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União Europeia suspende análise da fusão entre Dow e DuPont

A agência reguladora antitruste da União Europeia (UE) informou nesta sexta-feira, 9, que suspendeu os prazos para a análise da proposta de fusão entre a Dow Chemical e a DuPont. O motivo seria que as empresas não submeteram importantes informações demandadas pelo órgão.

"A comissão parou o relógio em sua profunda investigação sobre a fusão proposta entre a Dow e a DuPont", disse o porta-voz da comissão, Ricardo Cardoso. "Para cumprir os prazos de fusão, as partes devem fornecer as informações necessárias para a investigação em tempo hábil".

A UE abriu em agosto uma profunda análise para avaliar as possíveis reduções de competição no mercado agrícola, de sementes e de petroquímicos com a fusão das duas gigantes.

Uma vez que as empresas apresentem os documentos necessários, a comissão vai retomar as análises. O mais recente prazo de conclusão do processo é no começo de 2017.

A fusão entre as companhias foi anunciada em dezembro do ano passado. A operação cria a DowDuPont, uma gigante com valor de aproximadamente US$ 130 bilhões. A DowDuPont será posteriormente dividida em três empresas distintas, com foco em agricultura, materiais industriais e produtos especiais.

Representantes das empresas foram procurados para comentar o assunto, mas não foram encontrados. Os prolongamentos dos prazos de fusões pela União Europeia são comuns. (Down Jones 09/09/2016)

 

Projeto Brazil Sugarcane gerou USD 138 mi em prospecções de negócios

O Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution, parceria entre o Arranjo Produtivo Local do Álcool (Apla) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) trouxe delegações internacionais para o espaço de negócios na 24ª Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética (Fenasucro), no fim de agosto, em Sertãozinho/SP.

As rodadas de negócios durante o evento contaram com a participação de 50 empresas brasileiras e 18 convidados internacionais. Durante o evento, foram registrados USD 382 mil em negócios fechados e mais de USD 138 milhões em expectativas de negócios que podem ser efetivados em até 12 meses.

Em apenas quatro dias foram gerados, oficialmente, 562 encontros de negócios para promoção de toda a cadeia produtiva da cana-de-açúcar brasileira. "Nesta oportunidade, atraímos clientes em potencial vindos da Argentina, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, México, Nicarágua, Peru, Uruguai e Venezuela, o que mostra o interesse global nos produtos, soluções, tecnologias e serviços ofertados pelo mercado brasileiro", avaliou o diretor executivo do Apla, Flavio Castelar (Foto).

Pela primeira vez no evento, Franklin Esperon, superintendente do Engenho Presidente Benito Juarez, do México, participou das rodadas de negócios em busca de novas tecnologias na área de produção de açúcar. "Buscamos continuar projetando a planta e incrementar nossa moenda, temos a meta de aumentar de 12 para 15 mil toneladas decana por dia, aqui no Brasil queremos assessoria da tecnologia brasileira, para aumentar nossa produção", disse.

Presente no espaço de negócios, Guilherme Pfisterer, gerente da área de Comércio Exterior do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), acredita que a iniciativa do Projeto Brazil Sugarcane é fundamental para desenvolver negócios. "Com a diminuição da atividade interna no Brasil, as empresas estão em busca da exportação, assim elas ficam mais protegidas das sazonalidades e isto só trará benefícios para a própria empresa e para o País", disse.

Mais do que vendas imediatas, o Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution tem a finalidade de aumentar os destinos da exportação brasileira, construir mercado externo e ampliar o relacionamento com potenciais clientes. "O processo de compra de nossos produtos e serviços é de médio prazo, neste primeiro momento a intenção é mostrar nossa tecnologia, inovação e eficiência em produção e processamento da cana-de-açúcar", declarou Castelar.

Na ação comercial do Projeto Brazil Sugarcane, os compradores estrangeiros fizeram visitas técnicas na região de Ribeirão Preto. Os visitantes internacionais conheceram as instalações da Usina Viralcool - Unidade Castilho e do Instituto Agronômico Campinas (IAC) onde acompanharam palestras proferidas por pesquisadores e também visitaram os campos de pesquisa em cana-de-açúcar da unidade. (Brasil Agro 12/09/2016)

 

Meteorologistas seguem divergindo sobre intensidade do La Niña

Que o La Niña será um componente a mais da nova safra de verão do Brasil isso já é certo. Qual será a intensidade desse fenômeno, porém, ainda é uma questão de debate entre os especialistas, bem como seus impactos para a agricultura brasileira. Os percentuais de probabilidade divulgados nos últimos dias têm se mostrado diferentes entre agências climáticas dos EUA, Japão e Austrália, além dos meteorologistas brasileiros.

Nesta sexta-feira, a Agência Meteorológica do Japão informou que o La Niña deverá continuar atuando durante todo o período do verão no hemisfério Sul (inverno no hemisfério Norte) e que tem 70% de chances de ocorrer efetivamente. O anúncio vem um dia depois do Climate Prediction Center (CPC) do Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA indicar uma queda em sua projeção para 40%, contra os 75% estimados em junho, de 55 a 60% em julho. "A superfície dos oceanos continua se resfriando, porém, em um ritmo mais lento", informou o centro norte-americano. Sua próxima atualização será feita em 13 de outubro.  

Para o Instituto de Meteorologia da Austrália, a possibilidade de um La Niña tardio e de fraca intensidade continua presente. De acordo com suas últimas informações sobre a condição atual, informadas em 30 de agosto, o período é de neutralidade climática, porém, com partes do Pacífico Equatorial mais frias do que o comum para esta época do ano. As atualizações do órgão australiano saem no dia 13 de setembro.

"Três modelos pesquisados indicam que o La Niña a se desenvolver deverá acontecer mais tarde e se manter durante a primavera do hemisfério Sul ou durante o verão. Um fenômeno mais tardio como este não seria usual, mas também não é sem precedentes. Se ele realmente acontecer, será bem menos intenso do que o registrado entre 2010 e 2012", informou o instituto australiano em seu último boletim.

Como explicou o meteorologista Alexandre Nascimento, da Climatempo, realmente este deverá ser um La Niña de fraca intensidade, mas conta com todas as características para que realmente aconteça. "Precisamos ter, pelo menos, três meses de anomalia de 0,5ºC negativo (nas águas de superfície dos oceanos), e já estamos há mais de dois abaixo disso", diz. "Portanto, o produtor rural brasileiro ainda tem que manter sua cautela", completa.

O meteorologista explica que, nesse quadro, o planejamento dos agricultores que neste momento estão se preparando para dar início ao plantio da nova safra de verão deve ser ainda mais detalhado, com um escalonamento maior dos trabalhos de campo, de forma a aproveitar de forma adequada os próximos momentos de chuva.

"Será um início de safra muito irregular", alerta Nascimento. Na segunda quinzena de setembro, as precipitações já deverão a ficar mais escassas e pontuais e esse padrão pode se estender até a primeira metade de outubro, com uma condição melhor somente na segunda quinzena do próximo mês", explica.

Dessa forma, o especialista faz ainda um outro alerta: "o produtor não pode se impressionar com as primeiras chuvas". As atuais condições do solo em regiões onde houve seca causada pelo El Niño são ainda muito ruins, registram déficit hídrico e demoram a se reestabelecer. No entanto, Nascimento acredita que as condições este ano, no geral, devem ser bem melhores do que as do ano passado para a agricultura nacional.

Impactos para a agricultura

Caso essa menor intensidade prevista pelo serviço norte-americano de clima se confirmar, deverá ser bem-vinda para o Brasil e para a Argentina, de acordo com especialistas internacionais. "Isso irá, certamente, favorecer a América do Sul, já que os produtores poderão ver condições mais úmidas por lá", diz o agrometeorologista sênior do instituto particular de meteorologia MDA Information Systems, Donald Keeney, em entrevista à agência de notícias Reuters Internacional.

Entretanto, caso as condições sejam de neutralidade climática, podem comprometer os produtores de algodão da Índia, que é o maior produtor mundial da fibra. Afinal, o La Niña tende a incentivar as chuvas de monções e, ao contrário disso, as precipitações deverão ficar menos intensas.

Países não só como a Índia, mas também a Indonésia e a Tailândia poderiam receber, no início efetivo do fênomeno, mais chuvas, as quais beneficiariam culturas como a palma e a cana de açúcar, que vêm sofrendo com precipitações abaixo da média já há dois anos por conta do La Niña.

No Brasil

Região Sul

Ainda com informações da Climatempo, as chuvas para o Sul do Brasil não deverão ser tão frequentes e a tendência é de que oscilem perto da normalidade. Para os produtores, isso deve ser bom, uma vez que o excesso de umidade no último ano causou alguns transtornos.

Sudeste e Centro-Oeste

Para o Sudeste e o Centro-Oeste as expectativas também são de que as chuvas voltem a se normalizar, porém, um pouco mais tarde. Em anos de La Niña, ainda de acordo com a Climatempo, s precipitações demoram um pouco mais para chegar e costumam se estender mais a partir do momento em que se estabelecem. É o deslocamento do período úmido. Setembro deverá se concluir mais seco, outubro com algumas chuvas da metade para o final e, em novembro, precipitações mais regulares são esperadas.

Nordeste

Em 2017, o Nordeste deverá contar com condições muito melhores do que as observadas nos últimos anos, em que as chuvas foram bastante raras. As ocorrências de precipitações deverão ser mais regulares, cenário que já não é observado desde 2012. (Notícias Agrícolas 09/09/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Sem direção: Após uma sessão sem direcionamento definido, os contratos futuros do açúcar demerara encerraram o último pregão da semana passada em queda na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em março de 2017 fecharam a 20,69 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 19 pontos. Embora a melhora do clima na Ásia após o início das chuvas de monções na Índia e na Tailândia pressione os contratos, a perspectiva de uma menor moagem no Brasil após as recentes chuvas na região Centro-Sul limitou as perdas ao fim do pregão. Maior produtor mundial de açúcar, o Brasil passou por irregularidades climáticas ao longo da safra 2015/16. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 86,34 a saca de 50 quilos, queda de 0,23%.

Café: Ajuste técnico: Após um ajuste técnico nas cotações antes do fim de semana, os contratos futuros do café arábica registraram queda no pregão da última sexta-feira. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 1,5115 a libra-peso, recuo de 375 pontos. O mercado futuro do café passou por uma série de interrupções ao longo da última semana, feriado do Labor Day nos EUA na segunda-feira e da Independência do Brasil na quarta-feira. "Esse sobe e desce tem mais a ver com o dólar frente o real do que uma mudança de fundamentos de mercado, que não deve ocorrer tão cedo", avalia Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica em São Paulo ficou em R$ 499,16 a saca de 60 quilos, recuo de 0,44%.

Cacau: Melhora no clima: As melhores perspectivas em relação ao clima para a próxima safra de cacau no oeste da África pressionaram os contratos futuros da amêndoa na bolsa de Nova York na última sexta-feira. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 2.762 a tonelada, queda de US$ 123. "As chuvas na Costa do Marfim no último mês ficaram bem acima da média e isso está ajudando a melhorar as estimativas de produção para a safra principal, que começa em outubro", destacou a Zaner Group, em nota. A Costa do Marfim é o maior produtor mundial de cacau e sofreu com a falta de chuvas ao longo da última temporada. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio do cacau ao produtor ficou em R$ 149 a arroba, queda de 1,32%, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Atenção à Flórida: A previsão de formação de novos ciclones tropicais nas proximidades da Flórida no último fim de semana deu sustentação aos contratos do suco de laranja no pregão da sexta-feira na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em novembro fecharam a US$ 1,9745 a libra-peso, avanço de 170 pontos. De acordo com a Agência Americana de Pesquisas Atmosféricas e Oceânicas (NOAA, na sigla em inglês), havia 10% de chances de formação de um ciclone entre Cuba e a Flórida, o Estado é o principal produtor de citros dos EUA. Também havia as mesmas chances de formação de outros dois ciclones mais distantes no oceano Atlântico. No mercado interno, o preço médio da caixa de laranja destinada à indústria em São Paulo ficou estável em R$ 20,16, segundo o Cepea. (Valor Econômico 12/09/2016)