Macroeconomia e mercado

Notícias

Cargill amplia aposta em ingredientes não transgênicos

A Cargill, uma das maiores fornecedoras de alimentos ao atacado do mundo, dobrou-se às tendências ditadas pelos consumidores e está oferecendo seus primeiros produtos com o selo de garantia da maior organização americana que monitora ingredientes livres de transgênicos.

A multinacional americana negocia anualmente milhões de toneladas de produtos como milho e soja, a maior parte do volume geneticamente modificado. Mas a companhia está se deparando com as mudanças no gosto dos consumidores, que passa por uma desconfiança crescente em relação aos produtos transgênicos, comuns nas prateleiras dos supermercados há anos.

Na semana passada, a Cargill informou que recebeu pela primeira vez o selo do Non-GMO Project, uma organização voluntária, para três de seus ingredientes alimentícios. A aprovação significa que as companhias que vendem alimentos embalados e são clientes da Cargill poderão agora colocar em seus produtos a logomarca do projeto, uma borboleta já amplamente reconhecida.

"A demanda por alimentos e bebidas não transgênicos está crescendo e a Cargill está respondendo", afirmou Mike Wagner, diretor da divisão americana de adoçantes e amidos da múlti. Os ingredientes que receberam o selo são o açúcar de cana, o óleo de girassol com alto teor de ácido oleico e um adoçante com zero caloria feito de milho.

"Não há cana de açúcar transgênica e não há girassol transgênico", diz Peter Golbitz da Agromeris, uma consultoria especializada na indústria de alimentos naturais. "De certa forma, a Cargill está capitulando ao temor crescente do consumidor de que há algo com que se preocupar em todos os alimentos, e não apenas com os alimentos que podem ter variedades comerciais transgênicas", afirmou.

A venda de produtos certificados como não transgênicos poderá ajudar a melhorar as margens de lucro da Cargill, que estão em queda nos últimos anos. Em um pronunciamento feito este ano, o executivo-chefe da companhia, David MacLennan, disse que a companhia continuará comprando culturas transgênicas. Mas também afirmou: "Também estamos entusiasmados com as oportunidades de maior valor agregado apresentadas pelas cadeias de fornecimento especializadas, como as de produtos não transgênicos".

Os alimentos embalados com o selo do Non-GMO Project começaram a aparecer nos supermercados em 2010. Hoje, mais de 40 mil produtos são certificados, o que corresponde a mais de US$ 19 bilhões em vendas anuais, de acordo com informações do projeto.

Em julho, o presidente Barack Obama transformou em lei uma medida exigindo que as companhias de alimentos rotulem os produtos com ingredientes geneticamente modificados, antecipando-se a uma lei parecida que seria implementada pelo Estado de Vermont.

A Cargill apoiou a versão final da lei, mas o Non-GMO Project a criticou, afirmando que restaram brechas que permitem que certos alimentos transgênicos não sejam submetidos à rotulagem obrigatória e que os códigos QR dos smartphones têm potencial para substituir os selos de aprovação. O Departamento da Agricultura dos Estados Unidos (USDA) está agora cuidando das normas de aplicação da lei. (Valor Econômico 13/10/2016)

 

Com álcool mais caro, gasolina leva vantagem

Depois de um período de preços mais baixos, o etanol disparou e já chega a custar R$ 2,599 na capital.

Pesquisa feita ontem à tarde pela reportagem mostra que a alta no valor do litro derrubou a vantagem desse combustível em relação à gasolina.

Como o rendimento do veículo abastecido com álcool é menor, ele é vantajoso quando o preço do litro equivale a, no máximo, 70% do que é cobrado pelo litro da gasolina.

A principal razão para a alta de preços é a oferta menor do combustível, encarecendo o produto nas usinas, que estão com a maior parte da capacidade voltada para a produção de açúcar. (Agora 12/10/2016)

 

Governo de Goiás quer ampliar mercado de carnes e etanol

Anúncio ocorreu durante recepção ao embaixador do país no Palácio das Esmeraldas.

O governador Marconi Perillo recebeu hoje, no Palácio das Esmeraldas, o embaixador do Vietnam no Brasil, Nguyen Van Kien. O diplomata completa três anos à frente da embaixada em dezembro, ocasião em que vai retornar ao país natal. “Vim me despedir de Goiás e agradecer toda a cooperação que ocorreu com o Estado nestes três anos”, afirmou. Van Kien disse esperar uma visita do governador ao Vietnam.

O governador, que estava acompanhado do Secretário para Assuntos Internacionais, Isanulfo Cordeiro, anunciou que está programada uma missão comercial para a Ásia em fevereiro de 2017 e que o Vietnam está na rota de compromissos. O embaixador afirmou existir grandes oportunidades para ampliar os acordos bilaterais com Goiás e que pode ajudar apresentando empresários vietnamitas. “O Vietnam compra muito milho, soja e carnes de frango e bovina. Estamos interessados em máquinas para industrialização de cana de açúcar”, explicou.

Imediatamente, o governador telefonou para André Rocha, presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, e falou da necessidade de uma reunião entre ele e o embaixador em Brasília, antes de dezembro. “De qualquer maneira, vou levar em minha comitiva ao Vietnam representantes dos fabricantes de carne de frango e bovina, e também o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético”, se comprometeu.

Nguyen Van Kien, que recebeu em 2015 a Comenda da Ordem do Mérito Anhanguera (Grã Cruz) na cidade de Goiás, afirmou que visita o Estado com frequência. “É a oitava oportunidade que venho a Goiânia”, lembrou. Disse também conhecer Pirenópolis, Alto Paraíso, Rio Quente e Caldas Novas. “Em Pirenópolis, foram várias vezes”, contou. Marconi agradeceu a visita e disse que o diplomata retornará ao Vietnam “especialista em Goiás”. “É um grande prazer recebê-lo aqui. Quando retornar será uma honra recebê-lo. Leve o melhor de Goiás”, agradeceu Marconi, que presenteou Van Kien com um livro com fotos de pontos turísticos goianos (Diário da Manhã 12/10/2016)

 

Commodities Agrícolas

Algodão: Corte nas estimativas: Os contratos do algodão dispararam ontem na bolsa de Nova York após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduzir suas projeções para a oferta nesta safra (2016/17). Os papéis para março subiram 167 pontos, a 69,39 centavos de dólar a libra-peso. O USDA cortou seu cálculo para a produção nos EUA para 3,49 milhões de toneladas. No entanto, o órgão elevou sua projeção para as exportações americanas para 2,61 milhões de toneladas. Como resultado, a projeção para os estoques finais nos EUA foi reduzida para 936 mil toneladas. Esse volume, porém, é maior que o da safra passada. No mercado interno, o preço da pluma em Mato Grosso na terça-feira oscilou entre R$ 77,23 a arroba em Sapezal e R$ 79,60 a arroba em Alto Garças, segundo o Imea.

Soja: Safras robustas: Os preços da soja fecharam em baixa ontem na bolsa de Chicago diante de perspectivas mais otimistas para a oferta. Os papéis para janeiro recuaram 8,25 centavos, a US$ 9,535 o bushel. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou sua projeção para a produção de soja no país e no mundo na safra 2016/17, o que o levou a aumentar seus cálculos para os estoques finais. O órgão aumentou sua estimativa de safra nos EUA para 116,18 milhões de toneladas e para a safra do Brasil para 102 milhões de toneladas. Com um aumento também na estimativa de estoques finais da última safra, o USDA passou a prever estoques de passagem globais em 2016/17 de 77,36 milhões de toneladas. No Paraná, o preço caiu 0,12% na terça-feira, para R$ 66,45 a saca, segundo o Deral/Seab.

Milho: Oferta recorde: As cotações do milho registraram forte queda ontem na bolsa de Chicago diante da leitura dos traders de que as novas estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) continuam indicando oferta global recorde na safra 2016/17. Os papéis para março caíram 8,25 centavos, a US$ 3,47 o bushel. O órgão estimou que os estoques finais nesta safra no mundo serão de 216,81 milhões de toneladas. Embora seja menor que o calculado em setembro, esse volume ainda representa um aumento ante os estoques da última safra. Para a produção global, o USDA cortou sua estimativa para 1,025 bilhão de toneladas, mas o volume continua sendo um recorde histórico. No Paraná, o preço médio do cereal na terça-feira ficou estável, em R$ 32,99 a saca, de acordo com o Deral/Seab.

Trigo: No vermelho: Os preços do trigo acompanharam o milho e fecharam em queda ontem. Em Chicago, os lotes para março recuaram 8,5 centavos, a US$ 4,165 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis para março caíram 7,75 centavos, para US$ 4,1525 o bushel. Como o trigo concorre com o milho como ingrediente para a indústria de ração, os preços dos dois grãos costumam ter forte correlação. O relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) teve pouco impacto, já que o órgão alterou apenas de forma marginal suas estimativas. Para os estoques finais da safra 2016/17 nos EUA, o USDA cortou sua estimativa em 1 milhão de toneladas, para 30,98 milhões de toneladas. Na terça-feira, a cooperativa gaúcha Cotrijuí pagava R$ 38 pela saca. (Valor Econômico 13/10/2016)