Macroeconomia e mercado

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Acionistas aprovam, e Dow e DuPont criam gigante química

A Dow Chemical e a DuPont anunciaram nesta quarta-feira que, em suas respectivas reuniões com acionistas, realizadas hoje, foram aprovadas todas as propostas necessárias para completar a fusão entre elas. As empresas esperam que a operação seja concluída neste semestre, ainda sujeita às condições habituais, incluindo o recebimento de aprovações regulatórias.

O acordo para a união entre as companhias americanas foi revelado em 11 de dezembro do ano passado. Somadas, elas têm valor de mercado superior a 130 bilhões de dólares.

Após a fusão, as duas empresas devem desmembrar a DowDuPont em três operações independentes: uma de agricultura, outra de materiais e uma terceira de produtos especiais.

 “O apoio esmagador dos acionistas da Dow e DuPont para aprovar essa transação histórica é um testemunho claro sobre a proposição de valor que a DowDuPont representa”, disse, em nota, Andrew N. Liveris, presidente da Dow. Ed Breen, presidente da DuPont, acrescentou: “Estamos agora concentrados nas próximas etapas para a conclusão da operação de fusão, incluindo o trabalho com reguladores nas jurisdições apropriadas”.

Comunicado das empresas afirma que a separação subsequente em três companhias independentes de capital aberto deverá ser consumada logo que possível e não deve exceder um período de 18 a 24 meses após o encerramento fusão. (Veja.com 20/07/2016)

 

Blairo Maggi veste o figurino de vendedor da Embrapatec

Entre os “produtos” agropecuários brasileiros que o ministro Blairo Maggi pretende vender em seu tour pelo exterior, previsto para os meses de julho e agosto, há um em especial: a Embrapatec, a futura subsidiária da Embrapa voltada à comercialização de biotecnologias desenvolvidas pela estatal. A missão de Maggi é atrair grandes grupos internacionais da área de agrociência para se associar à nova empresa.

Na mira, grupos como Bayer, Basf e a suíça Syngenta. O governo ainda estuda o melhor modelo para o acasalamento entre a Embrapatec e o capital privado, mas, a princípio, a intenção é oferecer ao mercado uma participação superior a 51%. Até porque esta é uma das premissas para a criação da subsidiária: permitir a “privatização” da Embrapa, por meio do seu braço comercial, sem que seja necessária a privatização da Embrapa.

O ministro Blairo Maggi tem se empenhado pessoalmente para acelerar a votação do projeto de lei que autoriza a criação da Embrapatec, encaminhado ao Congresso no último mês de maio, ainda no governo de Dilma Rousseff. Maggi articula com os líderes da bancada ruralista, em especial o deputado gaúcho Luiz Carlos Heinze, a tramitação da proposta em caráter de urgência urgentíssima.

Para o governo, o grande ganho não virá da privatização em si da Embrapatec, mas, sim, da expectativa de que a própria Embrapa dependa cada vez menos do orçamento federal. Estima-se que a abertura da subsidiária e a montagem de uma estrutura comercial no exterior sejam capazes, já no primeiro ano, de triplicar o faturamento da estatal com a venda de tecnologias.

Hoje, a Embrapa tem uma receita própria de apenas R$ 120 milhões por ano, que não cobre sequer 5% do seu orçamento, em torno de R$ 3 bilhões. (Jornal Relatório Reservado 20/07/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Conflito de informações: Informações conflitantes sobre a oferta de açúcar no mercado internacional conferiram forte instabilidade aos preços do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em março de 2017 fecharam cotados a 19,56 centavos de dólar por libra-peso, leve baixa de 6 pontos. "A melhora das chuvas de monções na Índia deve trazer um plantio maior e uma safra positiva, o que faz com que as estimativas de déficit sejam revistas", explica Gabriel Elias, trader da Olam International. Por outro lado, a previsão de geada para sexta-feira no Centro-Sul do Brasil deu suporte às cotações, limitando as perdas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 86,11 a saca de 50 quilos, recuo de 0,01%.

Cacau: Demanda incerta: As incertezas quanto à demanda européia por cacau pressionaram o valor dos contratos futuros da amêndoa na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam o pregão cotados a US$ 2.970 a tonelada, recuo de US$ 24. Em análise diária, a consultoria Zaner Group apontou que, apesar do aumento do volume de cacau processado na Europa, os relatórios pessimistas sobre os rumos da economia européia e mundial pressionaram os dados da indústria, colocando em dúvida o aumento da demanda. A região concentra um terço da moagem mundial da amêndoa. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor em Ilhéus e Itabuna (BA) ficou em R$ 159 a arroba na terça-feira, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: La Niña mais fraco: As previsões de um La Niña mais fraco que o esperado inicialmente para este ano afastou parcialmente as especulações sobre uma possível redução da produção de soja nos EUA, pressionando os contratos da oleaginosa na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em setembro fecharam o pregão cotados a US$ 10,2025 o bushel, recuo de 19 centavos. De acordo com o escritório de meteorologia do governo australiano, um dos principais órgãos do mundo que monitora o fenômeno, os modelos mais recentes apontam chances "reduzidas" de formação do La Niña ainda em 2016. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja com saída por Paranaguá ficou em R$ 86,14 a saca de 60 quilos, desvalorização de 0,27%.

Milho: Pressionado pelo trigo: O avanço da colheita de trigo nos EUA pressionou as cotações do milho ontem na bolsa de Chicago, uma vez que os dois produtos concorrem no mercado de alimentação animal. Os lotes para dezembro fecharam a US$ 3,4425 por bushel, recuo de 4,25 centavos. Segundo o último relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a colheita do trigo de inverno no país atingiu 76% da área plantada até 17 de julho, acima do observado no mesmo período do ano passado e da média histórica dos últimos cinco anos, de 73%. O pessimismo com a economia mundial e a valorização do dólar ante as principais divisas do mundo também ajudou a pressionar o valor dos contratos. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa ficou em R$ 46,73 a saca de 60 quilos, alta de 1,79%. (Valor Econômico 21/07/2016)