursos poderá ser suprida por investidores privados e ficaremos cada vez menos dependentes de um Estado lento e ineficiente”. (Sonia Racy 15/06/2016)

 

Ipiranga reforça liderança em conveniência

Além de sustentar o crescimento das vendas de combustíveis da Ipiranga, a expectativa é que a compra da Ale traga ganhos para a distribuidora do grupo Ultra também no mercado de conveniência, que tem crescido na contramão da retração do comércio. A previsão é que a Ipiranga consolide sua liderança nesse setor, no momento em que a Petrobras, de olho em um sócio para a BR, acena para o aumento da rentabilidade a partir da expansão das lojas BR Mania.

De acordo com dados do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), a Ipiranga pode abocanhar uma fatia adicional de 3% do mercado de conveniência com a incorporação da rede de lojas da Ale. Com isso, a distribuidora do Grupo Ultra aumenta sua posição de liderança e atinge uma fatia de 30% do setor ­ que atingiu em 2015 receitas de R$ 6,7 bilhões, uma alta de 11,4%.

Para o sócio-diretor da consultoria CVA Solutions, Sandro Cimatti, o desafio para a Ipiranga será, a partir de agora, elevar a rentabilidade das lojas da Ale, que tem os índices de eficiência mais baixos entre as líderes de mercado.

"A Ipiranga é a bandeira que mais consegue fazer com que o cliente consuma mais serviços além do combustível. Já a Ale não é muito boa [nisso], mas permite à Ipiranga crescer um pouco. O que a empresa precisa fazer agora é rapidamente elevar a eficiência dos postos da Ale para o padrão Ipiranga", comentou.

A incorporação da Ale vem reforçar a liderança do grupo Ultra em conveniência, no momento em que a BR aposta fortemente no setor. Em 2015, a Petrobras destacou-se ao ampliar em 1,1 ponto percentual sua participação de mercado e abrir mais lojas que seus concorrentes.

"A marca BR passou por muito desgaste [com as denúncias da Lava-Jato]. A tendência, agora, é melhorar. Acho que [a Petrobras] vai buscar rentabilidade [para vender parte da empresa] e isso passa pela conveniência", disse Cimatti.

A aposta na conveniência é importante para a sustentabilidade dos postos frente à queda das vendas de combustíveis. Os dados do Sindicom mostram que o setor está mais rentável: o faturamento mensal ponderado por loja cresceu 8,9% em 2015, enquanto o tíquete médio (o gasto médio de cada consumidor ao entrar na loja) subiu 22,5% entre as líderes Ipiranga, BR, Raízen e Ale.

"O consumidor está gastando mais na loja. Está saindo provavelmente de outros varejos para entrar na conveniência. Isso reflete um aumento da oferta de serviços de alimentação", afirmou o diretor de mercado e comunicação do Sindicom, César Guimarães.

Ainda segundo o Sindicom, embora o consumidor esteja levando menos produtos por visita às lojas de conveniência, houve aumento no número de visitas aos pontos de vendas. Para Cimatti, contudo, a expectativa é que 2016 seja um ano mais difícil para o setor. Ele evita fazer projeções, mas diz acredita que o mercado de conveniência vá continuar descolado da queda das vendas de combustíveis. (Valor Econômico 17/06/2016)

 

Grupo Ultra mira farmácias e Liquigás, da Petrobrás

Conglomerado dono dos postos Ipiranga e da rede Extrafarma está em negociação para adquirir as farmácias Big Ben, do BTG; líder no segmento de distribuição de gás, grupo também disputa a compra da vice-líder.

O apetite do grupo Ultra, dono da rede Ipiranga, por compra de ativos no País continua firme. Após anunciar a aquisição da distribuidora de combustíveis Ale, por R$ 2,17 bilhões no domingo passado, o conglomerado também está em negociações para a compra da rede de farmácias Big Ben, que pertence à BR Pharma, do banco BTG Pactual, e ainda disputa a compra da Liquigás, de gás de cozinha, controlada pela Petrobrás, apurou o ‘Estado’.

Uma fonte próxima ao Ultra, que é vice-líder em distribuição de combustíveis no País, reforçou que a divisão de varejo Extrafarma prioriza crescimento orgânico, mas não descarta aquisições. A estratégia do grupo nesse segmento, nos últimos meses, tem sido a expansão por meio das redes dos postos Ipiranga. “Aquisições, no entanto, podem ajudar a ganhar mercado e acelerar o crescimento”, disse a fonte.

Rede Big Ben tem cerca de 230 lojas em oito Estados do Norte e NordesteCom uma operação deficitária, a BR Pharma, quarta maior rede de farmácias do País, está se desfazendo de suas bandeiras aos poucos, uma vez que o grupo, que já chegou a ser cobiçado por multinacionais, não consegue vender a companhia inteira. A Big Ben, do Pará, é o seu melhor ativo. No ano passado, a empresa vendeu a bandeira Mais Econômica para um fundo de investimento do Rio de Janeiro. Uma fonte do banco confirmou que há interessados na Big Ben, mas não detalhou o estágio das negociações. Procurado, o BTG não comenta o assunto.

Com uma receita de R$ 1,4 bilhão em 2015 e lojas concentradas na região Norte e Nordeste, a divisão de varejo farmacêutico do Ultra deve avançar sobre outras áreas do País. O grupo entrou nesse segmento em 2013 e figurou no ano passado como a sétima maior rede do País em faturamento, de acordo com dados da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma). A meta é ficar entre as cinco maiores nos próximos anos – Raia Drogasil e Drogaria Pacheco São Paulo estão à frente do setor.

Botijão

Líder no segmento de distribuição de gás de cozinha, por meio da Ultragaz, o Ultra também está no páreo para comprar a Liquigás, controlada pela Petrobrás. O Itaú BBA, que está coordenando a operação, já recebeu propostas não-vinculantes pela compra do ativo, avaliado em cerca de R$ 1,5 bilhão. A Supergasbrás, do grupo SHV, e a Copagaz, do empresário Ueze Zahran, também têm interesse na operação. Essa última deve se associar a investidores nacionais e estrangeiros para fazer a oferta, conforme antecipou o Estado. Entre julho e início de agosto, o Itaú BBA deverá selecionar as propostas pelo ativo para dar prosseguimento às negociações. Procurada, a Petrobrás não comentou. Sobre as duas possíveis aquisições, o Ultra informou que “analisa continuamente oportunidades em todas as suas áreas de atuação.”

Resiliente

Com um faturamento de R$ 75,7 bilhões em 2015, o grupo anunciou investimentos de R$ 1,8 bilhão para 2016. Esse valor não contempla aquisições. A estratégia da companhia é se fortalecer em segmentos mais resilientes à crise.

Em entrevista ao Estado no ano passado, o presidente do conselho de administração do grupo, Paulo Cunha, informou que a companhia tinha interesse na BR Distribuidora, se a empresa fosse vendida em partes.

A estatal, que está em processo de desinvestimento, tinha planos de abrir o capital da rede, mas voltou atrás. Depois, a Petrobrás informou que poderia vender uma participação minoritária do negócio. Gestores, como Brookfield e Advent, também tinham interesse no ativo, mas não como minoritários. (O Estado de São Paulo16/06/2016)

 

Subsídio à energia solar está esmagando custos (e empresas)

O mais recente mecanismo desenvolvido para estimular a energia solar está cumprindo muito bem a função de reduzir o custo da energia. E também ameaça desestabilizar o setor de energia renovável.

Em países como Índia, México e Emirados Árabes Unidos as autoridades estão se distanciando dos pagamentos de subsídios fixos para a energia limpa e caminhando para o sistema de leilões.

O novo sistema força as empresas a competirem por contratos de venda de eletricidade e resultou em ofertas de fornecimento de energia fotovoltaica a taxas que são mínimas recorde neste ano. Mercados maiores, incluindo a Alemanha e o Japão, começarão a prática no ano que vem.

Os governos optaram pelos leilões para frear a expansão descontrolada que surgiu em todos os lugares nos quais os subsídios tradicionais foram testados.

Apesar do novo mecanismo ter produzido uma onda de contratos para desenvolvedoras bem capitalizadas, os executivos do setor temem que muitos dos projetos não gerem lucro, nem sejam construídos, ameaçando as finanças das empresas e as metas ambientais dos países.

"Não queremos acabar em uma situação em que as empresas vão à falência e tenhamos uma forma insustentável de estabelecer o nível de preço correto no setor", disse Samuel Leupold, vice-presidente da maior empresa de energia da Dinamarca, a Dong Energy, em entrevista em Londres.

Para os consumidores, os leilões estão acelerando a queda do custo da energia solar, que já dura uma década, levando-o para muito perto das usinas movidas a carvão e a gás natural.

Mundialmente, as usinas de carvão geram eletricidade por apenas US$ 34 o megawatt-hora e o gás natural, por US$ 47, segundo a Bloomberg New Energy Finance.

Nos leilões, normalmente as desenvolvedoras apresentam ofertas para o preço pelo qual estão dispostas a vender a energia dos projetos planejados.

As ofertas mais baixas ganham contratos de longo prazo para a venda de energia a esse preço e, a partir daí, as empresas podem avançar com a construção das plantas.

Em março, uma unidade da principal empresa de energia italiana, a Enel, concordou em vender energia solar no México por US$ 35,50 o megawatt-hora.

E em maio a Masdar Abu Dhabi Future Energy e a Abdul Latif Jameel, da Arábia Saudita, apresentaram oferta por um projeto fotovoltaico nos Emirados Árabes Unidos que estabeleceu um recorde mundial, com ofertas de fornecimento de energia solar por apenas US$ 29,90 o megawatt-hora. A Fortum ganhou leilões recentes na Índia, causando uma forte queda dos preços no país.

Os leilões estão ganhando popularidade e se espalhando para 40 países. O impacto tem sido forte: os países que começaram a realizá-los viram o custo das energias renováveis caírem a uma média de 35 por cento no primeiro ano, segundo Michael Liebreich, fundador da Bloomberg New Energy Finance.

"Isto é absolutamente fundamental para o sucesso do setor de energia limpa", disse ele. (Bloomberg 16/06/2016)

 

Petróleo: Venezuela mantém esperança de acordo na Opep devido a maior produção do Irã

O ministro do petróleo da Venezuela, Eulogio del Pino, disse nesta quinta-feira que o Irã, país que também é membro da Opep, deve chegar aos níveis de produção anteriores às sanções até setembro, o que permitiria um renascimento das conversas sobre um congelamento global de produção de petróleo.

Falando à Reuters nos bastidores do principal fórum econômico da Rússia, em São Petersburgo, Del Pino disse que a ideia do congelamento poderia ser discutida em uma reunião informal entre produtores membros e não membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) na Argélia em setembro.

Ele também disse que irá propor formalmente à Opep a adoção de uma política de "faixas de produção", que poderia permitir que a produção dos países membros flutuasse em uma certa quantidade.

Isto permitiria que a organização não retrocedesse na espinhosa discussão sobre teto de produção e cotas de produção individuais, ele disse.

"Nós teremos faixas de produção e iremos monitorá-las constantemente. Isto daria flexibilidade para corrigir as coisas em tempo real", ele acrescentou.

A Venezuela tem sofrido pesadamente com os baixos preços do petróleo e tem visto sua produção cair, assim como muitos outros países produtores. Mas del Pino disse que a produção deverá se recuperar devido a chuvas que ajudaram na geração de energia, que é essencial para o funcionamento dos campos de petróleo.

Ele disse que a produção do país deverá subir para 2,8 milhões de barris por dia até o final do ano, ante 2,7 milhões de bpd atualmente. (Reuters 16/06/2016()

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Efeito Única: Apesar dos atrasos provocados pelas chuvas das últimas semanas, a recuperação do dólar e a previsão de aumento da produção brasileira pressionaram os preços do açúcar demerara na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em outubro fecharam o pregão a 19,76 centavos de dólar a libra-peso, desvalorização de 9 pontos. De acordo relatório divulgado ontem pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul do Brasil na safra 2016/17 cresceu 50,32% durante a segunda quinzena de maio na comparação com o mesmo período do ciclo anterior, totalizando 6,99 milhões de toneladas. Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou ontem em R$ 84,88 a saca de 50 quilos, um aumento de 0,71%.

Soja: Correção em Chicago: Os contratos futuros da soja registraram nova queda ontem na bolsa de Chicago, o que foi visto por alguns analistas como uma correção no valor dos contratos após a recente escalada dos preços. Os papéis com vencimento em agosto fecharam o pregão a US$ 11,335 o bushel, desvalorização de 21,5 centavos. Com isso, a commodity ampliou as perdas de quarta-feira, acumulando queda de 3,75% desde o início da semana mesmo com a demanda firme pelo grão. As previsões climáticas para o Meio-Oeste dos Estados Unidos, com chuvas regulares e boas condições de desenvolvimento da soja, também pressionaram as cotações. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 96,16 a saca de 60 quilos, recuo de 1,31%.

Milho: Alívio climático: A perspectiva de chuvas regulares ao longo das próximas semanas no Meio-Oeste dos Estados Unidos voltou a derrubar as cotações do milho na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão cotados a US$ 4,305 o bushel, recuo de 3,50 centavos. A região abriga cerca de um terço do "cinturão do milho" no país e vinha sustentando o valor dos contratos devido à perspectiva de clima irregular associado ao aumento da demanda. O início de junho é caracterizado pelo período de polinização do milho, o que torna o produto vulnerável a oscilações climáticas ­ o que se reflete na volatilidade das cotações. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa ficou em R$ 51,95 a saca de 60 quilos, recuo de 0,17%.

Trigo: Novo recuo: Seguindo a tendência de baixa iniciada na semana passada, os contratos futuros do trigo registraram queda ontem nas bolsas americanas, refletindo a boa perspectiva para a safra nos principais países produtores do cereal. Os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão em Chicago a US$ 4,8475 o bushel, recuo de 4,75 centavos. Já os contratos negociados em Kansas tiveram queda de 6 centavos e encerraram a US$ 4,685 por bushel. Segundo a consultoria Zaner Group, há expectativa de um aumento de 20% na área plantada de trigo na Argentina. Além disso, o cultivo do cereal está em boas condições nos EUA e Rússia. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor do Paraná ontem ficou em R$ 908,23 a tonelada, segundo o Cepea/Esalq, recuo de 0,87%. (Valor Econômico 17/06/2016)