Macroeconomia e mercado

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Novo alvo

O fundo Advent, que chegou a fazer uma oferta pela BR Distribuidora, tem interesse também nos ativos de transporte de gás da Petrobras. (Jornal Relatório Reservado 01/08/2016)

 

Petrobras faz pré-venda na área de fertilizantes

Entre os pedregulhos deixados pelas gestões de Graça Foster e Aldemir Bendine, Pedro Parente foi garimpar um projeto abandonado que poderá render algumas centenas de milhões para o caixa da Petrobras.

Segundo o RR apurou, três grandes grupos internacionais já demonstraram interesse em comprar uma participação ou mesmo o controle da futura unidade de fertilizantes nitrogenados da estatal em Três Lagoas (MS): a russa EuroChem, a chinesa CMOC e a norte-americana Mosaic.

Estimativas preliminares da Petrobras indicam que a venda poderá gerar até R$ 1,5 bilhão.

É mais do que o dobro do investimento necessário para a conclusão do projeto, em torno de R$ 700 milhões.

As obras estão paradas desde 2014.

Consultada, a Petrobras confirmou que "procura soluções para viabilizar a retomada das obras que passarão necessariamente pelo programa de parcerias e desinvestimento já em curso".

O reinício das obras se deve única e exclusivamente à alta probabilidade de venda do ativo e ao avanço das conversações. Na própria Petrobras, a EuroChem e a CMOC são vistas como as mais fortes candidatas, por estarem montando um colar de fábricas no Brasil.

Há um mês, os russos fecharam a compra da Fertilizantes Tocantins.

Os chineses, por sua vez, ficaram com os negócios de fosfato e nióbio da Anglo American no país. (Jornal Relatório Reservado 01/08/2016)

 

Bunge e Amaggi reforçam a parceria na região Norte

A multinacional americana Bunge anunciou ontem a venda de 50% de dois de seus ativos de logística no Pará para a brasileira Amaggi. O negócio envolve uma estação de transbordo em Miritituba e um terminal portuário em Barcarena. O valor da operação, que ainda depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), não foi divulgado.

A transação amplia a parceria iniciada em 2014, quando as duas companhias formaram a joint venture Unitapajós (Navegações Unidas Tapajós), que opera na hidrovia Tapajós-Amazonas, importante corredor de escoamento de grãos no Norte do país. Com atuação conjunta antes restrita à navegação, agora Bunge e Amaggi terão uma "gestão compartilhada de todas as ações locais", destacaram as empresas, em comunicado.

"Esta operação está totalmente alinhada com a estratégia da Bunge de otimizar seus ativos e buscar parcerias estratégicas para capturar oportunidades de crescimento, contribuindo para o sucesso do negócio", afirmou Raul Padilla, presidente e CEO da Bunge Brasil, na nota.

Com aporte inicial de R$ 300 milhões, a Unitapajós tem uma frota de 90 barcaças e capacidade de movimentação anual de 3,5 milhões de toneladas de grãos.

"Para a Amaggi, após dois anos de operação da Unitapajós, esse novo passo fortalece nossa presença naquela região, em conformidade com o plano de crescimento estratégico da companhia, mas também contribui para o incremento de uma rota logística fundamental ao desenvolvimento do país", disse Waldemir Loto, presidente-executivo da Amaggi, no mesmo comunicado divulgado ontem. (Valor Econômico 29/07/2016)

 

Milho dá o troco e rouba área da soja

A soja terá o menor crescimento de área de plantio dos últimos dez anos no Brasil. Já o milho, que vinha perdendo espaço seguidamente para a oleaginosa, ganha área nesta safra de verão.

Estimativas da AgRural, de Curitiba, apontam para uma área de 33,5 milhões de hectares de soja nesta safra 2016/17 no país. Ainda é uma área recorde, mas com evolução de apenas 0,9% em relação à safra de 2015/16. Esta, por sua vez, havia crescido 3,5% em relação à de 2014/15.

Se a produtividade da soja obtida na safra 2016/17 for semelhante à da média histórica no país, a produção total deverá ultrapassar os 100 milhões de toneladas, ante 95,6 milhões em 2015/16.

O avanço da soja será tímido em regiões de novas fronteiras, segundo Daniele Siqueira, analista da AgRural. Essas áreas foram muito afetadas por fatores climáticos na safra que se encerrou. Além disso, há dificuldades na obtenção de crédito.

Já na região Sul, principalmente devido à demanda e preços elevados do milho, a soja devolve parte da área que havia tomado do cereal nos anos recentes.

A favor do milho pesam os preços bastante favoráveis neste ano e os mercados externos que o país conquistou, o que dá boas possibilidades de uma continuidade das vendas externas.

Na avaliação da AgRural, a área a ser dedicada ao milho será de 3,4 milhões de hectares. Com um cenário favorável, o milho deverá ganhar espaço não só da soja como também de feijão e pastagens. O cereal só não ocupa mais espaço porque a soja tem uma liquidez maior na hora da comercialização.

O avanço do milho ocorrerá principalmente no Sul, maior consumidor do cereal devido à produção de carnes nos três Estados.

Bom, mas nem tanto

O ciclo de soja deste ano termina em bons patamares, mas com números inferiores ao recorde que se previa no início da safra. O clima adverso fez as estimativas iniciais, superiores a 100 milhões de toneladas, não se confirmarem.

Produção

É o que prevê a Abiove (associação da indústria de moagem). A produção brasileira deste ano fica em 96,6 milhões de toneladas, abaixo dos 97 milhões do ano anterior. Já as exportações, após terem atingido 54,3 milhões de toneladas em 2015, deverão ser de 53 milhões neste ano.

Receitas

O complexo soja deverá trazer US$ 25,6 bilhões para o país neste ano, um valor inferior aos US$ 28 bilhões de 2015. O valor fica ainda mais distante do recorde de 2014, quando as receitas atingiram US$ 31,4 bilhões, segundo a Abiove.

Esperava-se mais

A qualidade da cana moída na primeira quinzena de julho, na região centro-sul, ficou abaixo das expectativas do setor. A quantidade de ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) alcançou 125,40 kg por tonelada.

Safra mais doce

A produção de açúcar, iniciada em abril, cresceu 30% neste ano em relação a igual período do ano passado. Já a de etanol ficou 10% maior.

Os números

A avaliação da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) indica produção acumulada de 13,8 milhões de toneladas de açúcar e de 10,8 bilhões de litros de etanol nesta safra 2016/17. (Folha de São Paulo 30/07/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Abaixo do esperado: Os dados de moagem no Centro-Sul do Brasil divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) fizeram os contratos futuros do açúcar demerara subir na última sexta-feira na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em março de 2017 encerraram a sessão a 19,44 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 26 pontos. Segundo a Unica, o Centro-Sul do Brasil produziu 2,83 milhões de toneladas de açúcar, avanço de 94,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os analistas, no entanto, esperavam uma produção de açúcar um pouco maior, de 2,86 milhões de toneladas. O teor de açúcar 0,78% menor na atual safra também pressionou as cotações. O indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 85,87 a saca de 50 quilos, queda de 0,27%.

Suco de laranja: Novas perdas: Depois de uma desvalorização de 1.000 pontos na quinta-feira, os contratos futuros do suco de laranja voltaram a registrar queda no último pregão da semana passada e ampliaram as perdas iniciadas no último dia 27. Os papéis com vencimento em novembro encerraram a sessão na bolsa de Nova York a US$ 1,75 a libra-peso, recuo de 480 pontos. A queda reflete a temporada de furacões na Flórida mais calma que o esperado e a menor demanda por suco nos Estados Unidos. Segundo a AC Nielson, o volume de vendas no país caiu 5,7% nas quatro semanas encerradas no dia 9 de julho após um recuo de 4,8% no período anterior. No mercado interno, o preço médio pago pela indústria pela caixa de 40,8 quilos de laranja ficou em R$ 19,93 segundo o Cepea, alta de 0,05%.

Soja: Demanda forte: Sinais de melhora na demanda pela soja americana fizeram os contratos futuros da oleaginosa registrar alta expressiva na sexta-feira na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em setembro encerraram a sessão a US$ 10,20 o bushel, valorização de 26,75 centavos. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reportou na sexta-feira a venda de 129 mil toneladas de soja das safras 2015/16 e 2016/17 para destinos desconhecidos. As vendas externas acontecem justamente quando as estimativas do USDA indicam a terceira maior safra de soja na história dos EUA, mesmo com a possibilidade de clima quente e seco em agosto. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 84,03 a saca de 60 quilos na sexta-feira, ganho de 0,88%.

Trigo: Melhora do clima: Os contratos futuros do trigo registraram queda na sexta-feira nas bolsas americanas, refletindo a previsão de clima quente e seco na França após chuvas acima da média derrubarem a produção no país. Em Chicago, os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 4,3575 o bushel, com recuo de 1,50 centavo. Em Kansas, o cereal com entrega no mesmo vencimento encerrou a sessão a US$ 4,36 o bushel, queda de 1 centavo. Desde segunda-feira, no entanto, a commodity acumula desvalorização de 20,5 centavos em Chicago e de 15,5 centavos em Kansas, pressionada pelas estimativas de safra na Europa acima do esperado pelo mercado. No front doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o cereal no Paraná ficou em R$ 902,98 a tonelada, alta de 0,14%. (Valor Econômico 01/08/2016)