Macroeconomia e mercado

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Dilma corre risco de ser presa

Quem teve acesso ao depoimento completo de Marcelo Odebrecht diz que, com os fatos narrados pelo empreiteiro, será difícil Dilma Rousseff escapar do xilindró. A relação entre Dilma e a Odebrecht era simbiótica, com a presidente operando os interesses da empresa no governo.

As delações da Odebrecht e de Mônica Moura darão uma nova dimensão à participação de Guido Mantega na Lava-Jato. Até hoje ele é considerado uma figura periférica.

Com essas revelações, Mantega passa ao grupo dos protagonistas. No cargo de ministro da Fazenda, ele pedia às empresas com contratos no governo que recebessem os emissários do PT. (Veja edição nº 2491)

 

Estatais 'petistas' acumulam rombo de R$ 8 bi em 13 anos

De uma fábrica de semicondutores no Rio Grande do Sul à produção de medicamentos derivados do sangue em Pernambuco, passando pela estrutura burocrática idealizada para tirar do papel o trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo, a era petista pode chegar ao último capítulo neste mês com um legado custoso para a administração pública.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente afastada Dilma Rousseff foram responsáveis, juntos, pela criação de 41 estatais entre 2003 e 2015. Excluindo-se as empresas do ramo financeiro, o saldo das novas operações é um prejuízo acumulado de R$ 8 bilhões. O simples funcionamento dessa grandiosa máquina consumiu outros R$ 5,5 bilhões com a folha salarial no período.

Para o Instituto Teotônio Vilela (ITV), centro de estudos do PSDB e responsável pelo levantamento, isso mostra que o plano de alavancar o desenvolvimento da economia pelas mãos fortes do Estado tem um custo elevado e carece de resultados palpáveis.

Duas subsidiárias da Petrobras encabeçam a lista de companhias deficitárias. A Petroquímica Suape, que tem operado com baixa carga operacional, e a Petrobras Biocombustível (PBio), produtora de etanol e biodiesel, não apresentaram um único balanço positivo desde sua criação, no fim da década passada. Juntas, acumulam rombo de R$ 5,1 bilhões nos últimos sete anos.

"Os dados constituem uma prova irrefutável da falácia do discurso petista. Passaram a vida toda defendendo o patrimônio público e destruíram as estatais", diz o presidente do ITV, senador José Aníbal (PSDB­SP). Ele defende um pente-fino para verificar a possibilidade de privatização, fusão ou até mesmo a extinção de parte das companhias públicas. O Ministério do Planejamento, ao qual está vinculada a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, não atendeu aos pedidos de entrevistas.

O estudo do ITV, elaborado pelos pesquisadores André Lacerda e Murilo Medeiros, indica que apenas nos 21 anos de ditadura militar houve mais intensidade na criação de estatais. Foram 47 no período entre 1964 e 1985.

Além de expandir a atuação da Petrobras, com novas subsidiárias altamente deficitárias em países como a Tanzânia, os governos Lula e Dilma apostaram fortemente na montagem de estruturas que buscavam centralizar o planejamento e a administração.

Um dos casos emblemáticos foi a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), concebida originalmente para tocar o projeto do trem-bala, sob comando do economista Bernardo Figueiredo. Pai do primeiro pacote de concessões de infraestrutura lançado por Dilma, Figueiredo tornou-se presidente da EPL e homem forte do setor, mas a estatal caiu no limbo depois de sua saída e foi praticamente alijada de todas as discussões posteriores sobre investimentos em transportes.

A lista de estatais "petistas" inclui a Ceitec, produtora de chips para rastreamento bovino e identificação veicular, que está instalada em Porto Alegre e nunca deu lucro. Quem também ainda não saiu do vermelho foi a Amazul, criada em 2012, que tem como atribuição elaborar projetos e tecnologias na construção do primeiro submarino de propulsão nuclear brasileiro.

Em outros casos, o problema não é meramente financeiro: a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), que tem como objetivo produzir medicamentos a partir do plasma sanguíneo, está no foco da Operação Pulso. As investigações da Polícia Federal apuram suspeitas de direcionamento de licitações e desvio de recursos.

No dia 25, quando será realizado a primeira reunião do conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o governo interino Michel Temer pretende bater o martelo sobre suas primeiras concessões em infraestrutura e pode incluir deliberações sobre a privatização de estatais.

Aguarda-se, por exemplo, uma definição sobre a venda das distribuidoras de energia que eram controladas pela Eletrobras. A estatal preferiu não mais ficar à frente das seis empresas do segmento que precisavam ter seus contratos renovados. (Valor Econômico 15/08/2016)

 

Área de plantação de sorgo em Goiás é 13% menor que a última safra

Em Goiás, o preço do sorgo, grão usado principalmente na ração animal, está em alta. A colheita está terminando e registra grande queda na produção.

As máquinas estão colhendo os últimos grãos de sorgo em Goiás. A área plantada do estado é de 201 mil hectares, 13% a menos que na última safra. Em uma fazenda localizada em Itaberaí, o grão é cultivado em 200 hectares. Preparo do solo, variedade tolerante à seca, manejo. Tudo foi feito direitinho - mas faltou a chuva. A expectativa de produção nesta lavoura era de 60 sacas por hectare. Mas como a planta pouco se desenvolveu, o produtor Wetnon José da Silva deve colher no máximo 10 sacas por hectare. "A estimativa nossa era de que chovesse de 200 a 250 milímetros. Choveu 70 milímetros... prejuízo", lamenta Wetnon

 

Commodities Agrícolas

Algodão: Melhor que o esperado: A estimativa do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) de que a safra 2016/17 de algodão do país será de 3,45 milhões de toneladas, bem acima das 2,8 milhões estimadas para o ciclo 2015/16, pressionou os preços da fibra na bolsa de Nova York. Os lotes para dezembro encerraram a sessão de sexta-feira a 70,65 centavos de dólar por libra-peso, queda de 121 pontos. O mercado esperava que o USDA reduzisse a estimativa para a produção dos EUA devido ao tempo quente e seco que atingiu o Texas recentemente e que deteriorou as condições das lavouras do país. Novas previsões climáticas, porém, apontavam chuva para a região no fim de semana. Na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 84,43 por arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Oferta confortável: O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou na sexta-feira sua estimativa para a produção mundial de soja na safra 2016/17, o que pressionou o valor dos contratos da oleaginosa na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em setembro encerraram a sessão de sexta-feira a US$ 9,99 o bushel, recuo de 2,75 centavos. De acordo com o USDA, serão colhidas 330,4 milhões de toneladas de soja na safra 2016/17, 5,7% mais que na temporada anterior. Com as novas projeções, os estoques finais deverão representar confortáveis 21,6% da demanda total pela commodity, ante 20,4% apontado em julho. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 79,90 a saca de 60 quilos, alta de 0,13%.

Milho: Preço atraente: Os compradores aproveitaram o fato de as cotações do milho estarem em baixos patamares e mostraram apetite na sexta-feira na bolsa de Chicago, o que determinou a valorização do grão, ainda que modesta. Os contratos com vencimento em dezembro encerraram a sessão a US$ 3,33 o bushel, elevação de 1,25 centavo em relação à véspera. A alta ocorreu apesar das novas projeções do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a oferta e demanda mundial. Segundo o órgão, serão colhidas 1,028 bilhão de toneladas do grão na safra 2016/17. Com isso, as estimativas para a relação entre os estoques finais e a demanda total ficou em 21,7% na temporada atual. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa ficou em R$ 45,78 a saca de 60 quilos, alta de 0,26%.

Trigo: Consumo em alta: A revisão das estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para o consumo mundial de trigo e a perspectiva de queda na produção da União Européia e da Argentina impulsionaram os contratos futuros do cereal nas bolsas americanas. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam o pregão a US$ 4,40 o bushel em Chicago, alta de 3 centavos. Em Kansas, o cereal de mesmo vencimento fechou a 4,4225 o bushel, recuo de 4,25 centavos. De acordo com o USDA, o consumo mundial de trigo será de 743,44 milhões de toneladas ao final do ciclo 2016/17, 5 milhões de toneladas acima da estimativa anterior, divulgada em julho. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o trigo no Paraná ficou em R$ 864,48 a tonelada, recuo de 0,62%. (Valor Econômico 15/08/2016)