Macroeconomia e mercado

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BNDES vira a página dos financiamentos de artifício

A presidente do BNDES, Maria Sílvia Bastos Marques, tem o perfil adequado para eliminar, ou ao menos reduzir bastante, o estelionato funcional nas operações de financiamento do banco a projetos de investimento.
A prática das empresas vem sendo solicitar o empréstimo alegadamente para o desenvolvimento de novo projeto ou expansão da capacidade instalada e usar esses recursos em substituição das suas linhas de crédito mais onerosas. É como se fosse uma operação de arbitragem com dinheiro público: o esperto troca o seu financiamento a taxas de mercado pelo do BNDES a juros favorecidos, que compra gato por lebre.
Para atender o comprador de gatos, meio trilhão de reais foi transferido pelo Tesouro Nacional ao banco durante o período de 2008 a 2014. Pelo guichê do BNDES passaram 91 dos 100 maiores grupos nacionais. O resgate da infraestrutura foi a palavra de ordem. Conversa para boi dormir. A taxa de formação de capital fixo, com PAC, sem PAC, concessões ou investimentos foi declinando a partir de 2010, chegando, em 2014, a um dos seus menores níveis em 20 anos.
Para não dizer que não se falou nas estatais, elas foram as principais tomadoras de recursos. Mas o investimento, ninguém sabe, ninguém viu. Em 2014, a participação das empresas do Estado na formação de capital fixo caiu 21%. Maria Sílvia sabe de cor e salteado o risco do riscado.
O BNDES, diferente da banca privada a quem interessam prioritariamente as amortizações em dia, tem de produzir desenvolvimento, razão maior ou menor do cumprimento do cronograma dos projetos. A executiva quer reduzir a dependência do Tesouro e diminuir o intervalo entre a TJLP e a Selic, entre outros motivos, para brecar a ciranda dos empréstimos com nariz de Pinóquio.
É curiosa a observação do BNDES: o custo papai com mamãe das operações com o Tesouro reduz a disposição da banca de cobrar o que foi contratado nos seus financiamentos. Portanto, há que se buscar recursos no mercado. A instituição urgente de um seguro de performance ou garantia é outra pauta de primeira hora, reduzindo os motivos pelos quais os investimentos não se materializam.
Maria Sílvia deve estar pensando também em honrar o “S” do social de BNDES. A cobrança de uma contrapartida de geração de empregos aos empréstimos beneficiados seria um bom início. Vale também a mesma recomendação que o RR fez a Luciano Coutinho: a produção de um demonstrativo do retorno à sociedade dos empréstimos realizados a taxas favorecidas, com a discriminação de diversos índices (valor adicionado, geração de divisas, impostos, impacto sistêmico na economia, interiorização dos benefícios etc).

O BNDES foi vítima de um apagão. Mas melhoraram as expectativas de que o banco da Av. Chile volte a tonificar os investimentos. (Jornal Relatório Reservado 01/08/2016)

 

Olam amplia atuação na aréa de café

Há 15 anos no Brasil, a Olam International, segunda maior exportadora de café verde do país, tem planos ambiciosos no segmento. A companhia, que faturou US$ 14,2 bilhões no mundo em 2015, pretende ampliar a área de produção de café irrigado em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, e acaba de criar uma divisão de cafés especiais no Brasil, uma indicação da importância que o produto tem hoje na estratégia da companhia asiática, que também atua em açúcar, algodão, cacau e soja no país.
A Temasek Holdings, empresa de investimento do governo de Cingapura, é a maior acionista companhia, com 51,4% das ações, e a Mitsubishi Corporation tem 20%. Em todo o Brasil, a Olam tem cerca de mil funcionários, sendo 660 nas operações de café. (Valor Econômico 02/08/2016)
 

Ética é um dos temas do 15º Congresso Brasileiro do Agronegócio

Evento será dia 8 de agosto e contará com a presença do ex-presidente do STF, Carlos Ayres Britto, do economista Eduardo Giannetti e do filósofo Luiz Felipe Pondé.
“Convivemos com uma dramática crise econômica, política, social e, fundamentalmente, ética. Temos de cultivar valores fundamentais, abraçando comportamentos com disciplina nas pequenas e nas grandes ações. A ética dá segurança a um desenvolvimento equilibrado e que busca inserir as pessoas e não excluí-las”, diz Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).
A ética será um dos debates mais esperados do 15º Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), que ocorrerá no dia 8 de agosto, em São Paulo realizado pela ABAG. O tema será abordado no painel denominado Ética e o Brasil, e para discutir o assunto foram convidados, como debatedores, o ex-presidente do STF e do TSE, Carlos Ayres Britto, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, e o filósofo e ensaísta, Luiz Felipe Pondé. O moderador do painel será o colunista da revista Veja e apresentador do programa “Roda Vida”, da TV Cultura, Augusto Nunes.
O tema central do CBA deste ano será “Liderança e Protagonismo” e focará nos desafios de manter o Brasil na liderança mundial da produção de alimentos, fibras e energia renovável, ao mesmo tempo em que se consolida a percepção de ser o produtor brasileiro um dos mais sustentáveis do mundo.
Promovido pela ABAG desde 2002, o Congresso Brasileiro do Agronegócio, já faz parte da agenda dos principais lideres e formadores de opinião do país. A edição realizada em 2015 contou com a presença de mais de 800 participantes, entre empresários, lideranças, entidades do setor e da mídia nacional.
As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo hotsite do evento: www.abag.com.br/cba (Assessoria de Comunicação, 1/8/16)
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Commodities Agrícolas

Suco de laranja: Furacão à vista: A possibilidade de formação de um ciclone extratropical no oceano Atlântico ao longo dos próximos dias deu novo fôlego às cotações do suco de laranja na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em novembro fecharam o pregão a US$ 1,8115 a libra-peso, com avanço de 615 pontos. De acordo com a Agência Americana de Pesquisas Atmosféricas e Oceânicas (NOAA, na sigla em inglês), havia 80% de chances de formação de um ciclone extratropical, nas 48 horas seguintes ao pregão de ontem, no oceano Atlântico, com deslocamento previsto para a região centro-oeste do Caribe, onde poderia impactar o cultivo de laranjas na Flórida. No mercado interno, o preço médio pago pela indústria pela caixa de 40,8 quilos da laranja ficou estável em R$ 19,83, segundo o Cepea.
Algodão: Escalada de preços: Após um pregão marcado por volatilidade, os contratos futuros do algodão registraram nova alta ontem na bolsa de Nova York. Mais uma vez os papéis foram sustentados pela perspectiva de produção e estoques mundiais menores. Os papéis para dezembro fecharam a 74,38 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 34 pontos. A alta reflete ainda as más condições climáticas no Texas. O clima quente e seco levou o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) a reduzir em um ponto o percentual de lavouras avaliadas em condições boas ou excelentes no país. Até o último dia 31, 50% estavam nessas condições ante 57% no mesmo período do ano passado. Na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 86,58 a arroba segundo a associação de produtores local, a Aiba.
Milho: Correção em Chicago: Os contratos futuros do milho tiveram uma correção ontem na bolsa de Chicago. Os papéis devolveram parte dos ganhos da semana passada depois que as previsões de clima quente e seco para o Meio-Oeste dos EUA no último fim de semana não se confirmaram. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 3,3425 o bushel, recuo de 8,50 centavos. Além disso, com o clima mais ameno dos últimos dias, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) manteve sua avaliação de que 76% das lavouras estão condições boas ou excelentes no país, ante 70% no mesmo período de 2015. Para os próximos dias, as previsões são de temperaturas amenas. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa ficou em R$ 48,55 a saca de 60 quilos, alta de 0,71%.
 

Trigo: Impulso à oferta: A possibilidade de a Rússia zerar temporariamente os impostos sobre a exportação de trigo devido à elevada produção local pressionou o valor dos contratos futuros do cereal ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, os papéis com vencimento em dezembro fecharam cotados a US$ 4,33 o bushel, recuo de 2,75 centavos. Em Kansas, o cereal de melhor qualidade com entrega para o mesmo mês fechou a US$ 4,355, queda de 0,50 centavo. A expectativa de Moscou é que sejam produzidas 69 milhões de toneladas de trigo até junho de 2017, o que tem derrubado os preços no país. A melhora climática nos EUA e a queda nas cotações do milho também pressionaram os contratos. No Paraná, o indicador Cepea/Esalq ficou em R$ 909,29 a tonelada, alta de 0,70%. (Valor Econômico 02/08/2016)