Macroeconomia e mercado

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Olam: Café e açúcar

Uma das maiores produtoras de café do Brasil, a asiática Olam pretende entrar no mercado de açúcar, com a compra de usinas sucroalcooleiras no país.

Não lhe falta caixa para isso.

Um dos acionistas da Olam é o Temasek, fundo soberano de Cingapura. (Jornal Relatório Reservado 05/09/2016)

 

Fundos determinam preços das commodities agrícolas

A semana do mercado de commodities agrícolas foi marcada mais pelas participações dos fundos de investimentos no setor do que pelos fundamentos (produção, safra e demanda).

Os volumes de safras nos Estados Unidos estão praticamente definidos e não devem mudar muito. No caso do da soja, produto que ainda poderá ter algumas variações, as estimativas particulares esperam até 112 milhões de toneladas, acima dos 110 milhões previstos pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Os fundos de investimento, que detinham 17,3 milhões de toneladas de soja nas mãos no dia 23 de agosto, se desfizeram de 3,7 milhões, chegando ao dia 30 com 13,6 milhões.

O volume nas mãos dos fundos acaba sendo considerado elevado porque esse é um período que antecede o início da safra nos Estados Unidos. Em geral, do final de agosto ao início de outubro, o período é de queda nos preços.

Mas Daniele Siquera, da AgRural, diz que ainda há dúvidas sobre o comportamento do mercado nas próximas semanas..

Se de um lado haverá uma supersafra, de outro a demanda mundial continua forte, e os Estados Unidos têm estoque reduzido de soja.

Supersafra e vendas pelos fundos seriam um sinal de queda de preços no mercado. Os fundos poderiam estar segurando um estoque razoável de contratos nas mãos, no entanto, porque os Estados Unidos estarão sozinhos na oferta de soja até fevereiro.

O Brasil está praticamente sem soja, os números de exportações de agosto mostram isso, e a Argentina também tem oferta reduzida devido à quebra de produção, afirma Siqueira.

Já com relação ao milho, a situação está mais bem definida, o que justifica o fato de os fundos estarem com 20,6 milhões de toneladas do cereal vendidos.

Ao contrário do que ocorre com a soja, a participação dos chineses no milho é insignificante, em relação ao volume mundial produzido.

Segundo avaliações da AgRural, o perigo é a soja ter uma redução para valores inferiores a US$ 9 por bushel (27,2 quilos), o que aumentaria o apetite chinês pelo produto norte-americano, cuja safra antecede as brasileira e argentina.

A soja fechou nesta sexta-feira (2) a US$ 9,53 por bushel no contrato de novembro em Chicago, com queda em relação aos US$ 9,67 de há uma semana.

O milho teve pequena elevação, atingindo US$ 3,29 por bushel (25,4 quilos), ante US$ 3,25 em 26 de agosto. (Folha de São Paulo 03/09/2016)

 

Daimler planeja pelo menos seis modelos de carros elétricos

A montadora alemã Daimler planeja lançar pelo menos seis, e possivelmente até nove, modelos de carros elétricos como parte de seu esforço para competir com a Tesla e com a Audi, da Volkswagen, disse à Reuters uma pessoa familiarizada com os planos da Daimler.

A montadora continua rumo a apresentar um novo carro elétrico no salão do automóvel de Paris no próximo mês. Em julho, a montadora alemã disse que tinha acelerado o desenvolvimento de carros elétricos, segmento hoje dominado pela rival norte-americana Tesla.

A revista alemã Automobilwoche citou anteriormente fontes da empresa dizendo que a Daimler traria ao mercado mais de seis modelos de carros elétricos entre 2018 e 2024.

As empresas alemãs estão investindo fortemente em carros elétricos, um segmento antes negligenciado pela indústria, com clientes que evitavam seu alcance limitado e o alto custo.
No entanto, uma crescente reação política contra a emissão de óleo diesel e os recentes avanços na tecnologia de bateria para aumentar o alcance de um carro elétrico em até 50 por cento têm estimulado grandes investimentos pela Volkswagen, Daimler e fornecedores como Bosch e Continental. (Reuters 03/09/2016)

 

Custo da produção de soja no Mato Grosso aumenta

Segundo o Imea, Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, o item que ficou mais caro foi a semente.

Os produtores de soja no Mato Grosso se preparam para iniciar o plantio de uma nova safra, mas estão preocupados com o aumento dos custos da produção.

Em Sinop, norte do estado, as sementes só deverão ser cultivadas a partir do dia 15 de setembro, quando termina o vazio sanitário da soja no estado, mas o agricultor sabe que terá que gastar mais para plantar a lavoura.

O produtor rural Gilberto Baldissera citou a alta dos preços de insumos como principal razão para o aumento do custo: "Com certeza esse ano vai ficar bem mais caro porque o produto mesmo subiu. Uns nem tanto, mas outros subiram. Estão 20, 25% mais caros que o ano passado".

Segundo o produtor, dois itens pesam mais nas despesas da lavoura: sementes e agrotóxicos. As contas são feitas em sacas de soja.

No caso de Gilberto, na safra anterior ele fechou os custos por hectare em 36 sacas, na época a cotação dela estava em R$ 52. Agora, ele estima que gastará do plantio a colheita 40 sacas, mas com a cotação em R$70.

Segundo o Imea, Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, o estado deve colher quase 30 milhões de toneladas de soja na próxima safra. Também de acordo com o instituto, o item que mais aumentou para o agricultor foi a semente: 27% em relação a última safra. (Globo Rural 04/09/2016)

 

Os fundos não vão desistir tão cedo – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana em 20.18 centavos de dólar por libra-peso, queda de 37 pontos (pouco mais de 8 dólares por tonelada) no vencimento outubro/2016 em relação à semana anterior. Já o vencimento março/2017 fechou a 20.82 centavos de dólar por libra-peso, uma redução de 27 pontos no mesmo período. O spread outubro/março enfraqueceu mais 10 pontos na semana, mostrando que a demanda do físico continua aquém do esperado.

Há um mês que o mercado tenta realizar lucros fortemente e buscar a região dos 19.50 centavos de dólar por libra-peso, sem lograr êxito. Estamos vivendo um período de grandes oscilações no preço. Nos últimos quatro meses, por exemplo, assistimos as oscilações diárias (diferença entre a máxima e a mínima negociada no dia em relação ao fechamento do mercado no dia anterior) ultrapassarem 4.3%, em dezesseis ocasiões. Apenas no último mês isso ocorreu 5 vezes. A oscilação média em agosto foi de 61 pontos. Nesses quatro meses a oscilação diária foi mais ampla do que 61 pontos em 38 pregões, 10 pregões no último mês apenas.

Toda vez que o mercado se aproxima dos 19.50 centavos de dólar por libra-peso, uma avalanche de compras aparece. Será apenas coincidência que a posição em aberto das puts (opções de venda) de preço de exercício de 19 centavos de dólar por libra-peso seja a maior com mais de 10.000 lotes?

Temos razões de sobra para acreditar que, como dissemos aqui reiteradamente, a única coisa que pode mudar a trajetória do mercado de açúcar para patamares mais altos (23-24 centavos de dólar por libra-peso) é o preço do petróleo. Os fundos não-indexados continuam carregando sua pantagruélica posição comprada de 327 mil contratos e não nos parece que eles vão desistir dessa posição tão cedo, principalmente quando percebem do suporte que existe em torno dos 19-19.50 centavos de dólar por libra-peso, graças às tradings.

A curva ascendente do dólar via NDF (contrato a termo de dólar para entrega futura liquidado financeiramente) estimula algumas empresas a apontarem os lápis e anteciparem suas fixações em reais por tonelada dos contratos de exportação de açúcar para a safra 2018/2019. É isso mesmo que você leu. Algumas empresas querem aproveitar os excelentes preços em reais o vencimento maio/2018.

Com a possibilidade de um real estabilizado naquele vencimento futuro, segundo a estimativa de alguns conceituados economistas, o valor obtido hoje em reais por tonelada fazendo a fixação via esse instrumento financeiro só seria igualada se o mercado de açúcar em NY negociasse a 24.36 centavos de dólar por libra-peso, quase 600 pontos acima do que o maio/2018 negociava na sexta-feira. Pelo mesmo raciocínio, os preços médios em centavos de dólar por libra-peso para as safras 2017/2018 (maio, julho, outubro e março) e 2018/2019 teriam, em tese, espaço para subir 400 e 600 pontos, respectivamente, em relação aos níveis médios atuais.

Corroborando com essa tese, o modelo de previsão de preços da Archer Consulting aponta que o contrato futuro de açúcar em Nova Iorque poderá chegar aos 23.44 centavos de dólar por libra-peso até o final deste ano. No mês passado, o modelo indicava que no mês de agosto o preço médio de NY ficaria em 20.07 centavos de dólar por libra-peso, ficou em 20.01. A tendência de melhores preços adiante parece estar se confirmando. No acumulado do ano, a diferença entre o preço médio estimado e o realizado é de apenas 1.60%.

A dívida do setor, segundo levantamento da Archer no final de agosto, é de R$ 84,85 bilhões, sendo 34.7% dessa dívida em dólares americanos.

Acabou o pesadelo. O Brasil se livrou de Dilma e do PT que deverá tomar uma surra nas eleições municipais deste ano. Estamos longe da estabilidade, no entanto. Já seria muito bom se o governo olhasse com atenção para o mercado energético onde nos inserimos. Bastariam algumas medidas que trouxessem de volta a segurança que o investidor precisa para investir na expansão do setor, que teria potencial de consumir adicionais 225 milhões de toneladas de cana para os próximos cinco anos. Transparência na formação de preço dos combustíveis faria toda a diferença. Um nome como o de Adriano Pires, sócio-diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), por exemplo, para capitanear essas mudanças tão necessárias, também.

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Commodities Agrícolas

Açúcar: Alta especulativa: O cenário macroeconômico propício à tomada de risco pelos investidores alavancou as cotações do açúcar demerara na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os papéis com vencimento em março de 2017 fecharam a 20,77 centavos de dólar a libra-peso, alta de 59 pontos. Os dados mais fracos da economia dos Estados Unidos divulgados na semana passada reduziram a possibilidade de uma elevação da taxa de juros do país, o que favoreceu ativos de risco. Segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), os fundos detinham um saldo líquido comprado de 285.488 contratos até o último dia 30. No mercado interno, o Indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 85,75 a saca de 50 quilos, queda de 0,80%.

Suco de laranja: Hermine perde força: O enfraquecimento do furacão Hermine, o primeiro a atingir a Flórida em 11 anos, levou a uma correção técnica no valor dos contratos futuros do suco de laranja na bolsa de Nova York na última sexta-feira. Os papéis com vencimento em novembro fecharam a US$ 1,8655 a libra-peso, recuo de 630 pontos. Todos os alertas de furacão foram retirados pelas agências meteorológicas dos EUA, mas o Estado permanece atento para os efeitos da tempestade. A Flórida é o principal fornecedor de laranja para a indústria americana de sucos e deve registrar sua pior produção em 52 anos devido à instabilidade climática. No mercado interno, o preço médio pago pela indústria pela caixa de 40,8 quilos de laranja em São Paulo ficou em R$ 20,15, queda de 0,84%, segundo o Cepea.

Algodão: Atenção à demanda: A perspectiva de que haja um avanço apenas de pequenas proporções na demanda chinesa por algodão pressionou os preços da fibra na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os papéis para dezembro fecharam a 67,79 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 39 pontos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a China deve importar 980 mil toneladas da pluma no ano­safra 2016/17, volume próximo das 962 mil toneladas adquiridas no ciclo anterior. A China lidera as importações mundial da commodity e desde o início deste ano tem liquidado 30 mil toneladas diárias de seus estoques de algodão. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 83,39 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Trigo: Compras indianas: A possibilidade de a Índia reduzir Compras indianas A possibilidade de a Índia reduzir seus impostos sobre a importação de trigo para suprir os reduzidos estoques internos após duas safras frustradas no país deu fôlego às cotações do cereal nas bolsas americanas na última sexta-feira. Em Chicago, os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 3,9925 o bushel, alta de 4,50 centavos. Em Kansas, o cereal com entrega para o mesmo mês fechou a US$ 4,1325, alta de 6,75 centavos. De acordo com o banco alemão Commerzbank, a Índia já importou 600 mil toneladas de trigo desde o início de 2016, o maior volume em nove anos. O país é o segundo maior produtor e consumidor mundial da commodity. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o trigo no Paraná ficou em R$ 757,38 a tonelada, recuo de 4,54%. (Valor Econômico 05/09/2016)