Macroeconomia e mercado

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Plano taxa agricultura para bancar Previdência

Entre outras medidas, reforma do setor deve incluir cobrança de INSS de empresa exportadora.

A proposta de reforma da Previdência em estudo pelo governo se concentra em cinco grandes temas: idade média da aposentadoria, diferença de regime entre homens e mulheres, pensão por morte, servidores públicos e tributação extra do agronegócio.

Um dos planos é cobrar INSS de empresas exportadoras do agronegócio, o que atualmente não ocorre. Quando a venda é para o mercado interno, elas pagam alíquota de 2,6% sobre o faturamento. Assim como outros pontos do pacote, a medida já causa polêmica.

“Isto é nonsense”, disse Roberto Brant, consultor da Confederação Brasileira da Agricultura e Pecuária. “É começar a reforma pelo lado errado, o das receitas, em vez de atacar as despesas”. Com déficit que deve chegar este ano a R$ 133,6 bilhões, a Previdência é hoje o maior problema das contas públicas.

Na próxima semana, um “esqueleto” da reforma será apresentado a sindicalistas. O presidente Michel Temer pretende encaminhar propostas também de reformas trabalhistas. Terceirização e acordos coletivos são dois pontos polêmicos. (O Estado de São Paulo 23/06/2016)

 

Banco prevê mais um trimestre de bons preços no campo

Uma avaliação feita há um ano para o setor de commodities do Brasil, sobre o que ocorreria neste período de 2016, jamais indicaria um cenário tão favorável para as principais culturas como o que ocorre atualmente.

Um acompanhamento do Rabobank, instituição financeira especializada em agronegócio, aponta pontos positivos para o produtor também no terceiro trimestre do ano.

Uma das preocupações do produtor a partir de agora é com os custos que vai ter na safra 2016/17. Por sorte, um dos principais componentes desses custos, os fertilizantes, encontram-se com excesso de oferta global.

Com isso, os preços de maio dos adubos atingiram os menores valores em dólares desde 2009 no Brasil.

O açúcar tem garantia de preços. O Rabobank estima que ocorra um deficit entre oferta e demanda mundiais de 8,5 milhões de toneladas no ciclo atual.

Além do deficit, há uma redução de ritmo da colheita devido a chuvas na região centro-sul brasileira.

A produção de café sobe, puxada pelo arábica. O clima traz, no entanto, preocupações, elevando os preços internacionais do produto.

O aumento da produção de arábica é uma válvula de escape para as indústrias, devido à queda na safra de conilon, segundo o banco.

Os preços da soja devem seguir pressionados no terceiro trimestre deste ano. Além das quebras de safra na Argentina e no Brasil, os efeitos do La Niña sobrem à safra norte-americana preocupa.

O milho é um bom exemplo desse cenário inesperado de alta. Há um ano, com bons estoques internos, as indústrias não imaginavam que a matéria-prima seria uma grande preocupação.
Queda de safra para próximo de 76 milhões de toneladas, na avaliação do Rabobank, vai manter os preços aquecidos no terceiro trimestre.

Os bons preços devem incentivar o plantio no quarto trimestre, segundo o banco.

O Brasil continua em busca de novos mercados para a carne bovina. E a China deve se consolidar como um bom parceiro neste ano.

A baixa oferta de animais terminados deverá manter os preços do boi em patamares recordes no segundo semestre.

Quebra de produção na safra de laranja em São Paulo e no Triângulo Mineiro, áreas com grande influência mundial, deve provocar uma queda dos estoques mundiais de suco para os menores patamares em dez anos. Os preços devem ser puxados para cima.

Para o leite, o banco estima uma queda de produção de 5% no primeiro semestre, o que tem puxado os preços para os produtores. (Folha de São Paulo 23/06/2016)

 

Dólar tem baixa e fecha a R$ 3,776

O dólar fechou em queda frente ao real, acompanhando o movimento no exterior em meio a novos comentários da presidente do Federal Reserve (Fed), Janet Yellen, indicando cautela com a evolução da alta da taxa de juros nos EUA. O mercado também refletiu o alívio na aversão a risco, diante do crescimento das apostas na possibilidade de permanência do Reino Unido na União Européia.

O mercado de câmbio local acompanhou o movimento de desvalorização do dólar frente às moedas emergentes no exterior. O dólar comercial terminou em baixa de 0,88%, a R$ 3,3776.

O real integra o grupo de moedas mais expostas ao "Brexit", a possibilidade de saída do Reino Unido da UE, junto com outras divisas correlacionadas às commodities, afirmou o Morgan Stanley em nota. Nessa lista, estão ainda peso colombiano, peso mexicano, rupia indonésia, rand sul-africano e ringgit malaio.

O Banco Central anunciou que realiza hoje leilão de linha (venda de dólar conjugado com compra) visando a rolagem de operação que venceria no começo de julho. O montante ofertado será de US$ 4,4 bilhões. No fim de maio, o BC fez operação semelhante. Nessas operações, o que o BC faz é ofertar um financiamento em dólares ao mercado.

Geralmente esses leilões ocorrem no penúltimo ou no último dia do mês que antecede o vencimento. Mas, desta vez, o BC optou por antecipar. O motivo não é revelado, mas pode ser uma forma de precaução em função dos eventos vindouros, como a votação no Reino Unido. Na próxima semana, a agenda reserva a divulgação do Relatório de Inflação, primeira peça formal de comunicação de Ilan Goldfajn, e a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) sobre a meta de inflação de 2017 e 2018.

Os juros futuros tiveram uma sessão morna na quarta-feira, com as taxas ficando perto da estabilidade, em um dia de volume de negócios menor que o da véspera. O contrato DI (Depósito Interfinanceiro) com prazo em janeiro de 2017 fechou estável, a 13,745%, na BM&F. O DI de janeiro de 2021 foi de 12,47% para 12,48. (Valor Econômico 23/06/2016)

 

Com perda de 70% Distrito Federal decreta situação de emergência nas áreas agrícolas

O reduzido volume de chuvas em fevereiro, em março e em abril deste ano levou o governo de Brasília a decretar situação de emergência das áreas agrícolas do Distrito Federal. O Decreto nº 37.386 foi publicado no Diário Oficial do Distrito Federal no início do mês. Na prática, o documento reconhece oficialmente o momento atípico pelo qual passa a agropecuária local e, assim, facilita a renegociação de dívidas dos produtores. O recurso vale por 180 dias.

A média de chuva esperada para os três meses era de 550 milímetros por metro quadrado, mas o índice registrado ficou em 240 milímetros. A diminuição drástica afetou, em especial, a cultura do milho, que teve perda de 70% da produção. O prejuízo chega a R$ 116 milhões. As propriedades que ficam no lado leste do Distrito Federal, Jardins, Pipiripau, Rio Preto, Tabatinga e Taquara, estão em situação mais delicada.

Com o decreto, os produtores podem pedir a instituições financeiras o prolongamento do prazo para pagamento de financiamentos. Em 27 de maio, a Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural publicou, no Diário Oficial do DF, uma nota técnica relatando a perda na produção de milho. O relatório foi produzido a partir da Expedição Safra-Brasília 2016, na qual equipes visitaram 59 propriedades e constataram a baixa produção. “A expedição já estava programada, mas nela percebemos a situação delicada”, explica o secretário, José Guilherme Leal.

Dessa forma, a nota técnica embasou o decreto. “A situação de emergência também se aplica aos que fizeram venda antecipada e não terão condições de entregar a safra”, afirma Leal. O titular da pasta afirma que o documento também permite levar o assunto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para ampliar as discussões sobre os impactos da perda agrícola.

A medida também pode fazer com que o governo reveja o uso dos cursos d’água do Distrito Federal para irrigação. Com isso, o volume de recursos hídricos usado para esse fim deve ser redistribuído entre os produtores autorizados a fazê-lo. Também se estuda reduzir a quantidade de área irrigada durante a estiagem. “Teremos que rediscutir o uso para que todos tenham acesso”, destaca Leal. O trabalho vai ser intermediado pela pasta, em parceria com a Agência Reguladora das Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa) e com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF). (Agência Brasília 22/06/2016)

 

CPI diz que JBS deve devolver R$ 380 milhões para Mato Grosso, mas quer R$ 100 milhões a mais

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Renúncia e Sonegação Fiscal da Assembleia informou, ontem, que o diretor da JBS, Francisco de Assis e Silva, prestou esclarecimentos sobre os incentivos recebidos tanto como crédito outorgado como por meio do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Prodeic) e a "empresa já aceitou devolver cerca de R$ 380 milhões ao Estado, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta assinado em acordo com o Ministério Público Estadual e o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira)"

Para o presidente da CPI, deputado José Carlos do Pátio, ainda seria necessário devolver "mais R$ 100 milhões referentes aos créditos concedidos, supostamente, de maneira ilegal por meio do Prodeic para nove empresas do grupo, em 2011". A concessão do incentivo ocorreu sob a tutela do ex-secretário de Indústria, Comércio, Minas e Energia, Pedro Nadaf, que assinou decreto ‘ad referendum’ atendendo a solicitação da empresa.

Segundo o diretor, a JBS tinha sido prejudicada pelo fim do regime de crédito por estimativa e, com isso, enquanto os demais frigoríficos foram enquadrados no Prodeic, o grupo ficou de fora. “Enquanto todos estavam taxados em 0% a 1%, a JBS tinha de pagar 3,5% de alíquota de ICMS, por isso iniciamos as tratativas com o governo”, esclareceu Silva, e aproveitou para contextualizar a situação fiscal da JBS no Estado. Ele negou que a empresa tivesse sido beneficiada ou cometido ilegalidades. Francisco Silva explicou que, até 2010, a empresa era enquadrada num regime de antecipação, porém, com a mudança na lei, o grupo ficou de fora. (Só Notícias 22/06/2016)

 

Ministro sugere alta do preço mínimo do milho para estimular plantio

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (Foto), sugeriu nesta quarta-feira um aumento do preço mínimo do milho como parte das medidas para melhorar o abastecimento do produto, cujo mercado registrou cotações recordes neste ano em meio a uma escassez devido à quebra de safra e após exportações elevadas.

Segundo Maggi, o preço mínimo do milho deveria ser elevado para cerca de 18 reais a saca de 60 kg, o que ajudaria o país a recompor os seus estoques, por meio de uma área maior de plantio. Em entrevista a jornalistas, ele afirmou que o valor se trata de uma sugestão.

Por meio da política de preço mínimo, o governo garante que os preços fiquem sustentados em patamares que cubram ao menos os custos de produção, em tese evitando baixas nas cotações que desestimulam os produtores, o que não é o caso atual.

Os valores do milho no mercado estão bastante acima dos preços mínimos estabelecidos nas políticas do governo, que variam entre 13,56 reais/saca em Mato Grosso e 17,67 reais no Paraná.

A cotação do cereal no país, que atingiu recorde acima de 50 reais a saca recentemente em algumas praças importantes como Campinas, agora está em torno de 46 reais, com a entrada da segunda da colheita da safra pressionando o mercado.

Maggi disse ainda, sem elaborar, que o governo vai criar condições para importações de milho, como parte do plano para elevar a oferta.

O governo anteriormente isentou de taxa uma cota de importação de 1 milhão de toneladas do milho de fora do Mercosul, mas questões relacionadas à falta de aprovações de transgênicos cultivados nos Estados Unidos estão limitando os negócios com o produto norte-americano.

Enquanto isso, o Brasil tem contado com o produto importado de países do MERCOSUL. (Reuters 22/06/2016)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Efeito Brexit: Os contratos futuros do cacau refletiram o otimismo do mercado em relação à possível permanência do Reino Unido na União Européia. Os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão a US$ 3.156 a tonelada, alta de US$ 10. De acordo com levantamento da gestora de ativos GM, 71% dos investidores acreditam que o país rejeitará a saída do bloco. "Há a crença de que a permanência no bloco será benéfica para a economia da UE, trazendo algum consumo adicional", explicou em nota Phil Flynn, analista da Price Futures Group. Por outro lado, na África, as perspectivas ainda são de uma safra 2015/16 com baixa produtividade. Em Ilhéus e Itabuna (BA), o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 162 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau, alta de R$ 1.

Suco de laranja: Sobe e desce: Os contratos futuros do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) registraram alta ontem na bolsa de Nova York e recuperaram parte das perdas do início da semana, em uma instabilidade ligada às incertezas sobre as safras no Brasil e nos EUA. Os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão cotados a US$ 1,676 a libra-peso, valorização de 20 pontos. A alta também reflete a queda da produção nos dois países. Segundo estimativa do Departamento de Agricultura do Estados Unidos (USDA), a Flórida deve registrar sua pior safra desde 1964, enquanto o Brasil terá queda de 14% na colheita desta temporada. No mercado interno, o preço médio pago pela indústria ficou em R$ 19,20 a caixa de 40,8 quilos segundo o Cepea, alta de 0,47%.

Algodão: Queda do dólar: O clima de otimismo com a possível permanência do Reino Unido na União Européia também teve impacto nas cotações dos contratos futuros do algodão. Os papéis com vencimento em outubro fecharam o pregão ontem a 64,08 centavos de dólar por libra-peso, alta de 6 pontos. A provável manutenção da atual configuração do bloco europeu provocou a queda do dólar após um fluxo de capitais para divisas de maior risco. A moeda americana mais barata tende a elevar a competitividade dos EUA no mercado internacional, ampliando a demanda pela pluma produzida no país. O petróleo negociado acima de US$ 50 o barril também deu suporte aos preços. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma ficou em R$ 2,6870 a libra-peso, alta de 0,29%.

Milho: Novas perdas: Os contratos futuros do milho ampliaram as perdas dos últimos pregões e encerraram a sessão de ontem com nova queda em Chicago. Os papéis com vencimento em setembro recuaram 4 centavos para US$ 3,9825 o bushel. A queda reflete uma reversão nas expectativas dos investidores, que esperavam que a safra atual nos EUA fosse marcada por clima quente e seco, com prejuízos para a produtividade das lavouras no país. "A umidade no solo, apesar de estar nos menores níveis desde 2012, está em torno de 40% a 50% acima do observado naquela época [quando uma seca provocou quebra de safra no país]", disse o sócio-diretor da AGR Brasil, Pedro Dejneka. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa ficou em R$ 44,47 a saca de 60 quilos, recuo de 3,43%. (Valor Econômico 23/06/2016)