Macroeconomia e mercado

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Estrangeiros estão em conversas para comprar usinas de açúcar do Brasil, diz Bradesco BBA

Algumas empresas estrangeiras renovaram o seu interesse em aquisições no setor de açúcar do Brasil, uma vez que as receitas com a commodity estão em alta seguindo os preços globais da commodity, afirmou o banco de investimentos Bradesco BBI.

Cyrille Brunotte, superintendente do Bradesco BBI, disse nesta terça-feira que as negociações estão ocorrendo entre as partes interessadas, mas a diferença entre as ofertas feitas pelos compradores e os pedidos dos vendedores permanece alta. (Reuters 28/06/2016 às 14h: 50m)

 

Orelha da Shell ferve na Petrobras

A Shell não gostou nem um pouco da escolha de Nelson Silva como assessor de Pedro Parente na Petrobras.

O executivo comandou até o início do ano a BG, que se fundiu com o grupo anglo-holandês no ano passado.

A fonte do RR, muito próxima da Shell, informou que a saída de Silva da companhia não foi nada amistosa.

A separação foi marcada por promessas não cumpridas de que o executivo ficaria no cargo para fazer uma longa transição na gestão da BG.

Agora, ao pé do ouvido de Pedro Parente, Nelson Silva poderá ser um privilegiado opositor dos interesses de seus ex-patrões.

Detalhe curioso: durante a gestão de Aldemir Bendine, Silva penou séculos para ser recebido pelo presidente da Petrobras. Por ironia do destino, agora vai falar todos os dias com o timoneiro da estatal. (Relatório Reservado 29/06/2016)

 

Retração compradora diminui liquidez do açúcar

Preços do etanol também caíram pela segunda semana consecutiva no mercado paulista, com o avanço da safra 2016/2017.

O clima firme na semana passada possibilitou a normalização da moagem da cana­de­açúcar no estado de São Paulo e, consequentemente, a produção do cristal. Mesmo com o ligeiro aumento na oferta, representantes de usinas mantiveram-se firmes e não cederam nos valores de venda, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A demanda, no entanto, esteve fraca, já que compradores se retraíram, considerando altos os atuais patamares de preços. Nesse cenário, houve dificuldades em efetivar negócios nos primeiros dias da semana, segundo colaboradores do Cepea, e a liquidez aumentou um pouco somente no final do período.

Na segunda, dia 27, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180, mercado paulista, fechou a R$ 87,29/saca de 50 Kg, alta de 1,44% em relação ao valor da segunda anterior, dia 20.

Etanol

Os preços do etanol também caíram pela segunda semana consecutiva no mercado paulista. Além do aumento na oferta do produto com o avanço da safra 2016/2017, distribuidoras exerceram certa pressão sobre os valores.

Ao mesmo tempo, não houve a entrada de produto de outras regiões do país, o que limitou os recuos nas cotações. De modo geral, o ritmo de negócios envolvendo etanol hidratado esteve lento no mercado paulista na última semana.

Entre 20 e 24 de junho, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado (estado de São Paulo) fechou a R$ 1,4534/litro (sem impostos, a retirar), recuo de 1,4% frente à semana anterior. Já para o anidro, o volume negociado foi razoável, em especial por conta da demanda da região Nordeste.

O maior interesse pelo combustível, porém, não foi suficiente para evitar nova baixa nos preços. O Indicador semanal Cepea/Esalq do anidro fechou a R$ 1,6573/litro (sem impostos, a retirar), baixa de 1,4% em relação ao período anterior. (Canal Rural 28/06/2016)

 

Com recursos já disponíveis, Prorenova ainda não teve demanda este ano

O chefe do Departamento de Biocombustíveis do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Eduardo Cavalcante, afirmou nesta terça-feira ao Broadcast Agro que ainda não houve demanda por parte do setor produtivo para a linha do Prorenova referente à safra 2016/17.

Segundo ele, o momento continua a ser de diálogo com as instituições financeiras. "Mas os recursos já estão aptos para serem tomados", assegurou, nos bastidores de evento na capital paulista. No ano passado, o crédito foi liberado apenas no segundo semestre, o que desestimulou a busca pelo dinheiro.

O Prorenova é a linha de financiamento para renovação de canaviais e, para este ano, tem orçamento de R$ 1,5 bilhão, igual ao de 2015. O limite de financiamento por hectare é de R$ 7,62 mil, ante R$ 7 mil há um ano. Já o limite por grupo econômico é de R$ 150 milhões, sendo 70% desse montante em TJLP e o restante em Selic. Na avaliação de Cavalcante, o setor de cana-de-açúcar já está em processo de recuperação, mas ainda levará tempo para voltar a se expandir.

"A retomada teve início, mas é necessária a manutenção dos fundamentos para que o ciclo de expansão se concretize", concluiu. (Agência Estado 28/06/2016)

 

Tereos recebe aval para realizar oferta pública de aquisição de ações

A Tereos Internacional, terceira maior produtora de açúcar do país, informou, em fato relevante divulgado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que recebeu aprovação de acionistas que representam 67,03% de seus papéis em circulação para realizar a oferta pública de aquisição (OPA) que poderá marcar sua saída do Novo Mercado da BM&FBovespa ou o cancelamento de seu registro de companhia aberta.

Para que isso fosse possível, era necessária a aprovação de acionistas que representassem pelo menos dois terços de seu capital, conforme a instrução da CVM nº 361, de 5 de março de 2002.

A companhia havia solicitado a dispensa do limite mínimo de aquisição de um terço das ações e do limite máximo de dois terços das ações caso não alcançasse o quórum necessário para a transação. A dispensa chegou a ser aprovada pelo colegiado da CVM na terça-feira passada, dia 21.

O último laudo de avaliação da ações da companhia, feita pelo Bradesco BBI, apontou que os valores por ação ficam entre R$ 56,01 e R$ 61,60. O intervalo avaliado pela instituição foi menor do que o valor pela Tereos Internacional em 4 de dezembro, de de R$ 65 por ação. (Valor Econômico 28/06/2016)

 

BC vê mais inflação em 2016 e sinaliza que deve adiar corte nos juros

No primeiro Relatório Trimestral de Inflação sob o comando de Ilan Goldfajn, BC afirma que não há espaço para afrouxamento da política monetária.

O Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado nesta terça-feira, 28, pelo Banco Central, mudou a ênfase da diretoria colegiada da instituição ao falar da adoção de medidas necessárias para assegurar o cumprimento do regime de metas. Agora, essas ações não mais se dirigem aos preços em 2016, sendo apenas relacionadas à convergência da inflação para a meta de 4,5%, em 2017.

Para 2016, o BC passou a ver que a inflação subirá 6,9%, acima da projeção anterior de 6,6%. Para o fim de 2017, o relatório prevê uma inflação de 4,7% no cenário de referência. Por isso, o documento manteve a avaliação de que "o cenário central não permite trabalhar com a hipótese de flexibilização das condições monetárias". A estimativa de 4,7% para 2017 contradiz a ata do Copom publicada no último dia 16, que afirmava que a inflação ficaria em 4,5%. O BC considera que há avanços no combate à inflação, mas ressalta que a sua continuidade depende de ajustes, principalmente fiscais, na economia brasileira.

Por essas projeções, o BC não conseguirá levar a inflação para um patamar abaixo do teto de 6,50% estipulado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o ano. No último Relatório de Mercado Focus, a mediana das previsões para o IPCA de 2016 subiu de 7,25% para 7,29%.

De acordo com o BC, a chance de estouro do teto da meta em 2016 subiu de 55% para 69%. Já no caso de 2017, passou de 22% para 18%. Estes cálculos foram feitos com base no cenário de referência. No cenário de mercado, a chance de estouro do teto da meta em 2016 aumentou de 65% para 72%, enquanto a de 2017 foi alterada de 33% para 35%.

Até o relatório de março, escrito ainda sob o comando de Alexandre Tombini, o BC dizia que adotaria as medidas necessárias também para circunscrever a inflação aos limites estabelecidos pelo CMN em 2016. Agora, o primeiro documento de Ilan Goldfajn deslocou a frase sobre a adoção de medidas, relacionando-as à promessa de entregar a inflação no centro da meta no próximo ano.

A mudança decorre do prazo necessário para que as ações de política monetária tenham efeito na dinâmica de preços do País. De acordo com a literatura econômica, essa transmissão leva de seis a nove meses para acontecer. Portanto, qualquer medida adotada pelo Copom a partir de agora só deve impactar mesmo a inflação do próximo ano.

O economista-chefe da Infinity, Jason Vieira, afirmou em nota que o documento do BC sinaliza uma postura mais dura em relação ao combate à inflação. "Concluímos que os juros devem permanecer inalterados até a reunião de outubro, no mínimo", diz. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano.

Crescimento

Com a melhora das expectativas para a economia depois do afastamento da posse do presidente exercício Michel Temer, o Banco Central revisou ligeiramente a previsão de queda da do Produto Interno Bruto (PIB) para 2016. No Relatório Trimestral de Inflação, a estimativa de recuou do PIB passou de 3,5% para 3,3%. É a primeira melhora depois de sucessivas revisões para baixo do atividade econômica no Brasil.

O resultado previsto para 2016 pelo Banco Central sinaliza uma melhora do PIB em relação a 2015, quando o crescimento da economia caiu 3,8%. Esse melhora nas previsões foi influenciada, entre outros fatores, pela menor queda esperada para a indústria. O recuo projetado para o PIB da indústria é agora de 4,6%, ante um recuo de 5,8% estimado anteriormente.

"A melhora reflete o desempenho acima do esperado para o setor no primeiro trimestre", explica o relatório. O destaque negativo observado pelo BC é a piora das projeções para o PIB do setor agrícola. A estimativa passou de uma alta de 0,2% para um recuo de 1,1%. Essa reversão é decorrente de revisões para baixo nas projeções do IBGE para as safras de soja, cana-de-açúcar e milho.

O Banco Central também vê os primeiros sinais de reversão da deterioração das estimativas para os investimentos. A projeção da chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) passou de um recuo de 13% para 11,6% em 2016. Essa terceira retração anual consecutiva, impactada pelos desempenhos negativos projetados para a construção civil. O consumo do governo deve recuar 0,8% em 2016, ante previsão anterior de queda de 0,7%. Já a estimativa de queda do consumo das famílias passou de 3,3% para 4%.

Câmbio

A diretoria do BC explicou que as estimativas apresentadas no RTI levaram em conta um câmbio de R$ 3,45 no cenário de referência. O documento teve como data de corte o dia 17 de junho deste ano. A cotação do câmbio é bem menor do que a de R$ 3,90 usada na edição anterior. Nesse dia de corte do RTI, o dólar encerrou os negócios a R$ 3,42. A conversão também é menor do que a que consta na ata do último Copom realizado em junho, de R$ 3,60. No Relatório de Mercado Focus de ontem, as projeções para o dólar ficaram em R$ 3,60 para 2016 e em R$ 3,80 para 2017.

O BC revisou no relatório as estimativas sobre as contas públicas, para além do já apresentado na última ata. A instituição passou a considerar um déficit primário de 2,60% do PIB para 2016, ante 2,80% da ata. Para 2017, o relatório repetiu a previsão de déficit de 0,90% do PIB. (O Estado de São Paulo 28/06/2016)

 

Dupont e Monsanto fecham acordo envolvendo soja Intacta RR2 PRO

A Dupont e a produtora de sementes norte-americana Monsanto firmaram um acordo de licenciamento da soja Intacta RR2 PRO, da Monsanto, no Brasil, disseram as empresas em comunicado nesta segunda-feira.

De acordo com as companhias, a variedade é mais resistente a insetos, gera aumento de produtividade e é tolerante ao herbicida glifosato.

"A DuPont Pioneer está ansiosa para colocar a tecnologia de insetos da Intacta junto com a genética da soja para produtores brasileiros no início da temporada de vendas de 2017", disse o vice-presidente de negócios globais da DuPont Pioneer, Alejandro Muñoz.

Segundo ele, a combinação das tecnologias e o tratamento de semente DuPont Dermacor vão ajudar no aumento da produtividade agrícola.

O acordo ainda está sujeito a revisão e aprovação pelas autoridades brasileiras, informaram Monsanto e Dupont.

As companhias não revelaram detalhes financeiros sobre a parceria. (Reuters 27/06/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Passado o Brexit: Após o intenso nervosismo dos investidores com a saída do Reino Unido da União Europeia, o mercado de commodities agrícolas voltou a refletir com maior clareza os fundamentos de oferta e demanda. Desse modo, ainda sob a perspectiva de déficit na oferta mundial, os contratos futuros do açúcar demerara com entrega para outubro registraram alta de 30 pontos ontem na bolsa de Nova York, cotados a 19,94 centavos de dólar a libra-peso. "A União Européia é o segundo maior consumidor mundial [de açúcar] e o nervosismo pós-Brexit não deve reduzir a demanda na região", destacou a consultoria Zaner Group em nota. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 87,62 a saca de 50 quilos, valorização de 0,38%.

Café: Efeito dólar: A queda do dólar ante as principais moedas do mundo deu suporte aos contratos do café arábica na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão a US$ 1,406 a libra-peso, alta de 455 pontos. Com as especulações sobre as medidas que alguns bancos centrais poderiam adotar para conter os efeitos do Brexit, o dólar passou a registrar forte desvalorização ante as principais moedas do mundo, inclusive o real. O cenário é visto como um desestímulo às exportações do Brasil, reduzindo a oferta no mercado internacional. Os impactos da chuvas do início de junho na safra brasileira também deram suporte às cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica ficou em R$ 493,03 a saca de 60 quilos, alta de 0,91%.

Soja: Estoques em queda: As expectativas com o próximo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre os estoques de grãos e a área plantada no país deram suporte às cotações da soja na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em agosto fecharam o pregão em alta de 16,50 centavos, cotados a US$ 11,4625 o bushel. "Acredito que esses estoques que veremos no dia 30 [amanhã] vão mostrar que as exportações realmente estão bem acima do que se esperava inicialmente, com os estoques finais menores do que eles [USDA] estavam prevendo", avalia Natalia Orlovicin, analista da FCStone. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 93,93 a saca de 60 quilos, recuo de 0,25%.

Milho: Sem sair do lugar: Os contratos futuros do milho ficaram próximos da estabilidade pela segunda sessão seguida ontem em Chicago à espera do relatório de área e estoques do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que sai amanhã. Os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão a US$ 3,8875, leve recuo de 0,5 centavo. A possível redução da área plantada de milho e aumento da área de soja divide os analistas. "A estabilidade dos últimos dias reflete o comportamento mais prudente dos investidores à espera do que vai acontecer. Se houver uma surpresa, isso pode mexer bastante com o mercado", avalia Ana Luiza Lodi, analista da FCStone. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa ficou em R$ 42,20 a saca de 60 quilos, recuo de 1,03%. (Valor Econômico 29/06/2016)