Macroeconomia e mercado

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Márcio Félix será o novo secretário de combustíveis renováveis do MME

O engenheiro Márcio Félix será o novo Secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME). Félix, que é servidor da Petrobras, aceitou o convite feito pelo ministro Fernando Coelho Filho, para completar a equipe do MME.

Félix é graduado em Engenharia Eletrônica pela Universidade de Brasília, com especialização em Engenharia do Petróleo, pela Universidade Petrobras e MBA em Gestão Empresarial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ele ocupa o cargo que era de Marco Antônio Martins Almeida. Em abril, Martins Almeida havia assumido o MME em substituição a Eduardo Braga.

O novo secretário trabalha na Petrobras há 33 anos e, atualmente, exerce o cargo de gerente-geral de América do Norte e África na Exploração e Produção Internacional.

Coelho Filho completa seu secretariado com a escolha de Félix. No dia 30 de maio, foram confirmados os nomes dos secretários de Energia Elétrica, de Planejamento e Desenvolvimento Energético, e de Geologia e Mineração do MME: Fábio Lopes Alves, Eduardo Azevedo e Vicente Lôbo, respectivamente. Para a secretaria-executiva, foi nomeado Paulo Pedrosa. O matemático Luiz Augusto Barroso será o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). (MME 17/06/2016)

 

Demanda de petróleo só aumenta em 2017

A forte recessão fez cair, como era lógico, a demanda nacional por petróleo e derivados, mas a dimensão do recuo foi menor do que antecipava a Agência Internacional de Energia (AIE). Em seu último levantamento, divulgado na semana passada, a AIE assinala que a demanda por combustíveis no País teve um recuo de 3,7%, em relação ao mesmo mês do ano passado, ficando aquém da taxa de desaceleração da indústria e do Índice de Gerentes de Compras (Purchasing Managers’ Index – PMI), indicador utilizado por empresas internacionais.

A queda ocorre pelo décimo mês consecutivo e representa uma redução de compras de petróleo no exterior pelo País de 120 mil barris/dia em abril. É provável que a AIE não disponha de informações mais recentes sobre os ganhos de competitividade que o etanol tem obtido em relação à gasolina em vários Estados brasileiros, o que contribui para a diminuição do consumo de petróleo. Além disso, o consumo de diesel tem sido afetado por uma queda bastante sensível no transporte de cargas diversas nos últimos meses.

Seja como for, a entidade estima que o consumo brasileiro de petróleo e derivados tenha ficado em 3,02 milhões de barris/dia no primeiro trimestre, com provável recuperação no segundo semestre, devendo o consumo fechar este ano em 3,19 milhões de barris/dia.

Quanto à produção, as perspectivas de crescimento neste ano não são animadoras, segundo a AIE. A produção deve alcançar 2,57 milhões de barris/dia no fim do ano, sendo prejudicada pela manutenção de plataformas e por problemas inesperados. Se os obstáculos puderem ser superados, a produção pode chegar a 2,85 milhões de barris/dia em 2017.

Apesar da queda das cotações internacionais, quando comparadas com as do ano passado, o País vem obtendo superávit na balança comercial no que se refere ao petróleo em bruto, sem levar em conta os derivados.

De janeiro a abril, as exportações, muito afetadas pelo preço, foram de US$ 2,535 bilhões, 33,34% menos que no mesmo período do ano passado (US$ 3,803 bilhões). Contudo, as importações caíram mais ainda, não passando de US$ 1,431 bilhão no primeiro quadrimestre, 45,72% menos que em idêntico período de 2015 (US$ 1,985 bilhão). Isso ocorreu não só graças ao petróleo barato, mas porque o consumo interno tem sido muito baixo. O resultado foi um superávit nesse item de US$ 1,104 bilhão. (O Estado de São Paulo 19/06/2016)

 

STJ adia julgamento e desfecho do caso Abengoa-Dedini fica para agosto

A disputa entre a espanhola Abengoa e a brasileira Dedini Agro vai se arrastar por mais tempo. A expectativa era de que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) completasse o julgamento nesta semana, mas a corte ministerial adiou a análise para depois do recesso, ou seja, para agosto.

O processo já foi retardado por um pedido de vistas em abril. Por ora, dois dos 15 ministros indeferiram a homologação de decisão de uma corte arbitral internacional que determinava à Dedini o pagamento de R$ 150 milhões à Abengoa, em um caso que envolve a compra, em 2007, de usinas de cana-de-açúcar.

A Abengoa adquiriu em 2007 o controle da Dedini Agro por R$ 1,3 bilhão e assumiu R$ 730 milhões em dívidas. Na negociação estavam unidades de processamento de cana localizadas em Pirassununga e São João da Boa Vista, ambas no interior paulista. O conglomerado espanhol, entretanto, afirma que teve prejuízos por causa de números superestimados de moagem divulgados pela Dedini e cobra ressarcimento.

As duas usinas da Abengoa têm capacidade instalada para quase 7 milhões de toneladas de cana por temporada. No ciclo 2016/17, que começou em abril, a expectativa da companhia é de processamento em torno de 5,8 milhões de toneladas. (Agência Estado 17/06/2016)

 

Mosaic negocia compra de unidade de fertilizantes da Vale

A Mosaic Co, maior produtora de fosfato concentrado do mundo, entrou em conversações para comprar a unidade de fertilizantes da Vale, em um renovado esforço para crescer na América do Sul e na África, disseram três fontes com conhecimento do assunto.

Embora as duas companhias estejam discutindo qual a melhor estrutura para o negócio, a primeira fonte disse que um acerto envolvendo dinheiro e ações é a opção preferida neste momento.

A mesma fonte, que pediu para não ser identificada porque as negociações estão em andamento, disse que o valor dos ativos de fertilizantes da Vale pode chegar a 3 bilhões de dólares.

A Mosaic e a Vale também estão discutindo outras alternativas para o negócio, disseram as outras duas fontes, sem elaborar.

Sob os termos da primeira opção, a companhia com sede no Rio de Janeiro se tornaria a maior acionista da Mosaic, com uma participação entre 12 e 15 por cento, dependendo do tamanho do acordo envolvendo ações, disse a primeira fonte. As empresas não quiseram comentar o assunto. Com sede em Plymouth, Minnesota, a Mosaic está à procura de ativos em fosfatados ou potássio que poderiam ser adquiridos por uma barganha em um setor de commodities mais fraco, disse o presidente-executivo Joc O'Rourke em fevereiro.

A queda dos preços do fosfato e potássio, no entanto, tem pressionado os lucros do setor este ano.

A Vale possui ativos de fertilizantes no Canadá, Brasil, Peru, Argentina e Moçambique.

A Mosaic comprou ativos de distribuição da Archer Daniels Midland no Brasil e no Paraguai no ano passado.

No Brasil, o quinto maior consumidor mundial de fertilizantes, a demanda deve crescer duas vezes mais rápido que a demanda global até 2025.

As entregas de fertilizantes aos produtores agrícolas do Brasil totalizaram 10,2 milhões de toneladas entre janeiro e maio, uma alta de 12,7 por cento ante o mesmo período do ano anterior.

DÍVIDA

A Vale está vendendo ativos visando reduzir em 10 bilhões de dólares a sua dívida até o próximo ano. A estratégia foi apresentada pelo presidente-executivo da mineradora, Murilo Ferreira, para ajudar a companhia a lidar com o declínio dos preços de minério de ferro e níquel.

A Vale registrou um prejuízo anual recorde no ano passado de 12,1 bilhões de dólares.

O lucro líquido ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da unidade de fertilizantes da Vale mais do que dobrou no último ano, para 567 milhões de dólares, em parte ajudado por uma moeda mais fraca e menores custos.

As negociações com a Mosaic ocorrem dois meses após a Vale não conseguiu criar um grande "player" com a Apollo Global Management no setor. Em 28 de abril, a Reuters reportou que Vale e Apollo planejavam um acordo para comprar as operações de fertilizantes da Anglo American no Brasil.

De acordo com a segunda fonte, a Mosaic tinha feito anteriormente uma oferta por 100 por cento da unidade de fertilizantes da Vale, a qual a empresa brasileira rejeitou porque queria se juntar com a Apollo.

Fechar negócio com a Anglo American era uma pré-condição para formar a parceria com a Apollo, uma empresa de participações de 170 bilhões de dólares liderada pelo financista Leon Black, disseram fontes na época. (Reuters 17/06/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Efeito Índia: A decisão do governo indiano de taxar em 20% as exportações de açúcar do país levaram os contratos futuros do açúcar demerara a retomarem a trajetória de alta interrompida na quinta-feira. Os papéis com vencimento em outubro encerraram o último pregão da semana passada com valorização de 14 pontos, cotados a 19,90 centavos de dólar a libra-peso. A medida adotada pela Índia, que é o maior consumidor mundial da commodity, visa a controlar os preços no mercado interno, evitando um possível desabastecimento por conta dos altos preços no mercado internacional e do déficit na oferta mundial. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 85,29 a saca de 50 quilos, alta de 0,48%.

Café: Mais chuvas: A perspectiva de novas precipitações no Centro-Sul do Brasil impulsionou os contratos futuros do café arábica na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em setembro fecharam a sessão de sexta-feira a US$ 1,4285 a libra-peso, valorização de 140 pontos. Além de comprometer a qualidade do grão produzido na região, há o temor entre os investidores de que o clima úmido atrase a colheita do grão. As chuvas também podem afetar a qualidade do café. Segundo estimativa da Safras & Mercado, 34% da área plantada no país havia sido colhida até o último dia 14, abaixo dos 36% do mesmo período de 2015, mas acima da média dos últimos cinco anos, de 33%. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq ficou em R$ 492,98 a saca de 60 quilos, recuo de 0,38%.

Algodão: Produção asiática: A perspectiva de queda na produção asiática de algodão deu suporte às cotações da pluma na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os contratos com vencimento em outubro fecharam o pregão cotados em 66,25 centavos de dólar a libra-peso, alta de 87 pontos. De acordo com análise da consultoria Zaner Group, a produção chinesa em 2016 deve recuar 8% devido, entre outras razões, à redução da área plantada. Além disso, na Índia, o atraso das chuvas de monções tem retardado o início do plantio. Já nos Estados Unidos, maior produtor mundial da commodity, as condições climáticas seguem favoráveis para o avanço do plantio. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 82,67 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Sobe e desce: Depois de uma correção dos preços na quinta-feira, os contratos futuros da soja voltaram a subir no último pregão da semana passada diante da perspectiva de clima seco nas Grandes Planícies dos Estados Unidos. Os papéis com vencimento em agosto fecharam a sessão cotados a US$ 11,60 o bushel, valorização de 26,50 centavos. Além do clima, a firme demanda pela oleaginosa, com a venda de 524 mil toneladas do grão reportada pelos exportadores americanos ao Departamento de Agricultura do país (USDA), também deu suporte às cotações. Do total vendido, 129 mil toneladas devem ser destinadas à China. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 96,78 a saca de 60 quilos, alta de 0,64%. (Valor Econômico 20/06/2016)