Macroeconomia e mercado

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Monsanto volta a discutir possível aquisição da Basf, diz agência

A americana Monsanto, maior empresa de sementes do mundo, voltou a conversar com a alemã Basf sobre uma possível combinação entre as duas companhias, disseram à agência Bloomberg pessoas familiarizadas com o assunto.

De acordo com a Bloomberg, as negociações estão em estágio inicial e as conversas com a Bayer continuam. Em maio, a Bayer fez uma oferta de US$ 62 bilhões para adquirir a Monsanto, mas a proposta foi rejeitada.

O conselho da Monsanto está dividido entre os benefícios de potenciais acordos com as rivais Basf e Bayer, com parte dos executivos interessada em manter a empresa independente, e outros preferindo negociar, de acordo com uma das pessoas ouvidas pela Bloomberg.

Ainda segundo uma pessoa ouvida pela agência, a Monsanto provavelmente enfrentará pressão de seus acionistas se optar por comprar a divisão agrícola da Basf (mais focada em defensivos agrícolas) e emitir ações para pagar por isso, em vez de aceitar a proposta de pagamento em dinheiro da Bayer.

Procurados pela Bloomberg, representantes da Monsanto e da Basf não quiseram comentar o tema. (Valor Econômico 14/07/2016)

 

Grandes estoques são ameaça à recuperação dos preços do petróleo, diz IEA

O excesso de oferta global de petróleo continua e tem exercido uma grande pressão baixista sobre os preços, mesmo com um robusto crescimento da demanda e importantes reduções na produção de países não-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), disse a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) nesta quarta-feira.

A IEA, que coordena políticas de energia de países desenvolvidos, disse que revisou para cima suas projeções de demanda global por petróleo em 2016 e 2017 em 0,1 milhão de barris por dia ante o último mês, para 1,4 milhão e 1,3 milhão bpd, respectivamente.

O órgão disse que a demanda tem crescido principalmente devido ao consumo de Índia, China e, surpreendentemente, da Europa.

Os preços do petróleo caíram para o menor nível em uma década no início deste ano, a 27 dólares o barril, ante 115 dólares em 2014, após a Opep elevar a produção para brigar por participação no mercado contra produtores de alto custo como os Estados Unidos.

A queda das cotações forçou muitos produtores fora da Opep a reduzir a oferta e os preços recuperaram-se para perto de 50 dólares nos últimos meses, também sustentados por interrupções na produção em países como Nigéria e Canadá.

Mas isso não foi o suficiente para reduzir o excesso de oferta acumulado ao longo dos últimos dois anos. Estoques comerciais em nações desenvolvidas aumentaram em 13,5 milhões de barris em maio, para o nível recorde de 3,074 bilhões, disse a IEA.

Os estoques seguiram em alta em junho, pressionando a capacidade de armazenagem no mar, um dos mais caros meios de estocagem, para os maiores níveis desde 2009, segundo a IEA.

"Embora o equilíbrio do mercado esteja perto de nós, a existência de níveis muito elevados de estoques é uma ameaça à recente estabilidade dos preços do petróleo". (Reuters 13/07/2016)

 

Começam hoje audiências do Brasil contra a Indonésia na OMC sobre exportações

Começou nesta quarta-feira (13-jul-16) em Genebra, na Suíça, a série de audiências do painel que o Brasil está realizando contra a Indonésia, na Organização Mundial do Comércio (OMC), para tratar das barreiras impostas pelo país asiático às exportações brasileiras de carne de frango, informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

O painel foi aberto em dezembro, a pedido do governo brasileiro. O imbróglio se arrasta pelo menos desde 2008 e, na avaliação da ABPA, o bloqueio à carne de frango brasileira fere os acordos internacionais de comércio, porque não há alegação formal por parte do país do Sudeste Asiático que justifique tal impedimento. (Revista Globo Rural 14/07/2016)

 

Com excesso de energia, governo reavalia usinas e pretende negociar com Argentina

O governo do presidente interino, Michel Temer, desenhou um plano para resolver o problema do excesso de energia no sistema elétrico do país. A equipe do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, quer vender eletricidade para a Argentina e cancelar usinas e projetos que foram contratados, mas cujas obras ainda não começaram.

Pelos cálculos do governo, a produção de energia programada para os próximos meses supera a demanda em cerca de 6.000 megawatts (MW), o equivalente a quase 10% do consumo previsto para este ano. Parte dessa energia será produzida em usinas já instaladas. Outra parte está programada para entrar no sistema a partir do próximo ano.

6.000 MW: volume estimado de eletricidade que vai "sobrar" no sistema

O governo pretende fechar com a Argentina a venda de 25% dessa sobra de energia, cerca de 1.500 MW. Junto com essa operação, o cancelamento de projetos que ainda não saíram do papel permitiria reduzir em 56% a quantidade de energia que ficará sem uso devido à queda no consumo, puxada pelo fraco desempenho da economia brasileira.

Brasília e Buenos Aires já têm um acordo para repassar energia de um país para o outro quando há necessidade em uma das pontas, sem custo financeiro. O governo brasileiro discute agora com o país vizinho uma proposta comercial com definição de prazo, quantidade e preço para venda efetiva da energia.

A comercialização está liberada desde maio, quando os dois países incluíram um dispositivo num antigo memorando sobe intercâmbio de energia assinado pelas duas nações. Hoje, os argentinos já compram energia do Chile, do Uruguai e da Bolívia.

No caso do cancelamento de projetos, a ideia é negociar o rompimento dos contratos assinados com as empresas que venceram as licitações. Isso evitaria que essas companhias, que ainda não iniciaram as obras previstas nos contratos, sejam obrigadas a arcar com as pesadas multas por atraso impostas pela Aneel, a agência reguladora.

1.900 MW: volume de energia que pode deixar de ser gerada caso o cancelamento seja aprovado

Técnicos avaliam como colocar isso em prática sem gerar problemas jurídicos. De qualquer maneira, o cancelamento do contrato teria um custo para as companhias, mas inferior às multas, segundo um integrante do governo que participa da discussão.

Projetos de energia solar que foram licitados em 2014 podem ser alvo desse cancelamento. Eles somam cerca de 900 MW de energia que deveriam entrar na rede brasileira a partir do ano que vem.

Distribuidoras não podem repassar para a conta de luz todo o custo da compra de energia não vendida, o que gera prejuízo para as companhias

A operação também pode beneficiar a Eletrobras. A estatal tem participação em projetos que somam aproximadamente 1.000 MW de energia, mas que ainda não deslancharam. Com o cancelamento, a empresa, que enfrenta dificuldades financeiras, ficaria livre da obrigação de fazer novos investimentos.

Para tentar uma solução definitiva para a sobra de energia, a Aneel aprovou em abril um mecanismo que permite às distribuidoras devolverem às geradoras parte da eletricidade que foi contratada, mas que acabará não sendo vendida até dezembro por causa da queda no consumo.

A agência autorizou as distribuidoras a negociar a suspensão de parte do fornecimento, ou sua postergação.

As distribuidoras já estão amargando prejuízo por causa do excedente. Pelas regras em vigor, essas empresas podem transferir para as contas de luz apenas uma pequena parcela do custo da energia contratada e não vendida.

Operação enxuga

Governo interino monta proposta para reduzir o volume de energia que foi contratado pelas distribuidoras neste ano, mas que não será vendido por causa da queda no consumo.

Alternativas para resolver o problema:

Venda para a Argentina: Brasil quer vender 1.500 MW para o país vizinho. Atualmente os dois países repassam eletricidade sem custo entre as partes

Cancelamento de projetos: Governo estudo saída jurídica para cancelar projetos de geração de energia que foram contratados mais ainda não começaram a ser montados

Renegociação de contratos: a Aneel autorizou as distribuidoras de energia renegociarem os contratos de compra de eletricidade já firmados. (Folha de São Paulo 13/07/2016)

 

Commodities Agrícolas

Suco de laranja: Perdas recuperadas: Os contratos futuros do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) registraram alta ontem na bolsa de Nova York e reverteram parcialmente as perdas dos últimos dias. A reação foi motivada por realizações de lucros. Os papéis com vencimento em novembro fecharam o pregão cotados a US$ 1,8010 a libra-peso, valorização de 360 pontos. Na terça-feira, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) elevou suas estimativas de produção de laranja na Flórida para 81,5 milhões de caixas, mas o volume ainda é cerca de 16% inferior ao registrado na temporada anterior. No Brasil, as perspectivas também são de queda na produção. O preço médio pago pela indústria pela caixa de 40,8 quilos de laranja ficou estável em R$ 16,97 segundo o Cepea.

Algodão: Estoques em queda: Os contratos futuros do algodão ampliaram sua trajetória de alta ontem na bolsa de Chicago, após o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) apontar redução nos estoques mundiais da pluma na última terça-feira. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam o pregão cotados a 73,15 centavos de dólar a libra-peso, valorização de 237 pontos. Segundo o USDA, os estoques mundiais de passagem na safra 2016/17 somarão 19,87 milhões de toneladas ante uma estimativa anterior de 20,62 milhões de toneladas. A produção mundial foi avaliada em 22,32 milhões de toneladas, 13 mil a menos que a estimativa anterior. Na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 83,72 a arroba segundo a Associação de Agricultores e Irrigantes local, a Aiba.

Soja: Mercado climático: Refletindo o período de "mercado climático", quando os contratos futuros de commodities agrícolas apresentam forte volatilidade devido à vulnerabilidade das lavouras ao clima, as cotações da soja registraram alta ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em agosto encerraram o pregão cotados a US$ 11,2275 o bushel, valorização de 20,50 centavos. As previsões climáticas para o Meio-Oeste dos EUA apontam para temperaturas acima da média na segunda metade de julho e início de agosto, o que elevou as especulações de uma possível seca nesta temporada devido à formação iminente do La Niña. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 91,18 a saca de 60 quilos, alta de 2,39%.

Milho: Mais uma alta: Os contratos futuros do milho voltaram a subir ontem na bolsa de Chicago após as previsões climáticas para o Meio-Oeste dos EUA apontarem temperaturas acima da média nos próximos 15 dias. Os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão cotados a US$ 3,62 o bushel, valorização de 9,75 centavos. De acordo com Natália Orlovicin, analista de grãos da FCStone, as temperaturas no cinturão agrícola dos EUA podem chegar a até 40ºC nas próximas duas semanas ­ período em que as lavouras de milho do país estarão no auge da fase de polinização, considerada crítica para a definição da produtividade da safra no país. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 42,48 a saca de 60 quilos, alta de 1,82%. (Valor Econômico 14/07/2016)