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Açúcar: Produtores e exportadores debatem cenário de escassez da commodity

Seminário Internacional do Açúcar 2016 será realizado em São Paulo, no dia 7 de novembro, e reunirá os maiores especialistas mundiais desse mercado.

Representantes dos mais importantes e influentes produtores e exportadores mundiais de açúcar da Índia, Tailândia, União Européia e Brasil estarão reunidos em São Paulo, dia 7 de novembro próximo, para avaliar o comportamento futuro dos mercados mundiais dessa commodity, que depois de vivenciar anos de excedentes se encontram diante de um possível déficit do produto. Essa questão - que deverá acarretar impactos na produção do etanol - será discutida no Seminário Internacional do Açúcar 2016, uma realização da LMC International e da Canaplan, como o apoio da ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio.

Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da ABAG, destaca que esse encontro definirá a maneira como os cinco grandes produtores de açúcar do mundo irão reagir nos próximos três anos ao atual ciclo de carência do produto, e que trará reflexos significativos sobre o nosso setor sucroalcooleiro, influindo nos resultados do agronegócio brasileiro.

Mais informações sobre a programação: www.sugarseminar2016.com.

Serviço:

Seminário Internacional do Açúcar 2016 – O Mercado Global de Açúcar em momento de virada

07 de novembro de 2016

Hotel Renaissance

Alameda Santos, 2233 – São Paulo/SP

Das 08h00 às 17h 30m.

 

Panorama do setor de etanol e biodiesel: ao que parece, o pior já passou

A fase de bonança iniciada em 2015, quando a alta nos preços da gasolina levou muitos motoristas a abastecer seus carros com etanol, vem dando às usinas a chance de arrumar a casa após um longo período de receitas magras.

Agora, a escassez de açúcar no mercado externo impulsiona os preços desse outro derivado de cana. Somente neste ano eles já subiram 25% no mercado internacional, para uma usina, exportar açúcar é até 20% mais rentável do que vender etanol no mercado interno.

Como o clima tem ajudado, a previsão é que a produção de cana na safra 2016-2017 cresça 3% em relação à do ano anterior, indicando que não vai faltar etanol para abastecer a frota – pelo menos no curto prazo.

A escassez de açúcar no mercado global e aumento da venda de etanol ajudam as usinas a reequilibrar as finanças

Com o mercado favorável, a prioridade das usinas é reduzir seu endividamento, que beira os 90 bilhões de reais, quase o valor da receita esperada para o ano todo. Essas dívidas foram se acumulando nos últimos oito anos, quando o excesso de açúcar derrubou as cotações globais e, para piorar, o governo brasileiro segurou os preços dos combustíveis para controlar a inflação.

Petróleo: sinal de retomada no horizonte

Possuir uma generosa reserva de petróleo não é garantia de prosperidade. Que o diga a Venezuela, dona da maior reserva petrolífera do planeta, mas que não consegue atrair interessados em extrair essa riqueza de seu subsolo porque a instabilidade política e econômica afasta os investimentos no país.

O Brasil não tem a mesma quantidade de petróleo que a Venezuela. Ainda assim, é apontado pela Opep, organização dos maiores exportadores de petróleo, como um dos potenciais protagonistas desse mercado nos próximos anos. Só a área de Libra, até hoje a única do pré-sal leiloada desde que o país adotou o regime de partilha de produção em 2010, tem uma reserva estimada em algo entre 12 bilhões e 14 bilhões de barris.

O problema é que explorar petróleo em alto-mar não é uma tarefa barata. O valor mais baixo que a Petrobras já pagou para produzir um barril no pré-sal – onde é necessário atravessar uma barreira de 2.000 metros de lâmina d’água e 5.000 metros de rochas e sal – foi de oito dólares. Neste custo não está incluído o que a estatal gasta para transportar o petróleo até o continente e os tributos que recolhe por extrair um recurso natural. No fim das contas, a operação só é rentável se a petroleira consegue vender um barril por 45 dólares.

Com a queda no preço do barril, as petroleiras cortaram 42% dos investimentos no país no ano passado

Para o alívio da indústria do petróleo, é nesse patamar que o preço tem flutuado nos últimos dias. Em 2015, o preço caiu de 115 para 50 dólares e fez a geração de caixa de todas as petroleiras cair para menos do normalmente necessário para bancar a exploração e a produção e remunerar o investimento. Com isso, as companhias do setor no Brasil reduziram seus investimentos a 25 bilhões de dólares, valor 42% inferior ao do ano anterior – globalmente, o recuo foi de 26%.

Consultorias especializadas têm agora revisado para cima suas projeções. Ninguém espera que o petróleo retome as cotações registradas em 2014. Mas há entre elas uma sensação de que o pior já passou. Com a oferta mais ajustada à demanda, a expectativa é que o preço do barril suba mais alguns dólares nos próximos anos. Isso viabilizaria a exploração em áreas não tão pródigas e seria um atrativo importante para os próximos leilões da Agência Nacional do Petróleo.

Há algumas décadas, o preço do petróleo em alta era um tormento para a economia nacional. Hoje é o preço baixo que aflige um setor que representa quase 10% do PIB brasileiro.

Biodiesel: mercado ainda é restrito

Os geradores de energia elétrica usados durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro testaram uma mistura de diesel derivado de petróleo com 20% de biodiesel. O volume consumido durante o evento foi pequeno (1,2 milhão de litros), mas valeu como um teste para a ANP, agência reguladora do setor, avaliar a viabilidade de percentuais de biodiesel acima da proporção obrigatória – atualmente, o diesel vendido nos postos de combustíveis deve conter 7% de biodiesel de fonte renovável.

Já era definido que essa proporção subiria para 8% em 2017 e terá altas progressivas até atingir 10% em 2019. A legislação para o setor permite que a mistura suba para até 15% nos anos seguintes, desde que os testes comprovem não haver danos nos veículos e motores. Percentuais mais altos são admitidos em frotas rodoviárias, ferrovias e máquinas agrícolas e industriais, mas a adoção é voluntária.

Apesar do aumento da demanda por biodiesel, as fabricantes do setor ainda operam com quase 50% de ociosidade

Ampliar a oferta de biodiesel não é um problema, as usinas instaladas no Brasil têm capacidade para produzir 7,2 bilhões de litros por ano, quase o dobro do volume registrado nos últimos anos. O entrave para aumentar a produção é econômico: em julho, o litro do biodiesel foi vendido nos leilões da ANP por 2,41 reais, valor 17% superior ao do diesel derivado do petróleo. Por esse preço, não dá para pensar em exportação como forma de reduzir a capacidade ociosa do setor. (Exame 28/09/2016)

 

Novozymes vê oportunidade e risco em acordo da Bayer e Monsanto

A Novozymes, que já luta contra as consequências dos baixos preços do petróleo e de produtos agrícolas, está esperando ansiosamente para ver o que a compra da Monsanto pela Bayer vai significar para os laços do grupo dinamarquês com seu principal parceiro.

O presidente Peder Holk Nielsen disse em entrevista que a fusão entre Bayer e Monsanto poderia ampliar o mercado para os insumos microbianos de lavouras, conhecidos como inoculantes, mas acrescentou que a união também traz incertezas.

"Com certeza, no curto prazo todos podemos nos preocupar sobre a distração que uma aquisição de 66 bilhões de dólares pode provocar, e essa é uma das coisas que temos na nossa matriz de risco", disse ele à Reuters durante visita a Londres.

"Mas nós achamos que os resultados que criamos juntos com a Monsanto são bastante significativos e, se o acordo for concluído, eu acho que faria bastante sentido levar isso para a nova companhia."

Nielse ainda não teve nenhuma discussão com a Bayer sobre seus laços estratégicos com a Monsanto, a BioAg Alliance, mas ele disse que espera fazer isso antes que a incorporação seja concluída. A Novozymes depende da aliança, que cobre a venda de inoculantes, para aumentar o crescimento e retomar as vendas.

O acordo de compra da empresa de sementes norte-americana Monsanto pela alemã Bayer é o mais emblemático em uma onda de incorporações agrícolas nos últimos anos. No entanto, as ações da Monsanto ainda estão sendo negociadas bem abaixo do valor da oferta da Bayer, refletindo preocupações de que a fusão poderia estagnar por questões antitruste. (Reuters 28/09/2016)

 

Setor de máquinas e equipamentos vai reforçar pedido ao governo por repactuação de dívidas

Os fabricantes de máquinas e equipamentos do Brasil devem iniciar a partir do próximo mês nova rodada de peregrinação entre membros do governo federal sobre um pedido de repactuação de dívidas que permita o setor responsável por cerca 5 por cento do PIB da indústria do país voltar crescer.

As empresas fabricantes de equipamentos e máquinas devem ter em 2016 a maior queda de faturamento dos últimos quatro anos e vislumbra para 2017 um cenário de recuperação muito lenta, que pode acabar despencando para uma nova queda a depender do ritmo da economia e do programa de concessões e privativações do governo federal.

"Ou se dá tempo ao tempo e demoraremos cinco anos para recuperar a indústria (em geral do país) ou podemos fazer um Proer para a indústria para acelerar a desalavancagem das empresas. Por que houve isso para o setor financeiro e não para a indústria", disse o diretor de competitividade da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Mario Bernardini, em entrevista a jornalistas.

Ele fez referência a pesquisa recente da entidade junto às 7.500 empresas filiadas que afirma que 50 por cento delas não possuem certidão negativa de débitos e 20 por cento estão com algum problema junto à Receita Federal.

O Proer foi um programa criado em meados da década de 1990 pelo governo federal como um mecanismo para permitir o saneamento do sistema financeiro nacional após a quebra do Banco Econômico.

"As multas e os juros atuais inviabilizam as empresas (...) Tem que haver uma nova repactuação para que as empresas possam voltar a se tornar solventes", disse o presidente do conselho de administração da Abimaq, João Marquesan.

Desde um pico atingido em 2013, a indústria de máquinas e equipamentos acumula 74.100 demissões, encerrando agosto com 306,2 mil pessoas ocupadas e um nível de ociosidade de capacidade instalada de 33,5 por cento. Em 2013, a ociosidade era de 24,9 por cento.

Em agosto, os fabricantes de máquinas e equipamentos do país, registraram queda de 17,4 por cento no faturamento sobre um ano antes, a 5,7 bilhões de reais. No acumulado dos oito primeiros meses, as vendas somam 45 bilhões de reais, queda de 27,3 por cento sobre o mesmo período de 2015.

Segundo Bernardini, a expectativa da Abimaq para o faturamento em todo 2016 é de baixa de cerca de 20 por cento. A entidade chegou a trabalhar no início do ano com uma expectativa de queda de um dígito nas vendas este ano, quando a cotação do dólar estava mais próxima de 4 reais.

Para 2017, o diretor afirmou que pode haver um crescimento de 2 por cento.

"A recuperação vai ser muito lenta, muito modesta (...) toda a indústria precisa antes crescer para reduzir sua capacidade ociosa antes de pensar em voltar a investir e comprar máquinas conosco", disse Bernardini. (Reuters 28/09/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Terceira alta seguida: As cotações do açúcar demerara apresentaram alta pelo terceiro pregão seguido ontem na bolsa de Nova York, sustentadas pelo menor ritmo de produção no Brasil. Os lotes com vencimento em março fecharam a 23,78 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 34 pontos. "O mercado está de olho no fim da safra brasileira, no começo da safra indiana e como será a recomposição de estoques de grandes consumidores, como a própria Índia e a China", destaca Gabriel Elias, trader da Olam International. A Índia é o segundo maior produtor mundial e deve ter queda de 7% na produção da safra 2016/17, de acordo com a Associação de Usinas local. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 91,52 a saca de 50 quilos, alta de 1,69%.

Cacau: Horizonte positivo: As melhores perspectivas para a produção de cacau na safra 2016/17 no oeste africano pressionaram os contratos da amêndoa ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em dezembro fecharam a US$ 2.800 a tonelada, recuo de US$ 39. As previsões são de chuvas intensas na Costa do Marfim e em Gana, os dois maiores produtores mundiais, que já vêm recebendo precipitações acima da média. Na Costa do Marfim, o volume acumulado é 26,5% superior ao normal e em Gana, 30,6%. Esse cenário gera otimismo no setor. "São as primeiras esperanças de boa oferta de Cacau", disse o Commerzbank em nota. O preço médio ao produtor em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, ficou estável ontem em R$ 152 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Recuo moderado: O arrefecimento da temporada de furacões na Flórida, segundo maior produtor mundial de laranja, pressionou as cotações do suco ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em janeiro fecharam a US$ 2,0255 a libra-peso, com recuo de 35 pontos. "Não houve tempestades tropicais fortes o suficientes que atingissem o Estado este ano", observa Jack Scoville, da Price Futures Group. Principal fornecedor da indústria de sucos americana, a Flórida deve registrar sua pior produção desde 1964 devido à estiagem e ao avanço do greening, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). No mercado interno, o preço médio da caixa de laranja (de 40,8 quilos) destinada à indústria subiu 0,54%, para R$ 20,53, segundo o Cepea.

Soja: Safra recorde: Os contratos futuros da soja registraram queda ontem na bolsa de Chicago, com os investidores atentos à perspectiva de produção recorde na safra 2016/17 dos EUA. Os papéis para janeiro de 2017 fecharam a US$ 9,52 por bushel, recuo de 6,75 centavos. Conforme o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o país deve colher um recorde de 114,33 milhões de toneladas de soja. No total, 10% da área plantada já foi colhida até o último dia 25, aquém dos 17% de igual período do ano passado e dos 13% da média dos últimos cinco anos. O atraso é reflexo das chuvas persistentes no Meio-Oeste dos EUA ­ o que pode voltar a sustentar as cotações da oleaginosa em breve. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos no Paraná ficou em R$ 74,99, ligeira alta de 0,11%. (Valor Econômico 29/09/2016)