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UE autoriza soja transgênica da Monsanto e Bayer

A Comissão Européia autorizou dois tipos de soja transgênica da Monsanto e uma vendida pela alemã Bayer para uso nas indústrias de ração ou de alimentos, seguindo uma aprovação do órgão regulador europeu, informou o comitê executivo nesta sexta-feira.

A autorização não dá aval para o cultivo das sementes.

"Essa autorização é válida por dez anos, e quaisquer produtos feitos com esses transgênicos estarão sujeitos a regras de rotulagem e rastreabilidade da UE", disse o órgão executivo.

A Monsanto afirmou que o órgão autorizou importações de soja de soja Roundup Ready 2 Xtend.

A EU já importa milhões de toneladas de produtos agrícolas transgênicos todos os anos para uso na ração animal.

O Brasil é o maior exportador global de soja e usa amplamente variedades transgênicas. (Reuters 22/07/2016)

 

Lucro do Grupo Balbo cresceu 28% na safra 2015/16, a R$ 42,67 milhões

O Grupo Balbo, detentor de duas usinas de cana-de-açúcar em São Paulo e uma em Minas Gerais, registrou um lucro líquido de R$ 42,67 milhões no exercício encerrado em 31 de março de 2016 (safra 2015/16), alta de 28% em relação ao resultado líquido positivo de R$ 33,35 milhões no ano fiscal anterior. Os dados constam do balanço da empresa, divulgado hoje no Diário Oficial do Estado de São Paulo.

A receita do grupo, que controla a Native, do segmento de alimentos orgânicos, também subiu: 9,5%, para R$ 820,72 milhões na mesma comparação.

O custo dos produtos vendidos foi 7,8% maior no período, para R$ 589,39 milhões. Ainda assim, o lucro bruto avançou 13,9%, a R$ 231,32 milhões. Já o resultado financeiro ficou negativo em R$ 82,50 milhões, 22,5% acima do ciclo 2014/15. (Valor Econômico 22/07/2016)

 

Mudança em regras atrairá avalanche de estrangeiros para comprar terras no Brasil

A iminente liberação da compra de terras por estrangeiros no Brasil deverá provocar um grande fluxo de investimentos no país, principalmente por parte de fundos em busca de rentabilidade segura e de longo prazo, reaquecendo uma fatia do mercado imobiliário que tem sofrido com a estagnação econômica e a crise política.

Desde 2010 esse tipo de investimento está congelado no país, após um parecer da Advocacia Geral da União (AGU), chancelado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, sob a gestão do presidente interino Michel Temer, a compra de terras por estrangeiros é vista como um dos motores que podem ajudar a economia do país a andar novamente.

"A gente sabe, tem consultas aqui na empresa, de muitos investidores com o dedo no gatilho... Alguns meses depois (da mudança nas regras) devem começar a se concretizar esses investimentos", disse o diretor da Informa Economics FNP, empresa que realiza pesquisa periódica sobre mercado de terras agrícolas no país, José Vicente Ferraz.

Nos últimos anos, investidores internacionais com planos de investir em propriedades rurais no país chegaram a encontrar alternativas, como associar-se a empreendimentos de capital brasileiro, mas em posição minoritária. Contudo, a modalidade de investimento direto deve atrair novos recursos.

"Existem fundos e investidores, famílias, etc, que estão interessados e não querem estar amarrados a um sócio brasileiro. Portanto, aguardam a flexibilização dessa legislação para fazer esses investimentos", destacou Ferraz.

Segundo ele, os novos investidores, que teriam nacionalidades diversas, buscariam comprar terras brutas para desenvolvê-las, vendendo-as posteriormente, "já com um negócio estruturado". "A valorização disso é muito maior que a valorização natural do mercado de terras."

O Brasil já é um dos maiores produtores de grãos e proteínas animais do mundo e precisará ampliar sua produção nas próximas décadas para manter a posição de liderança nas exportações de alimentos. Com a certeza da expansão e da solidez do setor agrícola no país, investidores estrangeiros tendem a ver oportunidade de lucros sem grandes volatilidades ou riscos.

"Você tem fundos de pensão, por exemplo, que estão preocupados em garantir valor futuro e procuram investimentos de longo prazo, como terra", disse o diretor-presidente da BrasilAgro, empresa especializada em aquisição e desenvolvimento de terras agrícolas, Julio Piza.

A liberação de aquisição de terras por estrangeiros tem sido motivo de polêmica e controvérsia. A limitação imposta pela AGU em 2010 decorreu de uma nova interpretação para uma lei de 1971.

O argumento do governo na época do parecer da AGU era de que a aquisição direta feria a soberania nacional, em um contexto de temores de que empresas asiáticas poderiam tomar posse de grandes áreas no Brasil para assegurar abastecimento de alimentos.

Com a mudança no Palácio do Planalto, a tendência é de uma reversão da interpretação. Uma fonte do alto escalão disse à Reuters nesta quinta-feira que a liberação para os estrangeiros é uma das medidas do pacote que o governo deve apresentar nos próximos dias para tentar acelerar a retomada do crescimento econômico. Haverá apenas a criação de alguns critérios para evitar especulação imobiliária.

"Compra de terras para segurança alimentar é o tipo de coisa que se ouve falar muito, mas que se vê pouco acontecendo. Os investimentos em tradings (de grãos) faz mais sentido", destacou Piza. "Não consigo entender onde a soberania brasileira vai ser ferida. Ninguém vai comprar uma fazenda, fechar ela e declarar independência."

De fato, companhias asiáticas têm se voltado para aquisição de fatias em empresas de originação, muitas delas com operações no Brasil. Um bom exemplo foi a gigante estatal chinesa Cofco, que recentemente investiu 3 bilhões de dólares para comprar a unidade de agronegócio da Noble, além de uma grande fatia da trading holandesa Nidera.

"A estratégia (dos asiáticos) nunca foi de produzir aqui no Brasil ou em outro país para exportar para lá. O que eles querem é que se aumente a produção, porque daí cai o preço no mercado internacional", analisou Ferraz.

Um dos setores que deve ter fortes investimentos, da ordem de bilhões de dólares e de muitos milhares de hectares, é o plantio de florestas.

Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), associação que representa as empresas de papel e celulose, grandes grupos estrangeiros --japoneses, norte-americanos e escandinavos, por exemplo-- desistiram de volumosos investimentos no Brasil desde o parecer da AGU em 2010.

"É uma indústria de escala elevada. Você precisa de um mercado livre entre nacionais e internacionais. Temos multinacionais represadas e as nacionais com avaliação distorcida de mercado", disse a presidente-executiva da Ibá, Elizabeth Carvalhaes.

Mercado reaquecido

Investidores estrangeiros deverão encontrar um ambiente favorável para aquisições.

"Já precisávamos em 2010, e hoje em dia, com esse cenário (de crise econômica), a entrada de capital estrangeiro vai ser fundamental", disse o diretor-executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Cornacchioni.

O real desvalorizado ante o dólar, na comparação com o início da década, torna as terras mais baratas para estrangeiros. Investimentos em logística de portos, estradas e ferrovias nos últimos anos também tornam a produção das áreas agrícolas do Brasil um pouco mais competitiva e atrativa.

Além disso, em um cenário de recessão e de crédito apertado, algumas empresas agrícolas encontram-se em situação financeira precária, vendo-se obrigadas a ofertar ativos essenciais, como fazendas, para quitar dívidas, lembraram os analistas.

Segundo a Informa Economics FNP, os negócios envolvendo grandes áreas estão praticamente parados no país, com preços ameaçando um declínio. O maior volume de aquisições é verificado entre pequenos e médios produtores, que compram terras de vizinhos em negócios de ocasião.

"Pode haver bastante transações, aumentando a liquidez do mercado de terras", projetou Piza.

Matopiba

As áreas mais propensas a receber interesse de investidores estrangeiros, caso a liberação se confirme, deverão ser o leste de Mato Grosso e a região conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia), onde ainda há amplas áreas de vegetação nativa ou de pastagens que podem ser convertidas em terra para plantio de grãos.

"Do ponto de vista estratégico, está desenhado o mapa da mina", disse o sócio-diretor da consultoria MacroSector, Fábio Silveira. "Este é o polo de atração de investimento mais importante do Brasil hoje. Em boa medida esse investimento poderia ser de origem externa."

Ele destacou que nos últimos anos foram inauguradas obras como novos trechos da ferrovia Norte-Sul e novos terminais em São Luís (MA) que viabilizam o escoamento da produção do Matopiba e estimulam o investimento. (Reuters 22/07/2016)

 

PIB do agronegócio acumula crescimento de 1,55% de janeiro a abril

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio cresceu 0,24% em abril e acumula alta de 1,55% nos quatro primeiros meses de 2016 em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Todos os segmentos da cadeia produtiva do setor tiveram elevação e a maior variação foi da indústria, de 1,95%, seguida por serviços (1,55%), segmento primário (1,52%) e insumos (0,72%).

O desempenho do PIB está atribuído principalmente à agricultura, que subiu 2,37% na comparação com os primeiros quatro meses de 2015, impulsionada pela valorização dos preços verificados especialmente na atividade primária (dentro da porteira) no período de produtos como milho e algodão, que contribuíram para a expansão de 2,78% deste segmento ante o quadrimestre de janeiro a abril do ano passado. Os serviços de distribuição cresceram 2,45%. Agroindústria e insumos tiveram variação positiva de 2,34% e 1,05%, respectivamente.

Por outro lado, a cadeia produtiva da pecuária teve queda de 0,22% no acumulado de quatro meses frente ao mesmo período de 2015, puxada pela retração de três dos quatro elos desta cadeia: indústria (-0,65%), serviços (-0,42%) e primário (-0,14%). Apenas o setor de insumos pecuários cresceu em 2016, por conta do momento favorável da indústria de rações, tanto dos preços quanto do volume produzido. Em abril, a pecuária teve desempenho negativo, na indústria e nos serviços, e leve crescimento nos segmentos primário e de insumos.

A agroindústria foi o segmento de maior destaque na cadeia do agronegócio em 2016 até abril, por conta do desempenho da agricultura. O bom resultado deste setor se deve ao crescimento das indústrias de processamento vegetal, tanto mensal quanto no acumulado do ano. Nas indústrias agrícolas, contribuíram para o desempenho os segmentos de papel e celulose, elementos químicos, café, beneficiamento de produtos vegetais, açúcar, óleos vegetais e outros alimentos. Na parte animal, somente os laticínios tiveram resultado positivo, enquanto as indústrias de abate e de couros apresentaram decréscimo. (Brasil Agro 25/07/2016)

 

Agricultores tomam 80% dos R$187,7 bi anunciados no Plano Safra 15/16

A safra brasileira 2015/2016 encerrou com uma contratação de crédito de 150 bilhões de reais, ou cerca de 80 por cento dos 187,7 bilhões de reais anunciados no governamental Plano Safra, informou nesta sexta-feira o Ministério da Agricultura.

O montante contratado em 15/16 por produtores médios e grandes, utilizado para financiamentos de custeio, comercialização e investimento, ficou 2,6 por cento acima do total registrado na temporada anterior, apesar de o plano ter trazido um maior volume de recursos a juros de mercado.

Do total, 97,4 bilhões de reais foram contratados a juros controlados (entre 8,75 e 7,75 por cento ao ano), com subsídios do governo. Já os financiamentos a juros livres chegaram a 19,9 bilhões de reais, sendo 69 por cento provenientes das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA’s).

As operações de custeio e comercialização da agricultura empresarial totalizaram 117,3 bilhões de reais, ou 100 por cento do montante programado para o ciclo. (Reuters 22/07/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Ásia gera incertezas: Os contratos futuros do açúcar demerara registraram leve alta no pregão da última sexta-feira na bolsa de Nova York, refletindo as incertezas sobre as condições de produção na Ásia. Os papéis com vencimento em março de 2017 encerraram a sessão cotados a 19,83 centavos de dólar a libra-peso, alta de 2 pontos. Segundo a Associação Indiana das Usinas de Açúcar, a produção do adoçante no país deve registrar queda de 7% na próxima temporada 2016/17, devido à menor área cultivada. No entanto, as chuvas de monções acima da média no continente, após um período de seca, continuam a limitar a valorização da commodity. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 86,78 a saca de 50 quilos, alta de 0,21%.

Cacau: Quarta queda seguida: Os dados de aumento da moagem de cacau na Ásia não foram suficientes para evitar uma nova queda da commodity na bolsa de Nova York, a quarta seguida. Os papéis para dezembro fecharam o pregão cotados a US$ 2.896 a tonelada, recuo de US$ 15. Segundo a Associação de Cacau da Ásia, o processamento no continente cresceu 2,8% no segundo trimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2015. Na semana anterior, os dados sobre a Europa e a América do Norte também apontaram uma maior moagem, mas os analistas acreditam que os números reflitam o deslocamento do processamento, e não necessariamente o aumento da demanda. Em Ilhéus e Itabuna (BA), o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 155 por arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Realização de lucros: Um movimento de realização de lucros pressionou as cotações do algodão na bolsa de Nova York. Os contratos para dezembro encerraram a 72,68 centavos de dólar por libra-peso na sexta-feira, queda de 29 pontos. Os preços do algodão subiram com força nos últimos dias, após o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reduzir suas previsões para os estoques globais do produto. A revisão teve impacto direto nos fundos especulativos, que aumentaram a posição líquida de compra da fibra (que indica a aposta na alta do produto) em 27,8% na semana encerrada em 19 de julho, conforme a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC). Na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 87,43 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Trigo: Safra européia menor: Os impactos das chuvas acima da média na Europa deram sustentação à alta do trigo nas bolsas americanas na sexta-feira. Em Chicago, os papéis com vencimento em dezembro fecharam o pregão a US$ 4,5025 o bushel, alta de 9 centavos. Em Kansas, o cereal ficou cotado a US$ 4,45 o bushel, avanço de 11,50 centavos. O tempo úmido na França e na Alemanha tem prejudicado o desenvolvimento da safra europeia. Na França, apenas 42% das lavouras são consideradas em bom estado, ante 49% há uma semana e 76% no mesmo período do ano passado, apontou a Zaner Group. Segundo a consultoria, as perdas no continente podem chegar a 10 milhões de toneladas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o trigo no Paraná ficou em R$ 903,53 a tonelada, recuo de 0,23%. (Valor Econômico 25/07/2016)