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Paridade internacional pode baixar preço da gasolina no país, diz Parente

Presidente da Petrobras se reuniu com Temer nesta terça (27), em Brasília. Empresa pode anunciar corte no preço do combustível ainda em 2016.

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou nesta terça-feira (27), após se reunir com o presidente da República, Michel Temer, no Palácio do Planalto, que a estatal adotará a política de paridade internacional para definir o preço da gasolina, o que "pode" resultar na queda do preço do combustível no Brasil.

A companhia deve anunciar até o fim do ano uma redução no preço da gasolina. A intenção, informou o editor de Economia da GloboNews, João Borges, é anunciar a medida junto com uma nova política de preços para os combustíveis, cujo critério será o alinhamento do preço praticado no Brasil com os do mercado internacional.

"Essa política de preços de combustíveis, como já informei, é um tema empresarial da Petrobras e estamos discutindo internamente uma política. Essa política terá como referência a paridade internacional e, tão logo a discussão esteja concluída, informaremos a vocês", disse.

Questionado, então, se o preço da gasolina vai cair, Parente acrescentou: "O que é importante ressaltar é que, sendo uma política que tem como referência a paridade internacional, a mudança de preços não é só para subir, pode ser para descer também. Mas não há uma decisão nesse sentido. Assim que tivemos a política definida, a gente volta a falar com vocês."

Levantamento do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) apontou que o preço da gasolina no Brasil está há 12 meses mais cara do que no mercado internacional. Essa difereça, que em fevereiro chegou a 49%, baixou para 10,6% em junho mas voltou a subir e está, em setembro, em 30%.

Reunião com Temer

Segundo Pedro Parente, a reunião com Temer serviu para que a Petrobras pudesse apresentar seu plano de investimentos para o período 2017-2021. Divulgado na semana passada, ele prevê cerca de US$ 74,1 bilhões em investimentos nos próximos anos. O valor é 25% menor que os US$ 98,4 bilhões previstos para o plano do período anterior, anunciado em janeiro deste ano.

A jornalistas, Parente disse que a conversa foi "técnica" e apontou que é "importante" o presidente da República ter conhecimento do que a Petrobras pretende investir nos próximos anos. O governo federal é o principal acionista e controlador da estatal.

Sobre as reações de Temer, o presidente da estatal disse que ele fez anotações, "acompanhou tudo com muita atenção" e entendeu que o objetivo da petroleira é "fazer com que haja uma redução mais rápida da dívida e a partir de três anos a gente volte a crescer".

"Apresentamos ao presidente as questões que são relevantes para o desenvolvimento deste setor [petróleo] no país, não só a Petrobras. É um setor que pode dar uma resposta rápida em termos de investimentos, e o presidente ficou interessado em relação ao tema", declarou Pedro Parente.

Exploração do pré-sal

Pedro Parente também aproveitou a entrevista desta terça no Palácio do Planalto para defender o projeto em tramitação no Congresso Nacional que desobriga a participação da Petrobras em todos os consórcios de exploração dos campos do pré-sal.

Na avaliação do presidente da Petrobras, a companhia "tem a ganhar" caso o projeto, já aprovado no Senado e em avaliação na Câmara, vire lei. "Em vez de ter a obrigação [de exploração], vamos ter a opção de fazer. Só esta já é uma razão, um benefício grande para a empresa e defendemos isso [o projeto], sim", observou.

Parente concluiu ao dizer que considera "importante" para o país ter outras empresas interessadas em fazer investimentos na área do pré-sal. (G1 27/09/2016)

 

Foco de chineses no Brasil é tradings e infraestrutura, não terras

Empresas da China estão interessadas em ampliar investimentos em tradings e infraestrutura do setor agrícola no Brasil, avaliou nesta terça-feira o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, após retornar de uma viagem à Ásia, ressaltando que a aquisição de terras no país não é relevante para chineses. (Reuters 27/09/2016)

 

Brasil perde 1 milhão de hectares de lavouras em 2015

Próximo de 1 milhão de hectares ficou sem colheita no ano passado no Brasil. Problemas econômicos, como inviabilidade de colheita, e efeitos climáticos foram os responsáveis por essa desistência dos produtores de levar as máquinas a essa área plantada.

No total, a área de cultivo do país foi de 76,8 milhões de hectares, considerando 63 produtos. Os dados são da PAM 2015 (Produção Agrícola Municipal), pesquisa que o IBGE faz anualmente no setor agrícola.

A área total de cultivo no país de 2015 superou em 567 mil hectares a de 2014. E as perdas de área se concentraram em milho e feijão, produtos mais afetados pelo clima.

A produção de cereais de 2015 atingiu 209,7 milhões de toneladas, 8% mais do que no ano anterior. Já o valor total de de produção subiu para R$ 265,5 bilhões, 6% mais.

O IBGE aponta que apenas três culturas, soja, cana-de-açúcar e milho, foram responsáveis por 62% da área de produção do país. A liderança ficou com a soja, com 32,2 milhões de hectares. Já em valores, os cinco principais Estados produtores ficaram com 64% da renda.

São Desidério, município do oeste da Bahia, volta a liderar o valor de produção. Graças ao algodão, o valor da produção do município subiu para R$ 2,8 bilhões, 23% mais do que em 2014. O produto representou 53% do valor dessa produção.

Já o município de Sorriso (MT) ficou em segundo lugar no valor de produção, mas lidera em área e volume produzido de soja e de milho. Obteve 2,6 milhões de toneladas de milho e 1,95 milhão de soja.

A produção agrícola do país mudou em definitivo para o Centro-Oeste. Mato Grosso teve 11 municípios entre os 20 principais produtores do país.

O primeiro município fora dos Estados de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Bahia a aparecer entre os 50 maiores produtores do país vem de Minas Gerais, mas é apenas o 24º colocado nesse ranking.

O primeiro município fora dos Estados de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Bahia a aparecer entre os 50 maiores produtores do país vem de Minas Gerais, mas é apenas o 24º colocado nesse ranking.

Bons preços

Dois destaques na área cultivada no ano passado foram soja e milho. Os bons preços dos produtos fizeram a área da oleaginosa aumentar 12%, e a do cereal, 7%.

Frutas

O valor da produção do setor foi de R$ 26,5 bilhões em 2015, tendo Petrolina (PE) na liderança, com R$ 750 milhões. O destaque fica para a banana, com valor de produção de R$ 5,8 bilhões no período.

Café

A área colhida foi de 1,8 milhão de hectares, com renda de R$ 15,9 bilhões. Patrocínio, em Minas Gerais, e Jaguaré, no Espírito Santo, foram os líderes do setor.

Líderes em produção

O volume produzido de soja, conforme a PAM de 2015, foi de 97,5 milhões de toneladas; a de milho, 85,3 milhões; e a de arroz, 12,3 milhões.

Líderes em valor

São Paulo participou com 14,9% do valor da produção nacional. Mato Grosso, com 13,9%, e Paraná, com 12,7%, vieram a seguir. (Folha de São Paulo 26/09/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Déficit estrutural: A perspectiva cada vez mais concreta de déficit na oferta mundial de açúcar nos próximos dois anos levou as cotações da commodity ao maior patamar desde 2012 na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em março de 2017 fecharam a 23,44 centavos de dólar a libra-peso, com alta de 32 pontos. "O déficit vai ser bem grande e não é só uma questão de problema climático, é estrutural. Para resolver é preciso ter investimento em aumento da capacidade, e isso não está ocorrendo atualmente", diz João Paulo Botelho, analista da FCstone. Segundo a consultoria, a demanda mundial superará a oferta em 9,7 milhões de toneladas na safra 2016/17. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 90 a saca de 50 quilos, alta de 1,06%.

Algodão: Colheita avança: O avanço da colheita e a manutenção das condições das lavouras americanas de algodão derrubaram as cotações da pluma na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a 69,74 centavos de dólar por libra-peso, com recuo de 34 pontos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 10% da área plantada no país havia sido colhida até o último dia 25, avanço de quatro pontos percentuais em relação à semana anterior, encerrada no dia 18. O percentual está em linha tanto com o observado em igual período do ano passado quanto com a média histórica dos últimos cinco anos ­ ambos de 10%. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 86,24 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Lentidão: O ritmo lento da colheita de soja nos EUA deu fôlego às cotações da oleaginosa ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em janeiro de 2017 fecharam a US$ 9,5875 o bushel, com avanço de 7,25 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os americanos colheram 10% da área plantada no país até o último dia 25. O índice é inferior aos 17% registrados em igual período do ano passado e da média histórica dos últimos cinco anos, de 13%. O órgão informou ainda a venda de 120 mil toneladas de soja da safra 2016/17 para a China, o que ajudou a impulsionar as cotações. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 77,78 a saca de 60 quilos, queda de 0,42%.

Milho: Ritmo fraco: O ritmo de colheita do milho cultivado nos EUA também ficou abaixo do observado em anos anteriores na última semana, o que impulsionou as cotações do grão na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em março de 2017 fecharam a US$ 3,4175 o bushel, avanço de 2,75 centavos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os agricultores americanos haviam colhido 15% da área plantada de milho até o último dia 25, abaixo dos 16% observados em igual período do ano passado e da média histórica dos últimos cinco anos, de 19%. As previsões climáticas apontam condições mais secas esta semana nos EUA, o que deve favorecer os trabalhos no campo. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa ficou em R$ 40,77 a saca de 60 quilos, com alta de 0,74%. (Valor Econômico 28/09/2016)