Macroeconomia e mercado

Notícias

Rumo Logística

O empresário Rubens Ometto Silveira Mello, dono da Rumo Logística, foi pego no contrapé com o recuo do governo em relação à renovação das licenças ferroviárias, que estava prevista para este ano.

Ometto já havia se comprometido com o secretário do PPI, Moreira Franco, em investir cerca de R$ 4,6 bilhões na malha paulista como contrapartida da prorrogação da concessão.

Agora, o anúncio do plano de expansão deverá ficar apenas para o próximo ano, quando o governo promete editar uma Medida Provisória autorizando a extensão das licenças.

Procurada pelo RR, a Rumo disse que “reafirma seu compromisso com o país e com seu plano de investimentos no setor de logística. (Jornal Relatório Reservado 04/10/2016)

 

Procura de terras no Centro Oeste em nome do rei da Arábia Saudita

Representantes do Salic , fundo de investimento ligado à família real da Arábia Saudita, têm percorrido o Centro-Oeste em busca de terras. (Jornal Relatório Reservado 03/10/2016)

 

Nasce a RaW, parceria entre Raízen e Wilmar

Já nasce grande no mercado de açúcar o resultado da aliança entre a Raízen, maior fabricante da commodity no Brasil, controlada por Cosan e Shell, e a Wilmar, uma das maiores tradings e refinadoras do produto na Ásia. Batizada de RaW, em alusão ao termo em inglês que define o açúcar bruto, a joint venture será lançada hoje pelas companhias com a promessa de ser a segunda maior originadora de açúcar brasileiro para exportação.

Em seu primeiro ano completo de operação, que corresponderá à safra brasileira 2017/18, que terá início em abril, a RaW deverá entregar nos portos cerca de 4,5 milhões de toneladas de açúcar VHP, volume que é hoje originado no país pelas 24 usinas da Raízen e pela Wilmar. Foi o que afirmou ao Valor Leonardo Gadotti, vice-presidente executivo de logística, distribuição e trading da Raízen e que passa a presidir o conselho de administração da joint venture. A sede da RaW será em Cingapura, como a da Wilmar, mas contará com escritório operacional em São Paulo. O CEO será Jean Luc Bohbot, head de açúcar da Wilmar.

A criação da RaW faz frente a um rearranjo no segmento que começou com a união entre Copersucar e Cargill para a criação da Alvean, em 2014, e reforça uma tendência de consolidação que caminha com mais facilidade no lado da comercialização de açúcar do que da produção. "É uma tendência global no mercado de açúcar e o Brasil, como maior produtor do mundo, não poderia ficar longe dela", disse Gadotti.

Diferentemente da Alvean, que em 2015/16 originou 5 milhões de toneladas de açúcar no Brasil, a RaW deve atuar só na originação de açúcar VHP, entregando nos portos o produto que sai das usinas na modalidade Free On Board (FOB), que reparte responsabilidades do embarque entre vendedor e comprador.

A tacada une não apenas duas empresas que já são grandes no segmento, mas duas pontas que normalmente estão em lados opostos: enquanto a Raízen é líder no maior país produtor da commodity, a Wilmar é uma das maiores compradoras globais de açúcar e se destacou, nos últimos meses, como a principal recebedora do açúcar bruto entregue nos vencimentos dos contratos futuros na bolsa de Nova York.

Assim, disse Gadotti, a união "fazia todo o sentido em termos de sinergias e de potencial para explorar melhor o mercado". Além disso, a Wilmar já era uma das principais clientes da nova parceira. As operações da RaW deverão contribuir para a determinação das estratégias de produção da Raízen, que faturou R$ 12,2 bilhões na safra 2015/16 e poderá ter, agora, uma visão ainda mais ampla das demandas do mercado, de acordo com o executivo.

A estratégia de verticalização não é novidade para a Raízen, que já acessa diretamente o mercado doméstico de etanol por meio de sua rede de distribuição de combustíveis. Tampouco o é para a Wilmar, que já vem estabelecendo parcerias com empresas locais para garantir a originação de açúcar e o refino do produto. Em 2015, a receita da empresa asiática apenas com o negócio de açúcar foi de US$ 4,4 bilhões, 80% provenientes de operações de trading, no total, o faturamento da Wilmar chegou a US$ 38,8 bilhões.

Em 2010, a Wilmar fez sua primeira incursão na área sucroalcooleira com as aquisições da produtora australiana de açúcar Sucrogen e da refinadora indonésia Jawamanis Rafinasi. De 2013 a 2015, adquiriu participações em empresas de Marrocos e Mianmar. No Brasil, sua atuação é indireta, já que detém 50% da indiana Shree Renuka Sugars, que, além de possuir sete usinas na Índia, tem duas em São Paulo e duas no Paraná.

A joint venture não nasceu sem alguns questionamentos. Embora o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) tenha aprovado sua criação sem restrições, diversas empresas consultadas pelo órgão expuseram suas preocupações com a concentração do mercado de açúcar para exportação, conforme documentos que constam no processo. Mas o Cade considerou que há outras tradings no mercado com as quais os produtores podem negociar sua oferta. Além disso, também levou em consideração que boa parte do açúcar exportado pela Raízen já era movimentado pela Wilmar.

O Cade observou, ainda, que nem a Raízen tem mais de 30% de participação na produção brasileira de açúcar nem a Wilmar tem mais de 30% da comercialização da commodity no país. E, embora algumas tradings tenham se manifestado no processo de consultas do Cade sobre a concentração de mercado de exportação no porto de Santos ­ onde a Rumo, controlada pela Cosan, tem terminal de embarque de açúcar ­, dois representantes de empresas concorrentes afirmaram que também podem contar com outros terminais. Um deles está sendo construído pela VLI Logística, deverá ficar pronto em 2017 e terá capacidade inicial para escoar 3,7 milhões de toneladas de açúcar por ano. (Valor Econômico 04/10/2016)

 

Açúcar e milho salvam saldo da balança comercial do agronegócio

Há uma ano, quando se projetavam as expectativas para a balança comercial agropecuária deste ano, os indicadores não eram tão atraentes como estão.

Previam-se uma safra mundial de grãos maior, recuperação dos estoques mundiais e, consequentemente, uma forte queda internacional dos preços.

As duas primeiras hipóteses ocorreram, mas não se imaginava que o apetite chinês se manteria tão aguçado também neste ano.

Além das tradicionais compras de soja no Brasil, os chineses vieram buscar açúcar e carnes, o que os colocaram entre os principais importadores desses produtos do Brasil.

Os preços médios de vários produtos da balança até caíram, mas não com a intensidade prevista. Mesmo assim, o maior volume exportado compensou, em parte, a queda de divisas de vários itens.

Dois produtos, em especial, foram decisivos para que a receita da balança comercial não fosse pior neste ano: açúcar e milho.

No primeiro caso, as exportações deste ano já atingem US$ 7,37 bilhões, com evolução de 38%. As vendas externas de açúcar bruto foram os destaques, somando US$ 5,9 bilhões, 42% mais do que em igual período de 2015.

O bom desempenho do setor de açúcar se deve à aceleração dos preços internacionais. Após vários anos de oferta acima da demanda, começa a faltar açúcar.

Em apenas dois anos (em 2016 e em 2017), a demanda mundial do produto vai superar em 14 milhões de toneladas a produção.

O resultado foi que os preços dobraram na Bolsa de commodities de Nova York em um ano. Nesta segunda-feira (3), o primeiro contrato foi negociado a 22,67 centavos de dólar por libra peso.

O açúcar vai continuar sendo um fator positivo para a balança comercial nos próximos anos, uma vez que a previsão de deficit da oferta, em relação ao consumo, deve avançar até 2020.

Os bons preços devem incentivar a produção em outros mercados, mas o Brasil é o principal produtor mundial e se beneficiará dos custos menores de produção do que em outros países.

O milho, assim como o açúcar, ajuda a manter o saldo da balança do agronegócio neste ano. O fôlego para esse produto daqui para a frente, no entanto, é menor.

O Brasil aliou, nos últimos anos, avanço de produção no país, quebra de safra nos Estados Unidos e dólar favorável para as exportações. O resultado foram vendas externas recordes em 2015.

O cenário para o milho, embora ainda haja mercado externo para o produto brasileiro, já não é tão favorável. Os Estados Unidos e Argentina, dois tradicionais exportadores, terão produção recorde nesta safra 2016/17. Além, disso, o dólar já não é tão favorável como foi em bom período do ano passado.

Neste ano, as exportações de milho já somam US$ 3,2 bilhões até setembro, 44% mais do que em igual período do ano passado, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

A soja se mantém líder da balança comercial brasileira. Nos nove primeiros meses, as vendas externas do complexo soja (grãos, óleo e farelo) somam US$ 23,5 bilhões, 4% inferior às de 2015.

Embora menores, as receitas deste ano ficam bem acima das previsões iniciais, que indicavam um volume financeiro próximo de US$ 20 bilhões para o ano.

Outro setor de destaque das exportações brasileiras são as carnes. Considerando apenas os produtos "in natura", a Secex aponta receitas de US$ 8,8 bilhões neste ano, um volume próximo dos US$ 9 bilhões de janeiro a setembro de 2015.

O café, o quinto produto em importância na balança do agronegócio, teve receitas de US$ 3,3 bilhões neste ano, 21% menos do que igual período do ano passado, segundo a Secex.

Suco de laranja

A forte queda nos estoques mundiais de suco provocou elevação dos preços internacionais. Com isso, as exportações brasileiras somam US$ 833 milhões, 23% mais.

Etanol

Não é apenas o açúcar que puxa as exportações no setor sucroalcooleiro. As vendas externas de etanol renderam US$ 787 milhões no ano, 40% mais do que as de igual período de 2015.

Celulose

Imbatível no ano passado, devido à evolução constante de preços e do volume exportado, a celulose teve queda de 18% nos preços de setembro, ante igual período de 2015.

Minério

Os preços externos pararam de cair, mas as receitas, não. Somam US$ 9,2 bilhões no ano, 15% menos. (Folha de São Paulo 04/10/2016)

 

Mapa: Soja e milho, âncoras da agricultura brasileira

Soja e milho foram as lavouras que mais impulsionaram a agricultura brasileira em 2015. Entre os municípios, o líder foi São Desidério, no oeste baiano, com crescimento de 23,2% no valor da produção, que chegou a R$ 2,8 bilhões no ano passado, graças principalmente à cultura de algodão. A segunda posição ficou com Sorriso (MT), maior produtor nacional de soja e milho, com faturamento bruto da atividade rural estimado em R$ 2,5 bi.

As informações constam de estudo divulgado nesta segunda-feira (3) pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O trabalho é baseado na pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM) 2015, feita anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O órgão avaliou 63 culturas, 34 das quais tiveram aumento na quantidade produzida e 29 apresentaram queda.

Em 2015, a área plantada com lavouras temporárias e permanentes (grãos, frutas, café, cacau, cana-de-açúcar) foi de 76,8 milhões de hectares, 567 mil hectares a mais que em 2014. A safra de soja, segundo o IBGE, chegou a 97,5 mi de toneladas (aumento de 12,3% na comparação com a anterior). A colheita de milho alcançou 85,3 mi t (acréscimo de 6,8%). Soja, milho, cana e café ocuparam 60,2% da terra cultiva.

“O ano passado foi de recorde de produção no Brasil”, diz o coordenador-geral de Estudos e Análises da SPA, José Gasques. Pelos cálculos do IBGE, apenas a colheita de grãos totalizou 209,7 mi t. Já os números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam uma safra de 207,8 mi t em 2015. Os municípios que mais se destacaram na atividade agrícola são de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Bahia.

Produtividade

De acordo com Gasques, os municípios que aparecem nas 20 primeiras posições do ranking nacional, em diferentes culturas, também estão à frente em produtividade. O rendimento médio das lavouras de milho, por exemplo, foi de 5.536 kg/ha. Em Jataí (GO), a média foi de 7.274 kg/ha; em Sorriso, 6.600 kg/ha; e em Montividiu (GO), 7.811 kg/ha. “Ou seja, todos bem acima da média da produtividade do país”, reforçou.

Situação semelhante ocorreu com a cultura de feijão, cuja produtividade média nacional alcançou 1.079 kg/ha em 2015. Em Água Fria (GO), o rendimento médio chegou a 2.289 kg/ha; em Paranapanema (SP), 3.360 kg/ha; em Capão Bonito (SP), 3.500 kg/ha; em Luziânia, 2.800 kg/ha, e em Cristalina, 2.491 kg/ha.

Gasques destaca ainda que os 20 maiores municípios em produção de soja foram responsáveis por 17,8% do valor bruto da produção (VBP) em 2015. Na cadeia do milho, os municípios que ocupam até a vigésima posição no ranking nacional produziram 19% do VBP do grão. Esse percentual foi de 25% no feijão e de 77% no algodão. (Mapa 04/10/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Avanço da produção: O forte avanço da moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil na primeira quinzena de setembro continua pressionando os contratos futuros do açúcar na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em março de 2017 fecharam a 21,95 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 21 pontos. De acordo com a consultoria Job Economia, a produção de açúcar do Centro-Sul baterá o recorde histórico de 35 milhões de toneladas nesta temporada, avanço de 12% sobre o ciclo passado. Só a moagem de cana-de-açúcar deverá atingir 632,4 milhões de toneladas na safra 2016/17, 2% acima do registrado no ciclo anterior. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 94,20 a saca de 50 quilos, queda de 0,53%.

Cacau: Déficit no curto prazo: A perspectiva de déficit na oferta mundial de cacau no curto prazo tem impulsionado os contratos futuros da amêndoa na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em março de 2017 encerraram o pregão de ontem cotados a US$ 2.751 a tonelada, avanço de US$ 17. A safra 2016/17 começou esta semana nos dois maiores produtores mundiais de cacau, Costa do Marfim e Gana. Embora a perspectiva seja de um superávit na oferta mundial ao longo da nova temporada, a menor produção em 2015/16 ainda sustenta o valor dos contratos, já que a colheita da nova safra se encerra somente no início do ano que vem. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, ficou estável em R$ 150 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Suco de laranja: Sem risco de furacão: A menor possibilidade de o furacão Matthew atingir a Flórida nos próximos dias levou a uma correção nos preços do suco de laranja na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em janeiro de 2017 fecharam a US$ 1,951 a libra-peso, recuo de 805 pontos. Formado no Mar do Caribe, o furacão tem reduzidas chances de passar pelos EUA e, caso isso ocorresse, seria somente dentro de muitos dias, segundo a Agência Americana de Pesquisas Atmosféricas e Oceânicas (NOAA, na sigla em inglês). A Flórida é o principal fornecedor de laranjas para a indústria de sucos americana e deve amargar sua pior produção desde 1964. No mercado interno, o preço médio pago pela indústria pela caixa de 40,8 quilos de laranja ficou estável em R$ 20,43, segundo o Cepea.

Soja: Demanda firme: Novos sinais de demanda forte pela soja produzida nos EUA voltaram a dar sustentação ao valor dos contratos futuros da commodity na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em janeiro de 2017 fecharam a US$ 9,78 por bushel ontem, alta de 18,75 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os americanos embarcaram 1,104 milhão de toneladas de soja na semana móvel encerrada no último dia 29 de setembro, bem acima das 386,03 mil toneladas embarcadas na semana anterior, encerrada no dia 22. Segundo o USDA, os EUA devem colher o volume recorde de 114,33 milhões de toneladas de soja nesta safra. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&Bovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 77,67 a saca de 60 quilos, recuo de 0,13%. (Valor Econômico 04/10/2016)