Macroeconomia e mercado

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Como será o amanhã de Dilma Rousseff?

Dia seguinte à votação final do impeachment: Dilma Rousseff prepara-se para deixar o Palácio da Alvorada. Acometida desde a véspera de sentimentos mórbidos, nutre a desagradável sensação de ser a sua própria Lady Macbeth. Mas, às favas com as névoas da alma, só resta prosseguir pelejando. Foi o que sempre fez desde os tempos de guerrilheira.

Ao mirar os canteiros de flores que mimoseiam o jardim, presente do imperador Hiroito a JK, a ex-presidente repassa nos pensamentos quais serão os passos seguintes. Pretende rodar pelo mundo, indo ao encontro de líderes políticos de diversas latitudes. Quer aproveitar o calor da cassação e do interesse que o assunto desperta na imprensa estrangeira.

Tem o que dizer: foi vítima de um "golpe parlamentar" em um país que é a terceira maior democracia e oitava economia do mundo. Quer manter acesa a chama da indignação. Dilma vai apoderar-se da bandeira da defesa da Lava Jato, que estaria sob a ameaça do grupo político que a apeou do poder. O vulpino Michel Temer seria o maior inimigo da Lava Jato.

Dilma margeia o lago em frente ao Alvorada. Ao ver sua imagem refletida no espelho d´água, pensa consigo mesma. “Jamais movi um dedo para obstruir as investigações; não transferi delegados nem pressionei procuradores; e nunca intercedi junto a esse ou aquele ministro do Supremo.” A ex-presidente sabe que o seu maior ativo é imolação pú- blica no altar da legalidade. Nos seus planos está a troca de partido.

A interlocução com os líderes do PT é cada vez mais rara, quase inexistente. Dilma enxerga uma nova bandeira partidária. O PDT é uma pule de dez. Ela se vê agora em um escritório, muito possivelmente em Porto Alegre, cercada por uma equipe de técnicos e assessores. Nada de “Instituto Dilma”. Um centro de estudos modesto, com poucos sponsors. Um exemplo seria a fiel amiga e “latifundiária de esquerda” Katia Abreu.

Esse gabinete paralelo, chefiado pelo ex-marido e leal companheiro de vida Carlos Araújo, irá acompanhar o “governo golpista” e produzir estudos contrariando os números e medidas adotadas. A secura do ar do Planalto Central, à qual nunca se habituou, deixaria finalmente pelas costas.

Na véspera da sua crucificação pelo Senado, a figura do ex-presidente Lula inundou sua memória, com imagens da convivência entre ambos repetindo-se no pensamento. A partir dali seus caminhos se bifurcariam: Lula lá, ela cá. Da sua trajetória épica de lutas no poder central carrega consigo apenas singelos dizeres: “Dilma, guerreira, da pátria brasileira”. É a sua verdade absoluta. (Jornal Relatório Reservado 29/08/2016)

 

Com foco na inovação tecnológica no campo, tradicionais empresas do setor apostam em projetos de Startups

O AgroStart é uma iniciativa pioneira para a gestão e aceleração de projetos de startups para o agronegócio. Projetos mais bem-sucedidos serão avaliados para possíveis investimentos e parcerias.

A BASF, empresa química líder em inovação, e a ACE, premiada como a melhor aceleradora de startups da América Latina, unem-se em um programa pioneiro para desenvolver e promover startups focadas em soluções para o agronegócio, o AgroStart. O programa inovador contempla todo o processo necessário para que a startup possa validar e escalar o seu negócio no mercado agrícola em um prazo de até seis meses.

Serão selecionadas empresas que tragam soluções para automatização, tomada de decisão, qualidade da vida no campo e gestão da lavoura, utilizando plataformas como Big Data, Internet das Coisas (IOT) e mobilidade.

“Enxergamos na inovação aberta a solução para encontrarmos respostas aos desafios presentes no campo e entendemos que o processo de co-criação é uma das mais ricas fontes de diferenciação para as empresas. Por isso, unimos a expertise de duas líderes em inovação para promover o desenvolvimento de startups que tragam boas propostas de tecnologia para a agricultura”, ressalta Fábio Del Cistia, Vice-Presidente de Marketing da BASF para Proteção de Cultivos na América Latina, reforçando o objetivo da empresa em ser referência na aceleração de startups para a agricultura na região.

A seleção para a primeira etapa do AgroStart começou nesta segunda-feira (29) e vai até o dia 18 de setembro. Os empreendedores interessados em participar do programa precisam oferecer soluções que auxiliem a cadeia agrícola em cinco importantes desafios: gestão da lavoura, automação no campo, gestão de estoques, agricultura de precisão e rastreabilidade. As inscrições podem ser feitas no site www.agrostart.basf.com.br e o programa se estende a startups de toda América Latina.

Nesta edição, três startups serão selecionadas e cada uma delas receberá recursos financeiros para desenvolver seus projetos. Os empreendedores contarão com o suporte metodológico, expertise, rede de mentores e parceiros da ACE, empresa que já acelerou mais de 70 startups desde 2012, e com todo o know-how da BASF, que conta com profissionais especializados em diversas áreas do agronegócio, acesso ao mercado na América Latina e uma cultura de inovação aberta.

“O agronegócio é um dos segmentos que acreditamos que mais será impactado pela revolução das startups. O programa AgroStart traz o melhor da metodologia comprovada ACE com o conhecimento e o protagonismo de uma das maiores empresas do mundo no agronegócio. Nossa visão é de longo prazo e tem o objetivo de colocar a América Latina no mapa global da inovação em AgTech”, comenta Pedro Waengertner, CEO e sócio fundador da ACE.

“Um programa de aceleração de startups que visa trazer soluções inovadoras ao agronegócio requer acompanhamento, gestão e mentoring, por isso BASF e ACE participarão de todas as etapas do projeto. Quem empreender no AgroStart irá oferecer à cadeia agrícola uma inovação tecnológica que mudará a gestão feita no campo, trazendo benefício tanto para quem utiliza as ferramentas como para os agentes que desenvolveram a solução”, reforça Fábio Del Cistia.

Ao final do programa AgroStart, a BASF avaliará oportunidades de investimento nos projetos mais bem-sucedidos, por meio de seu fundo próprio, BASF Venture Capital. O empreendedor também terá a possibilidade de estabelecer parcerias com a BASF em busca de funding, compra ou distribuição de seus produtos e/ou serviços, além de poder expandir seu negócio para até 20 países. 

Agro Digital BASF

O programa AgroStart faz parte da estratégia de Agro Digital da BASF, que está sendo implantada em toda América Latina com foco em fornecer soluções digitais (agTech) que tragam benefícios à cadeia agro através do conceito da Internet das Coisas (IoT).

“Nosso objetivo é que a BASF traga cada vez mais soluções digitais que contribuam de forma positiva no dia-dia da agricultura. O AgroStart é um dos passos mais importantes para consolidar e expandir a estratégia de Agro Digitalda empresa, buscando inovação tecnológica muito além dos nossos muros. Queremos que as startups recebam da BASF e da ACE o programa mais completo de aceleração em agro na América Latina.” destaca o gerente de Marketing Digital da América Latina da BASF, Almir Araújo Silva. (Assessoria de Comunicação Basf 29/08/2016)

 

Petrobras define uso da marca antes de vender BR

O processo de venda da BR Distribuidora oficialmente ainda não começou. A previsão é que, nesta semana, a diretoria defina e aprove os últimos detalhes do modelo de venda, conforme o Valor apurou. Entre os detalhes está a questão do uso da marca, pois o potencial comprador terá acesso ao controle da marca líder de mercado. Será oferecido a fatia majoritária do capital votante, ainda que com objetivo de um acordo com a Petrobras, para gestão conjunta.

A estatal pretende ficar com maioria do capital total, de 60% a 75%. A captura de valor ocorre na venda do controle e na captura dos dividendos. Para tanto, a BR Distribuidora terá o capital social dividido em ordinárias e preferenciais.

O que o mercado financeiro chama de "teaser" da venda deve ser colocado na rua entre o fim desta semana e o começo da próxima: o pontapé inicial do processo. Normalmente, o "teaser" apresenta a oportunidade, sem indicação de valores, algo como uma chamada ao mercado.

Nesse momento, potenciais interessados entregam ideias inicias de valores e modelos e as negociações começam. Os diálogos com maior potencial se transformam em acordos de confidencialidade, acesso a data-room e então surgem as propostas vinculantes ­ aquelas que, se aceitas, significam negócio fechado, pois há obrigação do comprador. Esse é o rito normal que deve ser seguido para a venda da BR, cujo processo é coordenado pelo Citi.

Pessoas que acompanham de perto os trabalhos afirmaram ao Valor que desde que anunciou a venda de uma fatia controladora, o número de potenciais interessados que já acenaram à estatal subiu significativamente.

Os trabalhos estavam parados no aguardo de definição da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre o formato da venda. Na semana passada, houve sinal verde do órgão regulador.

Conforme dados do balanço de 2015 da subsidiária integral, a BR Distribuidora tinha 8,176 mil postos. No ano passado, a empresa comercializou 53,4 milhões de metros cúbicos de combustíveis, para um total de 14,3 mil clientes.

A companhia também afirmava ter a liderança do mercado revendedor, com uma fatia de 27,6% e volume de 26,8 milhões de metros cúbicos. A Ipiranga, do Grupo Ultra, é a segunda maior rede, com 7,2 mil postos de abastecimento e 25,7 milhões de metros cúbicos comercializados. A Raízen, controlada pela Shell e pela Cosan (dona da marca Esso), é a terceira colocada, com 5,7 mil postos de abastecimento. (Valor Econômico 30/08/2016)

 

Produtores perderam R$ 16 bilhões com quebra de safra de soja e milho

Estimativa é de diretor da Wedekin Consultores, Ivan Wedekin. Volume captado por depósitos à vista caiu de R$ 148 bi para R$ 130 bi.

O prejuízo a produtores brasileiros com a quebra de produção em lavouras de soja e milho em 2015/16 foi da ordem de R$ 16 bilhões, estimou nesta segunda-feira (29), o diretor da Wedekin Consultores, Ivan Wedekin.

"No curto prazo, precisaremos lidar com os produtores alavancados que enfrentam problemas causados por dívidas, câmbio e excesso de investimento", disse Wedekin em palestra de encerramento do 6º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, promovido pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) em São Paulo.

Wedekin chamou a atenção para o fato de que as duas principais fontes de recursos do crédito rural, a poupança rural e os recursos obrigatórios vinculados a depósitos à vista em bancos, vêm sofrendo com quedas de arrecadação decorrentes das desaceleração da economia. Juntas, as duas fontes foram responsáveis por pouco mais de 70% dos recursos destinados pelo governo federal ao crédito rural em 2015.

De acordo com Wedekin, entre dezembro do ano passado e julho deste ano, o volume captado por meio de depósitos à vista caiu de R$ 148 bilhões para R$ 130 bilhões (-12%). Já o montante proveniente da poupança rural recuou, ainda que de forma menos acentuada (-1,1%), de R$ 147 bilhões em dezembro de 2015 para R$ 146 bilhões no último mês de julho.

Ainda assim, o Brasil é um dos países cujos produtores convivem com a menor relação entre a receita bruta e recursos oficiais, indicou o consultor. Enquanto na Noruega 62% da receita bruta dos produtores é proveniente do governo, no Brasil apenas 2,6% da receita vem do Tesouro Nacional, de acordo com Wedekin.

Ele chamou a atenção também para a ainda baixa participação dos recursos emprestados por bancos a juros livres no montante de crédito rural, R$ 10,3 bilhões de um total de R$ 156,8 bilhões previstos em julho. O valor, contudo, é maior que os R$ 6,9 bilhões apurados há um ano. "Temos que buscar novas fontes de recursos e soluções de mercado são necessárias", apontou o consultor.

Em 2015, as cinco culturas que mais tomaram recursos de custeio foram soja, milho, café, cana-de-açúcar e arroz, nesta ordem, de acordo com dados apresentados por Wedekin. Já os Estados que mais tomaram crédito de custeio no ano passado foram Paraná (R$ 14,4 bilhões), Rio Grande do Sul (R$ 9,6 bi), São Paulo (R$ 9,3 bi), Minas Gerais (R$ 7,7 bi) e Mato Grosso (R$ 5,5 bi). (Agência Estado 29/08/2016)

 

Commodities Agrícolas

Suco de laranja: Risco de furacões: As previsões de furacões no Golfo do México voltaram a dar sustentação aos contratos futuros do suco de laranja ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em novembro fecharam a US$ 1,891 a libra-peso, avanço de 345 pontos. De acordo com a Agência Americana de Pesquisas Atmosféricas e Oceânicas (NOAA, na sigla em inglês), há a perspectiva de formação de um ciclone e de um sistema de depressão tropical na região. A previsão elevou as cotações em decorrência do potencial impacto dos dois fenômenos na Flórida, Estado americano que abriga o segundo maior parque citrícola do mundo. No mercado interno, o preço médio pago pela indústria pela caixa de 40,8 quilos de laranja em São Paulo ficou em R$ 19,94, segundo o Cepea, alta de 0,66%.

Algodão: Melhora climática: As recentes chuvas no Texas, Estado que concentra a produção de algodão dos EUA, pressionaram os contratos futuros da commodity ontem, refletindo a melhora das condições das lavouras americanas. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a 66,95 centavos de dólar a libra-peso, queda de 108 pontos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 48% das lavouras estavam em condições boas ou excelentes até o último dia 28, um ponto percentual acima do observado no dia 21. A avaliação, contudo, é inferior à apontada no mesmo período de 2015, quando 54% do algodão recebeu tal avaliação. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 82,54 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Milho: Produção recorde: A perspectiva de produção recorde de milho na safra 2016/17 nos EUA segue pressionando a cotação do grão na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam o pregão de ontem a US$ 3,2075 o bushel, queda de 4,25 centavos. Segundo a consultoria Pro Farmer, os EUA deverão colher 400 milhões de toneladas de milho no final da safa 2016/17, bem acima das estimativas oficiais, de 345,49 milhões de toneladas. A produção mundial também deprecia os contratos. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projeta que a produção mundial somará 1,028 bilhão de toneladas de milho ao longo da safra 2016/17 e os estoques globais, 220,8 milhões de toneladas. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa ficou em R$ 43,32 a saca de 60 quilos, desvalorização de 0,89%.

Trigo: Efeito Egito: Os contratos futuros de trigo registraram queda nas bolsas americanas ontem após o Egito, maior consumidor mundial do cereal, anunciar restrições à importação da commodity. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 3,97 o bushel na bolsa de Chicago, recuo de 10,5 centavos. Em Kansas, os contratos para entrega no mesmo mês fecharam a US$ 4,0225 o bushel, queda de 14,5 centavos. O Egito esclareceu no fim de semana que não vai mais aceitar cargas de trigo contendo qualquer indício do fungo "ergot". A decisão causou apreensão no mercado devido ao maior risco que os leilões de compra do país passaram a apresentar. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o cereal no Paraná ficou em R$ 828,81 a tonelada, recuo de 0,15%. (Valor Econômico 30/08/2016)