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Para Dedini, 'é inviável' gastar mais com dívidas trabalhistas, diz Siegen

A Dedini Indústria de Base de (SP) informou que, apesar de empenhada em quitar dívidas trabalhistas, não conseguirá aumentar as despesas com os demitidos. A empresa paga R$ 300 por mês para cada ex-funcionário. O Sindicato dos Metalúrgicos afirma que, se não cumprir exigências da categoria, a companhia poderá ser multada em R$ 1.000 por trabalhador.

"Aumentar o valor (de R$ 300) para R$ 1.000 é inviável, já que os custos mensais passariam de aproximadamente R$ 500 mil para mais de R$ 1,7 milhão", afirmou em nota Alexandre Temerloglou, consultor da Siegen, empresa que assessora a Dedini no processo de recuperação judicial para evitar a falência da metalúrgica.

"Desde janeiro, a empresa tem feito o pagamento de R$ 300 mensais a todos os demitidos, conforme acordo firmado com a categoria”, disse Temerloglou na nota divulgada pela assessoria de imprensa da Dedini, que afirma ainda que a empresa trabalha judicialmente para que a dívida com os mais de 1.600 trabalhadores seja quitada.

“A empresa aguarda a liberação de R$ 15,8 milhões referentes à venda do estacionamento do Shopping de Piracicaba para que este valor seja direcionado aos ex-funcionários. Estão à venda a Codistil do Nordeste, avaliada em cerca de R$ 32 milhões, e a Dedini Refratários, avaliada em cerca de R$ 47 milhões. A empresa também está empenhada na liberação de outras penhoras, avaliadas em cerca de R$ 24 milhões”, lista o consultor na nota.

Sindicato

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba e Região, José Florêncio da Silva, o Bahia, afirmou que não concorda com as afirmações divulgadas pela Dedini e que vai estudar com o departamento jurídico da entidade a melhor forma de contestar as declarações. "Nós não fizemos acordo nenhum para o pagamento de R$ 300 por mês para cada trabalhador", destacou Bahia.

O sindicato informou que fez uma denúncia em relação às férias no Ministério Público do Trabalho e que, por isso, a empresa poderá ser multada em R$ 1.000 por trabalhador. Uma assembleia do sindicato está prevista para dia 29 de agosto, às 8h30, no Ginásio Municipal de Esportes “Waldemar Blatkauskas” (Rua Treze de Maio, 2122, Cidade Alta, Piracicaba). (G1 21/08/2016)

 

Terra de estrangeiros

Urge mudar a legislação petista inspirada pelo MST, que custou ao País bilhões de dólares.

Dentre os inúmeros anacronismos legados pela herança petista, um deles é ilustrativo por exemplificar os preconceitos que se tornaram correntes contra o capital em geral e, em particular, contra o estrangeiro. Nada aqui é ocasional, pois o peso ideológico terminou se traduzindo por limitações severas ao investimento estrangeiro na aquisição de terras no País.

Aparentemente, é como se o interesse nacional estivesse assim preservado, a partir, evidentemente, de uma posição preconcebida de que ele estaria ameaçado. Ameaçado por quem? Por empresas que investem no Brasil, gerando empregos, pagando impostos e contribuindo para o crescimento do PIB? Qual é o fantasma?

Os instrumentos utilizados pelos governos petistas foram dois pareceres, um de 2008 e outro de 2010, que revogaram, por sua vez, pareceres anteriores, de 1994 e 1997. Estamos diante de atos administrativos que abruptamente modificaram toda uma legislação anterior, produzindo enorme insegurança jurídica.

O cerne da discussão terminou se reduzindo à equiparação anterior (pareceres de 1994 e de 1997) de empresas brasileiras de capital estrangeiro a empresas brasileiras de capital nacional, tornadas essencialmente distintas pelos pareceres de 2008 e 2010. Uma posição viabilizava o investimento estrangeiro no Brasil, tornando atrativos a agropecuária e o agronegócio – aliás, o agronegócio acabou se transformando num setor que muito contribuiu para o avanço da economia nacional. A outra teve como desfecho inviabilizar o investimento estrangeiro, tornando-se um fator de mero atraso.

Para ter uma ideia, quando dos pareceres petistas, falava-se que entre R$ 60 bilhões e R$ 70 bilhões deixaram de ser investidos no País. Considerando a necessidade de alavancagem do capital estrangeiro para o crescimento da economia nacional, tem-se uma melhor noção dos prejuízos, hoje provavelmente maiores.

Os pareceres petistas são preciosidades de manipulação ideológica. Entre as “justificativas”, constam algumas que deveriam fazer parte do besteirol produzido pelos “movimentos sociais”, capitaneados pelo MST.

Chega a ser inacreditável que um grupo que se caracteriza pelo desrespeito ao Estado Democrático de Direito tenha sido alçado à posição de interlocutor privilegiado de toda uma legislação infraconstitucional. Um autointitulado movimento social que emprega sistematicamente a violência na invasão de propriedades privadas e órgãos públicos se torna artífice da elaboração de pareceres. Há algo de muito errado aí!

Dentre as pérolas, algumas merecem especial destaque. Seu objetivo consistiria em assegurar a segurança alimentar, como se o Brasil vivesse no limite da autossuficiência ou fosse importador. Isso ocorreu nos anos 1970, antes da pujança da agropecuária e do agronegócio brasileiros, que alçaram o País à posição de um dos maiores exportadores de alimentos. O Brasil contribui decisivamente para a redução da fome no mundo!

O mundo globalizado já não comporta entidades autárquicas isoladas do mundo – salvo se o objetivo for a miséria e a pobreza. As cadeias produtivas são internacionais, assim como o conhecimento científico e o desenvolvimento tecnológico.

Assinale-se, a respeito, que o Brasil é um país de ponta nesses setores. O que o MST e movimentos afins temem é a ciência e a tecnologia, pois, para eles, o País deveria regressar a uma etapa camponesa e pré-capitalista, identificada, sabe-se lá por quê, com uma forma de socialismo. Deveriam transferir-se para a Venezuela, Cuba ou Coreia do Norte, sem direito a retorno. Dariam uma enorme contribuição para o progresso do País.

Outra amostra ideológica consistiria em que a aquisição de terras por estrangeiros seria feita com recursos oriundos da lavagem de dinheiro, do tráfico de drogas e da prostituição, como se estrangeiros fossem criminosos potenciais ou efetivos. Tal invencionice exibe apenas o uso da mentira para fazer que o espírito anticapitalista ou anti-imperialista prevaleça.

Como não poderia deixar de ser, o corolário de tal cadeia de pseudoargumentos seria o aumento do valor dos imóveis, que prejudicaria a reforma agrária! Ora, os assentamentos da reforma agrária já são superiores a 60 milhões de hectares, sem nenhum resultado efetivo. Jamais os governos petistas fizeram uma avaliação de sua produtividade e de seus efeitos sociais. Tornaram-se, muitos deles, apenas favelas rurais.

Hoje se sabe que as fraudes nesses assentamentos se multiplicam, os assentados abandonam ou vendem ilegalmente os seus lotes e todos ficam dependentes do MST e de seus agentes, que assim os controlam. Não há titulação dos assentados, de modo a eles poderem tornar-se proprietários, que dessa forma se inseririam em todos os benefícios da agricultura familiar. Permanecem uma clientela política.

Ora, os pareces petistas sobre aquisição de terras por estrangeiros continuam vigentes e são um poderoso obstáculo à vinda de capitais estrangeiros para as mais diferentes áreas, do setor florestal e de celulose ao de energia, passando, entre outros, pelos de etanol e biocombustíveis, além da questão do financiamento rural pelas tradings.

O presidente Michel Temer já se manifestou favoravelmente a uma mudança no setor, mostrando que o País vive uma nova era, aberta ao mundo e à captação de investimentos estrangeiros. Neste período de transição, que deve agora chegar ao seu término, a Advocacia-Geral da União, consoante com essa orientação, sob a liderança do dr. Fábio Medina Osório, realiza os estudos necessários a modernização dessa legislação. O diálogo tem sido a sua pauta.

O seu aprimoramento certamente se traduzirá por uma abertura do País ao investimento estrangeiro, voltando a equalizar as empresas brasileiras de capital estrangeiro a empresas brasileiras de capital nacional. Urge que tal mudança se faça, pois só assim o País retornará ao que pode simplesmente ser considerado bom senso. Acontece que temos vivido na insensatez. (O Estado de São Paulo 22/08/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Pressão em NY: Os contratos de açúcar demerara caíram na sexta-feira na bolsa Nova York, refletindo vendas técnicas. Os lotes para março recuaram 18 pontos, para 20,28 centavos de dólar por libra-peso. Segundo alguns analistas, a Índia começa a dar sinais mais promissores para a oferta, uma vez que as monções se regularizaram e as chuvas estão acima da média nas principais regiões produtoras. Contudo, a melhora climática pode não se refletir na produção, uma vez que houve redução de área. Além disso, a demanda global segue em alta. Analistas observaram ainda que o ritmo acelerado da moagem no Centro-Sul do Brasil pode antecipar a entressafra. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal em São Paulo recuou 0,06%, para R$ 85,59 a saca de 50 quilos.

Cacau: Realização de lucros: Após seis sessões consecutivas em alta, os contratos do cacau recuaram na bolsa de Nova York, refletindo a busca dos investidores por realização de lucros antes do fim de semana. Os papéis para dezembro caíram US$ 14, a US$ 3.099 por tonelada. A retração também foi provocada pela queda do dólar ante uma cesta de moedas, o que torna o cacau mais caro para os países importadores. Para analistas, porém, a tendência ainda é de sustentação das cotações. Os preços subiram nas últimas semanas após confirmação de quebra de safra na Costa do Marfim (maior produtor mundial) em decorrência de uma seca forte e prolongada. Em Ilhéus e Itabuna, o preço médio do cacau recuou R$ 4, para R$ 156 a arroba, conforme levantamento da Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Raios e trovões: As cotações do suco de laranja registraram alta na última sexta-feira na bolsa de Nova York em meio a receios com furacões na Flórida. Os papéis do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para novembro fecharam a US$ 1,8020 a libra-peso, avanço de 275 pontos. No fim da semana passada, formou-se na costa da África a tempestade Fiona, que se direciona ao Caribe. Segundo Jack Scoville, da Price Futures Group, as tempestades que se formaram na costa africana podem ser importantes. O Centro Nacional de Furacões dos EUA acredita que elas ainda podem virar furacões, mas há pouca possibilidade de isso ocorrer agora. No mercado interno, o preço da laranja à indústria levantado pelo Cepea/Esalq ficou estável em R$ 20,08 a caixa de 40,8 quilos.

Soja: Otimismo com os EUA: Os preços futuros da soja fecharam em queda na sexta-feira na bolsa de Chicago refletindo o otimismo com a produção americana do grão na safra 2016/17. Os contratos com vencimento em novembro caíram 10 centavos de dólar, para US$ 10,045 o bushel. As previsões meteorológicas indicam que as lavouras do Meio-Oeste devem receber mais chuvas nesta e na próxima semana, o que deve favorecer o desenvolvimento final da safra. O recuo também ocorreu devido a movimentos técnicos, já que a alta de quinta-feira estimulou a busca por realização de lucros. Assim, mesmo mais uma venda de um volume grande de soja por exportadores americanos (261 mil toneladas) não foi suficiente para sustentar as cotações. O indicador Cepea/Esalq para a soja no Paraná ficou em R$ 78,83 por saca, queda de 0,38%. (Valor Econômico 22/082016)