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Inferno astral na Microsoft

A Microsoft não tem tido sorte com o Brasil.

Depois de amargar uma queda de 15% nas vendas de softwares no mercado brasileiro em 2015 e principalmente com o Windows 10, a companhia de Bill Gates já acumula uma perda de receita de 20% nos primeiros seis meses do ano.

A área de software é responsável por cerca de dois terços do faturamento da empresa no Brasil. (Jornal Relatório Reservado 02/09/2016)

 

Recuo do dólar puxa queda de preço ao produtor

O dólar em queda de 4,4% em julho, segundo o IBGE, contribuiu para que os custos medidos pelo Índice de Preços ao Produtor (IPP) invertessem o sinal e levassem o indicador a cair 0,56% após alta de 0,50% em junho. Mas há ainda outras contribuições sobre o indicador, como mercado internacional com baixa demanda de minério de ferro e uma super-oferta de derivados do petróleo no exterior.

Esses fatores de demanda externa levaram a indústria extrativa a cair 11,94% em julho, de acordo com Manuel Campos Neto, técnico do IBGE responsável pelo IPP. Embora a atividade só represente 5% do IPP, o tombo forte fez com que a variação fosse a principal responsável pelo recuo no indicador mensal. É a menor taxa desde janeiro, quando recuou 14,43%.

Entre junho e julho, 16 das 24 atividades industriais tiveram redução de preços, apontou o IPP, que mede a variação dos preços dos produtos na porta de fábrica, sem impostos e fretes. A queda só não foi pior porque alimentos, grupo que representa 22% do índice, subiu 1,73%. A maior alta foi registrada em impressão, que avançou 2,96%, talvez devido a como a Olimpíada e eleição, sugeriu o pesquisador do IBGE.

Fatores climáticos estão prejudicando os produtores. O leite sofre com a seca, a soja passa por período de pouca oferta após problemas nas lavouras argentinas, e o açúcar está em queda. Esses fatores, destaca Manuel Campos, jogam para cima os preços dos alimentos, que já acumulam 7,74% de alta no ano até julho.

O início da recuperação da indústria, apontada pelos dados do PIB, de alta de 0,3% no segundo trimestre, podem levar os industriais a repassar parte dos custos, pressionando o IPP, admitiu o técnico. Por outro lado, pode não haver espaço para o repasse, ponderou.

É o que indica o resultado acumulado em 12 meses, que somou 4,3% em julho, o menor patamar desde março do ano passado, quando ficou em 3,15%. Nesse período, o dólar teve alta de 1,6%. Em julho, a queda de preços de 0,56% ante junho foi sentida em bens de capital, que teve queda de 1,48% no período. Esse grupo é um dos mais afetados pelo dólar e inclui produtos como aviões e tratores agrícolas. (Valor Econômico 02/09/2016)

 

Açúcar compensa soja nas exportações

O sobe e desce dos preços e das quantidades exportadas de produtos agropecuários está garantindo um bom saldo para a balança comercial neste ano.

As expectativas iniciais eram de receitas menores neste ano devido à redução internacional dos preços das commodities.

Passados oito meses, a balança comercial perde receitas em alguns produtos, mas ganha força em outros.

A líder soja, apesar do recorde no volume exportado neste ano, tem empate nas receitas, em relação às do ano anterior.

Segundo a Secex, as exportações de soja em grãos renderam US$ 17,9 bilhões no ano. O volume exportado soma 48,2 milhões de toneladas, 5% mais do que em 2015.

A perda de ritmo das receitas da oleaginosa, em relação às dos anos anteriores, é compensada, em parte, pelo açúcar e pelo milho.

Com o déficit mundial da produção de açúcar, em relação à demanda, os preços ganharam força neste ano.

Com isso, as receitas com o produto renderam US$ 6,12 bilhões nos oito primeiros meses, 27% mais do que em igual período anterior.

Outro setor de destaque é o milho, cujas exportações recordes de 15,9 milhões de toneladas renderam US$ 2,65 bilhões até agosto.

O volume de exportações do cereal cresceu 141% no ano, enquanto as receitas subiram 66%, segundo a Secex.

As carnes, bovina, suína e de frango– também dão bom impulso à balança comercial. Mesmo com a queda externa de preços, as receitas somam US$ 7,7 bilhões neste ano, um valor próximo do de 2015 –US$ 7,8 bilhões.

Esses valores da Secex consideram apenas as exportações de carnes "in natura".

Chegou perto

As vendas externas de etanol renderam US$ 713 milhões de janeiro a agosto. O valor encosta nos US$ 728 milhões do suco de laranja.

Ritmo melhor

Os dados são da Secex, que indica evolução de 48% nas exportações de etanol e de 17% nas de suco de laranja no período.

Ainda ruins

As receitas com as exportações de minério de ferro e de petróleo, após um ano difícil em 2015, caem menos neste ano.

Os números

O minério de ferro, segundo item da balança, rendeu US$ 7,76 bilhões no ano, com queda de 18%. Já o petróleo, cujas exportações somaram US$ 6 bilhões, teve queda de 30%.

A passos largos

Há dez anos, as receitas com as vendas externas de soja representavam 7,6% do total das exportações brasileiras. Neste ano, estão em 19%.

Impulso no preço

O clima adverso na Flórida elevou os preços do suco de laranja para os maiores patamares em quatro anos. O primeiro contrato subiu 4,83% nesta quinta-feira (1º) em Nova York, para US$ 1,91 por libra-peso. (Folha de São Paulo 02/09/2016)

 

Commodities Agrícolas

Suco de laranja: Ameaça concreta: A ameaça concreta de a Flórida ser atingida por um furacão após mais de dez anos sem registro desse tipo de fenômeno impulsionou os contratos futuros do suco de laranja ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em novembro fecharam a US$ 1,9285 a libra-peso, valorização de 875 pontos. A depressão tropical que se encontrava no Golfo do México converteu-se em ciclone tropical nas últimas 36 horas e tem se movimentado em direção ao norte do Estado americano, com potencial de reduzir ainda mais a produção local de laranja. Estima-se que a safra deste ano seja a menor desde 1964. No mercado interno, o preço médio pago pela indústria pela caixa de 40,8 quilos de laranja em São Paulo ficou em R$ 20,32, alta de 0,84%, segundo o Cepea.

Algodão: Aumento das vendas: O aumento das vendas semanais de algodão dos EUA deram fôlego às cotações do produto ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a 68,18 centavos de dólar a libra-peso, alta de 260 pontos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os EUA venderam 76,66 mil toneladas de algodão na semana móvel encerrada no último dia 25. O volume é 20,8% superior ao registrado na semana anterior, encerrada no dia 18, quando foram vendidas 63,44 mil toneladas da pluma. Os EUA são o maior exportador mundial da fibra e têm enfrentado uma demanda mais restrita devido à política de liquidação de estoques da China. Na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 83,39 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Reação limitada: A venda de 1,58 milhão de toneladas de soja americana na semana encerrada em 25 de agosto, reportada pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), levou os contratos futuros do grão a uma reação após sete sessões consecutivas de queda. Os papéis com vencimento em novembro fecharam a US$ 9,4375 o bushel, leve alta de 0,75 centavo. Mas, de acordo com Andrea Cordeiro, analista da Labhoro Corretora, ainda pesa sobre o mercado a expectativa de uma nova safra recorde nos EUA, que poderá superar a 100 milhões de toneladas. "Se não houver nenhuma novidade, essa alta pode ter sido apenas um respiro", destaca Cordeiro. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 79,47 a saca de 60 quilos, alta de 0,35%.

Milho: Demanda firme: Assim como a soja, os contratos futuros do milho reagiram ao dados de vendas externas divulgados ontem pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os papéis do cereal com vencimento em dezembro fecharam ontem a US$ 3,2375 o bushel na bolsa de Chicago, alta de 8,25 centavos. Segundo o USDA, os americanos fecharam contratos para exportação de 861,6 mil toneladas de milho. Desse volume, 647,5 mil toneladas são produto da safra 2016/17, que deve ter uma colheita recorde de 345,49 milhões de toneladas. O órgão informou ainda a venda de 129,54 mil toneladas de milho para o México. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 42,40 a saca de 60 quilos, com desvalorização de 0,73%. (Valor Econômico 02/09/2016)