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Commodity rende margens mais atraentes que o etanol

Para além dos preços elevados do açúcar, a margem que as usinas conseguem com a venda do produto é o grande motor das apostas na produção da commodity nesta temporada. Atualmente, uma usina obtém uma margem de R$ 55 por tonelada de cana processada com a venda de açúcar, enquanto o etanol oferece uma margem de R$ 20 por tonelada, de acordo com cálculos da consultoria FGAgro.

Essa conta ainda não leva em conta o custo do capital investido, que, se for considerado, reduz de forma expressiva a margem para a usina. "Parece que está sobrando margem para o etanol. Mas não é verdade, porque tem que remunerar o capital que está investido, e esse dinheiro mal remunera", explica William Hernandes, sócio da consultoria.

Em um ano, os preços do açúcar na bolsa de Nova York aumentaram cerca de 70%, saindo de um patamar de 11 centavos de dólar a libra-peso para 19 centavos de dólar a libra-peso. O etanol também subiu, mas de forma mais modesta. Conforme o indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado às usinas paulistas, o preço do produto subiu 32%, de R$ 1,1193 o litro na última semana de julho de 2015 para R$ 1,5587 o litro na última semana de julho deste ano.

Dessa forma, o faturamento que uma usina obtém com a venda de açúcar na porta da fábrica está em R$ 170 por tonelada de cana equivalente, enquanto a receita com a venda do etanol está na casa dos R$ 120 por tonelada de cana equivalente.

Por outro lado, o custo médio, sem considerar o custo do capital investido, também cresceu, e está em torno de R$ 114 por tonelada de cana equivalente para uma usina que produza tanto açúcar como etanol na proporção de 50% do caldo de cana para cada produto. Já o custo de produção de uma usina que fabrique apenas etanol é um pouco menor, em torno de R$ 110 por tonelada de cana processada.

"Olhando para o diferencial entre receita e custo, a diferença é muito grande a favor da usina que pode produzir açúcar e álcool", observa Hernandes. (Valor Econômico 03/08/2016)

 

McDonald's anuncia que vai substituir xarope de milho por açúcar

A rede McDonald's nos Estados Unidos vai substituir o xarope de milho de alta frutose por açúcar. Segundo a rede de fast-food, essa mudança é uma forma de simplificar seus ingredientes e satisfazer um público consumidor cada vez mais consciente e que tem evitado produtos com xarope de milho com alto teor de frutose que algumas pesquisas têm apontado que pode ajudar a ganhar peso e desenvolver diabetes.

Além dessa mudança, o McDonald's também está lançando nuggets e alguns produtos para café da manhã que são livres de conservantes artificiais e tem restringido o uso de frangos criados com antibióticos. O presidente das operações da rede no Estados Unidos, Mike Andres, disse que a "mudança radical" vai afetar 50% do menu. (G1 02/08/2016)

 

Mosaic diz que pior fase do mercado de fertilizantes já passou

A empresa norte-americana de fertilizantes Mosaic teve um lucro ajustado abaixo do esperado devido à persistente fraqueza dos preços do fosfato e do potássio, mas a companhia uniu-se ao discurso da maior rival, a Potash Corp of Saskatchewan, ao dizer que o pior parece já ter passado.

As ações da Mosaic subiam cerca de 3 por cento na sessão desta terça-feira.

A Mosaic, maior produtora global de fertilizantes finalizados de fosfato, disse esperar que o volume e os preços de fosfato e potássio subam no atual trimestre ante o segundo trimestre do ano.

A companhia também disse que irá reduzir seus investimentos em 2016 e cortar outras despesas para preservar o caixa.

"Embora o ambiente continue desafiador, nós vemos sinais de estabilização no segundo semestre, com os preços dos fertilizantes tendo atingido um piso e com uma demanda sólida por nossos produtos", disse o presidente-executivo Joc O'Rourke.

Os lucros de produtores de fertilizantes têm caído devido a um recuo nos preços provocado em parte por moedas mais fracas em países importadores, como o Brasil, e por excesso de oferta.

Na semana passada, a Potash Corp reduziu, pela segunda vez no ano, sua previsão para o lucro anual e para dividendos.

O diretor financeiro da Mosaic, Rich Mack, disse que a companhia continua analisando oportunidades de crescimento durante a parte baixa do ciclo.

Reportagem da Reuters em junho disse que a companhia está em tratativas para comprar a unidade fertilizantes da Vale, com o objetivo de ampliar o crescimento na América do Sul e na África.

Excluindo alguns itens, o lucro da companhia foi de 6 centavos de dólar por ação, ante uma expectativa média de analistas de 12 centavos, segundo o Thomson Reuters I/B/E/S. (Reuters 02/08/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Avanço da colheita: O avanço da colheita de café na América do Sul e a perspectiva de melhores condições climáticas na Ásia voltaram a pressionar os contratos futuros do café arábica na bolsa de Nova York ontem, em um dia de dólar fraco e aversão dos investidores ao risco. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam o pregão a US$ 1,446 a libra-peso, desvalorização de 215 pontos. No Vietnã, que sofreu recentemente a quebra de safra de conilon, o tempo úmido na região central do país deve favorecer a floração dos cafezais e o desenvolvimento dos frutos depois de um atraso no início da estação chuvosa. No Brasil, o clima seco continua favorecendo a colheita. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica ficou em R$ 490,05 a saca de 60 quilos, valorização de 0,05%.

Suco de laranja: Tchau, furacão: A formação de um furacão na região do Caribe, que deu sustentação a uma alta de mais de 3% no valor dos contratos de suco de laranja na última segunda-feira, deixou de ser uma ameaça para a produção na Flórida. Com isso, os papéis da commodity com vencimento em novembro sofreram uma correção na bolsa de Nova York ontem e fecharam a US$ 1,7135 a libra-peso, recuo de 980 pontos. Segundo a Agência Americana de Pesquisas Atmosféricas e Oceânicas (NOAA, na sigla em inglês), a tempestade formada no Caribe está se movendo na direção oeste e não deve passar pela Flórida, onde está o segundo maior parque citrícola do mundo. No mercado doméstico, o preço médio da caixa de 40,8 quilos de laranja destinada à indústria ficou estável em R$ 19,93, segundo o Cepea.

Algodão: Ainda o Texas: A possibilidade de chuvas nos próximos dias no Texas, principal Estado produtor de algodão nos EUA, pressionou os contratos futuros da pluma ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam o pregão a 73,98 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 40 pontos. O Texas vinha sofrendo com clima quente e seco, o que fez com que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reduzisse o percentual de lavouras do país consideradas em condições boas ou excelentes até o último dia 31 de julho, de 51% para 50%, abaixo dos 57% observados no mesmo período do ano passado. Os EUA são o maior exportador mundial da commodity. Na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 86,58 a pluma, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Trigo: Sexta queda: Os contratos futuros do trigo registraram sua sexta desvalorização consecutiva ontem na bolsa de Chicago, pressionados pela perspectiva de um superávit na oferta mundial do cereal. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam o pregão a US$ 4,28 o bushel, recuo de 5 centavos. Em Kansas, o contrato com o mesmo vencimento encerrou a US$ 4,33 o bushel, queda de 2,50 centavos. De acordo com a projeção mais recente do Conselho Internacional de Grãos (IGC, na sigla em inglês), a produção mundial de trigo no ano safra de 2016/17 será de 735,4 milhões de toneladas, superando a demanda em 9 milhões de toneladas. No mercado interno, o preço médio do cereal no Paraná ficou em R$ 909,64 a tonelada, alta de 0,04%, segundo acompanhamento do Cepea/Esalq;. (Valor Econômico 03/08/2016)