Macroeconomia e mercado

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Governo quer vender terras para estrangeiros

No gabinete do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, a foto oficial da presidente afastada Dilma Rousseff permanece na parede. “Não posso tirar, é a ordem do chefe”, diz o ministro. Parece ser a única lembrança do antigo governo. Nomeado por Michel Temer, tem ideias diferentes da gestão que o antecedeu. Com seu apoio, o governo vai enviar mensagem para o Congresso, propondo liberar a venda de terra para estrangeiros, como forma de ampliar crédito. Blairo defende negociação de Temer com o governo chinês para ampliar exportações e ajudar o País a sair da crise.

Ser chefiado

É a primeira vez que tenho um chefe. Então, tenho que me cuidar. Minha família sempre foi ligada à agricultura. Fui estudar e trabalhar nessa área, na empresa com meu pai. E pai não é chefe, né? Meu pai era duro, a gente brigava muito, tínhamos diferenças de pensamento. Podia brigar com ele, mas agora não. Agora, tenho um chefe.

Papel no ministério

Quando fui convidado, disse: presidente, como o senhor quer que conduza esse negócio? Se cada dia tenho que ligar, se tenho que pedir pra fazer. Ele disse: ‘não, só quero que você toque esse negócio, que dê tudo certo’. Tipo assim: me dê as boas notícias e as ruins você resolve por lá.

Ajuda da China

Para que a gente saia da crise, sugeri ao presidente que procurasse a China, por ser grande parceiro na área comercial. A gente vende bastante para eles e o segmento do agro responde rapidamente, se ela nos der certa preferência. Sugeri ao presidente, assim que resolver o processo político, que a gente viaje para pedir pessoalmente ao governo da China que veja o Brasil com olhar diferenciado. Certamente, saberíamos reconhecer, no futuro, esse esforço.

Terras para estrangeiros

Hoje estrangeiro não pode comprar terra. Isso tem uma consequência no crédito, porque os bancos de fora, que emprestam no Brasil, não podem receber as terras como garantia. Porque se tiver que executar a dívida, não pode ficar com a terra. Então, é um problema que precisamos enfrentar. Defendo que pode vender. E a terra comprada pelos estrangeiros será sempre brasileira. Ninguém vai poder levar. O governo pretende mandar mensagem para regulamentar isso também.

Ritmo do impeachment

O melhor cenário seria o mais rápido. Mas tem todo um trâmite. Se você quiser forçar isso, pode ter que voltar dez casas para trás. É prudente vencer as etapas no tempo estabelecido.

Retorno de Dilma

Não vejo chance. Mas, esse “impossível” não existe. São votos e só 81 senadores. Se voltar, será um desastre para a economia do País. Politicamente também. Porque ela não tem força, não tem respaldo.

Erros do governo petista

Foi uma sequência de tomadas de decisões erradas. Economicamente, o País começou a entrar num problema sério. Fomos para a eleição com um projeto que, depois, foi indo para outro. Isso frustrou a maioria dos que votaram nela.

Estilo Dilma

Era líder do PR e colocamos muito claramente para a presidente que deveria assumir a responsabilidade da política econômica, fazer uma mea culpa do processo, se reorganizar a partir de uma nova base, com transparência. Ela não quis, nunca quis fazer. O governo nunca admitiu os problemas. É aquela história: escuta, mas não ouve. Era um governo muito dono de si.

Eleição de Lula

Acho muito difícil. O PT está muito machucado e a gente não sabe como vai terminar tudo isso. Não há como negar a força de Lula. Mas penso que é muito difícil a vitória dele ou de um candidato da esquerda.

Rixa com Marcos Pereira

Ele é ministro, né? O setor reagiu a possível indicação de alguém de fora, que não conhece o setor. E que é o setor mais importante da economia brasileira.(Pereira acabou indo para Indústria e Comércio). (O Estado de São Paulo 20/06/2016)

 

Basf compra Chemetall

A empresa química alemã Basf assinou ontem a aquisição da conterrânea Chemetall, companhia especializada em produtos para superfícies metálicas controlada pelo grupo Albemarle, dos Estados Unidos, por US$ 3,2 bilhões.

A operação está prevista para ser concluída até o fim do ano. "A Chemetall oferece uma forte adequação estratégica ao nosso negócio de tintas e fornece apoio ao objetivo da Basf de crescer de forma rentável", comentou, em nota, Wayne Smith, conselheiro da Basf responsável pela área de tintas.

A Chemetall foi adquirida pela Albemarle em janeiro de 2015 e fornece produtos e sistemas para superfícies, que protegem metais contra corrosão e facilitam usinagem. (Valor Econômico 21/06/2016)

 

Blairo Maggi quer ampliar comércio agrícola com o Egito

A ampliação do comércio entre Brasil e Egito foi o tema do encontro entre o ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e o embaixador Alaaeldin Mohamed. O Brasil possui ampla vantagem comercial sobre o país africano em relação às exportações agropecuárias, que somaram US$ 2,3 bilhões em 2015.

A carne bovina in natura é o principal produto vendido aos egípcios, com US$ 624 milhões no ano passado. Este valor poderá aumentar ainda mais. Mohamed disse que uma missão egípcia deverá ser enviada ao Brasil para a habilitação de novos frigoríficos. A data ainda será marcada. Atualmente, 106 estabelecimentos vendem carne bovina ao Egito.

Além do comércio, o embaixador manifestou interesse na troca de tecnologia entre os dois países. Mohamed revelou que os egípcios enviaram uma missão no início do ano e ficaram muito impressionados com a tecnologia desenvolvida no país em relação aos biocombustíveis, especificamente o etanol. O Brasil, por sua vez, tem interesse na tecnologia do algodão egípcio.

Blairo Maggi destacou a importância da ampliação do comércio entre os dois países e disse que há ainda espaço a ser explorado. Ele determinou que fossem analisadas as demandas do Egito junto ao Brasil, inclusive com relação a Embrapa, que possui um acordo de transferência de tecnologia para o país africano.

O ministro Blairo Maggi aproveitou para formalizar um convite ao ministro da Agricultura do Egito, Essam Fayed, para uma visita ao Brasil. De acordo com o embaixador, essa visita poderá ocorrer ainda este ano. Em 2013, o Brasil enviou uma missão ao país africano para estreitar as relações comerciais.

O embaixador destacou ainda que existe um acordo entre o Egito e o Mercosul, que está aguardando apenas a homologação por parte de Argentina. Mohamed ressaltou que, além do mercado egípcio ser grande (o país tem mais de 90 milhões de habitantes), ao vender para lá, o Brasil consegue atingir ainda o norte da África e alguns países árabes. (Mapa 21/06/2016)

 

Em delação, Marcelo Odebrecht admitirá elo com repasses para Dilma

Marcelo Odebrecht, ex-presidente da Odebrecht, vai assumir no acordo de delação que negocia com procuradores da Lava Jato que controlava pessoalmente os recursos legais e ilegais que irrigaram as campanhas presidenciais de 2010 e 2014, vencidas pela presidente afastada, Dilma Rousseff, segundo a Folha apurou.

O executivo vai relatar que teve uma conversa com Dilma no México em 26 de maio de 2015, quando teria alertado a então presidente que os investigadores da Lava Jato estavam prestes a descobrir os pagamentos ilícitos que a Odebrecht fez ao marqueteiro João Santana na Suíça.

De acordo com o executivo, Dilma não deu atenção ao que ele dizia.

A conversa ocorreu 24 dias antes de Marcelo ser preso pela Polícia Federal, a prisão preventiva de Marcelo completou um ano no último domingo (19).

O ex-presidente da Odebrecht chegou a tratar de pagamentos ao PT com representantes do partido, em sua casa no Morumbi, na zona sul de São Paulo.

ALERTA A DILMA

Até a descoberta dos pagamentos na Suíça, no valor de US$ 4 milhões, segundo os primeiros documentos enviados pelo país europeu, Marcelo dizia a seus interlocutores que não se sentia ameaçado pela Operação Lava Jato por acreditar que, se ele fosse preso, o governo de Dilma cairia junto com ele.

Marcelo também deve dizer que não considerava crime os pagamentos ilícitos que fez ao marqueteiro do PT.

Para ele, os repasses via caixa dois são parte da cultura política do país e do sistema de financiamento a partidos no Brasil.

O relato de Marcelo sobre as duas últimas campanhas presidenciais confirma uma das suspeitas dos procuradores e da Polícia Federal: a de que Santana recebeu recursos ilícitos no Brasil e no exterior. O marqueteiro recebeu R$ 42 milhões e R$ 78 milhões pelas campanhas presidenciais de 2010 e 2014 respectivamente, de acordo com prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral.

O financiamento ilícito das duas últimas campanhas presidenciais faz parte de um total de 20 temas que Marcelo já esboçou nos preparativos para a delação.

Marcelo disse a interlocutores que assumirá o controle sobre os gastos nas campanhas presidenciais de 2010 e 2014 porque quer fazer um acordo de delação que prime pela "justeza", nas campanhas de Lula de 2002 e 2006, ele não estava na presidência do grupo, função que assumiu em 2009.

O executivo já afirmou a interlocutores, por exemplo, que jamais cuidou de pagamento de propina a diretores e gerentes da Petrobras e que, portanto, não incluirá esses crimes nos seus relatos.

Outros executivos do grupo, que também foram presos, mas já estão soltos, queriam que Marcelo assumisse outros crimes sob o argumento de que ele presidia o grupo que foi beneficiado pelos negócios fechados com a Petrobras com o pagamento de suborno.

Marcelo se recusou a assumir irregularidades que teriam sido praticadas por outros diretores. Tomou essa decisão mesmo com o argumento de que a empresa deve perder a elite de seus executivos com a delação, já que terão de deixar seus cargos após o acordo ser fechado.

OUTRO LADO

A assessoria da presidente afastada Dilma Rousseff confirmou, por meio de nota à Folha, que ela esteve com Marcelo Odebrecht em maio de 2015 na Cidade do México, durante viagem oficial.

Segundo Dilma, doações e pagamentos a João Santana não foram tratados na conversa. A nota diz que "todos os pagamentos pelos serviços prestados da campanha de reeleição, inclusive a João Santana, foram feitos dentro da lei e declarados à Justiça Eleitoral".

De acordo com Dilma, Santana recebeu R$ 70 milhões de seu comitê –o PT arcou com mais R$ 8 milhões.

A nota diz ainda que Marcelo faz "suposições" que não merecem comentários.

O PT afirma que o partido só recebe doações oficiais, todas declaradas à Justiça.

O advogado de Santana, Fabio Tofic Simantob, afirmou que só se manifestará nos processos judiciais.

Em manifestação ao juiz Sergio Moro, o advogado negou que Santana soubesse que recebia recursos ligados a contratos obtidos por meio de suborno. A Odebrecht não quis se manifestar. (Folha de São Paulo 21/06/2016)

 

PIB do setor sucroenergético gerou mais de R$ 113 bilhões em 2015

No ano passado, a cadeia produtiva da cana, considerando os segmentos de insumos, atividades primárias (produção agrícola), indústria e serviços (transporte e comércio), registrou expansão de 5% em relação à 2014, elevando a renda estimada de R$ 107,87 bilhões para R$ 113,27 bilhões. Segundo o levantamento “Desaceleração da economia brasileira reflete em baixa nas cadeias do agronegócio”, compilado pela equipe de macroeconomia do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o setor sucroenergético teve um dos maiores PIBs do agronegócio brasileiro, que no total acumulou alta de 0,54% no acumulado de 2015.

No total, foram cinco cadeias produtivas examinadas pelo Cepea – departamento ligado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) –, com o apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Além da cana, foram analisadas a soja, algodão, bovino de corte e de leite. Somente soja, cana e a bovinocultura de corte tiveram elevação de renda, com altas de, respectivamente, 9,7%, 5,0%, e, a mais modesta, 2,5%. O leite e o algodão tiveram desempenho negativo, com quedas na renda estimadas em 12,3% e 16,1%, respectivamente.

Para o diretor Executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Leão de Sousa, as análises demonstram a relevância da indústria canavieira para a economia do País. “Estes resultados traduzem a pujança do setor da cana na agricultura nacional, mesmo em um cenário setorial ainda bastante complicado, com muitas usinas em dificuldades financeiras, e um cenário nacional agravado pela desaceleração econômica e falta de confiança. Boa parte deste desempenho deveu-se ao aumento da demanda do etanol e do preço do açúcar no mercado doméstico, em função do câmbio. Infelizmente, ainda não observarmos uma reviravolta mais vigorosa e sustentável nas expectativas do setor”, justifica.

Considerando os segmentos analisados (insumos, atividades primárias, indústria e serviços), o setor sucroenergético foi o único que presentou saldo positivo em todos eles:

Insumos

O desempenho do segmento de insumos adquiridos pelos produtores de cana apresentou elevação de 2,22% em 2015, gerando renda de R$ 2,1 bilhões contra R$ 2,05 bilhões registrados no ano anterior. Maiores preços de fertilizantes e óleo diesel, por conta da alta do dólar, justificaram este crescimento.

Atividades primárias

Em relação aos preços e volumes de produção, a cadeia sucroenergética expandiu sua renda em 7,16%, saltando de R$ 31,906 bilhões (2014) para R$ 34,192 bilhões. Números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revelam que a área plantada com cana cresceu 0,6% entre o ano retrasado e 2015, sendo que a produtividade aumentou 3,9%.

Indústria

As maiores cotações de açúcar, motivadas pela desvalorização do real, e o maior volume de etanol hidratado produzido, resultado da maior demanda pelo biocombustível no mercado interno – em função do reajuste na gasolina –, geraram elevação de 4,9% na renda da indústria canavieira; de R$ 47,027 bilhões em 2014 para R$ 49,331 bilhões.

Serviços

Para este segmento, que inclui o comportamento do comércio, transporte e outras atividades, o crescimento foi de 2,85%, com uma renda de R$ 27,645 bilhões ante R$ 26,880 bilhões registrados em 2014. (Unica 20/06/2016)

 

Pedro Parente aposta em Petrobras mais enxuta e com menos intervenção

Pedro Parente, presidente da Petrobras, disse que está aberto ao diálogo com sindicatos, mas só se for “baseado em fatos e dados”

O novo diretor-presidente da Petróleo Brasileiro SA, Pedro Parente, comprometeu-se a devolver “a grandeza” à abatida estatal ao se livrar de ativos, e de ideologias obsoletas, que não servem mais para a empresa mais importante do Brasil.

Em uma entrevista dada ao The Wall Street Journal na sexta-feira, a primeira para a mídia estrangeira desde que assumiu o cargo, em maio, o ex-executivo do setor de agronegócio ressaltou que uma empresa mais enxuta e lucrativa, livre de intervenções políticas, é o caminho para restaurar a imagem da petrolífera.

“Ela será uma empresa séria [...] com a melhor administração que podemos ter neste país”, disse Parente. “Esses não são sonhos pequenos que temos para a empresa. Eu não teria vindo para cá, senão com uma visão para trabalhar na recuperação da grandeza desta empresa”.

Ele sinalizou que sua estratégia está praticamente em linha com a definida pelo seu predecessor, Aldemir Bendine: vender ativos secundários e cortar custos para reduzir a dívida gigantesca da empresa, de cerca de US$ 126 bilhões.

Parente confirmou que a empresa recebeu três ofertas de compra para uma fatia da BR Distribuidora SA, mas não deu mais detalhes sobre essas ofertas. A empresa também está em negociação exclusiva com a gestora Brookfield Asset Management Inc., do Canadá, para vender sua unidade de dutos de gás natural, a Nova Transportadora do Sudeste SA.

A Petrobras já afirmou anteriormente que pretende cortar sua dívida para 2,5 vezes o seu fluxo de caixa. Parente disse que preferiria reduzir a dívida para entre uma a duas vezes o fluxo de caixa, uma meta difícil.

“O maior desafio será reduzir a dívida. Hoje, do ponto de vista contábil, técnico, ela está virtualmente quebrada”, diz Luis Octavio da Motta Veiga, ex-presidente da estatal, que elogia a experiência de Parente para o cargo. “Ele pode fazer isso, mas não será fácil”.

Parente também indicou possíveis mudanças na empresa no curto prazo. A Petrobras já demitiu milhares de funcionários terceirizados e começou um programa de demissão voluntária para empregados diretos. O executivo não descarta mais demissões, mas não deu detalhes.

Ele também apoia um projeto de lei que abriria os cobiçados campos de petróleo do pré-sal para as empresas estrangeiras. Isso gerou críticas severas dos sindicatos de trabalhadores do setor petrolífero e outros oponentes preocupados com o que consideram uma venda do patrimônio brasileiro para estrangeiros.

A lei atual exige que a Petrobras seja a principal operadora e tenha uma participação de pelo menos 30% de qualquer projeto nos campos do pré-sal. A exigência forçou a Petrobras a fazer grandes empréstimos e desacelerou o desenvolvimento das reservas em águas profundas do Brasil.

“Há um tabu ou dogma em relação a administrar ativamente esse portfólio? Não”, disse Parente.

“Considerando nossas restrições financeiras, temos que ser muito seletivos na escolha dos campos em que vamos investir”, Pedro Parente.

Em maio, a Petrobras divulgou um prejuízo de R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre, resultado de uma queda na produção de petróleo e de vendas mais fracas no mercado doméstico, em meio a uma das maiores recessões do país em décadas. Em março, a petrolífera registrou seu pior resultado trimestral da história ao ser forçada a fazer uma baixa contábil de R$ 49,75 bilhões em ativos e investimentos do ano passado.

A cotação das ações da Petrobras se manteve praticamente inalterada desde a nomeação de Parente, em maio, uma vez que detalhes específicos dos seus planos para a empresa ainda não foram anunciados. Na sexta-feira, as ações preferenciais da Petrobras fecharam a R$ 8,95.

Parente, que já foi o mais alto executivo da unidade local do gigante americano do agronegócio Bunge Ltd., é hoje presidente do conselho da operadora de bolsa BM&FBovespa SA.

Embora não tenha feito carreira no setor de petróleo, ele não é um estranho na Petrobras, tendo ocupado um assento no conselho da estatal entre 1999 e 2003. Ele também tem familiaridade com os meandros do governo, ocupando os cargos de ministro da Casa Civil e do Planejamento durante o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Essa experiência pode se mostrar valiosa num momento em que Parente terá que lidar com a séria e caótica situação política que hoje impera em Brasília. Enquanto o país aguarda o julgamento definitivo da presidente afastada Dilma Rousseff, três ministros já saíram do governo desde que Michel Temer assumiu a presidência.

“Não posso ficar preocupado com isso, está fora do meu controle”, disse Parente. “A empresa não pode perder tempo. Minha perspectiva em termos de tempo é ficar aqui e fazer as coisas que têm que ser feitas. Não vou ficar esperando essa decisão sobre o impeachment”.

Parente diz que recebeu garantias de que não haverá interferência política na companhia. Nos últimos anos, o governo usou a Petrobras como arma no combate à inflação, impedindo a estatal de aumentar os preços dos combustíveis. A empresa gastou bilhões de dólares subsidiando gasolina e diesel importados para os motoristas brasileiros.

Parente também terá que negociar com sindicatos, que em algumas ocasiões impediram as tentativas da empresa de cortar custos. Depois que Parente deu seu apoio à revisão da lei do pré-sal, que tramita no Congresso e seria uma tentativa de trazer mais investimentos para a exploração, alguns sindicatos de peso começaram a protestar, inclusive com uma greve de 24 horas dos petroleiros. “Estou pronto para o diálogo [com os sindicatos], mas tem que ser baseado em dados e fatos”, disse Parente.

“Infelizmente, não sei se em todos os setores, mas há visões dogmáticas por parte de algumas organizações sindicais com relação a este tema [do corte de custos]. Mas estou plenamente aberto ao diálogo”, Pedro Parente.

Representantes dos sindicatos não responderam a pedidos de comentários ontem.

Há ainda os efeitos duradouros do enorme escândalo de corrupção na Petrobras, deflagrado pela operação Lava-Jato. O escândalo forçou a Petrobras a dar baixas contábeis de bilhões de dólares ligadas a prejuízos e à redução do valor de ativos, e vários processos foram abertos contra a empresa no Brasil e nos Estados Unidos.

Na entrevista, Parente deu indícios de qual será sua estratégia para lidar com as dezenas de ações abertas por investidores americanos, incluindo a Fundação Gates, de Bill e Melinda Gates, e a Pimco, gigante dos fundos de renda fixa, que compraram ADRs da Petrobras na bolsa de Nova York.

“A história mostra que você faz acordos”, disse Parente.(Wall Street Journal20/06/2016)

 

Alemanha quer proibir carros a combustão até 2030

A Europa está disposta mesmo a reduzir o índice de emissões de dióxido de carbono. Prova disso é o recente anúncio de que Paris (França) banirá de suas ruas carros com mais de 19 anos.

Agora, segundo a publicação Autocar, a Alemanha é outra a tomar medidas efetivas para reduzir as emissões produzidas pelos veículos automotores, pois quer proibir carros a combustão no país até 2030.

O precursor dessa iniciativa é o Vice-Ministro da Economia Rainer Baake, que disse que os carros novos terão de ser livre de emissões para o país atingir a meta de redução de gás carbono de pelo menos 80% até 2050. Ainda segundo Baake, não houve na Alemanha redução de emissões de CO2 na área de transportes desde 1990.

A quantidade de carros “verdes” na Alemanha ainda é relativamente baixa, apenas 130.000 híbridos e 25.000 elétricos, contra 14,5 milhões de veículos a diesel no país.

Casos como o do “dieselgate”, que revelou inconsistências em grande escala no aspecto de emissões, mostram que a poluição liberada por modelos diesel pode ser maior do que os números oficialmente estimados.

Para tentar reverter esse quadro, o governo alemão dará incentivo para compra de veículos elétricos através de subsídios. Com isso, o governo espera ter meio milhão de veículos livre de emissões até 2020, enquanto que, para 2030, é esperado que o número de elétricos e híbridos suba para 6 milhões no país.

Com as regras cada vez mais exigentes, as montadoras alemãs já estão se mexendo para atender as medidas impostas. Como exemplo há a BMW, com o elétrico i3 e o esportivo híbrido i8, sendo que a marca bávara está desenvolvendo uma versão totalmente elétrica do último.

Já a Mercedes-Benz anunciou um carro movido a hidrogênio com autonomia de até 498 quilômetros que será produzido no ano que vem. A Volkswagen, após o escândalo do “dieselgate”, passará a investir cada vez mais em veículos verdes e projeta vender entre dois e três milhões de carros 100% elétricos em 2025. (Quatro Rodas 20/06/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Otimismo: O açúcar demerara registrou queda ontem na bolsa de Nova York em meio às expectativas de que a produção brasileira fique acima do previsto para a safra 2016/17. Os papéis com vencimento em outubro fecharam o pregão cotados a 19,76 centavos de dólar a libra-peso, com recuo de 14 pontos. Embora as adversidades climáticas da primeira quinzena de junho tenham reduzido o ritmo de moagem da cana e causado perdas pontuais após geadas no Paraná, essa perda de volume será, em parte, compensada pelo aumento do teor de sacarose na cana devido ao tempo seco no início da safra, segundo analistas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 86,05 a saca de 50 quilos ontem, alta de 0,89% no dia.

Cacau: Alta em NY: Os contratos futuros do cacau registraram alta ontem na bolsa de Nova York com a perspectiva de baixa produtividade no oeste da África. Os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão a US$ 3.123 a tonelada, avanço de US$ 57. Os processadores do cacau na Costa do Marfim relatam que o tamanho diminuto da amêndoa tem atrapalhado o processamento. Além disso, há maiores dificuldades para o cumprimento dos contratos de fornecimento do produto pelos agricultores após o clima seco durante o último verão, que afetou os cacaueiros e o potencial desta safra. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor em Ilhéus e Itabúna (BA) ficou em R$ 161 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Oferta comprometida: Os contratos futuros do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) registraram alta ontem na bolsa de Nova York, em meio, sobretudo, à baixa produtividade nos pomares da Flórida. Setembro subiu 20 pontos, para US$ 1,6775 a libra-peso. As expectativas de queda na produção se baseiam nos impactos do clima seco durante o desenvolvimento dos frutos e ao avanço do greening no Estado americano, que levaram o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) a estimar que a produção de laranja será a mais baixa desde 1964. O início da temporada de furações no país também dá suporte às cotações. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias de suco saiu, em média, por R$ 19,11, segundo o Cepea/Esalq.

Milho: Volatilidade: Os contratos futuros do milho registraram queda ontem na bolsa de Chicago com a previsão de clima úmido para todo o Meio-Oeste dos EUA ao longo desta semana. Os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão a US$ 4,2675 o bushel, recuo de 16 centavos. A retração expressiva ocorre após a commodity ter atingido o maior patamar dos últimos dois anos na sexta-feira devido às preocupações com o clima seco. De acordo com analistas, as cotações em Chicago devem apresentar maior volatilidade nesta temporada devido à queda da produção na América do Sul e ao deslocamento de parte da demanda mundial para os EUA. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 48,40 a saca, recuo de 4,39%. (Valor Econômico 21/06/2016)