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União entre Bayer e Monsanto não é vista com bons olhos por produtores

Bayer afirmou que pretende pagar mais de US$ 65 bilhões pela maior empresa de sementes do mundo

Os produtores não veem com bons olhos mais uma união de grandes empresas do setor de fornecimentos de insumos agropecuários. Nesta quarta (24), a companhia de produtos químicos Bayer anunciou a compra da gigante de sementes Monsanto em operação avaliada em US$ 66 bilhões.

Para uns, toda concentração é perigosa e traz novos custos. Para outros, isso faz parte do capitalismo, e é preciso avaliar a união com olhos no futuro. Pode ser até que, com maior poder de investimentos e novas pesquisas, dessa união surjam novas tecnologias que favoreçam o produtor.

"Não é boa essa concentração. Olho com receio a união dessas duas gigantes", diz Rui Prado, presidente da Famato (Federação da Agricultura do Estado de Mato Grosso). Na avaliação dele, essa concentração vai na linha do monopólio.

Prado acrescenta ainda que "a história mostra que essas uniões sempre resultam em aumento de preços para o produtor e, por consequência, para o consumidor final."

Prado alerta que a agricultura no mundo está ficando nas mãos de poucos grupos e os insumos monopolizados. Com relação ao Brasil, ele diz que o setor "vai ver o que se pode fazer na forma da lei" para reduzir os efeitos dessa concentração.

O presidente da Famato lembra, inclusive, que a Monsanto tem um acordo em curso com os produtores sobre a cobrança de royalties. A Bayer vai ter de honrar esse compromisso, segundo ele.
Para Endrigo Dalcin, presidente da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e de Milho de Mato Grosso), criou-se uma gigante mundial, e essa concentração é ruim porque a oferta de insumos fica cada vez mais nas mãos de poucos.

"No primeiro momento, há uma redução da competição que é preocupante. Mas, precisamos também olhar para a frente. Sendo uma das empresas que mais investem em pesquisa, a Bayer poderá avançar em germoplasma e biotecnologia, trazendo benefícios para o produtor", diz ele.

Precisamos primeiro olhar essa união e depois analisar o que ela vai representar para o setor, diz o presidente da Aprosoja, que já foi contatado pelas empresas envolvidas nesse processo.

Glauber Silveira, presidente da Câmara Setorial da Soja, diz que nenhuma fusão é positiva para o mercado, mas esse é o mundo capitalista. Uma coisa é certa, haverá uma redução de competitividade no setor.

O ideal seria que a Monsanto, líder em biotecnologia, também avançasse no setor de químicos. E que a Bayer, líder em agroquímicos, investisse mais em biotecnologia. A permanência das duas no mercado aumentaria a concorrência no setor.

Já o produtor Ademir Rostirolla, do Oeste de Mato Grosso, a concentração é extremamente perigosa, porque haverá uma cartelização de empresas que são suportes na produção de alimentos.

Os reflexos não vão ser apenas para os produtores, mas também para os consumidores finais, acredita ele.

Por outro lado, essa concentração pode ser boa se ela resultar em mais capitais investidos em desafios atuais para o setor como clima, produtividade e combate a doenças diz ele.

Para o produtor Ricardo Tomczyk, que foi presidente da Aprosoja, essa união de gigantes é uma concentração perigosa. O produtor vai ficar refém de uma empresa que tem os olhos voltados para si mesma.

Na avaliação de vários produtores, uma das saídas para o produtor será a formação de "pools" de compra ou agir com cooperativas.

Análise: Por Marcelo Leite

A compra dará origem à maior companhia agroquímica do planeta. Para o bem e para o mal, ela dominará um quarto do mercado mundial no setor.

A fabricante alemã de aspirina assume grave risco para sua imagem ao associá-la com a demonizada campeã americana dos transgênicos.

Se o faz, e por US$ 66 bilhões, é para garantir as vantagens tecnológicas que a colocarão em posição privilegiada para lucrar com a alimentação de 10 bilhões de pessoas no fim deste século.
Foi meio por sorte que a Monsanto descobriu, nos anos 1990, bactérias que resistiam ao seu herbicida, o glifosato, campeão de vendas sob a marca Roundup. A empresa soube dar a guinada tecnológica que isolou o traço genético bacteriano e o inseriu em plantas como a soja, dando nascimento à agricultura biotecnológica.

Hoje a Monsanto reinveste em pesquisa e desenvolvimento coisa de 10% do que fatura, mais de US$ 1 bilhão por ano. Suas sementes geneticamente modificadas de soja, milho e algodão monopolizaram campos de cultivo nos EUA e noutros líderes agrícolas, como o Brasil.

A Bayer aposta alto, assim, na biotecnologia que deu longa sobrevida aos lucros com o glifosato. O agrotóxico, no entanto, teve sua aprovação pela Comissão Europeia prolongada por apenas um ano e meio, em junho, e enfrenta confusa controvérsia sobre seu potencial cancerígeno.

A tecnologia transgênica na agricultura também enfrenta grande resistência em solo europeu, em especial na Alemanha, da parte dos muitos adeptos de alimentos livres de agroquímicos, ditos "orgânicos". Outra fonte de rejeição é o excessivo poder que o pacote tecnológico de sementes e defensivo confere à Monsanto sobre os produtores rurais, que têm de pagar caro pelo uso contínuo.

Acusa-se a empresa, ainda, de erguer um excesso de obstáculos à pesquisa com seus cultivares e traços genéticos (construções de DNA) protegidos por propriedade intelectual. Uma empresa com ainda maior poder de mercado e mais patentes no portfólio teria poderosos incentivos para usar esses instrumentos a fim de ampliar seu predomínio comercial.

Não se sabe se, diante de tudo isso, a Bayer decidirá manter a marca Monsanto no mercado. De todo modo, o chefe da divisão agrária da Bayer, Liam Condon, disse ao jornal alemão "Frankfurter Allgemeine" que "nada se abalará em nossos valores e obrigações sociais". (Folha de São Paulo 15/09/2016)

 

Fusão passará por exame rigoroso dos reguladores

Para concretizar a aquisição da Monsanto Co. por US$ 57 bilhões, a Bayer AG vai precisar da aprovação de vários reguladores já às voltas com uma onda de consolidação no agronegócio.

Embora o negócio principal da Monsanto não tenha uma sobreposição muito grande ao da Bayer, mais concentrado em pesticidas, a combinação dos dois maiores fornecedores de insumos agrícolas do mundo vai testar a tolerância de produtores e políticos já apreensivos com as fusões bilionárias de outros grandes participantes do mercado global de sementes e pesticidas, avaliado em US$ 100 bilhões. Além disso, o setor de fertilizantes também começa a se consolidar.

Um surto de fusões e aquisições anunciadas nos últimos dez meses vai colocar mais de 80% da receita gerada pela venda de sementes de milho e 70% do mercado global de pesticidas nas mãos de apenas três companhias. Os negócios renovaram as preocupações com o poder dos gigantes do setor para definir preços, num momento em que as baixas cotações das commodities agrícolas corroem a renda dos produtores rurais.

A União Européia, por exemplo, que em agosto abriu uma investigação sobre a fusão das fornecedoras de sementes Dow Chemical Co. e DuPont Co., já havia indicado que iria examinar detalhadamente a união entre Bayer e Monsanto antes mesmo de as firmas fecharem o negócio.

Sob a lupa dos reguladores também está a planejada venda, por US$ 43 bilhões, da suíça Syngenta AG para a estatal China National Chemical Corp., que também tem uma área genérica de químicos para lavouras. Cerca de 25% da receita da Syngenta vem da América do Norte.

Alguns analistas prevêem que a Bayer pode ter que vender negócios em que as duas empresas sejam rivais, como sementes transgênicas de algodão e de canola. Numa eventual venda de ativos, a Bayer pode contar com sua rival Basf SA, que ainda não aderiu à consolidação do setor, mas vai avaliar oportunidades de comprar unidades que sejam colocadas à venda. (Valor Econômico 15/09/2016)

 

Um novo capítulo na história às vezes controversa da Monsanto

A compra da Monsanto Co. pela Bayer AG por US$ 66 bilhões pode encerrar um segundo ato controverso e lucrativo na história de mais de um século da empresa americana.

A fabricante do herbicida Roundup e das sementes de milho Dekalb é a maior empresa de sementes do mundo em receita e a maior fornecedora de genes para produtos agrícolas transgênicos, um negócio que a Monsanto ajudou a moldar nas décadas de 80 e 90 através de intensas pesquisas em laboratórios e uma série de aquisições.

A venda para a Bayer vai acabar com a independência da Monsanto, 15 anos depois de ela ter passado por uma transformação ao se desmembrar de um conglomerado que, como a empresa alemã, também produzia químicos e remédios.

A Monsanto se beneficiou da revolução da biotecnologia agrícola, refletida hoje no uso de variedades transgênicas em 90% das plantações de milho, soja e algodão dos Estados Unidos.

Mas seu apetite para expandir e proteger a tecnologia também a transformou em garoto propaganda da agricultura em larga escala e no inimigo favorito de ambientalistas no mundo todo.

A Monsanto foi fundada em 1901, quando John Francis Queeny começou a produzir o adoçante artificial sacarina em uma fábrica perto da cidade de St. Louis, no Estado de Missouri, onde o Rio Mississippi servia como escoadouro da produção para clientes como Coca-Cola Co.

O nome da firma veio da esposa de Queeny, Olga Monsanto Queeny, e o filho Edgar liderou a expansão dos negócios nos setores de remédios, fertilizantes, detergentes para roupas e componentes eletrônicos.

As fábricas da Monsanto começaram a produzir pesticidas em 1945 e, em 1964, foi criada uma divisão agrícola para comercializar uma série de herbicidas com nomes que remetiam ao Velho Oeste americano, como Lasso, Ramrod e, em 1976, o Roundup, um produto cuja versatilidade iria dar força à marca Monsanto de produtos geneticamente modificados.

Os cientistas da Monsanto se voltaram para a biotecnologia na década de 80, mas foi só em 1996 que os primeiros produtos agrícolas geneticamente modificados da firma começaram a ser vendidos aos agricultores americanos e cultivados comercialmente. À medida que rivais como a DuPont Co. entraram no setor e lançaram suas próprias sementes biotecnológicas, os produtores rapidamente abraçaram a tecnologia

Ao mesmo tempo, a própria Monsanto se modificou, unindo-se à Pharmacia & Upjohn Inc., em 2000. A empresa passou a se chamar Pharmacia Corp. e, mais tarde, abriu o capital da divisão agrícola na Bolsa de Nova York, com o nome de Monsanto Co.

A Monsanto só assumiu sua forma atual de empresa de sementes e insumos químicos agrícolas em 2002, quando se desmembrou totalmente da Pharmacia, que mais tarde foi vendida para a Pfizer Inc. A Monsanto, então, tratou de melhorar o seu portfólio de produtos de biotecnologia nos EUA. Os cientistas da empresa alteraram variedades de algodão, milho e soja para que resistissem a vários herbicidas, produzissem proteínas que repelem pragas e sobrevivessem com menos água.

A Monsanto também lançou seus produtos em outros países. Suas sementes transgênicas, por exemplo, ajudaram a tornar o Brasil um rival dos EUA na exportação de grãos e oleaginosas e a transformar a Índia no maior produtor de algodão do mundo.

Mas se os agricultores abraçaram as sementes transgênicas como uma forma mais simples de controlar ervas e insetos, grupos de defesa do meio ambiente e do consumidor, por outro lado, levantaram dúvidas sobre a proliferação do uso do Roundup e a segurança dos alimentos feitos com produtos transgênicos.

A Organização Mundial de Saúde e a FDA, agência que regula alimentos e remédios nos EUA, afirmaram que as plantas biotecnológicas aprovadas para cultivo são tão saudáveis e seguras como suas versões convencionais. Mas a Monsanto se tornou um alvo devido, em parte, a seu histórico no setor de químicos e a força como defende sua propriedade intelectual, inclusive, às vezes, processando produtores rurais que acusava de piratear os genes de suas sementes.

A desconfiança dos produtos transgênicos ajudou a impulsionar um nicho crescente de alimentos não modificados nos EUA e protestos contra a empresa se espalharam por todo o mundo. Executivos da Monsanto montaram uma defesa enérgica da tecnologia, que eles argumentam ser vital para alimentar a crescente população global. Eles reconhecem, porém, que demoraram a responder às críticas.

"Ficamos ausentes do debate", disse o diretor operacional da Monsanto, Brett Begemann, em entrevista ao The Wall Street Journal em 2014. "Não temos nada a esconder. Só não estávamos falando a respeito."

Políticas dos EUA para impulsionar a produção de etanol, aliadas à demanda crescente por grãos e carne para alimentar populações mais abastadas na Ásia e outros mercados, sustentaram um boom de vários anos na agricultura dos EUA.

Mas a tendência perdeu força a partir de 2013, quando os produtores americanos começaram a colher safras recorde que reabasteceram os estoques globais e derrubaram os preços dos grãos, arrastando com eles os lucros das fornecedoras de fertilizantes, tratores e sementes.

A Monsanto precisou reduzir a pesquisa na área agrícola e demitir cerca de 16% de seus funcionários globalmente.

No fim de abril, antes do interesse da Bayer por ela se tornar público, a cotação das ações da Monsanto havia caído cerca de 19% nos 12 meses anteriores. Em maio, a Bayer fez a oferta para comprar a empresa. (Valor Econômico 15/09/2016)

 

Bayer será líder em insumos no Brasil

A aquisição da Monsanto pela Bayer, anunciada ontem após quatro meses de intensas negociações, certamente vai reverberar com intensidade no Brasil. O país é o maior mercado de defensivos agrícolas do mundo, e a transação alçará a companhia alemã à liderança local nesse segmento, desbancando a suíça Syngenta. Em sementes, o Brasil é o terceiro maior em vendas e tem o maior potencial de crescimento, o que deixa a Bayer em posição bastante confortável tendo nas mãos o robusto portfólio de transgênicos da Monsanto.

Cálculos da FAO, agência das Nações Unidas para alimentação e agricultura, indicam que o mundo terá o desafio de alimentar uma população de 9 bilhões em 2050, e o Brasil tende a ser responsável por 40% do avanço na produção global de alimentos até lá. O fato de hoje mais de 93% de toda a área com soja, milho e algodão no país ser semeada com sementes geneticamente modificadas (ou 49 milhões de hectares, segundo a consultoria Céleres), dá a medida da importância que as sementes transgênicas terão no avanço esperado da oferta.

Em entrevista ao Valor há uma semana em Leverkusen, na Alemanha, Liam Condon, presidente da Bayer Crop Science (divisão agrícola da Bayer) justificou o interesse pela Monsanto em função do menor retorno obtido com pesquisas de sementes e agroquímicos nos últimos anos e da escalada dos investimentos necessários para acompanhar os avanços tecnológicos na agricultura.

Nesse sentido, apenas uma oferta forte dos dois insumos conseguirá garantir a sobrevivência dos "players" que concorrem nesse novo mercado, conforme o executivo. O Brasil é o principal mercado da Bayer na América Latina, e a expectativa da empresa é que essa posição seja reforçada nos próximos anos, em 2015, o braço agrícola já representou 73% do faturamento total da múlti no país, ou R$ 7,5 bilhões.

Segundo o acordo, a Bayer pagará US$ 128 por ação da Monsanto, em dinheiro, em um total de US$ 66 bilhões. A oferta representa um prêmio de 44% sobre o valor do papel da Monsanto em 9 de maio, quando a Bayer fez sua primeira proposta. A múlti alemã também se comprometeu a pagar US$ 2 bilhões à Monsanto caso a negociação não seja aprovada pelos órgãos reguladores.

Apenas em agroquímicos, a Bayer respondeu por 17% das vendas do segmento no Brasil no ano passado, número que, somado aos 5% da americana, chegaria a 22% (ou pouco mais de US$ 2 bilhões, de um total de US$ 9,61 bilhões), ante os 18% da Syngenta, de acordo com a consultoria Allier Brasil. Capitaneado pela Monsanto, o mercado de sementes no Brasil é avaliado em US$ 4 bilhões anuais (9% do mercado global), menor apenas que o dos EUA e da China, mas a caminho de superar os asiáticos, nas contas da consultoria Kleffmann. Monsanto e Bayer não divulgam suas participações na área.

A Monsanto é pioneira no uso de tecnologias transgênicas aplicadas à agricultura, e conseguiu a aprovação de sua primeira variedade geneticamente modificada no Brasil em 1998: a famosa soja "Roundup Ready" (RR), tolerante ao herbicida glifosato. A empresa faturou R$ 4,89 bilhões no país durante o ano fiscal de 2015 (setembro de 2014 a agosto de 2015).

O domínio dos campos transgênicos do Brasil pela Monsanto ganhou contornos ainda mais firmes em 2014, com o lançamento da Intacta RR2 Pro, uma nova soja geneticamente modificada desenvolvida exclusivamente para o país, que combina tolerância a herbicida e resistência a insetos.

Com um conjunto mais poderoso de agroquímicos do que a rival, mas mais fraca em sementes, a Bayer se lançou nos últimos cinco anos à compra de várias empresas desse segmento, especialmente na América Latina. Adquiriu, no Brasil, o banco de germoplasma da Melhoramento Agropastoril, as empresas de soja Wehrtec e SoyTech, a tecnologia de melhoramento de plantas da CVR e o negócio de sementes da Cooperativa Central Gaúcha (CCGL). Na Argentina, comprou a FN Semillas e a Biagro; no Paraguai, a Granar.

Essa base genética foi fundamental para apoiar uma nova soja transgênica que a Bayer está lançando nesta safra 2016/17 no Brasil. A tecnologia Liberty Link (LL) torna a planta tolerante a um herbicida à base de glufosinato de amônio e é, curiosamente, uma alternativa à tecnologia RR, da Monsanto, que tem sofrido nos últimos anos com o crescimento de ervas daninhas resistentes ao glifosato. A expectativa da Bayer é de que a Liberty Link abocanhe 20% da área brasileira de soja nos próximos cinco anos.

O negócio entre Bayer e Monsanto ainda depende do sinal verde de autoridades antitruste, mas aprofunda a tendência de consolidação do setor. Entre outros movimentos recentes estão a fusão entre Dow e DuPont, que veio à tona no fim de 2015, e a aquisição da Syngenta pela ChemChina, anunciada em fevereiro deste ano. (Valor Econômico 15/09/2016)

 

Commodities Agrícolas

Suco de laranja: Correção em NY: A transformação do sistema de baixa pressão que estava na Flórida em tempestade tropical e seu subseqüente deslocamento para o norte dos EUA fizeram diminuir os temores de prejuízo para os pomares de laranja do Estado americano. Assim, os contratos futuros do suco de laranja com vencimento em janeiro de 2017 passaram por uma nova correção na bolsa de Nova York e fecharam a US$ 1,9335 a libra-peso, queda de 130 pontos. Há duas semanas, um furacão atingiu a costa da Flórida pela primeira vez em 11 anos, mas com impactos limitados na citricultura local. O Estado concentra 49% da produção de laranjas dos EUA. Em São Paulo, o preço médio da caixa de 40,8 quilos de laranja destinada à indústria ficou em R$ 20,20, alta de 0,20% segundo o Cepea.

Cacau: Ajuste técnico: Apesar das boas condições climáticas no oeste da África, os contratos futuros do cacau registraram alta ontem na bolsa de Nova York, puxados por uma correção técnica após a commodity cair mais de 4% na última sexta-feira. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 2.809 a tonelada, valorização de US$ 27. Segundo o analista Thomas Hartmann, "as perspectivas [para a próxima safra] são boas, mas ainda não se tem números concretos. A previsão é de que o início da safra seja retardado devido aos problemas climáticos do primeiro semestre", o que confere volatilidade às cotações. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, ficou em R$ 151 a arroba, alta de 1,34%, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Demanda em xeque: O pessimismo dos investidores com os dados de vendas semanais e de processamento de soja nos EUA, que serão divulgados hoje, pressionou os contratos da commodity ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em novembro fecharam a US$ 9,4275 o bushel, recuo de 1,25 centavo. O mercado espera que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) aponte vendas semanais de 1,65 milhão de toneladas até o último dia 8, abaixo das 1,78 milhão de toneladas da semana anterior. Em relação ao processamento, a perspectiva é de que o país tenha moído 3,77 milhões de toneladas em agosto ante 3,91 milhões de toneladas em julho. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 80,10 a saca de 60 quilos, queda de 0,35%.

Milho: Pechincha: A expectativa dos investidores de aumento da demanda pelo milho americano depois de as cotações terem atingido o menor patamar dos últimos sete anos na bolsa de Chicago fez os papéis da commodity fecharem em alta moderada ontem. Os contratos com vencimento em dezembro encerraram a sessão a US$ 3,3175 o bushel, com ganho de 1,75 centavo. As cotações vinham recuando nas últimas semanas, reflexo da perspectiva de safra recorde nos EUA. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o mundo deve produzir 1,3 bilhão de toneladas de milho na safra 2016/17, sendo 383,38 milhões delas nos EUA. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho ficou em R$ 42,25 a saca de 60 quilos ontem, com valorização de 0,24%. (Valor Econômico 15/09/2016)