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Climate Corp da Monsanto constrói rede de sensores de dados agrícolas

A Climate Corporation, subsidiária da Monsanto, está desenvolvendo uma rede de sensores no campo para expandir o alcance dos dados agrícolas que entram em sua plataforma digital de agricultura, disse a companhia nesta quarta-feira.

A Climate, com sede em São Francisco, também disse que vai expandir a infraestrutura de seu software para permitir a desenvolvedores que construam ferramentas de dados agrícolas para sua plataforma Climate FieldView, que reúne dados detalhados para ajudar produtores a aumentar a produtividade de suas lavouras e reduzir custos.

A medida visa ir além dos já existentes acordos de troca de dados entre a Climate Corp e outras companhias, disse Mark Young, presidente de tecnologia da Climate.

"Ao acolher outros inovadores agrícolas para contribuírem e construírem na nossa plataforma, estamos ajudando a simplificar o complexo cenário digital da agricultura para produtores e facilitando para que outros inovadores levem valiosas novas tecnologias para produtores com mais rapidez", disse.

Com sede no Kansas, a companhia de sensores de solo Veris Technologies foi a primeira a se inscrever na nova plataforma, disse a Climate em nota.

A medida é o movimento mais recente da companhia de sementes e agroquímicos Monsanto para incrementar o que já é oferecido pela Climate Corp. A Monsanto comprou a companhia de dados científicos em 2013 por quase 1 bilhão de dólares, mas a unidade ainda não cresceu o bastante para gerar grande receita. (Reuters 17/08/2016)

 

Monsanto investe em tecnologia de dados e quer ser a Amazon da agricultura

Nos últimos quatro anos, a Monsanto investiu US$ 1 bilhão em aquisições nos últimos quatro anos, afirmando que vai transformar a agricultura usando técnicas de análise de dados.

A Monsanto Co. está ampliando suas apostas nos serviços computadorizados para lavouras, numa tentativa de atrair agricultores desejosos de aumentar a produtividade em meio aos baixos preços das commodities agrícolas.

A gigante americana das sementes biotecnológicas afirmou que pretende expandir sua subsidiária Climate Corp., que usa modelos computacionais para ajudar os produtores a gerenciar suas plantações e lidar com as condições meteorológicas. A meta é transformar a unidade numa rede on-line semelhante à Amazon.com Inc., com a criação de uma plataforma na internet para que os agricultores possam pagar por serviços e compartilhar dados com a Monsanto e outras empresas.

A Monsanto está adotando a iniciativa mesmo tendo obtido resultados limitados com seus serviços digitais para a agricultura até agora. A empresa montou a divisão por meio de aquisições que totalizaram mais de US$ 1 bilhão nos últimos quatro anos, afirmando que poderia transformar a agricultura usando técnicas de análise de dados, ao estilo do Vale do Silício, para orientar os agricultores sobre como elevar a produtividade e reduzir custos desnecessários.

Outras grandes empresas americanas de agronegócio, como DuPont Co., Cargill Inc. eDeere & Co., também estão investindo no setor de dados de lavouras, juntamente com várias “startups”.

Mas os agricultores dos Estados Unidos estão contendo os gastos depois que uma série de safras volumosas derrubou os preços do milho, da soja e do trigo. E alguns deles hesitam em compartilhar dados privados de suas plantações com algumas das maiores empresas do setor.

Até agora, a Monsanto tem se concentrado em atrair o maior número de produtores possíveis para a plataforma da Climate. Agricultores responsáveis por cerca de 37 milhões de hectares de terras cultiváveis nos EUA, quase igual à área plantada com milho neste ano no país, já se registraram no sistema, requisitando serviços pagos para cerca de 5,7 milhões desses hectares, segundo Mike Stern, que assumiu a liderança executiva da Climate neste ano. Stern estima que esse número passe dos 10 milhões de hectares até 2017.

A Monsanto pretende converter essa gama de usuários numa plataforma mais ampla de agricultura baseada na computação, uma iniciativa que, segundo Stern, será semelhante à evolução da Amazon.com, que começou com uma varejista on-line, mas depois criou uma divisão separada de serviços de internet. Ele diz que, com a iniciativa, os serviços da divisão de agricultura digital da Monsanto vão ter um papel mais central nas operações dos produtores. Outro benefício será abrir a base estabelecida de usuários e a infraestrutura de tecnologia da Climate para outras fornecedoras de suprimentos agrícolas que estiverem desenvolvendo seus próprios serviços de dados de lavouras, diz Stern.

“A agricultura digital está muito fragmentada no momento”, diz ele. “O próximo passo é ir em frente e oferecer um mecanismo que ajude você a organizar esse ecossistema.”

A primeira empresa a se juntar à iniciativa da Monsanto foi a Veris Technologies Inc., que é sediada no Estado do Kansas e fabrica sensores para medir a variação do conteúdo do solo entre áreas diferentes. Produtores usando os sensores de solo da Veris serão capazes de transferir os dados para o sistema da Climate, a unidade da Monsanto, e obter um planejamento melhor do uso de fertilizantes e sementes, afirma as empresas.

“Estamos prevendo que isso será um vento a favor”, diz Eric Lund, diretor-superintendente da Veris, que vem desenvolvendo seu equipamento móvel de teste de solo desde meados dos anos 90.

A Monsanto está apostando que mais empresas vão se juntar a ela, atraídas pela perspectiva de acessar a base de usuários e a tecnologia da Climate, evitando, assim, o custo de desenvolver seus próprios sistemas para registrar agricultores, transmitir dados com segurança e receber pagamentos.

Stern diz que a Monsanto ainda não definiu o quanto ela deve cobrar das empresas pelo acesso à plataforma da Climate. A Monsanto continua projetando que o pacote de serviços da subsidiária vai gerar centenas de milhões de dólares em receita até o fim da década, diz ele. (The Wall Street Journal 18/08/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Dólar e oferta maior: Após três sessões seguidas em elevação, os preços do açúcar demerara recuaram na bolsa de Nova York. Os papéis para março de 2017 encerraram ontem em forte queda de 53 pontos, a 20,21 centavos de dólar por libra-peso. O dólar retomou força ante o real, o que estimula a venda de açúcar pelos produtores do Brasil. maior fornecedor global da commodity, uma vez que essa condição cambial estimula as exportações. Com mais oferta no mercado, os preços tendem a cair. Além disso, a Conab elevou ontem sua previsão para a produção de açúcar no Brasil na atual safra 2016/17, de 37,51 milhões para 39,96 milhões de toneladas, 19% acima de 2015/16. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 86,04, recuo de 0,54%%.

Café: Pressão do câmbio: As cotações do café arábica cederam ontem em Nova York, em meio à pressão cambial e às notícias de que os estoques de café cresceram nos EUA. Os lotes para dezembro fecharam em queda de 265 pontos, a US$ 1,3810 por libra-peso. Diferentemente do que os traders previam, os estoques de café verde nos EUA aumentaram em 97,9 mil sacas, para 6,3 milhões de sacas. Além disso, o dólar voltou a ganhar força ante o real, movimento que estimula a venda de café pelos produtores do Brasil (maior fornecedor global do grão), porque aumenta a rentabilidade das exportações. Com mais oferta no mercado, a tendência é de queda nos preços. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou ontem entre R$ 510 e R$ 520, de acordo com o Escritório Carvalhaes.

Suco de laranja: Quarta queda seguida: Os preços do suco de laranja caíram ontem pelo quarto pregão seguido em Nova York, apesar da perspectiva de menor oferta da fruta nos EUA. Os contratos para novembro fecharam a US$ 1,7650 por libra-peso, queda de 305 pontos. O avanço do greening (doença que provoca a queda prematura dos frutos dos pés) e uma seca intensa na Flórida no início da temporada fizeram com que os analistas e os órgãos oficiais dos EUA estimassem que o Estado colherá a menor safra em 53 anos. A consultora independente Elizabeth Steger projeta uma produção de 60,5 milhões de caixas de laranja, 26% menos que na temporada passada. No mercado doméstico, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada à indústria ficou em R$ 20,08, recuo de 0,30%, conforme o Cepea/Esalq.

Soja: Demanda fortalecida: A demanda firme para exportação manteve ontem os preços da soja sustentados na bolsa de Chicago, apesar das projeções que indicam uma colheita recorde nos EUA. Os contratos para novembro fecharam em alta de 8,75 centavos, a US$ 10,16 por bushel. Exportadores dos EUA reportaram ao Departamento de Agricultura do país (USDA) a venda de 381 mil toneladas de soja à China ontem, com entrega no ano­safra 2016/17 (que terá início em 1º de setembro). Traders também reconhecem que ainda há tempo para que algum episódio de clima adverso cause impacto à produtividade da oleaginosa nos EUA, que por enquanto tem sido agraciada com condições favoráveis. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca no Paraná ficou em R$ 79,46, alta de 2,94%. (Valor Econômico 18/08/2016)