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EUA aprovam compra da Syngenta por estatal chinesa

As ambições globais das empresas chinesas superaram um grande obstáculo depois que os reguladores americanos aprovaram a planejada aquisição da gigante de sementes suíçaSyngenta AG pelo conglomerado químico estatal chinês China National Chemical Corp., por US$ 43 bilhões.

A decisão em favor da ChemChina, como é conhecida a estatal, acontece em meio a uma oposição crescente aos investimentos da China no mundo, com obstáculos surgindo da Europa à Austrália. Se concretizada, esta será a maior aquisição estrangeira já feita pela China.

O setor estava aguardando uma decisão do Comitê sobre Investimento Estrangeiro nos Estados Unidos (CFIUS, na sigla em inglês), um órgão do governo americano com poder de bloquear negócios que considera uma ameaça para a segurança do país, porque cerca de 25% das vendas da Syngenta vêm dos EUA.

Embora analistas e autoridades do setor químico chinês tenham elogiado a decisão como um grande passo para o que seria uma aquisição histórica, o acordo ainda pode enfrentar barreiras na União Europeia.

A compra da Syngenta pela ChemChina é significativa não apenas por seu tamanho, mas também pelo que representa para a China. A compra da propriedade intelectual da gigante suíça de sementes e pesticidas será de grande valor para a China em sua busca de soluções para alimentar uma crescente classe média e modernizar o setor agrícola.

O acordo também serviria de apoio aos esforços do governo para que suas estatais obtenham maior acesso aos lucrativos mercados externos como os EUA.

As firmas chinesas estão num frenesi de compras, tendo fechado US$ 159,2 bilhões em negócios no exterior até agora no ano, o que já supera o recorde registrado em todo o ano passado, de acordo com a firma de dados Dealogic.

A onda de compras da China acontece em um momento em que há urgência dentro do labirinto das empresas estatais do país para diversificar suas fontes de receita em meio a uma desaceleração da economia chinesa.

A aquisição da Syngenta pela ChemChina marca um passo ousado no cenário global para a estatal, cujo ambicioso fundador e presidente, Ren Jianxin, sempre quis expandir sua presença internacional. A empresa também informou no ano passado que estava comprando a fabricante de pneus italiana Pirelli & C. SpA por cerca de US$ 7,7 bilhões.

O setor químico chinês celebrou a decisão americana, que foi anunciada ontem em um comunicado conjunto das empresas. Pang Guanglian, vice-secretário geral da Federação da Indústria Química e Petrolífera da China, descreveu a aprovação como essencial para o fechamento do negócio. “É um passo muito importante para a ChemChina”, disse. “A probabilidade da UE aprovar [o acordo] é imensa.”

As ações da Syngenta subiram quase 11% em Zurique ontem.

“A aprovação pelo CFIUS elimina um problema potencial enorme e foi um alívio para os acionistas da Syngenta”, diz Christian Faitz, um dos diretores de pesquisa do setor químico da corretora Kepler Cheuvreux.

O senador republicano Charles Grassley, do Estado americano de Iowa, expressou preocupações de que o acordo possa afetar a segurança alimentar dos EUA e solicitou um papel formal do Departamento de Agricultura dos EUA no CFIUS. O comitê, dirigido pelo Tesouro americano, é constituído por representantes de 16 departamentos e agências americanas como Tesouro, Segurança Nacional e de Defesa.

Na Europa, reguladores devem analisar os efeitos do acordo no setor de defensivos agrícolas, considerando que a ChemChina detém o controle da Adama, grande fornecedora de pesticidas na região junto com a Syngenta e a Dow Chemical Co., segundo a firma de pesquisa financeira Bernstein Research.

A ChemChina e a Syngenta afirmam que esperam fechar o negócio até o fim deste ano. Jeremy Redenius, analista sênior da Bernstein Research, diz que o tom é otimista, considerando a análise minuciosa que a Comissão Europeia vem fazendo da consolidação do setor de defensivos agrícolas.

A comissão abriu uma ampla investigação sobre a proposta de fusão da Dow Chemical e daDuPont Co., em busca de evidências de que o acordo reduziria a concorrência no setor de defensivos e petroquímicos.

Se os reguladores europeus encontrarem problemas no negócio, a Syngenta e a ChemChina poderão resolver as questões antitruste com a venda de ativos, segundo Redenius.

Embora advogados digam que um acordo entre a Syngenta e a ChemChina seria bastante complementar, poderão surgir outros obstáculos na análise da UE. Uma porta-voz da Comissão Europeia não quis comentar.

Como fizeram em casos anteriores envolvendo compradores chineses com ligações nos EUA, os reguladores antitruste da UE devem conduzir uma auditoria para verificar quais outras estatais chinesas ativas no setor agroquímico estão ligadas à ChemChina. Se considerada parte de um grupo mais amplo de empresas, isso ampliaria a possibilidade de uma sobreposição entre a ChemChina e a Syngenta.

“Você pode criar uma batalha sobre a análise da empresa porque não está sempre claro quanto controle o Estado chinês tem de determinada companhia e se o governo coordena as atividades dessa empresa com outros participantes do setor”, diz David Anderson, sócio responsável por questões antitruste do escritório britânico de advocacia Berwin Leighton Paisner LLP, que anteriormente representou uma estatal chinesa que teve que realizar uma auditoria parecida.

Enquanto o acordo tem que esperar aprovação regulatória nos EUA e em outros lugares, a ChemChina vem buscando financiamentos.

Os assessores financeiros da ChemChina, os bancos HSBC Holdings PLC e o China Citic Bank International, forneceram financiamento para toda a oferta de US$ 43 bilhões. Os bancos estão montando financiamento de longo prazo para a estatal, repassando parte da dívida para outros bancos e vendendo ações da Syngenta para coinvestidores.

Nesta semana, a ChemChina planeja assinar um acordo de empréstimo sindicalizado de US$ 12,7 bilhões com mais de 10 bancos para ajudar no financiamento do negócio, segundo pessoas a par do assunto. (The Wall Street Journal, 23/8/16)

 

Governo quer liberar venda de terras agrícolas a estrangeiros

Segundo ministro Blairo Maggi, parecer contrário da AGU poderá ser revertido.

O governo federal está amadurecendo uma forma de liberar a venda de terras no país para estrangeiros e tem a medida entre as principais no rol de ações para acelerar o crescimento econômico. Hoje, a lei proíbe a compra de propriedades agrícolas por estrangeiros.

Para o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, a mudança vai valorizar as terras brasileiras, além de aumentar a capacidade de financiamento da agricultura via bancos estrangeiros, uma vez que eles poderiam ter as terras como garantia. Entre os setores mais beneficiados, avalia, está o de papel e celulose, que poderá receber aportes mais robustos de fundos estrangeiros. Segundo ele, o entendimento corrente é que o parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), que vetou a possibilidade em 2010, pode ser refeito.

“Há intenção, e eu não vejo razão para não ter presença de estrangeiros com terras no Brasil. A AGU está estudando novamente esse parecer. Se ele vier no sentido da interpretação do passado, boa parte dos problemas estarão resolvidos, sem ter de passar pelo Congresso”, explicou Maggi, para quem a procura maior será por latifúndios com alta produção em áreas como Centro-Oeste e Bahia.

Segundo o ministro, porém, será necessário estabelecer limites para quando a produção não for financeiramente interessante para um fundo internacional, que poderia optar por não plantar, de uma maneira mais livre, do que um produtor nacional. Procurada, a AGU confirmou que está analisando o parecer de 2010, mas informou que ainda não há definição sobre o tema.

O parecer de 2010 cita exatamente riscos de soberania nacional na venda de terras ao exterior. Estados dos EUA e o México têm restrições similares, principalmente em áreas de fronteira ou beira-mar.

“Somos absolutamente contra a venda de terra para estrangeiros. Essa não é uma questão ambiental ou agrícola, mas de soberania nacional”, afirmou Marcio Astrini, coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil.

Potencial de US$ 19 bi em investimentos

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) também criticou a ideia: “A intenção do governo Temer é de desnacionalizar o Brasil, como a discussão do pré-sal. A venda de terras a estrangeiros permitirá a criação de enclaves estrangeiros no país”.

Maggi refuta riscos para a soberania ou a defesa nacional, mas admite haver receio de que fundos estrangeiros especulem com as terras nacionais. Daí a necessidade de se regular essa atuação.

Para o gerente da unidade de política industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), João Gonçalves, há vários setores em que as empresas estrangeiras atuando precisam de acesso a terras para tocar os negócios. Ele cita cultura de soja, etanol, mineração e plantio de florestas

Estimativas do mercado mostram que há um potencial de US$ 19 bilhões em investimentos estrangeiros só no plantio, se a compra for autorizada. Os grupos que demonstraram interesse são, principalmente, dos EUA, da Europa e do Canadá.

“Os investimentos só vão ocorrer se houver a regularização da compra de terras por estrangeiros”, disse Gonçalves. (O Globo 22/08/2016)

 

Orgânicos no radar da Monsanto

A maior empresa de biotecnologia do mundo está de olho nos mercado de orgânicos. A Monsanto estuda certificar sementes de hortaliças para atender o crescente segmento de agricultores dos EUA voltados a esta forma de produção, que dispensa o uso de adubos químicos e agrotóxicos.

"Estamos avaliando o mercado para realizar uma produção experimental no segundo semestre", disse ao Valor Kenneth Avery, vice­presidente global para Vegetais da Monsanto, em recente visita a São Paulo. A intenção é buscar, neste momento, a certificação de apenas algumas variedades, como tomate e pimentão, para testar o mercado.

A Monsanto estreou no segmento de hortaliças há 11 anos, com a compra da empresa americana Seminis. Desde então, montou uma política ambiciosa de aquisições para ganhar mercado, ultrapassando players tradicionais como Syngenta, Bayer e a Sakata. Como no negócio de grãos, a empresa de St. Louis ostenta hoje posição de maior produtora e comercializadora de sementes de hortaliças.

Circulam no mercado mundial sementes de 25 espécies de hortaliças produzidas pela companhia, distribuídas em mais de 150 países. A divisão faturou US$ 816 milhões em 2015, com taxa de expansão de 12% ao ano. No Brasil, a área representa 4% da divisão global.

Apesar da falta de certificação, as sementes da Monsanto já são vendidas para produtores orgânicos dos EUA onde, como em outros países (Brasil incluído), a regulamentação de orgânicos dá preferência à compra de sementes certificadas ­ na ausência delas, o produtor pode optar pela equivalente convencional. "Pode parecer antagônico, mas já somos o maior fornecedor de sementes orgânicas nos Estados Unidos", já dizia, há dois anos, o mexicano Jesus Madrazo, vice-presidente global de assuntos corporativos da empresa.

A intenção da multinacional parece ser aproveitar a tendência de alta no consumo americano de orgânicos, um cliente considerado fiel, mesmo tem tempos de crise, e partir para a certificação. Isso permitiria à Monsanto cobrar mais pelas sementes. Dados do mercado americano mostram que as vendas de alimentos orgânicos superaram a casa de US$ 1 bilhão no primeiro trimestre deste ano. (Valor Econômico 19/08/2016

 

Aprovação dos EUA para acordo com ChemChina eleva ações da Syngenta

 Um painel de segurança nacional norte-americano autorizou que a ChemChina assuma o controle do grupo de agroquímicos e sementes suíço Syngenta, em negócio de 43 bilhões de dólares, disseram as companhias, melhorando as chances de que a maior aquisição estrangeira por uma companhia chinesa possa se concretizar.

A decisão retira significativamente a incerteza sobre a aquisição da maior produtora de pesticidas do mundo, após as duas companhias terem anunciado um acordo em fevereiro.

A Syngenta não revelou se ela fez concessões para assegurar a aprovação, mas indicou que qualquer medida como essa não teria impacto significativo nos seus negócios.

As ações da Syngenta saltaram mais de 10 por cento nesta segunda-feira.

O analista Christian Faitz, da Kepler Cheuvreux, classificou a medida como "o maior marco para o acordo", acrescentando em nota para os clientes que "a aprovação retira o maior obstáculo potencial e deve vir como um alívio para os acionistas da Syngenta". A Kepler Cheuvreux classificou as ações da Syngenta como "Comprar".

"A China National Chemical Corporation (ChemChina) e a Syngenta anunciaram hoje que as empresas receberam aprovação em sua proposta de transação pelo Comitê de Investimentos Estrangeiros dos Estados Unidos (Cfius)", disse um comunicado conjunto divulgado pela Syngenta. A declaração não fez menção a quaisquer concessões necessárias para ganhar a aprovação.

"Nós não estamos divulgando os detalhes do acordo com o Cfius para respeitar a confidencialidade do processo", disse um porta-voz da Syngenta por e-mail em resposta a uma consulta da Reuters. "Todas as medidas de mitigação não são relevantes para os negócios da Syngenta".

A Syngenta reiterou que espera que o acordo seja concluído até ao final do ano. (Reuters 22/08/2016)

 

Cientistas avançam na busca para converter CO2 em combustível

Tecnologias podem ajudar no combate às mudanças climáticas.

Um dos principais gases causadores do efeito estufa, o dióxido de carbono (CO2) é alvo de diversas estratégias que procuram reduzir sua concentração na atmosfera para combater o aquecimento global. Uma delas é justamente convertê-lo de volta nos combustíveis de cuja queima ele se originou, como a gasolina e o óleo diesel, numa espécie de “reciclagem”.

Este processo, no entanto, enfrenta dois grandes obstáculos: o alto custo e a baixa eficiência; isto é, normalmente se gasta muito mais energia para completá-lo do que a que será fornecida pelo combustível resultante. Assim, nos últimos anos, grupos de cientistas espalhados pelo mundo têm buscado formas de tornar esta reação mais eficiente e barata, como mostram dois estudos publicados recentemente nas revistas científicas Nature e Science.

No primeiro deles, pesquisadores liderados por Ted Sargent, professor da Faculdade de Ciências e Engenharia Aplicadas da Universidade de Toronto, no Canadá, lançaram mão da nanotecnologia para aumentar a concentração de CO2 junto às superfícies catalisadoras que transformam o gás em monóxido de carbono (CO), primeiro passo para sua conversão em combustíveis, num tipo de reação química conhecida como redução. A solução adotada pelos cientistas foi fabricar redes com agulhas de ouro extremamente pequenas, com pontas dez mil vezes menores que a espessura de um fio de cabelo, de forma que, quando submetidas a uma pequena corrente elétrica, elas criassem um campo que atraísse o CO2, acelerando sua redução em CO.

“A redução do CO2 é um grande desafio devido à inatividade da molécula”, lembra Min Liu, pesquisador da Universidade de Toronto e um dos coautores do artigo que relata o desenho e uso das nanoagulhas de ouro nos conversores do gás, publicado pela Nature. “E as nanoagulhas funcionam como para-raios para catalisar essa reação”.

Já outra equipe de cientistas, da Universidade de Illinois, em Chicago, nos EUA, foi buscar inspiração nas plantas por um processo mais eficiente para esta conversão de CO2 em combustível. E a escolha não é por menos, já que há milhões de anos os vegetais fazem isso, transformando o dióxido de carbono que tiram do ar e a água que sugam do solo em açúcares com ajuda da luz do Sol, na conhecida fotossíntese. Assim, eles criaram o que apelidaram de “folhas artificiais”, um modelo de células solares que agem de forma integrada na captação de energia, CO2 e água para novamente reduzir o gás do efeito estufa em monóxido de carbono e fornecer o chamado syngas (sigla em inglês para “gás de síntese”), uma inflamável mistura de CO e hidrogênio que pode ser queimada diretamente ou transformada nos combustíveis propriamente ditos, como metano, etanol e diesel, por meio de processos químicos adicionais com água.

“A nova célula solar não é fotovoltaica, é fotossintética”, resume Amin Salehi-Khojin, professor da universidade americana e autor sênior do estudo, publicado pela revista Science. “No lugar de produzirmos energia em uma via de mão única insustentável, de combustíveis fósseis para um gás do efeito estufa, podemos agora reverter este processo e reciclar o carbono da atmosfera em combustível usando a luz do Sol”.

Para tanto, Salehi-Khojin e seus colegas desenvolveram e analisaram novos compostos catalisadores para converter o CO2 em CO. No lugar de usarem metais preciosos e caros como ouro, platina e prata, que têm sido a base dos catalisadores mais eficientes na redução do dióxido de carbono, eles se focaram em uma família de compostos nanoestruturados chamados metais de transição dicalcogenetos (TMDCs, também na sigla em inglês), que uniram a um incomum líquido iônico como eletrólito na célula da “folha artificial”, montada em dois compartimentos com três eletrodos.

Custo 20 vezes menor

Entre esses compostos, os que mais se destacaram foram nanoflocos de disseleneto de tungstênio que, segundo os pesquisadores, promoveu a redução do CO2 mil vezes mais rápido que os catalisadores feitos com metais nobres, com um custo cerca de 20 vezes menor.

“ O novo catalisador é mais ativo e mais capaz de quebrar as ligações químicas do dióxido de carbono” diz Mohammad Asadi, primeiro autor do artigo na Science.

Professor de química da Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais, Antônio Otávio de Toledo Patrocínio está otimista com os avanços na área. Segundo ele, a fotossíntese natural, mesmo que não tenha uma eficiência gigantesca, é prova de que usar o CO2 para produzir combustíveis é algo perfeitamente viável, tanto que ela garante a sustentação de toda a biomassa do planeta.

“Do ponto de vista ambiental, é crítico o desenvolvimento de tecnologias de reaproveitamento de CO2”, justifica. “Primeiramente, o mundo precisa reduzir as emissões, mas, em segundo lugar, o que nós estamos tentando fazer agora é recapturar o CO2 gerado pela ação antropogênica, que desbalanceou o ciclo natural do carbono. Mas não adianta só ter um processo eficiente, é preciso que ele se encaixe nos processos industriais existentes. Senão, não existe viabilidade econômica”, finaliza. (O Globo 22/08/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Compra misteriosa: Uma ordem de compra emitida por uma empresa não identificada, mas que o mercado acredita ser da China, reforçou as especulações dos investidores sobre o aumento da demanda mundial por açúcar num momento de déficit na oferta global. Os papéis com vencimento em março de 2017 fecharam a 20,88 centavos de dólar a libra-peso na bolsa de Nova York, avanço de 60 pontos. A ordem de compra pegou os investidores de surpresa, já que os dados divulgados até então mostravam que as importações de açúcar da China, principal comprador do mundo, caíram 14% em julho na comparação com o mesmo período do ano anterior. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 85,74 a saca de 50 quilos, alta de 0,18%.

Café: Numa fria: As baixas temperaturas na região Sudeste do Brasil despertaram especulações entre os investidores ontem sobre o risco de uma nova geada atingir os cafezais da principal região produtora de arábica do país. Com isso, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a US$ 1,4640 a libra-peso na bolsa de Nova York, avanço de 480 pontos. Caso as baixas temperaturas no país se traduzam em geadas, será o terceiro episódio do tipo nas lavouras da região. "As previsões atuais não apontam a formação de geada, mas as temperaturas podem cair ainda mais, o suficiente para manter alguma cautela entre os produtores", avalia Jack Scoville, analista da Price Futures Group. O indicador Cepea/Esalq para o arábica ficou ontem em R$ 480,52 a saca de 60 quilos, alta de 1,09%.

Cacau: Realização de lucros: Um movimento de realização de lucros fez com que os contratos futuros do cacau registrassem forte queda ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 2.984 a tonelada, queda de US$ 115. Os contratos da commodity vinham registrando forte alta nas últimas semanas, com os investidores apostando na potencial quebra de safra no oeste da África devido à falta de chuvas. A região, que concentra dois terços de toda a produção mundial, sofreu recentemente com os efeitos do El Niño, o que gerou um déficit na oferta mundial da amêndoa. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, ficou em R$ 160 a arroba, alta de 2,56%, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Trigo: Produção russa: A possibilidade de o governo russo reduzir o imposto sobre a exportação de trigo do país pressionou o valor dos contratos do cereal ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 4,3525 o bushel, recuo de 9,50 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a Rússia deve colher 72 milhões de toneladas de trigo nesta safra. Trata-se de um dos melhores resultados do país, que projeta a exportação de até 30 milhões de toneladas do cereal. "A oferta recorde de grãos da Rússia vai mais do que compensar os problemas climáticos na cultura na França e na Alemanha", destacou o Commerzbank em nota. O indicador Cepea/Esalq para o cereal no Paraná ficou em R$ 846,25 a tonelada ontem, valorização de 0,31%. (Valor Econômico 23/08/2016)