Macroeconomia e mercado

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Preço da gasolina ficará igual ou acima do internacional, diz Parente

A Petrobras está se preparando para anunciar uma política de preços para combustível que vai evitar subsídios que retiraram lucros durante o governo anterior, afirmou nesta sexta-feira o presidente da estatal, Pedro Parente, em entrevista à “Bloomberg”. A estatal, que não ajusta os preços da gasolina e do diesel há mais de um ano, vai estabelecer os valores iguais ou acima da paridade dos níveis internacionais, disse o executivo, que tem feito reiteradas declarações de que a política de preços da companhia será independente.

A companhia planeja implementar mudanças mais frequentes em fatores como os preços internacionais, a taxa de câmbio e sua participação no mercado, afirmou Parente. Segundo o presidente da estatal, a partir de agora, a Petrobras só vai se beneficiar da diferença entre os preços internos e do mercado internacional, sem perdas, sustentou. Enquanto a Petrobras planeja manter os preços acima dos níveis internacionais, a empresa não anunciará uma fórmula específica que engatilharia aumentos ou reduções, disse. A perspectiva da atribuição de preço foi um dos principais questionamentos em reuniões com investidores este mês, disse Parente, acrescentando que a Petrobras não deixará o governo ditar decisões corporativas. “Não esperamos ser um braço do governo para controlar a inflação”, declarou.

Mais competição

Como a Petrobras detém quase um monopólio do refino de combustível no Brasil e a infraestrutura mais robusta de importação, a estatal tem enfrentado crescente concorrência à medida que o negócio se torna mais lucrativo.

A distribuidora de combustíveis da companhia tem visto sua fatia de mercado recuar nos últimos anos. “A participação de mercado é muito importante”, disse Parente. Os brasileiros estão consumindo menos combustível em meio à recessão de dois anos, e concorrentes do setor, como Ipiranga, da Ultrapar Participações, e Raízen, da jointventure entre Shell e Cosan, aumentaram as importações de combustível para conquistar esses ganhos.

Na primeira metade de 2016, as compras externas de diesel da Petrobras caíram 81% frente ao ano anterior, segundo dados do relatório financeiro da estatal no segundo trimestre. A clareza do processo de definição dos preços ajudará a Petrobras a encontrar parceiros para expandir sua rede doméstica de refinarias, disse Parente.

Isso reduzirá o fardo de investimento da companhia, e ter sócios adicionais dificultará o papel dos governos futuros de pressionar a companhia a vender combustível em preço abaixo do custo, afirmou. “Só por ter parceiros, seria muito difícil sofrer influência externa”, avaliou. (Valor Econômico 07/10/2016 às 23h: 59m)

 

Plantio de soja avança e atinge 11% da área a ser semeada

O plantio de soja da safra 2016/17 atingiu 11%, em média, no Brasil, conforme dados apurados pela AgRural, de Curitiba, até quinta-feira (6).

É no Paraná onde as máquinas estão com ritmo mais acelerado. Os produtores do Estado já semearam 29% da área a ser utilizada com a oleaginosa.

Mato Grosso também acelera o plantio, com 19% da área já plantada. No ano passado, devido às dificuldades climáticas, as máquinas haviam avançado em apenas 5% da área do Estado.

Mato Grosso do Sul, outro Estado importante na produção da oleaginosa, não tem a mesma sorte de Paraná e Mato Grosso. Devido à seca em algumas regiões de Mato Grosso do Sul, os produtores semearam apenas 6% da área.

A AgRural prevê uma área de 33,5 milhões de hectares com soja no país, com aumento anual de 0,8%. A produção potencial é calculada em 101 milhões de toneladas, com alta de 5%.

Os dados divulgados na quinta-feira (6) pela Conab indicam que o país deverá semear até 34,2 milhões de hectares com soja. Essa área poderá render até 104 milhões de toneladas.

Carne nos EUA

O Brasil começa a enviar carne "in natura" para o mercado norte-americano. No mês passado, as exportações brasileiras somaram 127 toneladas, no valor de US$ 501 mil. O valor médio foi de US$ 3.960 por tonelada, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Preços melhores

O preço médio do açúcar deverá ficar em US$ 0,215 por libra-peso no próximo ano, uma alta de 7,5% em relação ao que se previa. Já os do café sobem para US$ 1,5 por libra-peso, com evolução de 7%.

Deficit

Os dados são do Índice de Commodities do Itaú, cujos analistas projetam deficit global de açúcar em 10 milhões de toneladas na safra 2015/16. Em 2016/17, serão 4 milhões de toneladas.

Risco

Índia e Tailândia poderão ser, no entanto, um elemento de risco para esses números, principalmente se a produção recuar ainda mais do que está prevista.

Para baixo

Os preços dos produtos agropecuários praticados no mercado atacadista recuaram 1,56% em setembro, conforme dados apurados pelo IGP-DI. Em 12 meses, a alta acumulada é de 21,6%.

Etanol

O etanol hidratado foi negociado em R$ 1,7604 por litro no período de 3 a 7 deste mês, com aumento de 1,8% em relação ao da semana anterior. Os dados são do Cepea, que aponta, ainda, alta de 1,8% para o anidro: R$ 1,9690 por litro.

Nos postos

Na cidade de São Paulo, o preço médio do etanol hidratado foi a R$ 2,412 nos postos, conforme pesquisa semanal da Folha. Houve alta de 3% na semana. (Folha de São Paulo 08/10/2016)

 

Exportação do agronegócio atinge US$ 67,35 bi em 2016

As vendas externas do agronegócio brasileiro de janeiro a setembro deste ano atingiram US$ 67,36 bilhões, valor 0,6% superior ao registrado em igual período do ano passado. Já as importações do setor recuaram 3,4% para US$ 9,79 bilhões. O saldo da balança comercial foi superavitário em US$ 57,57 bilhões.

Os números divulgados Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura mostram os produtos de origem vegetal foram os que mais contribuíram para a expansão das exportações, como o setor sucroalcooleiro, cuja receita ano aumentou em US$ 2,24 bilhões.

Segundo o estudo, o ranking dos setores é liderado pelo complexo soja, com receita de US$ 23,52 bilhões, sendo 78,7% representado pelo grão da oleaginosa (US$ 23,5 bilhões).

A receita da exportação do grão caiu 3,4% em relação ao mesmo período do passado, apesar da alta de 0,1% no volume embarcado (para 49,6 milhões de toneladas). O preço médio recuou 3,5% para US$ 376/tonelada.

As exportações do farelo cresceram 5,2% em volume (para US$ 11,8 milhões de toneladas), mas a receita recuou 5,1% (para US$ 4,2 bilhões), devido à retração de 9,8% no preço médio (para US$ 358/tonelada). No caso do óleo de soja, o estudo mostra fortes quedas de 9,9% no volume (para 1,092 milhão de toneladas) e de 10,3% na receita (para US$ 769 milhões), enquanto o preço teve leve recuo de 0,5% (para US$ 704/tonelada) em relação ao período de janeiro a setembro do ano passado.

O segundo lugar no ranking das exportações é ocupado pelo complexo carnes, cujas vendas neste ano aumentaram 8,9% em volume (para 5,145 milhões de toneladas), enquanto a receita caiu 2,1% (para US$ 10,7 bilhões), devido à queda de 10,2% do preço médio (para US$ 2.088/tonelada).

A líder no segmento é a carne de frango, cujas exportações cresceram 6,1% em volume (para 3,321 milhões de toneladas) e recuaram 2,1% em valor (US$ 5,1 bilhões). O preço médio da carne de frango exportada caiu 9,2% para US$ 1.558/tonelada.

No caso da carne bovina, o volume exportado cresceu 6,6% (para 1,041 milhão de toneladas) e a receita caiu 3,8% (para US$ 4,054 bilhões), com o preço médio cotado a US$ 3.894 (queda de 9,8%). (Revista Globo Rural 10/10/2016)

 

Petrobras fecha usina de biodiesel no Ceará e inicia saída do setor de biocombustíveis

A Petrobras Biocombustível, subsidiária da Petrobras, vai encerrar as atividades da Usina de Biodiesel de Quixadá, no Ceará, a partir de novembro, em linha com a estratégia da empresa de deixar integralmente a produção de biocombustíveis, informou a petroleira estatal nesta sexta-feira.

A empresa explicou que a decisão foi comunicada aos empregados, sindicatos, clientes e fornecedores da unidade.

As usinas de Montes Claros, em Minas Gerais, e a de Candeias, na Bahia, continuarão a operar normalmente, segundo a empresa, que estuda alternativas para as unidades, de acordo com as metas do seu Plano de Negócios 2017-2021.

No novo plano, a companhia estatal reduziu em 25 por cento os investimentos e prevê focar suas atividades na produção de petróleo, saindo de diversos setores, como de biocombustíveis.

"Considerando que de acordo com as projeções, não haveria uma solução para a usina em curto prazo e sem novos investimentos, o Conselho de Administração da Petrobras Biocombustível optou por encerrar a produção de biodiesel no Ceará e assim focar recursos em projetos com maior rentabilidade", afirmou a Petrobras em nota.

A desmobilização levará em torno de seis meses e será realizada por uma equipe multidisciplinar, explicou a empresa.

Os empregados próprios serão transferidos para as outras duas unidades da Petrobras Biocombustível e os empregados cedidos serão realocados em outras unidades da Petrobras.

A usina de Quixadá tem capacidade instalada para fabricar até 108 milhões de litros de biodiesel ao ano o que faz dela a 24ª maior planta de produção de biodiesel do Brasil. No ano passado, ela foi a responsável pela produção de aproximadamente 87,5 milhões de litros de biodiesel, 2,2% do total fabricado no período.

Sinais de que a usina cearense poderia ser a primeira afetada ficaram claros há poucos dias quando a PBio não ofertou biodiesel de sua unidade cearense durante a Etapa 2 do 51º Leilão de Biodiesel. Uma situação inédita para uma usina que participou religiosamente de todos os certames realizados desde agosto de 2008 até hoje.

Com a desativação de Quixadá, a Região Nordeste passa a contar com apenas duas usinas em atividade, ambas na Bahia, a de Iraquara pertencente à Oleoplan e a de Candeias que também é da Petrobras Biocombustível. (Reuters 07/10/2016)

 

Redução de subsídios para biomassa e energia eólica ganha apoio no governo

Novas usinas eólicas e de geração a partir de biomassa poderão sofrer uma redução de isenção de custos atualmente concedida pelo governo a investidores, em meio a um esforço da nova equipe do Ministério de Minas e Energia para diminuir o peso dos subsídios que hoje são pagos pelos consumidores nas contas de luz.

O corte nos incentivos pode ser viabilizado por meio de uma emenda incluída na Medida Provisória 735/2016, que está em tramitação, o que teria como efeito uma elevação nos custos para a construção de novos empreendimentos dessas fontes de energia.

Segundo texto da MP aprovado em comissão mista do Congresso nesta semana, que agora segue para a Câmara dos Deputados, as usinas eólicas e à biomasssa teriam já a partir de janeiro de 2017 um corte nos descontos garantidos em custos de transmissão e distribuição de energia, que seriam limitados a um período de cinco anos após o início da operação dos parques.

Atualmente o desconto nesses custos pelo uso da rede não tem prazo determinado.

A possível limitação do desconto gerou críticas dos investidores desses setores, mas o Ministério de Minas e Energia disse que negociou com o Congresso alguns pontos da MP e apoiou essa medida.

"Esse ponto se alinha com os esforços de redução dos subsídios do setor", afirmou a pasta em comunicado à Reuters.

O desconto nas tarifas de transmissão e distribuição, de 50 por cento, beneficia os geradores e também os clientes que compram a energia dessas usinas, conhecida no mercado como "incentivada".

O subsídio é custeado por um fundo abastecido por um encargo cobrado nas contas de luz, chamado Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que sustenta diversos outros subsídios e incentivos do setor elétrico.

Em 2015, a CDE teve orçamento recorde de 25,2 bilhões de reais, dos quais 1,1 bilhão de reais foi utilizado para bancar esses descontos nas taxas de uso da rede por fontes renováveis, de segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Também são beneficiadas pelos descontos pequenas hidrelétricas, usinas a biogás e parques solares, mas esses empreendimentos não terão cortes no subsídio.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, a alteração nas regras para o desconto melhora o "sinal de preço" no mercado de eletricidade e também faz parte de um compromisso do governo de reduzir os custos totais com os subsídios bancados pela CDE.

A pasta, inclusive, criou nesta semana um grupo de trabalho que irá se debruçar sobre o tema para reduzir as despesas com a CDE, que têm ajudado a elevar fortemente a tarifa de energia desde o ano passado.

O presidente da consultoria Thymos, João Carlos Mello, concorda com a necessidade de se rever os subsídios cobrados na conta de luz devido à forte elevação desses custos desde 2013.

"É um tema preocupante, que afeta a própria competitividade da indústria brasileira... temos que enfrentar essa questão de frente", afirmou.

"Algumas fontes podem já ser viáveis, não precisar mais de subsídios. Precisamos fazer um estudo profundo para tomar a melhor decisão", afirmou a analista da Thymos, Evelina Neves.

Investidor lamenta medida

O fim dos descontos nas tarifas pelo uso da rede elétrica pode elevar em 10 reais por megawatt-hora o preço de venda da energia de novas usinas eólicas, afirmou à Reuters a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

O valor representa 5 por cento do preço teto para as eólicas no último leilão que contratou a fonte, no final de 2015.

"Isso é muito prejudicial em um momento de mudança de governo, em que o importante é resgatar a confiança do investidor. Esse sinal é completamente reverso ao que o mercado estava esperando", disse a presidente da Abeeólica, Elbia Gannoum.

Já o especialista em energia da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Zilmar de Souza, disse que a medida prejudicaria novos investimentos para geração de energia com biomassa.

"Mesmo com o benefício (do desconto) a biomassa cada vez mais tem tido dificuldade em retornar a um nível mínimo de expansão... o desconto é importante como política de Estado", afirmou.

Tanto a indústria eólica quanto a de cana reclamam também do fato de a MP atualmente em discussão manter os benefícios na íntegra para as pequenas hidrelétricas e usinas solares e a biogás, o que é visto por eles como "falta de isonomia". (Reuters 07/10/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Menor moagem: As previsões de uma menor moagem no Centro-Sul do Brasil impulsionaram as cotações do açúcar demerara na bolsa de Nova York na última sexta-feira. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 22,63 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 32 pontos. Segundo o escritório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) no Brasil, a moagem de cana-de-açúcar prevista para o país na safra 2016/17 é de 608 milhões de toneladas, abaixo das 630 milhões estimadas anteriormente pelo órgão. O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar, seguido da Índia, onde as condições climáticas impactaram a produtividade nesta temporada. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 96,49 a saca de 50 quilos, alta de 1,04%.

Café: Real forte: O menor volume de negociações e a recuperação do real frente ao dólar ao longo do pregão da última sexta-feira deu fôlego às cotações do café arábica na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 1,5135 a libra-peso, avanço de 160 pontos. A maior parte dos traders europeus estiveram fora do mercado na semana passada, reunidos em um evento do setor em Genebra ­ o que deixou a commodity mais suscetível ao cenário macroeconômico. O real mais forte tende a desestimular as exportações brasileiras, reduzindo a oferta no mercado internacional e impulsionando as cotações em bolsa. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica negociado em São Paulo ficou em R$ 491,59 a saca de 60 quilos, recuo de 0,09%.

Suco de laranja: Risco reduzido: A menor ameaça de dano aos pomares de laranja da Flórida durante a passagem do furacão Matthew pressionou os contratos futuros do suco de laranja na bolsa de Nova York na última sexta-feira. Os papéis com vencimento em janeiro fecharam a US$ 1,9585 a libra-peso, queda de 175 pontos. Segundo os meteorologistas, à medida que a tempestade se aproximava dos EUA, havia cada vez menos chance de dano aos pomares de laranja da Flórida, já que o sistema estava previsto para se dirigir ao norte da maioria das áreas de cultivo. A Flórida é o principal fornecedor de laranjas da indústria americana de sucos. No mercado interno, o preço médio pago pela indústria pela caixa de 40,8 quilos da fruta ficou em R$ R$ 20,79, segundo o Cepea, alta de 1,27%.

Algodão: Produção segura: Os contratos futuros do algodão também foram pressioandos pela redução das ameaças de impacto do furacão Matthew. Os papéis mais negociados, com vencimento em dezembro, fecharam a 66,98 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 52 pontos. O sistema seguia para norte na sexta-feira, quando esperava-se que ele passasse a se mover ao longo da costa central e norte da Flórida, atingindo a costa da Geórgia na sexta à noite e a costa da Carolina do Sul no sábado para então se mover em direção ao oceano Atlântico. No Texas, principal Estado produtor dos EUA, as condições eram favoráveis para a colheita. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 83,05 arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba. (Valor Econômico 10/10/2016)