Macroeconomia e mercado

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Consumo de combustível volta a cair

A queda do consumo de combustíveis no país tem se intensificado este ano, em meio ao cenário de deterioração da economia brasileira, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em maio, as vendas no mercado brasileiro caíram 2,2%, ante igual mês de 2015, e pelo terceiro mês seguido houve retração na comercialização, na comparação anual.

Ao todo, foram consumidos 11,194 bilhões de litros no mês passado, menor volume para maio desde 2012. Nos cinco primeiros meses de 2016, o mercado acumula queda de 4,4%, desempenho inferior ao recuo de 0,58% entre janeiro e maio de 2015, frente a igual período de 2014. Ainda para efeitos de comparação, o setor fechou 2015 com queda de 1,9%.

O mercado de óleo diesel, mais atrelado ao desempenho do PIB, caiu 2,96% em maio (para 4,49 bilhões de litros), enquanto, no ano, as vendas do derivado acumulam retração de 4,9%.

O consumo de gasolina C (misturada ao etanol anidro) segue como único destaque positivo do ano entre os produtos acompanhados pela ANP, com alta de 4,7% em maio (para 3,42 bilhões de litros) e de 2,5% no acumulado dos cinco primeiros meses de 2016.

Esse aumento, contudo, não tem sido suficiente para sustentar o crescimento do mercado Ciclo Otto (veículos que consomem gasolina e/ou etanol). Quando somada as vendas de gasolina e etanol, considerando a equivalência energética, o Ciclo Otto acumula queda de 1,07% no ano, puxada pela retração no mercado de etanol. Segundo os dados da ANP, as vendas do hidratado tiveram queda de 8% no mês passado. No ano, acumula retração de 13,6%.

Dentre os oito combustíveis pesquisados pela ANP, apenas a gasolina tem registrado crescimento este ano. Além do diesel e do etanol, acumulam queda em 2016 o óleo combustível (-30,6%); o querosene de aviação (-6,6%); a gasolina de aviação (-16,1%); e o querosene iluminante (-5,1%). (Valor Econômico 22/06/2016)

 

Bônus da Cosan

A Cosan obteve, até sexta-feira à noite, a adesão de 75,28% dos detentores de bônus com vencimento em 2023 e de 80,53% da emissão que expira em 2018 à oferta de recompra desses papéis.

A companhia divulgou ontem os resultados iniciais da operação. Junto com a oferta de recompra, a companhia quer o consentimento dos credores para eliminar condições restritivas das escrituras dessas emissões.

A Cosan já obteve maioria necessária para fazer as mudanças. O prazo para adesão à oferta de recompra e à solicitação de alteração nas cláusulas vence às 23h59 de 1º de julho, no horário de Nova York. (Daniela Meibak). (Valor Econômico 21/06/2016)

 

Copersucar voltou a lucrar no ciclo 2015/16

O início da recuperação do setor sucroalcooleiro na safra passada embalou os resultados da Coopersucar, maior trading de açúcar e etanol do mundo, mas o mesmo não ocorreu com a Alvean, joint venture para o segmento de açúcar na qual a companhia tem 50% de participação ao lado da americana Cargill.

A Coopersucar alcançou um lucro líquido de R$ 32 milhões no ano safra 2015/16, encerrado em 31 de maio, após um ciclo com prejuízo de R$ 8,4 milhões. O resultado teve forte contribuição do aumento das receitas, que avançaram 25%, para R$ 26,3 bilhões.

O destaque ficou por conta das operações de etanol, segundo Paulo Roberto de Souza, diretor presidente da Copersucar. Do faturamento total, as operações da Eco-Energy Biofuels, comercializadora de etanol nos EUA, contribuíram com 47%. Essa receita foi obtida com a negociação de 8,5 bilhões de litros do produto, alta de 13%. A expectativa é que na safra atual esse volume cresça entre 5% e 10%, o que significaria uma movimentação de até 9,35 bilhões de litros.

A venda de etanol pela Copersucar, concentrada no mercado doméstico, assegurou 29% das receitas da safra passada. A companhia negociou ao longo da safra 5 bilhões de litros, dos quais 4,3 bilhões no Brasil. O volume total superou em 16% o comercializado no ciclo anterior graças ao aumento da demanda, favorecida pelo retorno da cobrança da Cide sobre a gasolina.

Parte desse volume maior também foi carregado para a entressafra, quando os preços do etanol estão mais altos. "Nesse ano, além do fluxo normal, foram [negociados na entressafra] 500 milhões de litros de etanol adicionais", afirmou Souza em teleconferência com jornalistas.

A comercialização de açúcar, por sua vez, não foi o ponto forte do resultado da trading na safra passada. Embora as cotações internacionais da commodity tenham começado a reagir no segundo semestre de 2015, esse foi justamente o período em que a Alvean, que operou pela primeira vez uma safra completa, teve resultados negativos que anularam os ganhos do primeiro semestre. No cômputo da safra, a Alvean não registrou nem lucro, nem prejuízo.

A Copersucar não revelou qual foi sua política de fixação de preços do açúcar, mas ressaltou que o volume negociado pela joint venture alcançou 11,5 milhões de toneladas. Com isso, a nova trading lidera a comercialização de açúcar no mundo, com 30% de participação de mercado. O volume aproximouse da meta estabelecida para a Alvean em três anos, de 12 milhões de toneladas.

Segundo o diretor presidente da Copersucar, essa meta deverá ser batida na safra atual, quando se espera que o volume de açúcar vendido pela joint venture aumente entre 10% e 15%. A maior parte desse crescimento deve vir da produção do Centro-Sul. Na safra 2015/16, o açúcar brasileiro negociado pela Alvean totalizou 5 milhões de toneladas.

Os desembolsos com investimentos foram mais modestos na safra, até porque, na temporada precedente, a Copersucar desembolsou um volume expressivo para capitalizar a Alvean. Por isso, no ciclo 2015/16, os aportes caíram 62,8%, para R$ 265,2 milhões.

Desse montante, R$ 180 milhões foram direcionados à Eco-Energy, que adquiriu um terminal de transbordo nos EUA e iniciou a construção de outros três naquele país. O recurso também foi usado para elevar a participação da Copersucar no negócio, que passou para 77% no fim da safra passada e já está em 89%, após um novo aporte em abril.

Os demais R$ 80 milhões foram investidos na conclusão do Terminal Açucareiro da Copersucar (TAC), do porto de Santos, e do Terminal Copersucar de Etanol (TEC), que foi interligado com a Refinaria de Paulínia. Antes da interligação, o terminal operava com 40% de capacidade, e agora opera com capacidade plena, de 180 bilhões de litros.

O terminal portuário, por sua vez, movimentou 6,2 milhões de toneladas de produtos no ciclo 2015/16. A meta para esta safra é movimentar 8 milhões de toneladas, com 6,5 milhões de toneladas de açúcar e 1,5 milhão de toneladas de grãos.

A Copersucar encerrou 2015/16 com endividamento líquido de estoques (descontado o valor dos produtos em estoque no último dia do exercício) de R$ 1,1 bilhão, queda de 28% em relação à safra anterior. (Valor Econômico 22/06/2016)

 

Denúncias de Cerveró sobre Copersucar são infundadas, diz presidente da empresa

O presidente do conselho de administração da Copersucar, Luís Roberto Pogetti, refutou nesta terça-feira, 21, as denúncias feitas em delação premiada pelo ex-diretor de Internacional da Petrobras e da BR Distribuidora Nestor Cerveró, de que o ex-ministro e ex-presidente da Petrobras Biocombustível Miguel Rossetto teria feito lobby para que a companhia se tornasse a única vendedora de etanol para a estatal.

No depoimento, Cerveró disse ainda que a Copersucar controlaria o pagamento de propinas no negócio. "Isso é absolutamente infundado. A Copersucar vende para todo o mercado mundial, inclusive para a BR, e nunca fez pagamentos de nada além para vender. Essa é a postura clara e cristalina", disse Pogetti em uma conversa com jornalistas após a divulgação do balanço da companhia. (Agência Estado 21/06/2016)

 

Investimentos estrangeiros em terras brasileiras: País merece e precisa

A mudança de governo do âmbito federal reacendeu a perspectiva de (re)abertura do País para investimentos em terras por empresas brasileiras com maioria de capital estrangeiro. Tentativas de alteração às regras vigentes, por meio de “jabutis” (emendas parlamentares estranhas ao objeto discutido em Medidas Provisórias ou Projetos de Lei), foram realizadas recentemente, envolvendo as Medidas Provisórias nºs 675 e 691 (que infelizmente não lograram êxito) e o Projeto de Lei 4.059/2012, este último em tramitação na Câmara dos Deputados em regime de urgência.

A alteração da Lei nº 5.709/1971 é uma medida necessária para correção de graves distorções e equívocos provocados pelo parecer nº 01/2008/LA, da Advocacia Geral da União (AGU), publicado em 2010, que conflita com antigos posicionamentos da própria AGU, além de doutrinas amplamente aceitas e jurisprudência até então pacificada.

Em tempos de tantas pedaladas e confusões, deu-se uma nova interpretação jurídica ao § 1º, do artigo 1º, da Lei nº 5.709/1971, para restringir os negócios com terras por empresas brasileiras com maioria do capital estrangeiro. Como resultado, negou-se vigência da Emenda Constitucional n° 6/1995 (que revogou o artigo 171 da Constituição Federal que diferenciava empresas brasileiras de capital nacional daquelas com capital estrangeiro).

O agronegócio foi jogado em grave insegurança jurídica, abrangendo infindáveis discussões sobre: (i) o conceito de controle estrangeiro de empresas; (ii) a viabilidade de os tabeliães e registradores de imóveis promoverem eficiente controle sobre as transmissões e arrendamento de terras; (iii) a exequibilidade das garantias reais dadas a bancos controlados por estrangeiros; (iv) a validade de provimentos de Corregedorias de Justiça (como o de nº 461/2012, do TJ/SP) que liberaram os tabeliães a lavrarem escrituras e os oficiais a registrarem as aquisições e arrendamentos de terras por empresas brasileiras com maioria de capital estrangeiro; (v) o pedido de ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) feito por uma entidade do setor rural perante o Supremo Tribunal Federal (STF) contra o parecer; … e por aí vai…

Com isso, assistimos ao triste cancelamento de vultosos investimentos no setor do agronegócio nos anos seguintes a 2010. Vale lembrar, apenas para citar um dos diversos exemplos, do que ocorreu no setor de celulose nos últimos anos com vários projetos abortados pela crise e insegurança criada pelo tal parecer.

Os principais pretextos utilizados em 2010 para justificar tal parecer foram, nas palavras da própria AGU, “a crise de alimentos no mundo e a possibilidade de adoção, em larga escala, do biocombustível como importante fonte alternativa de energia.” Ora, desnecessário dizer que tal crise de alimentos (se é que existiu de fato) não trouxe o apocalipse previsto pela AGU e seus iluminados gurus, e que o biocombustível, em especial o nosso etanol, não se tornou uma commodity mundial, que o digam os empresários sobreviventes deste setor.

Também muito se falou na expansão de fundos soberanos na aquisição de grandes quantidades de terras. Porém, há muito a estratégia destes fundos mudou para a aquisição de participações de firmas globais e tradings de commodities. Basta citar o caso chinês, que passou a privilegiar aportes em infraestrutura, insumos e financiamento em troca do direito exclusivo de comprar colheitas.

Mas, afinal, a quem serve este parecer? À segurança nacional? Certamente não, uma vez que já é garantido ao poder público, pelo Decreto nº 3.365/1941, a desapropriação por necessidade pública para assegurar a soberania nacional. Também devemos lembrar do fato de ser necessária a autorização prévia do Conselho de Defesa Nacional para aquisição e arrendamento de terras em faixa de fronteira, havendo participação estrangeira, conforme estabelece a Lei nº 6.634/1979.

Talvez alguns grupos guiados por ideologias extremistas, que há anos estão encrustados no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), estejam satisfeitos, ou talvez algum “exército”, que certamente não é o de Caxias e de Osório, esteja sentindo-se vitorioso sobre o “agronegócio capitalista”.

Mas, felizmente, os ventos mudam e o momento de crise atual exige menos ideologia e mais inteligência e pragmatismo para defender os reais interesses nacionais, especialmente no agronegócio, nossa galinha dos ovos de ouro.

Pois que seja estimulada, ainda que muito tardiamente, a discussão para a (re)abertura do País aos investimentos em terras por empresas brasileiras com maioria de capital estrangeiro, o que atrairá não somente mais dinheiro, como também mais tecnologia e produtividade ao setor. O País merece mais inteligência da parte de nossos governantes e mais investimentos no campo, advindos do capital nacional ou do estrangeiro. (Folha de São Paulo 22/06/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Demanda chinesa: A retração de 74% nas importações chinesas de açúcar em maio e de 54% no acumulado de 2016 derrubaram as cotações do demerara ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em outubro fecharam o pregão a 19,34 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 42 pontos (2,13%). Segundo a consultoria Zaner Group, a perspectiva de uma produção de 5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na Austrália também ajudou a pressionar as cotações na bolsa mesmo num cenário altista. Segundo a consultoria Datagro, o mercado mundial deve apresentar um déficit de 6,2 milhões de toneladas do produto em 2015/16. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 86,57 a saca de 50 quilos, alta de 0,6%.

Algodão: Mais China: A queda da demanda chinesa e o avanço do plantio nos Estados Unidos pressionaram as cotações do algodão ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a 64,39 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 160 pontos, ou 2,42%. Segundo a consultoria Zaner Group, as importações chinesas da pluma caíram 52% em maio na comparação com igual período do ano passado, acumulando retração de 54% em 2016. Por outro lado, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) indicou que o plantio no país alcançou 95% da área esperada até o último dia 19. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor de algodão ficou em R$ 84,32 a arroba, segundo a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Milho: Virada nas cotações: Os contratos futuros do milho registraram forte queda ontem na bolsa de Chicago, revertendo a tendência de alta das última semanas. Os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão a US$ 4,0225 o bushel, desvalorização de 24,5 centavos de dólar. Segundo analistas, a queda foi resultado da saída em massa dos fundos que atuavam nesse mercado após as previsões climáticas reforçarem a perspectiva de clima úmido nos próximos dias no Meio-Oeste dos EUA. As qualidade da safra americana, avaliada como boa ou excelente em 73% da área plantada até o último dia 19 pelo Departamento de Agricultura do país (USDA), também pressionou o valor dos contratos. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa ficou em R$ 46,05 a saca de 60 quilos, queda de 4,86%.

Trigo: Boa safra: A desvalorização do milho e as boas condições da safra americana de trigo pressionaram o valor dos contratos futuros do cereal ontem. Os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão na bolsa de Chicago a US$ 4,725 o bushel, recuo de 15 centavos. Já em Kansas, os contratos de mesmo vencimento registraram queda de 16,5 centavos, cotados a US$ 4,525 o bushel. De acordo com o último relatório de acompanhamento de safra do Departamento de Agricultura do país (USDA), 61% da safra de inverno estavam em condições boas ou excelentes até o último dia 19 ante 41% observados no mesmo período do ano passado. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o trigo no Paraná ficou em R$ 897,40 a tonelada ontem, valorização de 0,02%. (Valor Econômico 22/06/2016)