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Aposta na Monsanto é jogada arriscada para líder da Bayer

O diretor-presidente da Bayer, Werner Baumann, que surpreendeu os investidores ao anunciar a proposta de compra da Monsanto menos de duas semanas depois de assumir o comando da empresa alemã.

O diretor-presidente da Bayer, Werner Baumann, que surpreendeu os investidores ao anunciar a proposta de compra da Monsanto menos de duas semanas depois de assumir o comando da empresa alemã.

A oferta de US$ 62 bilhões que a Bayer AG fez para comprar a Monsanto Co., o que seria a maior aquisição já feita por uma empresa alemã, é também uma manobra arriscada do seu diretor-presidente, Werner Baumann.

Menos de duas semanas depois de assumir o comando da fabricante de químicos e remédios, em 1o de maio, Baumann surpreendeu os investidores com a proposta para comprar a gigante americana do agronegócio, numa transação que criaria a maior fornecedora de sementes e pesticidas do mundo.

Baumann, que tem 53 anos e está há 28 na Bayer, iniciou a carreira no departamento financeiro da fabricante de químicos e remédios, chegou a diretor financeiro e, mais recentemente, foi diretor de estratégia. Colegas o descrevem como metódico e focado depois que toma uma decisão.

O seu período na presidência executiva tem sido, e pode continuar sendo — definido por essa aquisição.

“As últimas seis ou sete semanas foram realmente dominadas pela Monsanto”, disse Baumann em entrevista ao The Wall Street Journal. Ele vem pulando de uma cidade para outra e promovendo o negócio para investidores apreensivos e um público cético.

A oferta da Bayer vai transformar a empresa de 150 anos, que inventou a Aspirina na década de 1890 e recentemente vem se concentrando na expansão de sua divisão de cuidados com a saúde.

A tentativa de comprar a Monsanto é uma aposta alta para Baumann, que está tendo dificuldade para convencer os investidores dos benefícios do negócio, depois que a Monsanto recusou publicamente a oferta da Bayer, em maio. Desde então, ele reiterou a proposta de US$ 122 por ação e disse que pretende continuar negociando com a Monsanto.

“Há vários investidores que gostariam que nós fortalecêssemos ainda mais nosso negócio de saúde, principalmente o farmacêutico”, disse Baumann. Mas melhorar a divisão de agroquímicos com a Monsanto agora “é a proposta mais atraente para a companhia e os acionistas”. Segundo ele, o setor farmacêutico não tem alvos de aquisição igualmente atraentes.

Investidores e analistas dizem que as áreas agrícolas das duas empresas são complementares porque a Bayer é líder em químicos para a lavoura e a Monsanto em sementes. Mas alguns continuam duvidando que uma união poderia gerar valor para os acionistas da Bayer e receiam um aumento do endividamento já alto da empresa. A companhia alemã encerrou 2015 A com uma dívida líquida de 17,45 bilhões de euros (US$ 19,71 bilhões), mais do dobro do nível de 2011.

“Receamos que a empresa combinada fique altamente alavancada” e sempre há o risco de que a direção da Bayer perca o foco no setor farmacêutico devido ao tempo gasto com o processo de integração da Monsanto, diz Greg Herbert, gerente de fundos da administradora londrina de ativos Jupiter Asset Management Ltd., que detém ações da Bayer.

O preço das ações da Bayer recuou cerca de 15% após as primeiras notícias sobre o acordo. Desde então, houve uma pequena recuperação.

Baumann começou a cogitar a aquisição da Monsanto no ano passado, depois que a Bayer fez uma fracassada oferta pela suíça Syngenta AG, quando ele ainda era diretor de estratégia, dizem duas pessoas a par das discussões internas. O então diretor-presidente da Bayer, Marijn Dekkers, foi totalmente contra a ideia, diz uma das pessoas.

Dekkers, que não quis ser entrevistado para este artigo, foi o primeiro líder executivo que veio de fora da Bayer. Em seus seis anos no comando, ele reformulou a empresa com ênfase em sua área de ciências da vida, liderando o lançamento de novos remédios campeões de venda, a compra da divisão de remédios que não precisam de receita médica da farmacêutica americana Merck & Co., por US$ 14,2 bilhões, e o desmembramento da divisão de plásticos especiais, a Covestro AG, um negócio de US$ 10 bilhões.

Baumann rechaça os frequentes comentários de que sua estratégia diverge da adotada por Dekkers, com quem ele conviveu seis anos no conselho de administração da empresa.

“A empresa há várias décadas é administrada numa tradição de sustentabilidade e liderança”, disse Baumann. “Nesse sentido, estou seguindo o que Marijn fez quando dirigia a empresa.”

Baumann disse que a Bayer teve que agir rápido em meio a uma onda de consolidação no setor agroquímico para não ser superada. Desenvolvedores de sementes rivais, como Syngenta, Dow Chemical Co. e DuPont Co., fecharam acordos recentemente. “Como uma das maiores participantes da indústria, sempre foi claro que precisávamos tomar uma posição”, disse ele.

Colegas dizem que Baumann é cuidadoso, mas resoluto. “Se ele diz ‘sim’, é sim. Se ele diz ‘não’, é não”, diz Christine Bortenlänger, membro do conselho da Deutsches Aktieninstitut, organização que representa empresas de capital aberto da Alemanha, da qual Baumann é presidente. Um ex-funcionário da Bayer que trabalhou próximo ao executivo diz que ele é exigente consigo mesmo e com os outros, acrescentando que a abordagem de Baumann funcionou bem quando ele liderou a separação da Covestro.

Baumann diz ser “bastante paciente” e “relativamente um bom ouvinte”.

“Sou uma pessoa modesta e humilde”, acrescenta. (The Wall Street Journal 27/06/2016)

 

Abengoa pode ter a dívida antecipada

A endividada transmissora de energia espanhola Abengoa, que está em recuperação judicial no Brasil, pode sofrer novo revés no país e ainda afetar a Eletronorte, subsidiária da Eletrobras. Investidores da Norte Brasil Transmissora de Energia (NBTE), consórcio formado por Abengoa (51%) e Eletronorte (49%), farão hoje uma assembléia para deliberar sobre a decretação, ou não, de vencimento antecipado das debêntures do consórcio. O valor da emissão das debêntures não foi informado.

A NBTE é responsável por um dos dois linhões de transmissão que escoam energia do complexo hidrelétrico do rio Madeira (RO) para São Paulo, de mais de 2 mil quilômetros de extensão. De acordo com o contrato de concessão da NBTE, o investimento previsto no linhão foi de R$ 1,8 bilhão.

O gatilho que permite a antecipação do vencimento das dívidas da NBTE foi uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) no fim de maio, que confirmou o bloqueio de 10% de participação da Abengoa na NBTE, em favor da Tabocas Participações Empreendimentos.

A Abengoa e a Tabocas haviam firmado um contrato em que uma das obrigações da espanhola era a de transferir para esta última parte das ações na NBTE e na Manaus Transmissora de Energia (MTE), empreendimento de 585 km entre Pará e Amazonas. Com relação à MTE, o TJRJ ainda está avaliando o assunto.

"Nessas escrituras de debêntures, qualquer evento judicial ou determinação do poder público que comprometa para substancial da receita é um evento de vencimento antecipado das debêntures", disse o representante de um dos credores da Abengoa. "Se a Abengoa não conseguir reverter isso [o bloqueio] judicialmente, vai comprometer os outros acionistas [Eletronorte]", completou.

O bloqueio judicial e a possível antecipação do vencimento das debêntures podem dificultar o processo de venda de ativos da transmissora espanhola no Brasil. Nenhum representante da Abengoa foi encontrado para comentar o assunto. Procurada, a Eletronorte não se manifestou sobre o tema.

Nesta semana, a diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai deliberar sobre a emissão do "Termo de Intimação" e do "Relatório de Falhas e Transgressões" de nove linhas de transmissão da Abengoa, que poderá resultar na caducidade da concessão desses projetos. (Valor Econômico 27/06/2016)

 

BTG depositou R$ 1 milhão em conta que pagou campanha de Cunha

O BTG Pactual depositou R$ 1 milhão na conta corrente do PMDB que usou o dinheiro para pagar os gastos da candidatura do deputado Eduardo Cunha (RJ) à presidência da Câmara durante a disputa eleitoral, mostram documentos obtidos pelo Valor.

A direção do BTG diz que esta foi uma contribuição pedida pelo partido para quitar dívidas da campanha eleitoral do ano anterior e que, como as eleições já haviam passado, não poderia ser contabilizado como doação de campanha. Informou, ainda, que a doação ocorreu dentro dos padrões legais. O que o partido fez com os recursos não é e nem precisa ser do conhecimento da direção do BTG.

O PMDB, segundo Cunha informou na época, pagaria as despesas da campanha, que, diferentemente de uma disputa eleitoral comum, não tem regras para prestação de contas, arrecadação ou limite de gastos. As prestações de contas do PMDB de 2014 e 2015, encaminhadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contudo, revelam que o dinheiro usado não teve origem no fundo partidário que a sigla recebeu, de R$ 92 milhões.

O anexo 44 da prestação de contas mostra e os extratos bancários atestam, na verdade, que os gastos com a campanha do pemedebista foram cobertos por uma conta corrente destinada a rubrica "recursos próprios", onde são depositadas as contribuições de filiados, superávit de exercícios anteriores e doações de pessoas físicas e jurídicas.

A conta corrente registrava saldo de R$ 3.351,78 antes de o BTG fazer o depósito em 15 de janeiro, em plena campanha de Cunha. Ele trabalhava para concorrer desde antes, mas se lançou candidato à presidência da Câmara oficialmente em 2 de dezembro de 2014 e foi eleito em 1º de fevereiro de 2015.

O banco foi a única empresa a contribuir com o PMDB na época. Outra doação, feita pela Cosan, ocorreu em fevereiro, mas o dinheiro foi repassado no mesmo dia para pagar as dívidas da campanha derrotada do ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Aves ao governo do Rio Grande do Norte. Já o valor das contribuições de filiados foi irrisório: somou R$ 20 mil no primeiro trimestre de 2015.

O partido tinha R$ 1,6 milhão em investimentos, mas também mexeu pouco nos recursos. Retirou R$ 135 mil nos dois primeiros meses, quando ocorreu o maior volume de pagamentos, e R$ 155 mil em março. Além da campanha de Cunha, a conta foi utilizada para quitar outras despesas, mas o saldo mais investimentos chegaram em dezembro de 2015 com apenas R$ 28 mil a menos do que no início do ano.

O poder econômico foi determinante para a vitória de Cunha na Câmara. Eleito com 267 votos no primeiro turno, ele fez campanha com mais estrutura do que a de seus adversários: viajou de jatinho por todo o país, contratou cabos eleitorais, assessoria de imprensa, panfletos, camisetas e adesivos. Até montou estande em hotéis frequentados por parlamentares e espalhou placas pelas principais regiões de Brasília.

Mesmo apoiado pelo governo federal, o seu principal concorrente, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), teve uma campanha muito mais modesta: visitou menos Estados, a maioria em avião de carreira, e teve uma assessoria precária. Júlio Delgado (PSB-MG), que ficou em terceiro lugar, pouco viajou e dependeu mais do telefone para fazer pedir votos.

Em alguns quesitos, a campanha de Cunha teve mais presença que a de candidatos à Presidência da República. Em dois meses ele visitou os 26 Estados e o Distrito Federal em jatinho particular para pedir votos aos deputados, a Câmara estava de recesso e 40% dos eleitores era de novos parlamentares. Meses antes, também em aviões fretados, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) pediram votos para muito mais eleitores, mas deixaram de fora os Estados menores, como Roraima e Amapá.

O PMDB gastou, de "recursos próprios", R$ 411 mil com a empresa Extra Taxi Aéreo, pagos em março de 2015. O partido também quitou em janeiro despesas de R$ 377 mil com a Extra e R$ 61 mil com a Ícaro Taxi Aéreo referentes ao ano anterior, quando Cunha já estava em campanha, mas que venciam só em 2015. Há ainda despesas de menor valor (R$ 24 mil) com fretamento de aeronaves custeadas com o fundo partidário. A legenda não discrimina quanto dos R$ 879 mil foram referentes à campanha do pemedebista e quanto foi de viagens de dirigentes.

O Valor questiona há duas semanas por telefone, mensagem e e-mail o tesoureiro do partido, senador Eunício Oliveira (CE), sobre qual o montante gasto na campanha de Cunha e a origem dos recursos, mas não obteve retorno. Presidente em exercício do PMDB, o senador Romero Jucá (RR) disse que o "PMDB recebeu doação oficial do BTG para o partido nacional e a partir daí o partido destinou a diversas candidaturas pelo país, sempre de forma legal e oficial".

A conta corrente em que o BTG depositou os recursos pagou ainda R$ 310 mil de material de campanha, serviço de bufê, aluguel de imóveis, confecção de camisetas, adesivos, panfletos, placas e assessoria para a campanha de Cunha à presidência da Câmara, de acordo com notas fiscais anexadas à prestação de contas.

Cunha é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) junto com o ex-sócio controlador e expresidente do BTG Pactual André Esteves em processo de crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O Ministério Público Federal (MPF) suspeita que ele tentou aprovar mudanças da legislação para favorecer o banco em troca de propina. O BTG também é investigado por supostamente articular a aprovação, por meio de emendas do parlamentar, de medidas provisórias com eventuais benefícios.

Em nota, Cunha afirmou que os gastos de sua campanha à presidência da Câmara foram custeados pelo PMDB. "Não apresentei nem projeto nem emenda para beneficiar quem quer que seja". (Valor Econômico 27/06/2016)

 

Mercedes faz sua maior entrega do ano

A Mercedes-Benz fez à transportadora JSL a maior venda do ano. Entre março e abril, a montadora entregou à operadora logística 152 caminhões extrapesados, capazes de carregar até 80 toneladas, em um negócio tido internamente como uma "injeção de ânimo", porém longe de representar um sinal de retomada das vendas.

"Ainda não consigo ver reação do mercado. Alguns setores podem mostrar isso, mas essa situação não bateu à nossa porta", diz Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas da maior fabricante de veículos comerciais do país.

A encomenda da JSL foi fechada no início do ano com o objetivo de reforçar a frota de caminhões empregada no transporte de cana. Os veículos são utilizados tanto nos serviços de transporte quanto em locações, outra atividade do grupo. O volume equivale a quase 40% do total de caminhões pesados que a Mercedes tem comercializado mensalmente e deu força para a marca ultrapassar a MAN na briga pela liderança do mercado, ao menos por enquanto. Não serve, contudo, para indicar uma inversão de cenário, na visão de Leoncini.

Do carregamento, 120 são unidades do cavalo mecânico e 32, do modelo plataforma. A JSL também adquiriu 19 caminhões semi-pesados para serviços de manutenção elétrica no Rio Grande do Sul.

O executivo diz que a montadora, após se acostumar a trabalhar com uma carteira de pedidos com horizonte de oito ou nove meses, tem hoje encomendas de não mais que três meses à frente. O principal motivo é que as transportadoras seguem pouco confiantes em investir na renovação da frota, ao mesmo tempo em que a queda na atividade industrial diminui a demanda por seus serviços.

"O processo de decisão ficou muito mais lento. O ciclo de negócios, que antes era curto, hoje leva de cinco a seis meses em negociações até o cliente concretizar o pedido", afirma Leoncini. "As transportadoras usam ao máximo a frota que já têm disponível. Quem trocava caminhão de três em três anos não está fazendo mais isso."

Na esteira de uma queda superior a 31% das vendas de caminhões neste ano, as montadoras de veículos comerciais continuam com algumas das medidas que já são adotadas há mais de dois anos, de ajuste de produção e força de trabalho.

Na fábrica da Mercedes no ABC paulista, por exemplo, onde o grupo utiliza atualmente menos de metade de sua capacidade instalada, um programa de demissões voluntárias está em curso para tentar reduzir o excesso de mão de obra, estimado em 2 mil funcionários. (Valor Econômico 27/06/2016)

 

Maggi diz que taxação de exportadoras do agronegócio é "loucura" e "abraço de afogado"

Ministro da Agricultura disse desconhecer a proposta e alegou que o assunto não foi tratado pela cúpula do governo.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, classificou como "uma loucura" e um "abraço de afogado" a idéia estudada pelo governo federal de taxar as vendas externas do agronegócio para financiar uma reforma da Previdência.

"O setor da agricultura e da agroindústria é o que mais tem contribuído para a economia brasileira, para o equilíbrio das contas públicas e, portanto, penalizar quem está sendo eficiente é uma loucura, é um tipo de abraço de afogado", disse o ministro logo após audiência no Senado, na qual falou sobre as propostas para a Pasta.

Maggi disse que desconhecia a proposta, revelada hoje pelo Estado, e que o assunto não foi tratado na reunião que teve ontem com a cúpula do governo e com o presidente em exercício, Michel Temer (PMDB).

"Tivemos reunião com a equipe econômica ontem e esse assunto não me foi levado. Eu, obviamente, serei contra. Minha função como ministro da Agricultura é defender o agricultor, o setor agrícola", disse "Obviamente, vou fazer o combate dentro do governo para que não traga mais um ônus ao produtor e à produção brasileira", completou. (O Estado de São Paulo 24/06/2016)

 

Estoque baixo faz mercado antecipar compra de suco de laranja

A queda nos estoques mundiais de suco de laranja está esquentando as exportações brasileiras.

De janeiro a maio deste ano, o Brasil exportou 515 mil toneladas de suco de laranja, 16% mais do que em igual período de 2015.

Um dos destaques nas compras do suco do Brasil tem sido a União Européia, que já importou 351 mil toneladas nos cinco primeiros meses, 34% mais do que de janeiro a maio do ano passado.

As exportações deste ano estão aquecidas, mas o ritmo das vendas externas tem diminuído nos últimos anos, devido à queda mundial de consumo.

No ano passado, por exemplo, as exportações totais do país somaram 1,04 milhão de toneladas de suco de laranja, volume bem abaixo do de 2007, quando as vendas externas somaram 1,42 milhão de toneladas.

Ibiapaba Netto, diretor-executivo do CitrusBr (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos), diz que "a boa notícia tem sido mesmo a União Européia".

Segundo ele, esse movimento de saída de suco para a União Européia precisa ser mais bem avaliado. Pode estar havendo um sinal de melhora no mercado, mas pode ser também uma antecipação de compras devido aos estoques mundiais baixos.

A antecipação já foi feita, aliás, pelos Estados Unidos no ano anterior, devido à quebra de safra na Flórida. Com isso, os norte-americanos importaram 29% menos suco do Brasil neste ano.

Já japoneses e chineses, a exemplo dos europeus, elevaram as compras de suco de laranja no país. As indústrias nacionais enviaram 34 mil toneladas para o Japão neste ano, 19% mais do que em igual período do ano passado, enquanto os chineses compraram 4% mais.

Os baixos estoques provocaram alta nos preços. O primeiro contrato do suco de laranja foi negociado nesta sexta-feira (24) a US$ 1,66 por libra-peso na Bolsa de commodities de Nova York.

Ao registrar esse valor, o suco supera em 37% os preços de há um ano na Bolsa. (Folha de São Paulo 25/06/2016)

 

Aperto de crédito no Brasil ameaça produtores e exportações agrícolas

A pior crise de crédito do Brasil em duas décadas está forçando endividados produtores de grãos, açúcar e café a reduzirem investimentos, fazendo com que integrantes desses setores na nação líder em exportações agrícolas deixem de aproveitar uma recuperação nos preços globais.

Os bancos, atingidos por uma onda de calotes e falências desencadeada pela recessão mais dura do país em oito décadas, apertaram o crédito, trazendo crescimento dos empréstimos para uma mínima de 17 anos em abril.

Os produtores agrícolas, que se endividaram pesadamente nos últimos anos para financiar uma rápida expansão, estão entre os mais atingidos.

"Nós não vimos uma contração de crédito como esta na história recente", disse Alexandre Figliolino, que presta consultoria para empresas do setor agrícola. "Podemos perder dois anos de expansão agrícola."

Vários agentes do setor bancário disseram à Reuters que esperam que o crédito permaneça apertado por pelo menos mais um ano, ampliando uma forte desaceleração na produção agrícola.

A área plantada com grãos, incluindo a soja e o milho, cresceu apenas 0,3 por cento este ano, em comparação com um crescimento de 3 por cento em 2015 e de 5 por cento em 2014, mostrou uma análise dos dados do Ministério da Agricultura.

As safras de soja e milho caíram neste ano pela primeira vez desde 2011 e 2013, respectivamente.
Embora as exportações de ambos produtos tenham crescido fortemente durante o ano passado devido à alta do dólar, os analistas esperam que as exportações de milho recuem até junho de 2017, com produtores de carnes disputando a matéria-prima escassa.

As exportações de café também têm diminuído nos últimos meses, em comparação com os níveis recordes de 2015, com o setor reconstruindo estoques após dois anos de seca.

O aperto coincide com uma recuperação nos preços globais das commodities.

Os preços internacionais do açúcar bruto estão no mais elevado patamar em quase 3 anos; a soja está operando perto de uma máxima de dois anos; e os preços do café e milho estão próximos de uma máxima de quase um ano.

O Brasil é o segundo maior exportador de milho e o principal de soja, café e açúcar.

Na semana passada, o diretor-presidente da Cosan Limited, Marcos Lutz, disse acreditar que safra de cana será menor na atual temporada.

Apesar do maior déficit global de açúcar em décadas, Lutznão prevê investimento em capacidade a curto ou médio prazo, em meio a restrições de financiamento.

Macquarie Bank Ltd, Itaú Unibanco eRabobank estão entre os bancos mais cautelosos em oferecer novos empréstimos a exportadores do setor, segundo operadores de multinacionais do setor do açúcar e de grãos. O Macquarie negou os relatos.

Banco Pine SA, ABN Amro Group, Credit Agricole SA e outros têm seguido essa mesma estratégia.

A Odebrecht Agroindustrial, a produtora de grãos de capital fechado Bom Jesus e empresa agrícola JPupin estão entre osgrandes produtores que estão reestruturando dívidas ou que entraram com pedido de proteção contra credores, depois de acumularem mais de 15 bilhões de reais em passivos combinados.

Com a taxa de juro de referência em 14,25 por cento, perto da máxima em uma década, e termos de empréstimo mais duros, os produtores estão confiando mais em operações "barter" (troca) de produtos por insumos, afirmou o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em um relatório recente.

As multinacionais são também mais ativas no financiamento de curto prazo.

Com credores menores mais retraídos, o Banco do Brasil, principal financiador da agricultura, elevou os empréstimos a juros subsidiados em 44 por cento neste ano.

Ainda assim, os líderes da indústria dizem que o crédito dos bancos do setor privado, que representam cerca de 40 por cento dos empréstimos da agricultura, continua a ser essencial.

Esse crédito, no entanto, tornou-se muito mais difícil de se obter.

Um executivo de um dos bancos brasileiros que lida com tomadores agrícolas de médio e grande portes disse a clientes que no passado poderiam pegar 20 milhões de reais de empréstimo que eles agora só poderiam obter metade disso.

"Alguns agricultores vão quebrar nestas condições", disse Marco Parzianello, que dirige uma grande fazenda em Sorriso (MT). "Nós seguramos a expansão para acumular reservas de caixa e tivemos sorte de fazê-lo". (Reuters 24/06/2016)

 

De onde virão as boas notícias? – Por Marcos Sawaya Jank

Finalmente começa a haver uma mudança de expectativa em relação à economia, que ao menos parou de se deteriorar. Mas, para haver uma real reversão, espera-se que o novo governo apresente diretrizes e reformas consistentes.

Como sempre, o mercado quer ver reformas de grande impacto na economia, como cortes drásticos nos gastos públicos, reformas nas áreas fiscal e previdenciária ou a tão sonhada reforma política, que é certamente a mãe de todas as reformas.

Mas grandes reformas são difíceis de implementar, ainda mais em uma conjuntura de quase falência do Estado, com um governo que terá apenas 2,5 anos pela frente, se o impeachment for confirmado.

Sem descartar a possibilidade de reformas mais sonoras e abrangentes, gostaria de sugerir que o governo se concentrasse em pequenas reformas laterais, que podem trazer resultados rápidos e consistentes. Na maioria dos casos, basicamente mudanças em modelos de gestão.

Na área do comércio exterior, o novo governo propôs o fortalecimento da Camex (Câmara de Comércio Exterior), agora sob a Presidência da República, para agilizar a coordenação de mais de uma dezena de departamentos em diferentes ministérios e agências que se ocupam do tema. Essa coordenação envolve, também, a retomada da agenda perdida das negociações bilaterais com os nossos principais parceiros.

Na promoção de exportações e investimentos, por exemplo, o ministro José Serra propôs uma gestão mais articulada entre o Itamaraty e a Apex, otimizando pessoas e recursos disponíveis. Mas o sucesso da iniciativa depende de formatos mais modernos e consistentes de parceria entre o setor público e as entidades e as empresas do setor privado. São elas que, afinal, fazem acontecer o comércio e os investimentos.

Comparado com outros países, a presença do Brasil no exterior é medíocre, seja em termos de representatividade pública ou privada. Grandes resultados podem ser obtidos com pequenos esforços coordenados de gestão e internacionalização.

Na área da agricultura, a ex-ministra Kátia Abreu introduziu um sistema eletrônico de informações que reduziu bastante o tempo de tramitação dos processos de habilitação de unidades industriais para exportar. Pequenas mudanças de pessoas e processos acarretam na obtenção de dezenas de milhões de dólares adicionais em exportações.

O novo ministro Blairo Maggi vai aprofundar o tema, dando prioridade ainda maior ao aumento das exportações do agro, incluindo parcerias estratégicas com países-chave como China e EUA. No caso da China, essas parceria deveria ir além das atuais demandas unilaterais de acesso a mercados, chegando à construção de cadeias integradas de valor que envolvam a atração de investimentos em infraestrutura, atendimento de demandas de qualidade e rastreabilidade de produtos nos mercados de destino, facilitação de comércio, inovação e adição de valor aos produtos exportados.

Na área da energia, já se vê mudança positiva de humor com o anúncio de novos mecanismos de precificação de derivados de petróleo e eletricidade que respeitarão a realidade dos mercados e a competitividade das empresas. Intervenções esdruxulas pelo "Diário Oficial", congelamentos artificiais de preços e controles da taxa de retorno das empresas felizmente parecem ser, agora, páginas viradas da história.

O caminho é longo e árduo, mas a direção está correta. Não custa cultivar sonhos impossíveis sobre o mundo ideal todas as noites. Mas de dia a receita resume-se a três palavras: gestão, gestão e gestão (Marcos Sawaya Jank é especialista em questões globais do agronegócio). (Folha de São Paulo 25/06/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Efeito Brexit: Em meio a um forte sentimento de risco entre os investidores no mercado internacional após os britânicos optarem pela saída do Reino Unido da União Europeia em plebiscito realizado na semana passada, os futuros do café arábica registraram queda na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão cotados a US$ 1,3715 a libra-peso, recuo de 575 pontos (4,02%). Com as mudanças no bloco europeu, o dólar apresentou alta ante as principais divisas do mundo, inclusive a brasileira. A moeda americana mais cara em relação ao real eleva potencialmente a oferta do produto no mercado internacional. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica ficou em R$ 487,75 a saca de 60 quilos, queda de 1,79%.

Cacau: Peso cambial: Os preços do cacau caíram na bolsa de Nova York e disparou Londres na sexta-feira, diante do resultado do referendo do Brexit. Na bolsa americana, os papéis para setembro fecharam a US$ 3.023 a tonelada, queda de US$ 161. O recuo espelha a queda da libra frente o dólar, embora também circulem receios, de caráter especulativo, com a demanda por chocolate. Para Fabio Rezende, analista da FCStone, os preços devem se normalizar conforme a moeda britânica se estabilizar. "Mesmo que a libra fique em um patamar mais baixo, os dois contratos [em Londres e em Nova York] tendem a variar novamente de maneira igual", afirmou. Em Ilhéus e Itabuna (BA), o preço médio de quinta-feira (último dado disponível) ficou em R$ 162 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores.

Suco de laranja: Aversão ao risco: Os contratos futuros do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) caíram na sexta-feira na bolsa de Nova York, em linha com o recuo generalizado das commodities. Os papéis para setembro fecharam a US$ 1,70 a libra-peso, baixa de 155 pontos. Com a divulgação do resultado do plebiscito sobre a saída do Reino Unido da União Européia, os fundos liquidaram suas posições em busca de ativos menos arriscados. A moeda americana apresentou forte valorização ante as principais moedas do mundo, chegando a subir 11% em relação à libra e 3% ante o real. Mas a queda da produção na Flórida (EUA) e no Brasil ainda dão algum suporte aos preços. No mercado interno, o preço da caixa de 40,8 quilos à indústria apurado pelo Cepea continuou em R$ 19,20.

Algodão: Queda em NY: Os contratos futuros do algodão não resistiram aos movimentos financeiros derivados da decisão do Reino Unido de se desligar da União Europeia e registraram forte queda na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os papéis para entrega em outubro, que atualmente ocupam a segunda posição de entrega, encerraram o pregão negociados a 64,83 centavos de dólar por libra-peso, em baixa de 79 pontos sobre a véspera. Apesar dessa reação de sexta-feira, Orlando de Almeida Prato Neto, da Fibra Corretora, acredita que o Brexit não terá influência alguma nos fundamentos do mercado de algodão, até porque a demanda européia depende pouco da oferta internacional. No Brasil, o indicador Cepea/Esalq caiu 0,36%, para R$ 2,6767 por libra­peso. No mês, há queda acumulada de 0,49%. (Valor Econômico 27/06/2016)