Macroeconomia e mercado

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Rumo negocia empréstimo de R$ 3,5 bi com BNDES

A operadora logística Rumo afirmou nesta segunda-feira que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) iniciou o processo para concessão de financiamento de 3,5 bilhões de reais para a companhia controlada pelo grupo Cosan.

A empresa disse que o BNDES informou o "enquadramento dos projetos apresentados para análise de viabilidade de apoio financeiro em um valor total aproximado de 3,5 bilhões de reais". O enquadramento é uma das etapas principais do processo de concessão de financiamento do BNDES. (Reuters 10/10/2016)

 

Alemanha quer banir carros a gasolina e diesel até 2030

Motores de combustão interna podem ser proibidos em toda a União Européia.

O Bundesrat, conselho federal alemão, votou pela proibição dos motores de combustão interna até 2030. A partir desse ano, todos os carros vendidos na Alemanha deveriam ter motores alimentados a eletricidade, hidrogênio ou outras fontes de energia limpa. Mas a medida pode não ficar restrita ao país: os legisladores querem levar a resolução para toda a União Europeia.

De acordo com a revista alemã Der Spiegel, o incentivo aos veículos elétricos é uma das medidas tomadas para reduzir as emissões de dióxido de carbono na Alemanha em 95% até 2050. Uma possibilidade para acelerar o fim dos carros movidos a gasolina e diesel é aumentar os impostos para os motores de combustão interna (que foram inventados por Nikolaus Otto, um alemão).

A resolução do Bundesrat, que representa os 16 estados alemães, não tem efeito legislativo: a medida precisa ser aprovada pela União Europeia para valer. No entanto, como lembra a Forbes, “as regulações alemãs tradicionalmente têm moldado as regulações da União Europeia e da UNECE [Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa]”.

Metade dos carros que circulam na Europa são movidos a diesel, já que o combustível é mais barato e rende mais por quilômetro rodado (o Brasil é o único país do mundo onde o diesel é proibido para veículos de passeio). Desde o escândalo da Volkswagen, que implementou um software para distorcer resultados de testes de emissão de poluentes, as vendas de diesel caíram 5% na Alemanha e 12,9% nos Países Baixos. (Tecnoblog 11/10/2016)

 

ANP investiga possível sonegação de impostos por petroleiras, diz diretor

A Agencia Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) investiga se petroleiras estão sonegando impostos ao vender petróleo produzido no Brasil, após identificar um comportamento atípico nos preços praticados, afirmou nesta segunda-feira o diretor da autarquia Waldyr Barroso.

O diretor disse a jornalistas, durante audiência pública da agência no Rio de Janeiro, que foram identificados dois casos em que as empresas mudaram os preços de venda de forma atípica. A investigação já dura quatro meses e não tem prazo para conclusão. (Reuters 10/10/2016)

 

Petrobras vai fixar preços de acordo com mercado externo [Vídeo com entrevista]

A Petrobras se prepara para anunciar uma política doméstica para os combustíveis que evitará os custosos subsídios que drenaram os lucros da empresa no governo anterior disse o presidente da petroleira, Pedro Parente, em entrevista.

A Petrobras, que não reajusta os preços da gasolina e do diesel há mais de um ano, fixará os preços em paridade ou acima dos níveis internacionais, disse Parente, na sexta-feira, em entrevista na sede da Bloomberg em Nova York. A empresa planeja efetuar mudanças mais frequentes em fatores como preços internacionais, taxa de câmbio e participação de mercado, disse ele.

De agora em diante, a Petrobras apenas se beneficiará, e não mais perderá, com a diferença entre os preços praticados no Brasil e no mercado internacional, disse Parente.

Embora planeje manter os preços no Brasil acima dos níveis internacionais, a Petrobras não anunciará uma fórmula específica para gerar aumentos ou quedas automáticas, disse Parente. A empresa comercializa gasolina e diesel com ágio há quase dois anos, o que a ajudou a recuperar um total estimado de US$ 35 bilhões perdido com subsídios às importações entre 2011 e o fim de 2014, durante o boom das commodities.

A perspectiva para os preços foi uma das principais dúvidas levantadas pelos investidores no roadshow realizado neste mês, disse Parente. Ele acrescentou que a Petrobras já não permitirá que o governo determine decisões corporativas. “Não devemos ser um braço do governo para controle da inflação.”

Mais concorrência

Embora mantenha um virtual monopólio sobre o refino no Brasil e a maior infraestrutura de importação, a Petrobras, que tem sede no Rio de Janeiro, viu a concorrência aumentar à medida que o negócio se tornou mais rentável. A rede de postos de combustíveis da empresa registrou queda de participação de mercado nos últimos anos.

“Participação de mercado é algo muito importante”, disse Parente.

Os brasileiros estão consumindo menos combustível em meio à recessão de dois anos, a mais profunda da história, e redes de postos de combustíveis concorrentes como a Ipiranga, unidade da Ultrapar Participações, e a Raizen, joint venture entre a Royal Dutch Shell e a Cosan, aumentaram as importações de combustíveis para capturar esses ganhos. No primeiro semestre de 2016 as importações de diesel da Petrobras caíram 81 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo os resultados financeiros da empresa no segundo trimestre.

A clareza sobre os preços ajudará a Petrobras a encontrar parceiros para expandir sua rede de refino no Brasil, disse Parente. Isso reduzirá a carga da empresa no tocante aos investimentos e o fato de contar com parceiros adicionais tornará mais difícil que os futuros governos exerçam pressão para que a empresa venda combustível abaixo do custo, disse ele.

“Só por ter parceiros seria difícil ter influência externa”, disse Parente. (Bloomberg 10/10/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Oferta reduzida: A menor oferta de café robusta segue dando sustentação ao valor dos contratos do café arábica na bolsa de Nova York. Os papéis da commodity com vencimento em março fecharam a US$ 1,5625 a libra-peso, avanço de 490 pontos. O grão tem se valorizado também devido ao fortalecimento do real depois que o tempo seco no Espírito Santo, principal região produtora de robusta no Brasil, derrubou a oferta no país. Segundo alguns analistas, o mercado estará atento ao clima no Brasil nos próximos dias e à possibilidade de chuva durante o período crucial de floração da safra 2017/18, iniciada em setembro. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica negociado em São Paulo ficou em R$ 505,54 a saca de 60 quilos, alta de 2,84%.

Cacau: Safra incerta: O cenário incerto para a próxima safra no oeste da África derrubou as cotações do cacau ontem ao menor patamar e mais de um ano em Nova York. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 2.617 a tonelada, queda de US$ 108. A possibilidade de recuperação das lavouras no oeste da África, região que concentra dois terços da produção mundial, e que viu sua última safra encolher devido aos impactos do clima quente e seco, pressiona o mercado. Apesar de alguns analistas afirmarem que o volume de chuvas poderá gerar atrasos na colheita, ainda não houve relatos de problemas na safra 2016/17. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor em Ilhéus, na Bahia, ficou em R$ 147 a arroba, queda de 1,34%, segundo a Secretaria da Agricultura local, a Seagri.

Milho: Produção incerta: A perspectiva de que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reduzirá suas projeções para a safra 2016/17 de milho no país deu fôlego às cotações da commodity na bolsa de Chicago ontem. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 3,5325 o bushel, alta de 3,75 centavos. A commodity reage também à abertura de novos mercados para a produção americana. Os exportadores do país conquistaram, na semana passada, o acesso ao mercado brasileiro de milho após a aprovação de três tipos de sementes transgênicas cultivadas nos EUA. Outras aprovações são esperadas para os próximos dias, elevando a demanda. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão ficou em R$ 43,78 a saca de 60 quilos, alta de 0,32%.

Trigo: Correção nos EUA: Os contratos futuros do trigo registraram alta ontem nas bolsas americanas, sustentados pela valorização do milho. Os papéis com vencimento em março negociados em Chicago fecharam a US$ 4,2375 o bushel, alta de 9 centavos. Já em Kansas, o cereal com entrega para o mesmo mês fechou a US$ 4,235 o bushel, avanço de 4 centavos. O trigo compete diretamente com o milho na fabricação de ração animal, tendendo a uma correção a cada alteração de mercado. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a produção de trigo no país deve atingir 63,16 milhões de toneladas na safra 2016/17. No mercado interno, o preço médio do cereal negociado no Paraná foi de R$ 636,33 a tonelada, alta de 0,80%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 11/10/2016)