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Proibir pulverização aérea é medida desproporcional, afirma pesquisador

As grandes extensões de lavouras e o porte de algumas culturas fazem da pulverização aérea de defensivos agrícolas um método imprescindível para o agronegócio brasileiro, na avaliação do engenheiro agrônomo Ulisses Antuniassi, professor do Departamento de Engenharia Rural da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), que defende a manutenção e o aperfeiçoamento dessa técnica.

“A proibição da pulverização aérea é uma medida desproporcional. Ela não tem cabimento dentro do contexto de um país agrícola tão importante. Se numa eventualidade houvesse uma proibição, teríamos um prejuízo muito grande para culturas que não têm outras opções. Entendo que a aplicação aérea não deve ser proibida. Ela deve ser regulamentada e fiscalizada.”

O pesquisador explica que a pulverização aérea é uma atividade complementar aos outros métodos e utilizada quando há restrições à aplicação terrestre. “Depois que a cana-de-açúcar atinge um porte grande, por exemplo, fica difícil e mesmo impossível utilizar outros métodos. Então, a pulverização aérea é fundamental. Em outras culturas, em geral, ela é muito desejada quando o produtor precisa fazer o tratamento rápido e eficiente diante do surto de uma praga ou doença. Quando a opção é pelo uso do produto fitossanitário, a aplicação aérea tem a vantagem de permitir que o trabalho seja rápido.”

Outro exemplo citado pelo professor é o da sigatoka-amarela que atinge as bananeiras. Pelo porte alto das plantas, a pulverização aérea representa melhor custo-benefício para o produtor e também para o meio ambiente. “A aplicação com equipamentos terrestres na cultura da banana se torna ineficiente e de grande impacto ambiental. Se for aplicar o produto com equipamento terrestre, isso é feito de baixo para cima. Então muito produto é jogado para o ambiente. Quando se tem a possibilidade de fazer a aplicação aérea, é jogada uma menor quantidade de calda [diluição dos produtos químicos em água ou outro tipo de solvente] e, com isso, temos um tratamento mais eficiente e com menos impacto ambiental.”

Segundo Antuniassi, a pulverização aérea de agrotóxicos responde hoje por cerca de 25% das aplicações realizadas no Brasil, mas, dependendo da cultura, o uso da técnica pode chegar a 100%, como no caso da banana e da cana-de-açúcar.

A Unesp, em conjunto com as universidades federais de Lavras (UFLA) e de Uberlândia (UFU), coordena a Certificação Aeroagrícola Sustentável, programa que visa incentivar boas práticas na aviação agrícola para tornar a pulverização de defensivos mais eficaz. Antuniassi destaca que o atendimento às regras do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) reduz os impactos da deriva a quase zero.

“A questão de obedecer ou não a normativa está muito ligada a seguir o que chamamos de conceitos de boas práticas nas empresas de aplicação aérea. Elas passam por um treinamento e talvez o principal fator a considerar seja obedecer a essas regras e às faixas de segurança (que ficam de 250 a 500 metros da área que receberá a aspersão de defensivos). Temos casos em que as regras não são seguidas, mas isso não é generalizado, são situações isoladas. Os acidentes que ocorrem são poucos porque as empresas estão cientes de que a sociedade observa e critica.”

No Brasil, segundo ele, 54% das empresas de aviação agrícola já são certificadas. Em São Paulo, esse número chega a 90%. Na Região Nordeste, apenas quatro empresas em dois estados adotam as boas práticas ensinadas pelo programa: Maranhão, com três empresas, e Alagoas, com uma.

Para o professor, a publicidade negativa em torno dos acidentes envolvendo a pulverização aérea de agrotóxicos transforma a técnica em vilã. “Existe um pouco de mito como se a aplicação aérea fosse uma coisa do mal. Ela é uma ferramenta. Da mesma forma que, em uma propriedade pequena, há uma enxada e um pulverizador costal, em uma grande propriedade há um trator e um avião. Se forem usadas seguindo a legislação, são totalmente seguras.”

Setor produtivo

Representantes do agronegócio consideram não haver motivos para a proposta de proibição da técnica no Ceará. O presidente da Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e membro da Câmara Setorial de Fruticultura do Ceará, Tom Prado, explica que o estado é o que menos utiliza a aplicação aérea no Brasil para o controle de pragas. O vizinho Piauí, segundo ele, realiza 200 vezes mais aplicações do que o Ceará.

“Até hoje, em todas as aplicações realizadas no Ceará, nunca ocorreram registros de danos à saúde e ao meio ambiente por parte dos órgãos responsáveis pela sua autorização e fiscalização”, defendeu Prado.

Para ele, de todas as técnicas, a aérea é a mais segura para o trabalhador, pois não expõe o agricultor  aos agrotóxicos como ocorre com o pulverizador usado nas costas.

Além de não concordar com o projeto de lei que proíbe a pulverização aérea, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Flávio Viriato de Saboya Neto, aponta que a proposta pode ser considerada inconstitucional, uma vez que já existe uma norma do Ministério da Agricultura que disciplina a técnica e outras regras do âmbito da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que regem a aviação agrícola.

Para ele, a questão se tornou polêmica a partir do assassinato do líder comunitário e ambientalista Zé Maria do Tomé, que defendia o fim do método. “O estado do Ceará não tem expressividade em pulverizações aéreas porque não temos uma agricultura intensiva. Essa problemática da aviação agrícola foi em função de Limoeiro do Norte, que estimulou os ânimos de algumas entidades ambientais que discutiam a validade do método no município.” (Agência Brasil 18/07/2016)

 

Crise econômica reduz gastos e venda de combustíveis cai 4,4% em 5 meses

Segundo ANP, etanol registrou maior queda de consumo até maio: 13,6%. Postos fazem promoções para incentivar motoristas a encher o tanque.

A venda de combustíveis no país caiu 4,4% entre janeiro e maio, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP). A explicação, segundo os economistas, é a diminuição do poder de compra das famílias, provocada pela inflação e alta das demissões.

“Tenho evitado ficar rodando com o carro. Por exemplo, se eu tiver uma coisa para fazer hoje, deixo para fazer duas coisas de uma vez só amanhã. Serviço de banco, essas coisas, faço tudo em um dia só para não gastar demais”, conta o marceneiro Lázaro Odari Achiti.

“Enquanto a economia não tiver uma mudança, principalmente de renda, vai ser difícil voltar ao consumo que havia antes", Rene Abad (Brascombustíveis)

A estratégia também é usada pelo motoboy Marcos Aurélio Alves, afirmando que antes de ligar a moto sempre calcula o trajeto mais rápido e com menor fluxo de veículos, para evitar paradas e troca de marchas, que acabam consumindo mais combustível.

“A gente faz uma base do tanto que gasta e procura economizar um pouquinho. Eu evito trânsito pesado, busco caminhos mais rápidos, planejo o trajeto, tudo para andar menos e gastar menos”, explica.

“O etanol está vendendo mais, não em função de ser um produto limpo. Não existe essa consciência ambiental. O motorista migrou da gasolina para o álcool em função da falta de dinheiro. O etanol está se beneficiando do preço mais alto da gasolina”, Rene Abad (Brascombustíveis)

No acumulado do ano, segundo a ANP, o etanol foi o combustível que registrou queda de consumo mais expressiva: 13,6%. O óleo diesel aparece logo depois com variação negativa de 4,9%. Já a gasolina, ao contrário dos demais, teve alta de 2,5% no mesmo período.

Para o economista Alexandre Nicolela, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP em Ribeirão Preto (SP), o cenário pode ser explicado pela crise econômica, que tem obrigado as famílias a adaptarem o orçamento doméstico.

“A gente vive uma situação de aumento do desemprego, estabilização e até queda dos salários, e inflação na casa de 10%. Isso faz com que a renda disponível das pessoas caia substancialmente. Elas têm que realocar seu orçamento nas despesas”, diz.

Preço menor

Na outra ponta, donos de postos de combustível fazem promoções e reduzem a margem de lucro com a intenção de incentivar o consumo, conforme explica o vice-presidente da Brascombustíveis, Rene Abad. O resultado é o preço menor nas bombas.

“Como nós tivemos uma retração na ordem de 10%, a própria disputa entre os postos faz com que a gente tenha preços menores. Enquanto a economia não tiver uma mudança, principalmente de renda, vai ser difícil voltar ao consumo que havia antes”, afirma.

Em junho, a ANP registrou retração no preço do etanol e da gasolina pelo terceiro mês consecutivo. Em Ribeirão, por exemplo, o litro do biocombustível é encontrado em alguns postos por R$ 1,88, bem abaixo dos R$ 2,46, que é a média nacional.

O economista destaca ainda que a safra da cana-de-açúcar, iniciada em março, também favorece o valor mais baixo do etanol nas bombas, uma vez que o combustível está sendo produzido em maior quantidade nas usinas e destilarias.

“Quando a gente diz que o PIB caiu, significa que a quantidade de bens e serviços na economia é menor, ou seja, circula menos produtos e precisa de menos combustível. Então, a queda do PIB nos dois últimos anos vai impactar diretamente no consumo de combustível”, conclui Nicolela. (G1 18/07/2016)

 

Geadas voltam a atingir plantações de cana do Paraná, mas impacto é limitado

O fenômeno se concentrou em áreas do sul do município de Maringá.

As usinas e destilarias paranaenses já processaram entre 33% e 35% da safra 2016/2017.

As plantações de cana-de-açúcar do Paraná foram novamente atingidas por geadas neste fim de semana, repetindo o episódio da primeira quinzena de junho. Ao contrário do observado há mais de um mês, porém, as perdas de agora foram praticamente nulas, de acordo com o presidente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado (Alcopar), Miguel Rubens Tranin. "Foi muito leve, a intensidade foi muito menor", afirmou ao Broadcast Agro.

Assim como em junho, as geadas se concentraram em canaviais ao sul do município de Maringá, principalmente em regiões de vales.

De acordo com Tranin, as usinas e destilarias paranaenses já processaram entre 33% e 35% da safra 2016/17, iniciada em abril e estimada em cerca de 43 milhões de toneladas.

O presidente da Alcopar também deu detalhes sobre o levantamento final de perdas nos canaviais do Estado por causa das geadas da primeira quinzena de junho.

Conforme ele, o fenômeno "queimou" 5% das plantações, inferior aos 10% considerados inicialmente.

Dessa forma, aproximadamente 2 milhões de toneladas de cana foram afetadas e devem registrar índice de produtividade abaixo do ideal. (Revista Globo Rural 18/07/2016)

 

Nufarm prevê avanço das vendas na América Latina

A Nufarm, multinacional australiana de defensivos agrícolas e sementes, prevê encerrar o atual ano fiscal, em 31 de julho de 2016, com desempenho positivo na América Latina. "A expectativa é fechar muito bem. Teremos resultados de qualidade, considerando o cenário ruim [do mercado] ", disse ao Valor Marcos Gaio, diretor-geral da companhia na região.

Gaio espera um avanço de 2% a 3% nas vendas na América Latina, em dólares australianos, ainda que a recente desvalorização do peso tenda a influenciar negativamente os números na Argentina. No Brasil, que lidera as vendas da Nufarm na região, a perspectiva é de um resultado "flat" na moeda australiana, e um crescimento de cerca de 8% em real.

Para a nova temporada 2016/17, o executivo está otimista, inclusive com produtos biológicos que devem começar a ser oferecidos pela Nufarm no novo ciclo. "Os preços da soja e do milho estão espetaculares e há crédito para os produtores. Além disso, viemos de quatro anos de clima ruim. Não é possível que teremos o quinto", comenta.

Globalmente, a Nufarm faturou 2,74 bilhões de dólares australianos (US$ 2,07 bilhões) no exercício encerrado em 31 de julho de 2015. (Valor Econômico 19/07/2016)

 

Frete onera custos com fertilizantes

Se no mercado externo é possível encontrar fertilizantes com preços até 50% mais baixos comparados aos de julho de 2015, aqui, a redução no volume de exportações de milho colabora para elevar o custo do frete para o agricultor do Centro-Oeste que traz insumos de Paranaguá (PR). Isso acontece porque os caminhões que saem do Mato Grosso carregados de soja e milho rumo ao porto, geralmente, retornam para a cidade de origem com os adubos importados que serão utilizados no próximo plantio. “No ano em que você exporta mais milho na safrinha, há um desconto maior no frete para os insumos que estão chegando. Agora esse desconto será menor”, afirma o analista da consultoria INTL FCStone, Fábio Rezende.

A diminuição no ritmo de vendas internacionais do grão se deu por conta do desabastecimento da commodity para o consumo doméstico, que gerou, inclusive, o cancelamento de contratos com tradings. Lá fora, o Mono-Amonio-Fosfato (MAP), um dos produtos mais demandados pelo setor agrícola para fertilização do solo, está cotado a US$ 350 por tonelada, 38% mais barato em relação aos US$ 458 por tonelada praticados há um ano.

Em contrapartida, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta para 2016/2017 despesas 4,72% superiores às da temporada passada com adubos para as lavouras de soja. Ao DCI, a entidade informou que, na média da região, o desembolso do agricultor com o transporte de fertilizantes vindos do Porto de Paranaguá está em R$ 145, 7,4% mais caro na variação anual.

O Rabobank destaca que as estimativas positivas para as cotações das commodities agrícolas geram uma relação de troca melhor para o produtor brasileiro e a intensificação nas entregas de adubos, esperada para o terceiro trimestre, também incrementa o valor do frete, com impacto direto nos preços praticados no Brasil.

De acordo com o diretor executivo do Movimento Pró-Logística, vinculado à Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), e presidente da Câmara Setorial de Infraestrutura e Logística, Edeon Vaz Ferreira, o prejuízo só não é maior porque o transporte de fertilizantes ao Centro-Oeste começa em meados de março, aproveitando a saída da soja. “Acontece um impacto moderado, mas, de maneira geral, é um cenário desfavorável em relação ao do ano passado”, comenta Ferreira.

Nesta semana, a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) informou que as entregas de fertilizante ao consumidor final encerraram o primeiro semestre em alta de 12,6%, contra os seis primeiros meses de 2015, a 13,18 milhões de toneladas. Para o total do ano, a INTL FCStone espera que este volume atinja 31,87 milhões, diante das 30,2 milhões de toneladas entregues em 2015. Em uma perspectiva ligeiramente mais moderada, o Rabobank, aposta em até 31,5 milhões de toneladas. Para o analista Rezende, o avanço do crédito rural favorece 2016. (DCI 18/07/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Demanda firme: Os contratos futuros do cacau apresentaram elevação ontem na bolsa de Nova York, refletindo um potencial aumento da demanda mundial pela amêndoa. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam o pregão a US$ 3.073 por tonelada, valorização de US$ 23. Segundo a Associação Nacional dos Confeiteiros (NCA, na sigla em inglês), a América do Norte processou 124,43 mil toneladas da amêndoa no segundo trimestre de 2016, o maior volume registrado desde o terceiro trimestre de 2014. Na Europa, a Associação Européia do Cacau (ECA, na sigla em inglês) indicou um aumento de 5% no processamento. Em Ilhéus e Itabuna (BA), o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 159, recuo de R$ 1, segundo levantamento da Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Primeira queda: Os contratos futuros do algodão registraram queda ontem na bolsa de Nova York, a primeira desde que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) apontou a perspectiva de redução dos estoques mundiais da pluma. Os lotes com entrega em dezembro fecharam a 73,95 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 33 pontos. Segundo relatório divulgado pelo USDA na semana passada, os estoques da fibra ao fim da safra 2016/17 somarão 19,87 milhões de toneladas, 750 mil abaixo da estimativa anterior. Em relação à produção mundial em 2016/17, o órgão reduziu suas projeções em 13 mil toneladas, para 22,32 milhões de toneladas. No mercado interno, o preço médio ao produtor ficou em R$ 85,75 a arroba, de acordo com a Associação de Produtores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Milho: Clima seco: Os preços do milho registraram alta ontem na bolsa de Chicago, refletindo as previsões de clima quente e seco no Meio-Oeste dos Estados Unidos ao longo dos próximos 15 dias. Os contratos do grão com vencimento em dezembro fecharam o pregão a US$ 3,6325 o bushel, valorização de 5 centavos. A fase de polinização da safra americana de milho tem conferido forte instabilidade às cotações. De acordo com relatório do Commerzbank, os investidores têm sentimentos contraditórios diante de chuvas no curto prazo, que são boas para as lavouras, e o clima seco nas semanas seguintes, que pode comprometer o desenvolvimento do milho. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa ficou em R$ 44,97 a saca de 60 quilos, alta de 2,53%.

Trigo: De olho na Europa: As cotações do trigo registraram alta ontem nas bolsas americanas, puxadas pela perspectiva de menor produção na Europa. Em Chicago, os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão cotados a US$ 4,295 por bushel, valorização de 4,75 centavos. Em Kansas, o cereal fechou a sessão a US$ 4,46 o bushel, alta de 6,25 centavos. Em nota, o banco Commerzbank destacou que apenas 49% da safra plantada na França está em bom estado, ante 59% há uma semana e 76% no mesmo período do ano passado. A produção no continente foi prejudicada pelo clima úmido, mas a perspectiva de boa produção nos EUA tem limitado a valorização da commodity. No Paraná, o preço médio do trigo, calculado pelo Cepea / ESALQ, ficou em R$ 907,57 a tonelada, ligeira alta de 0,09%. (Valor Econômico 19/07/2016)