Macroeconomia e mercado

Notícias

Potash Corp e Agrium anunciam fusão

As canadenses Agrium e Potash Corp of Saskatchewan fecharam acordo para unir operações, em uma operação que criará uma gigante do setor de fertilizantes com valor de mercado de 36 bilhões de dólares, mas que deverá atrair atenção de autoridades de defesa da concorrência nos Estados Unidos.

A Potash Corp, maior empresa global de nutrientes vegetais em capacidade de produção, e a Agrium, maior distribuidora de produtos agrícolas da América do Norte, disseram que a entidade combinada formará a maior empresa de nutrientes agrícolas do mundo.

Potash e a Agrium afirmaram no mês passado que estavam negociando uma fusão.

A união das empresas criará um grupo dominante na América do Norte que controlará quase dois terços da capacidade de potássio, 30 por cento da produção de fosfato e 29 por cento da capacidade em nitrogenados, afirmou o analista Greg Colman, do National Bank, no mês passado.

O acordo deverá ser o mais recente de uma série de tentativas de fusões no setor agrícola, incluindo potenciais uniões entre a gigante de sementes Monsanto e a Bayer e entre a ChemChina e a Syngenta.

Acionistas da Potash Corp deverão receber 0,4 ação ordinária da nova companhia para cada ação que detêm atualmente, enquanto os acionistas da Agrium deverão receber 2,23 ações ordinárias para cada papel detido, informaram as empresas.

A nova empresa tem uma receita combinada de 20,6 bilhões de dólares e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 4,7 bilhões antes de sinergias, disseram Agrium e Potash Corp.

As empresas esperam uma economia anual de 500 milhões de dólares com sinergias principalmente a partir de integração em distribuição e vendas, produção e otimização de outros itens. (Reuters 12/09/2016)

 

Investigação pode atrasar plano de reorganização da JBS

Os problemas legais que vêm abalando a JBS SA podem atrasar os planos da maior processadora de carne do mundo de criar uma uma nova unidade para reunir suas operações internacionais e listar ações da nova empresa na Bolsa de Valores de Nova York, dizem muitos analistas e investidores. O atraso seria um revés para a empresa, num momento em que investidores estão cada vez mais sensíveis a qualquer notícia negativa vinda do Brasil.

O diretor-presidente da JBS, Wesley Batista, está ausente desde a semana passada, barrado por uma ordem judicial de liderar qualquer negócio da empresa enquanto a polícia investiga uma suspeita de corrupção na J&F Investimentos SA, firma de investimentos da família Batista. A ordem também se aplica a Joesley Batista, irmão de Wesley e presidente do conselho da JBS. Os dois irmãos estão impedidos de administrar suas empresas até o fim da investigação, a menos que proibição seja anulada por outra ordem judicial.

A JBS tem falado pouco sobre o paradeiro de Wesley Batista ou planos potenciais para substituí-lo. Isso tem elevado os temores entre investidores e analistas de que os laços estreitos do executivo com o governo, que está envolvido numa série de escândalos de corrupção, possam pesar sobre a empresa, adiando os planos da JBS para uma reorganização global que, segundo vários analistas, daria impulso ao declinante valor da empresa.

Uma porta-voz da JBS disse ontem que a empresa não mudou seus planos de reorganização. Um porta-voz da J&F negou que a família Batista e a Eldorado Brasil SA, empresa de celulose que é controlada pela J&F e também está envolvida no escândalo, tenham cometido qualquer irregularidade. Por meio de seus porta-vozes na empresa, Wesley e Joesley Batista se recusaram a comentar.

A JBS, um importante participante no mercado americano por meio de sua unidade de produção de frangos, a Pilgrim’s Pride, e da processadora de carnes Swift & Company, anunciou em maio que iria desmembrar seus negócios fora do Brasil em uma nova empresa chamada JBS Foods International. Essa nova empresa teria sede na Irlanda e ações negociadas em Nova York.

“Nossa percepção é que a nova (investigação de corrupção) irá pelo menos atrasar” a abertura de capital em Nova York, diz Guilherme Figueiredo, gestor de fundos da firma de investimentos M. Safra, que tem sede em São Paulo.

Assim como vários investidores, analistas do Banco Bradesco BBI e Itaú BBA também expressaram o receio de que os problemas legais dos irmãos Batista possam atrasar a reorganização da JBS.

Figueiredo diz que a JBS, que registrou R$ 163 bilhões (US$ 50,3 bilhões) em vendas líquidas globais em 2015, é uma firma sólida. Mesmo assim, ele diz que a M. Safra vendeu as ações da JBS de sua carteira há cerca de um ano porque temia que as conexões profundas com o governo acabessem virando um problema, já que as investigações de corrupção no país continuam se expandindo. Entidades do governo brasileiro detêm mais de 25% das ações da JBS, parte de uma estratégia estatal para transformar o frigorífico em uma empresa competitiva mundialmente.

Os problemas legais dos Batistas resultam da chamada Operação Greenfield, que foi lançada na semana passada e tem como alvo mais de 100 indivíduos e empresas em todo o país. A enorme investigação pretende constatar se houve má conduta em quatro fundos de pensão estatais que supostamente pagaram em excesso por participações em empresas de capital brasileiro, incluindo a Eldorado.

Em outras investigações recentes sobre supostos superfaturamentos ligados a contratos com o governo, surgiram evidências de que alguns dos fundos foram usados para pagar subornos e propinas a políticos.

A cotação das ações da JBS caiu 10% em 5 de setembro, dia em que polícia invadiu os escritórios da Eldorado e levaram Batista para um interrogatório. Joesley Batista, que é o diretor-presidente da J&F, estava fora do país no dia da operação e deve ser interrogado pela polícia esta semana. As ações da empresa fecharam em R$ 11,62 na BM&FBovespa ontem, 6,7% abaixo da cotação antes de a notícia da investigação ser divulgada.

Não há nenhuma indicação de que a JBS seja alvo da Operação Greenfield. Mas no dia em que as buscas foram realizadas, o juiz responsável ordenou que os irmãos Batista e mais 38 pessoas sob investigação fossem afastados de todas as atividades administrativas em qualquer empresa onde trabalhem.

Essa ordem levou alguns analistas a questionar se será possível para Wesley Batista continuar como diretor-presidente da JBS. A empresa não quis afirmar se Batista continuará no comando.

Analistas dizem que [as ações da] da JBS já estavam subvalorizadas em relação a de outras empresas do setor mesmo antes de Batista ser suspenso, devido, em parte, aos elevados custos de financiamento no Brasil. A expectativa era que a reorganização daria à JBS acesso a financiamentos muito mais baratos, tornando-a mais atraente para investidores estrangeiros.

Isso teria dado à JBS “um tipo diferente de prestígio”, diz Jason DeVito, analista sênior e gerente de portfólio da gestora americana Federal Investors Inc.

A JBS é foco de uma investigação separada sobre o Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico, o BNDES. Autoridades estão investigando se o frigorífico recebeu tratamento especial do banco financiado por contribuintes, que proporcionou uma febre de aquisições que transformaram a JBS na maior produtora de proteínas do mundo. O BNDES investiu um total de R$ 10,6 bilhões na JBS entre 2005 e 2014, ficando com 20,4% das ações do frigorífico, a segunda maior fatia depois dos 42,4% da J&F. A Caixa Econômica Federal possui outros 6,5% da JBS. (The Wall Street Journal 13/09/2016)

 

Fundecitrus eleva projeção para safra de laranja em SP

As chuvas que atingiram São Paulo e Minas Gerais entre maio e agosto ampliaram o tamanho das laranjas nas árvores do maior parque citrícola do mundo. Com isso, o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), mantido por produtores da frutas e indústrias de suco, elevou sua estimativa para a colheita na região em 2016/17 em 1,3%, para 249,04 milhões de caixas de 40,8 quilos.

Em maio, quando a entidade divulgou sua primeira estimativa para o ciclo, a projeção era de 245,75 milhões de caixas. Se confirmado, o volume divulgado ontem representará uma queda de 17% em relação à temporada 2015/16. "A pluviometria acumulada nesses quatro meses [maio a agosto] foi de 279 milímetros, em média, 102% maior do que a prevista. Ao contrário do período seco esperado, a chuva, nesse início de safra, se manteve acima da média histórica, condição que vem ocorrendo desde a safra passada", informou o Fundecitrus em comunicado.

Com o aumento de tamanho e peso, menos frutas são necessárias para encher uma caixa. No caso das variedades hamlin, westin e rubi, que são precoces e estão em fase final de colheita, serão necessárias 275 frutas por caixa, conforme a estimativa. Em maio, o Fundecitrus calculava 255 frutas por caixa. Para a variedade pera rio, de meia estação, a entidade passou a projetar 245 frutas por caixa, dez a menos que em maio ­ e, segundo o Fundecitrus, esse número poderá ser revisado novamente. No que diz respeito às variedades tardias, como natal e valência, os dados disponíveis ainda são insuficientes para revisões.

A taxa de queda de frutos passou a ser estimada em 14,86%, ligeiramente abaixo do previsto inicialmente (15%). A queda das variedades hamlin, westin e rubi foi revisada para 9,4%, menos que os 10% projetados no levantamento de maio. Para as outras variedades precoces, a revisão foi de 11% para 10,3%. As taxas de queda da pera rio e das variedades tardias não foram revisadas. O Fundecitrus também elevou a estimativa de produtividade média por hectare, de 635 caixas para 644. (Valor Econômico 13/09/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Ásia e Brasil: A perspectiva de melhora do clima para as lavouras de café na Ásia pressionou os contratos futuros do arábica ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 1,509 a libra-peso, com queda de 25 pontos. As perdas foram limitadas, no entanto, pelas incertezas em relação à próxima safra no Brasil. "As temperaturas no país devem se elevar, com novos períodos de clima seco, gerando preocupação sobre as condições de desenvolvimento da florada", destaca Jack Scoville, da Price Futures Group, em nota. A expectativa é de uma menor produção no Brasil em 2017/18 devido à bienalidade da cultura e à irregularidade climática dos últimos meses. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica ficou em R$ 496,81 a saca de 60 quilos, queda de 0,47%.

Suco de laranja: Sem ameaça: Passada a ameaça de formação de três novos ciclones na região do oceano Atlântico próxima da Flórida, os contratos futuros do suco de laranja voltaram a registrar queda no pregão de ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em novembro fecharam a US$ 1,925 a libra-peso, com recuo de 495 pontos. Conforme a Agência Americana de Pesquisas Atmosféricas e Oceânicas (NOAA, na sigla em inglês), "as condições [atmosféricas] não parecem indicar um desenvolvimento significativo" de um ciclone na região nas próximas 48 horas. A Flórida abriga o segundo maior parque citrícola do mundo. No mercado interno, o preço médio da caixa de 40,8 quilos de laranja destinada à indústria em São Paulo ficou estável em R$ 20,16, segundo levantamento do Cepea.

Algodão: Estoques elevados: As novas projeções do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a produção e consumo mundial de algodão pressionaram as cotações da pluma ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a 66,69 centavos de dólar a libra­peso, recuo de 239 pontos. Segundo o USDA, serão produzidas 22,3 milhões de toneladas de algodão na safra global 2016/17, aumento de 0,9% em relação à estimativa anterior, divulgada em agosto, e de 6,25% em relação à safra 2015/16. Com isso, o órgão elevou em 0,22% suas projeções para os estoques finais da temporada 2016/17, estimados em 19,55 milhões de toneladas. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 83,04 arroba segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Oferta abundante: Os contratos futuros de soja fecharam em queda ontem na bolsa de Chicago, depois que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) elevou a estimativa para os estoques mundiais da oleaginosa. Os papéis com vencimento em novembro encerraram o pregão a US$ 9,6425 o bushel, recuo de 16 centavos. Segundo o USDA, a safra mundial 2016/17 será de 330,43 milhões de toneladas, os EUA devem responder por 114,33 milhões de toneladas desse total. Já a demanda foi projetada em 328,67 milhões de toneladas, abaixo da estimativa anterior, elevando a previsão para os estoques globais finais para 72,17 milhões de toneladas. O indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 80,85 a saca de 60 quilos, queda de 0,96%. (Valor Econômico 13/09/2016)