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Brasil pode ser estratégico para segurança alimentar e energética na China

A demanda cada vez maior por alimento e energia limpa e renovável na China representa, no longo prazo, uma oportunidade de bons negócios para a indústria canavieira nacional. Maior comprador mundial de açúcar e principal destino das exportações brasileiras, o gigante asiático, que no último domingo (4) e ontem (5), sediaram a reunião da Cúpula do G20, enfrenta enormes desafios diante das altas taxas de crescimento demográfico e melhoria na qualidade de vida da sua população.

O diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar/SP (UNICA/SP), Antônio de Pádua Rodrigues (Foto), ressalta a importância de se estreitar o relacionamento entre Brasil e China não apenas para incrementar o comércio entre as duas nações, como para promover o desenvolvimento sustentável no maior país emissor de gases de efeito estufa do planeta.

Outra oportunidade, segundo o executivo, poderá surgir no mercado chinês de energias renováveis. “Visto que a China anunciou a aprovação do acordo global sobre o clima, podemos buscar mais espaço para o etanol de cana. Tendo a matriz energética muito dependente do carvão e petróleo, os chineses terão que fazer um enorme esforço, nos próximos quinze anos, para diversificar fontes de energia limpa”, avalia o diretor da UNICA/SP, lembrando o potencial do produto brasileiro de reduzir em até 90% a emissão de CO2 em relação à gasolina e até 80% em comparação ao diesel.

Donos de uma frota automotiva composta por mais de 217 milhões de veículos, quase todos movidos por combustíveis fósseis. Em algumas cidades, os níveis de poluição provenientes do tráfego são considerados alarmantes pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Dados da UNICA revelam que o uso do etanol no Brasil, em mistura com a gasolina (anidro) ou seu uso autônomo como combustível nos veículos Flex (hidratado), evitou, de março de 2003 a maio de 2016, que mais de 350 milhões de toneladas de CO2 fossem despejadas na atmosfera (Unica 06/09/2016)

 

Vantagem do GNV sobre etanol varia entre 39% e 62%, diz pesquisa da Abegás

O uso de Gás Natural Veicular (GNV) pode render uma economia de 39% a 62% em relação ao etanol. Já na comparação com a gasolina, o gás é entre 43% e 58% mais vantajoso, aponta um estudo realizado pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) em 16 estados. O Rio de Janeiro é o estado em que o GNV é mais competitivo, enquanto no Paraná a vantagem é menor, seja qual for o combustível.

Conforme destacou a Abegás, na comparação com o etanol, em 14 Estados a economia para quem usa GNV é igual ou superior a 50% ante o etanol. Além do Rio de Janeiro, com 62%, Espírito Santo, Pernambuco e Santa Catarina também apresentam significativa competitividade, todos com um porcentual de 60% de economia. Na sequência aparecem Alagoas (58%), Sergipe (57%), Paraíba (56%), Rio Grande do Norte (55%), Rio Grande do Sul (55%), Ceará (54%), Bahia (53), Minas Gerais (51%), Mato Grosso do Sul (50%) e São Paulo (50%).

Na comparação com a gasolina, em seis Estados o GNV tem competitividade na casa dos 50%. Além de Rio de Janeiro, com 58%, destaque para Pernambuco (54%), São Paulo (53%), Espírito Santo (52%), Santa Catarina e Minas Gerais, ambos com 51%.

"O GNV segue sendo uma alternativa muito competitiva, não só para táxis e frotas, mas também para motoristas particulares que rodam com mais intensidade", afirma o presidente executivo da Abegás, Augusto Salomon.

O estudo, realizado na segunda quinzena de agosto, calculou a relação do custo por quilômetro rodado a partir do consumo médio de cada combustível com base nos preços médios apurados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na terceira semana do mês.

Como referência para estimar a performance com cada combustível, a Abegás usa o Fiat Siena, que traz em seu manual de fábrica o consumo médio com os três combustíveis: 13,2 km por metro cúbico de GNV; 10,7 km/litro de gasolina; e 7,5 km/litro de etanol. A estimativa de economia mensal é medida com base em veículos que rodem 2.500 km por mês. (Agência Estado 06/09/2016)

 

Coreia deve comprar mais do Brasil e não só vender, afirma Maggi em Seul

Como que com um "puxão de orelha", o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, declarou para mais de 100 empresários em Seul, na Coreia do Sul, que o país asiático tem de comprar mais do Brasil e não apenas vender carros e televisores. O ministro, que acompanha o presidente Michel Temer na Ásia em busca de novos mercados, pontuou ainda entender o comércio internacional como uma via de mão dupla.

Seul é uma das rotas da Missão Ministerial e Empresarial na Ásia, iniciada no final de agosto. A previsão é que o grupo formado por Maggi e representantes do Ministério fiquem no continente até o dia 25 de setembro.

As negociações entre Brasil e Coreia do Sul para a venda de carne suína entraram em reta final, segundo informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O Brasil quer ainda iniciar as conversar para a abertura de portos para a carne bovina.

"Tenho carros da Hyundai, TV Samsung, sou um típico consumidor de produtos coreanos. Nós queremos ampliar o comércio com a Coreia. Mas, para isso, é preciso que, em contrapartida o país aumente a compra de produtos brasileiros", declarou Blairo Maggi durante palestra para mais de 100 empresários coreanos e brasileiros em Seul.

Entre os empresários coreanos que participaram da palestra com Maggi estava o presidente da Associação dos Importadores da Coreia (Koima), Myoung Jin Shin, considerada uma poderosa entidade. Já do lado brasileiro representantes de grande empresas, como a Marfrig, que possui uma planta de beneficiamento de carnes nos arredores de Seul, e a BRF, que tradicionalmente exportam para a Ásia.

Conforme Blairo Maggi, o "Brasil sairá rapidamente da crise se ampliarmos nossas exportações e queremos priorizar o mercado asiático onde está 51% da população mundial". (Olhar Direto 07/09/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Oferta apertada: Os futuros do café subiram ontem na bolsa de Nova York diante de sinais de que a oferta seguirá apertada no novo ciclo. Os lotes do arábica para dezembro subiram 135 pontos, a US$ 1,551 a libra-peso. Após uma safra menor no Brasil em 2015/16, já há receios com a temporada 2016/17. Analistas temem que geadas afetem áreas produtoras onde houve florescimento. Aliada à menor oferta brasileira, a demanda segue em alta no mundo. Caroline Bain, da Capital Economics, observou, em relatório, que as previsões para o crescimento dos países desenvolvidos e emergentes indicam que a demanda por café vai subir na safra 2017/18. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica ficou estável na terça-feira (última data com dados disponíveis), a R$ 498,62 a saca.

Cacau: Recuo técnico: As negociações do cacau mudaram de rumo no meio do pregão de ontem na bolsa de Nova York e fecharam em baixa sob o peso de uma realização de lucros, apesar do suporte oferecido pelos fundamentos. Os lotes para dezembro fecharam a US$ 2.909 a tonelada, uma queda de US$ 14. Os traders, porém, seguem receosos com a falta de cacau para suprir a demanda global. As entregas feitas pelos produtores da Costa do Marfim nos portos na safra atual (2015/16), que termina no fim do mês, seguem abaixo dos níveis do ciclo passado. Segundo a consultoria Zaner, o combate à produção ilegal em reservas ambientais pode ter afetado a produção do país. Em Ilhéus e Itabuna, os preços subiram R$ 1 na terça-feira, para R$ 154 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Tempestade nos EUA: As cotações do algodão fecharam no campo positivo ontem na bolsa de Nova York, ampliando os ganhos de terça-feira. Os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 69,54 centavos de dólar a libra-peso, um avanço de 30 pontos. Os investidores continuam apreensivos com os efeitos da tempestade Hermine sobre as lavouras da Georgia, em desenvolvimento. Segundo Jack Scoville, da Price Futures Group, a tempestade provocou chuvas pesadas na região que podem ter afetado as plantas cujas maçãs (uma parte sensível do algodão) já estão abertas. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 30% das lavouras estão nesse estágio. No mercado interno, o preço médio do algodão em pluma na Bahia calculado pela associação local de produtores (Aiba) ficou em R$ 82,71 a arroba.

Soja: Demanda e clima: Sinais de demanda aquecida pela soja americana e previsões de chuva para o Meio-Oeste americano forneceram impulso para as cotações da soja na bolsa de Chicago. Os lotes para novembro subiram 15,75 centavos, para US$ 9,755 o bushel. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que exportadores acertaram a venda de 220 mil toneladas de soja para a China. Alguns analistas estimam que os estoques finais da safra 2015/16 podem ter ficado abaixo do esperado diante do aumento das exportações. As cotações também encontraram sustentação nas previsões de chuva para os próximos dez dias no Meio­Oeste americano, o que deve atrasar os trabalhos em campo. Na Bahia, o preço da soja ficou em R$ 64,50, segundo a associação local de produtores (Aiba). (Valor Econômico 08/09/2016)