Macroeconomia e mercado

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Dow planeja expansão no mercado brasileiro de cana-de-açúcar

Usina Santa Vitória já produz 143 milhões de litros de etanol hidratado

A Dow, gigante do setor químico, pretende elevar os investimentos no Brasil de olho na retomada da economia brasileira a partir de 2017. O presidente da companhia para toda a América Latina, Fabian Gil, destaca que, após a usina de produção de etanol ter ficado pronta em 2015 em Santa Vitória, em Minas Gerais, a empresa está analisando alternativas para usar a matéria-prima. Em Minas, a usina produz 143 milhões de litros de etanol hidratado.

“Estamos estudando qual é a melhor forma para utilizar esse etanol. É um projeto que terá uma nova etapa”, disse Gil, que não quis antecipar em qual cidade pode instalar essa nova unidade. “Os investimentos são de longo prazo. O desafio é manter o foco. O consumo per capita de plástico na Europa é de 30 quilos. No Brasil, esse número varia entre oito e dez. Isso já dá uma ideia do potencial”.

Em processo de integração com a DuPont em todo o mundo, a Dow também comprou no fim do ano passado a outra metade da Dow Corning (que fabrica silício para indústrias aeroespacial, automotiva e elétrica) que até então era uma joint venture e hoje passou a ser uma divisão da companhia.

“Nos juntamos para crescer. São mercados que se complementam. Temos um grande planejamento de lançamentos. Na crise, tecnologias novas se destacam. E são tecnologias focadas no custo-benefício”, afirma.

Na agenda de novas tecnologias, há exemplos nos mais variados setores. Ele cita que é no Brasil que começou a ser implantado um programa de segurança alimentar, com o uso maior de reciclagem e de novas embalagens. No transporte, estão sendo criadas novas tecnologias para melhorar a eficiência no transporte com o isolamento térmico. No segmento de infraestrutura, o executivo cita o uso de tintas feitas a base de água sem solventes, que requer menor manutenção. Foram essas tintas que foram usadas para delimitar as faixas olímpicas no Rio de Janeiro.

“ No segmento automobilístico, por exemplo, estamos com uma nova tecnologia que usa cola adesiva para juntar metais em vez de solda. Além disso, essa mudança aumenta a segurança, pois distribui a força de forma unânime. Estamos conversando com as montadoras”, disse ele.

Após o investimento feito na Argentina, em parceria com a YPF, para desenvolver as áreas de gás não convencional (shale gas), a companhia não pretende investir no setor de exploração e produção de gás no Brasil, apesar dos leilões recentes promovidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

“Na Argentina, vamos usar o gás para a indústria. E muito desse gás virá para o Brasil. Não vou falar que não estamos pensando em projetos de gás no Brasil até porque você sempre tem que estar olhando. No Brasil há alguns pontos como a reforma tributária. O custo de fazer negócios tem que melhorar”, destacou ele. (O Globo 18/08/2016)

 

De saída da bolsa, Tereos estuda opções para financiar atividades

Às vésperas de concretizar sua despedida da BM&FBovespa, a sucroalcooleira Tereos, terceira maior produtora de açúcar do Brasil, busca agora alternativas para financiar suas atividades. Em entrevista ao Valor, Jacyr Costa Filho, diretor da Região Brasil da Tereos, afirmou que entre as opções estão o mercado de dívida, além da própria geração de caixa a partir da otimização das operações da empresa.

Segundo o executivo, o baixo nível de liquidez que as ações da Tereos vinham apresentando na bolsa em 2015, que levou os papéis a serem negociados abaixo de R$ 1, inibia a captação no mercado de capitais. Atualmente, 30% do capital da companhia é aberto.

O grupo francês já lançou mão em junho de uma emissão de sênior notes na Europa que foi considerada um sucesso, segundo Costa, uma vez que o interesse foi quatro vezes superior ao volume de recursos captado, de € 400 milhões. "Ainda não está nos planos fazer uma nova emissão, mas nada impede que isso possa voltar a ocorrer", afirmou.

A aposta mais forte, porém, é na própria otimização do desempenho operacional, que já vem gerando caixa para a companhia, segundo Costa Filho. As receitas obtidas com os negócios de açúcar, etanol e amido ao redor do mundo também devem ser utilizadas para continuar desalavancando a empresa. "Estamos esperando uma forte geração de caixa para reduzir o endividamento", previu.

No primeiro trimestre da safra 2016/17, a Tereos Internacional registrou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 368 milhões, quase duas vezes a mais do que no mesmo período da safra passada, e uma margem Ebitda de 15%, ante 6,3% no mesmo período da última temporada. Diante dessa melhora, a companhia saiu de um prejuízo de R$ 222 milhões no primeiro trimestre da safra passada para um lucro líquido de R$ 38 milhões no primeiro trimestre da safra atual.

Segundo Costa, o ganho de margem reflete um plano de reestruturação que a Tereos tem implementado em seu negócio de amidos na Europa, com fusão de algumas atividades com as operações de açúcar e etanol, o que tem gerado "forte redução de custo".

No Brasil, a companhia também planeja implementar um plano de ajustes semelhante. O executivo não divulgou metas, mas garantiu que há projetos em estudo "para melhorar a produtividade e maximizar a receita que envolvem maior flexibilidade operacional".

Outra estratégia para ampliar os ganhos no país é sustentar sua posição no mercado interno, para onde é vendido 45% do açúcar produzido pela Tereos. "Se mantivermos o volume vendido aqui no país já é importante, porque o mercado industrial tem sofrido", afirmou. (Valor Econômico 19/08/2016)

 

Monsanto dá acesso limitado à Bayer a seus livros

A companhia norte-americana de sementes Monsanto concedeu à possível compradora alemã Bayer acesso limitado a seus livros e registros após recusar sua oferta de aquisição de 64 bilhões de dólares no último mês, disseram à Reuters duas fontes familiarizadas com situação.

As partes ainda não assinaram um acordo de confidencialidade, o que permitiria à Bayer ter acesso amplo aos dados da empresa (due diligence), mas a Monsanto está dando à companhia partes limitadas de informação, disseram as fontes.

Eles disseram que a Bayer não manifestou desejo de colocar o acordo em risco ao fazer uma oferta hostil, embora as negociações tenham sido difíceis. As fontes pediram anonimato porque não foram autorizadas a falar sobre o assunto.

A Bayer se recusou a comentar sobre o desenvolvimento.

A Monsanto segue em conversas com a Bayer e outras partes sobre potenciais transações estratégicas, disse o presidente-executivo Hugh Grant a investidores reunidos durante um evento de dois dias em St. Louis na quarta-feira. Ele disse que a companhia não comentaria mais sobre fusões e aquisições e sobre as discussões com a Bayer durante o evento.

A indústria de sementes e agroquímica, há muito dominada por poucas grandes companhias, foi sacudida por alguns grandes negócios no ano passado, uma vez que os baixos preços das safras e a contenção de gastos por produtores pressionaram os resultados. (Reuters 18/08/2016)

 

Ministro nigeriano diz que corte na Opep é improvável, mas que reunião pode ajudar preços

O ministro do petróleo nigeriano Emmanuel Ibe Kachikwu disse nesta quinta-feira que enquanto um corte na produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (opep) é improvável, há uma esperança de que um encontro de produtores na Algéria no próximo mês ajude a apoiar os preços do petróleo.

Kachikwu também disse, durante um discurso em Lagos, que a produção de petróleo do seu país havia caído para 1,56 milhão de barris por dia, uma vez que ataques persistentes por militantes provocaram uma queda de 700 mil barris por dia.

Mas ele deixou dúvida sobre quaisquer planos de membros da Opep de reduzirem voluntariamente sua produção na reunião na Algéria. "Estamos cortando volumes? Não vejo isso acontecendo", disse Kachikwu a repórteres, mas acrescentou que todas as opções estão sobre a mesa e que outra ação poderia ter impacto.

"Se houver um aperto de mãos com indivíduos do outro lado, seria um começo", disse ele quando questionado se os membros da Opep deveriam fazer uma nova tentativa de acordo sobre um congelamento.

A produção russa atualmente flutua próximo a uma máxima absoluta de 10,85 milhões de barris por dia. O país sinalizou que não está mais disposto a um diálogo sobre congelamento e que iria continuar a aumentar a produção. Produtores norte-americanos também devem acrescentar mais barris. (Reuters

18/08/2016)

 

Massa Falida da Laginha confirma audiência sobre processo de falência

Apesar de incêndio em usina ter comprometido acervo disponibilizado para leilão, nota garante evento marcado para o dia 25 de agosto, em Maceió.

A Administração Judicial da Massa Falida de Laginha Agroindustrial S/A emitiu nota à imprensa, nesta quarta-feira (17), confirmando a realização de audiência, no próximo dia 15 de setembro, às 9h, na 1ª Vara da Comarca de Coruripe, cujo juiz responsável pela condução do processo de falência receberá envelopes com propostas das empresas interessadas em adquirir duas unidades pertencentes à Massa Falida, a Vale do Paranaíba (Capinópolis/MG) e a Triálcool (Canapolis/MG). O Edital de Convocação, inclusive, foi publicado, na última sexta-feira, nos jornais Gazeta do Pontal (Ituiutaba/MG) e Gazeta de Alagoas (Maceió/AL).

Em nota, a Administração Judicial da Massa Falida esclarece que incêndio registrado na Usina Vale do Paranaíba, no interior de Minas Gerais, no último domingo (14), chegou a comprometer o acervo disponibilizado para arrecadação. Contudo, apesar de as chamas terem alcançado o pátio onde estão armazenados alguns dos bens inservíveis da irrigação e mecanização, o leilão marcado para o próximo dia 25 de agosto, no Fórum de Maceió, está mantido.

Há a suspeita de que o incêndio, que teve início em lavoura de cana-de-açúcar, alcançando, ainda, equipamentos da indústria e vários caminhões, tenha sido criminoso, já que a usina do grupo João Lyra está prestes a ser vendida.

"Destaca-se que a indústria foi preservada em sua totalidade, graças às ações coordenadas por toda a equipe de colaboradores, com o apoio incondicional de parceiros cujo trabalho foi de suma importância, agindo em pontos estratégicos no combate ao incêndio e, preservando, assim o patrimônio da Laginha Agroindustrial S/A", diz trecho da nota da Massa Falida, acrescentando já ter tomado as providências administrativas e judiciais cabíveis ao caso do incêndio, solicitando a instauração de inquérito policial.

"Assim, continuamos contando com o apoio e conscientização geral dos ex-colaboradores, da sociedade civil organizada e dos órgãos administrativos, para que, juntos, possamos redobrar a atenção para com as unidades Triálcool e Vale do Paranaíba, para que a solução tão esperada por todos os credores, em especial, a classe trabalhadora, venha a acontecer", emenda a nota.

 

Apesar da seca, BrasilAgro lucra R$ 10,6 milhões na safra 2015/16

A BrasilAgro, companhia dedicada ao desenvolvimento de terras agrícolas, reportou um prejuízo líquido de R$ 98,4 milhões no quarto trimestre do ano fiscal 2016, encerrado em 30 de junho, ante lucro líquido de R$ 161,9 milhões no mesmo período do exercício passado. Em todo o ano fiscal (que corresponde à safra 2015/16), a companhia contabilizou um lucro de R$ 10,6 milhões, aquém do resultado líquido também positivo de R$ 180,81 milhões do ciclo anterior.

A receita líquida de vendas somou R$ 52,2 milhões no quarto trimestre, expressiva queda de 85% em relação aos R$ 346,9 milhões do mesmo período do exercício anterior. No ano fiscal, a queda foi de 66,6%, para R$ 147,13 milhões. Em nota que acompanha o balanço, divulgado ontem, a BrasilAgro justificou a redução pela queda no volume de grãos colhido, devido à menor área plantada e ao clima adverso, que derrubou a produtividade.

A companhia encerrou a colheita de grãos de 2015/16 e os resultados foram abaixo da média histórica nas fazendas do Piauí e da Bahia, em função da escassez de chuvas. A produtividade da soja recuou 49%, para 1,17 tonelada (20 sacas) por hectare. Na nota, a empresa afirmou que as áreas novas e em desenvolvimento representam 25% da área total cultivada e são as mais afetadas, porque têm "estrutura de solo menos madura". O rendimento do milho, por sua vez, caiu 50%, para 3,02 toneladas (50 sacas) por hectare.

Já as receitas vindas da cana-de-açúcar cresceram 58% em relação ao ano anterior, para R$ 83,6 milhões. A empresa disse ainda que iniciou operações de pecuária na Fazenda Preferência (BA), que será de cria e recria. Ao todo, são 4,48 mil cabeças de gado bovino, em 5,05 mil hectares de pastagens.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da BrasilAgro ficou negativo em R$ 21,05 milhões no quarto trimestre, ante R$ 189,9 milhões positivos no mesmo período do ano passado. O Ebitda ajustado no ano fiscal ficou negativo em R$ 3,8 milhões, na comparação com R$ 198,4 milhões positivos ao fim do exercício de 2015. Já o endividamento caiu 9,3%, de R$ 110,07 milhões ao fim do ano fiscal de 2015, para R$ 99,84 milhões.

Na safra 2015/16, a BrasilAgro desenvolveu 2,78 mil hectares na Fazenda Chaparral (BA), 1,07 mil hectares na Fazenda Araucária (GO), e outros 2,73 mil hectares no Paraguai. O portfólio da BrasilAgro conta atualmente com 253,34 mil hectares, distribuídos entre cinco Estados brasileiros e o Paraguai, com um valor de mercado estimado em R$ 1,1 bilhão.

A administração da BrasilAgro propôs a distribuição de R$ 10 milhões em dividendos, o que será decidido na próxima assembleia da companhia, em outubro. (Valor Econômico 19/08/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Recuperação em NY: Após forte queda na quarta-feira, os contratos futuros de açúcar demerara subiram ontem na bolsa de Nova York, fruto de recompras técnicas. Os papéis com vencimento em março fecharam com alta de 25 pontos, a 20,46 centavos de dólar a libra-peso. Na quarta, o mercado foi pressionado pela maior estimativa da Conab para a produção de açúcar no Brasil. Segundo a nova projeção, a produção deve ser de 39,96 milhões de toneladas na safra 2016/17. A estimativa anterior era de 37,51 milhões de toneladas. A revisão surpreendeu os analistas, que vêm reduzindo suas projeções para a oferta brasileira de açúcar diante de uma safra de cana menor do que se esperava. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 85,64 por saca de 50 quilos, queda de 0,46%.

Cacau: Quinta alta: As cotações futuras do cacau fecharam em alta pela quinta sessão consecutiva ontem na bolsa de Nova York, ainda sustentadas pelos receios com a oferta da amêndoa no oeste da África. Os contratos com vencimento em dezembro subiram US$ 34, para US$ 3.113 a tonelada. Segundo a consultoria Zaner Group, há receios em relação à produção na Nigéria, que está sendo afetada pela doença fúngica da podridão parda. Já Jack Scoville, analista da Price Futures, cita relatos de que a oferta está apertada em partes do oeste da África atualmente. Com a colheita da safra 2015/16 praticamente encerrada, o analista acredita que os traders vão prestar mais atenção agora ao potencial da próxima temporada. Em Ilhéus e Itabuna, a arroba do cacau ficou estável ontem em R$ 160, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Exportações firmes: Assim como aconteceu com o milho, as exportações dos EUA sustentaram o preço do algodão ontem. Na bolsa de Nova York, os contratos futuros com entrega para dezembro subiram 20 pontos, para 69,01 centavos de dólar por libra-peso. De acordo com o levantamento do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os exportadores americanos fecharam a venda de 44,63 mil toneladas da pluma na semana móvel encerrada dia 11, ante 6 mil toneladas na semana anterior. "As vendas externas desde o início do ano começaram muito melhores do que no ano passado", afirmou o analista Andy Ryan, da FCStone. No oeste da Bahia, um dos principais polos de produção de algodão do Brasil, o preço médio da commodity ficou ontem em R$ 81,70 por arroba, de acordo com a Aiba.

Milho: Demanda aquecida: Os sinais de que a demanda pelo milho dos EUA está aquecida impulsionaram as cotações do cereal ontem. Na bolsa de Chicago, os contratos futuros com entrega para dezembro encerraram o pregão a US$ 3,42 o bushel, alta de 2,25 centavos de dólar. Na semana encerrada no dia 11, os exportadores americanos acertaram a venda de 1,04 milhão de toneladas de milho, volume 1,9% superior às vendas da semana anterior, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). A entrega desse volume de milho está prevista para a safra 2016/17, que começa oficialmente em 1º de setembro. O indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho caiu 0,8% ontem, para R$ 44,60 por saca. No acumulado de agosto, a desvalorização chega a 7,5%, conforme o levantamento do Cepea. (Valor Econômico 19/08/2016)