Macroeconomia e mercado

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Tereos e Petrobras

O grupo francês Tereos, controladora da Guarani, está interessado em comprar de volta uma fatia de cerca de 45% em sete usinas de açúcar e etanol no país vendida para a Petrobras, disse o diretor da Região Brasil da múlti, Jacyr Costa Filho (foto), durante evento promovido ontem pela Datagro na capital de São Paulo.

"Se eles [Petrobras] realmente decidirem deixar o negócio, estamos interessados", disse ele à agência Reuters. Mas o executivo esclareceu que a Tereos não foi oficialmente informada pela Petrobras sobre a vontade da petroleira de deixar o segmento.

"Eles não se aproximaram de nós ainda. Mas disseram, em anúncio no mês passado, que a ideia é deixar o setor em 2017", afirmou.

Fontes da área disseram no passado que a Petrobras já tentou vender de volta sua participação no negócio, mas não aceitou o que a Tereos estava disposta a pagar.

A Tereos tem preferência sobre qualquer oferta que a Petrobras eventualmente faça envolvendo os ativos da sociedade. (Valor Econômico 18/10/2016)

 

Governo pode avaliar Cide flutuante para dar competitividade ao etanol, diz ministro

O governo vai abrir um diálogo com o setor sucroalcooleiro sobre políticas de incentivo aos biocombustíveis e poderá avaliar um pleito de investidores que querem que a Cide tenha uma alíquota que flutue de acordo com o preço do petróleo para favorecer a competitividade do etanol, afirmou nesta segunda-feira o ministro interino de Minas e Energia, Paulo Pedrosa.

"É um ponto importante. É uma ideia interessante, particularmente em um momento em que o preço do petróleo está em baixa, a Cide ou um imposto ambiental poderia ajudar. E lá na frente, quando o preço do petróleo voltar ao patamar histórico, esse imposto ambiental ou Cide poderia voltar a ser reduzido. Faz sentido", afirmou Pedrosa.

O ministro interino, que falou com jornalistas após evento do setor sucroalcooleiro em São Paulo, fez questão de ressaltar que o momento é de diálogo com todos os setores ligados à pasta e que sugestões e provocações feitas pelos investidores serão levados a Brasília para apreciação por sua equipe.

Mais cedo, no mesmo evento, o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, havia defendido a aplicação de uma Cide flutuante, tributo incidente sobre combustíveis fósseis, como um instrumento de política de incentivo ao setor de etanol.

"O governo olha a Cide como um imposto, com preocupação com a inflação que ela pode gerar caso você aumente o valor... tem que mostrar para a sociedade brasileira que não é um imposto ruim, é um imposto ambiental, e até nesse momento de crise fiscal pode levar recursos para a União, Estados e municípios", defendeu o consultor.

Ao dizer que a ideia pode ser avaliada pelo governo, Pedrosa fez questão de ressaltar que eventual alteração da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) não teria como objetivo elevar as receitas do governo.

"A ideia é que Cide não teria esse componente arrecadatório, a arrecadação seria quase que um efeito colateral", ponderou. "Vamos discutir com a equipe do ministério e governo como um todo".

No sábado, o presidente Michel Temer afirmou a jornalistas na Índia que não há nenhuma previsão neste momento de elevação da Cide ou de qualquer outro tributo.

O presidente disse que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita os gastos públicos, já aprovada em primeiro turno pela Câmara dos Deputados, tem como objetivo justamente evitar novos tributos ou aumentos de impostos. (Reuters 18/10/2016)

 

Líderes mundiais na produção de açúcar vão discutir cenário da commodity

A LMC International e a Consultoria Canaplan vão realizar, no dia 7 de novembro, o Seminário Internacional do Açúcar 2016. O evento, que tem o apoio da UDOP e do Brasilagro, trará líderes importantes dos principais países produtores do mundo a São Paulo para discutir como irá evoluir o panorama global de açúcar.

Segundo o Diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho (Caio), a expectativa para os próximos anos é de déficit da commodity. "Isso é derivado da estagnação brasileira, da redução da oferta da Índia e, mesmo assim, com o aumento da oferta na União Europeia, Rússia e EUA", explicou o diretor (Foto).

No evento, será apresentado um panorama detalhado do mercado mundial de açúcar. Com base em décadas de experiência combinada e expertise, a LMC e a Canaplan vão identificar os desafios que o setor enfrentará nos próximos anos e como estes podem ser superados.

Um desses desafios, segundo o diretor, é que a Tailândia tem potencial para expandir a produção de açúcar. "O Brasil está questionando a Tailândia na OMC, face os elevados subsídios aos seus produtores", explicou Caio. As discussões irão incluir as principais forças para as tendências do consumo, da produção e dos preços de forma a demonstrar como se chegou ao equilíbrio atual do mercado.

Serviço:

Seminário Internacional do Açúcar 2016

Data: 7 de novembro

Horário: a partir das 8h

Local: Hotel Renaissance

Cidade: São Paulo

Inscrições: www.sugarseminar2016.com (Udop, 17/10/16)

 

Subsidiária da estatal prevê queda do mercado de gasolina no país

A BR Distribuidora prevê um aumento de 1,3% ao ano do mercado de combustíveis brasileiro até 2021, de acordo com plano de negócios 2017-2021 concluído este mês pela empresa. Entre os produtos, a subsidiária da Petrobras estima aumentos expressivos nas vendas do etanol, de 6,2% ao ano, e do querosene de aviação (QAV), de 3,4% ao ano, no mesmo período. Para a gasolina C, vendida nos postos, porém, a companhia prevê queda de 2,1% ao ano, na mesma comparação.

"Tivemos vários anos em que o crescimento da demanda por combustíveis foi maior que o PIB. Isto ocorreu por aumento da renda, expansão do crédito ao consumidor e incentivos tributários, o que promoveu a expansão e renovação da frota de veículos. Neste momento, esta configuração se altera. Para o período do plano, temos uma frota consolidada e com crescimento bem moderado. Além disso, projeta-se uma redução na rodagem dessa frota", afirmou o presidente da BR Distribuidora, Ivan de Sá.

"Apesar da queda nas vendas de gasolina, se contabilizarmos os combustíveis ciclo otto [veículos abastecidos por gasolina C, etanol hidratado e GNV] em gasolina equivalente, prevemos uma estagnação na demanda", completou.

O presidente da BR explicou ainda que, para os próximos anos, é esperado um aumento da eficiência energética dos automóveis, devido à modernização dos veículos e à legislação para o setor. Com relação ao etanol, a empresa prevê um aumento da produtividade, devido ao replantio da cana-de-açúcar, que hoje está 50% abaixo do que o setor poderia alcançar.

Questionado sobre a dívida da Eletrobras com a BR, relativa à aquisição de combustível para geração termelétrica no Norte e Nordeste, Sá afirmou que, dos cerca de R$ 9 bilhões da dívida atual, R$ 5,6 bilhões já foram negociados e estão sendo pagos pela estatal elétrica. "O restante está ajuizado e em negociação para recebimento no horizonte do plano. Hoje, temos como padrão o atendimento a esses clientes mediante pagamento antecipado", explico o executivo.

Ainda com relação ao setor elétrico, ele contou que, com o aumento da oferta de energia de outras fontes (gás natural, eólica e hidrelétricas), além da regularização do regime hidrológico e novas interligações elétricas previstas para os próximos anos, a necessidade de acionamento de termelétricas a diesel e óleo deverá diminuir.

"Estamos nos adaptando a esse cenário. Nosso plano prevê uma otimização das bases logísticas e a busca por novos clientes e produtos", completou o executivo. (Valor Econômico 18/10/2016)

 

Leilões de energia terão preço alinhado a condições reais de financiamento, diz EPE

Os preços tetos dos leilões para contratação de novas usinas e linhas de energia serão alinhados às reais condições de financiamento no mercado, afirmou nesta segunda-feira o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Barroso, ao comentar as novas regras do BNDES para empréstimos ao setor elétrico, anunciadas no início do mês, que incluíram redução nos recursos direcionados a alguns segmentos.

"Não há dúvida de que as notícias do BNDES não são as melhores, mas são notícias que vão ser traduzidas em preço. Uma condição mais apertada implica numa necessidade de mais preço... esse realismo tarifário, alinhar os preços às reais condições de financiamento do mercado, é algo que vamos perseguir", disse Barroso a jornalistas após participar de evento da consultoria Datagro em São Paulo. (Reuters 17/10/2016)

 

Commodities Agrícolas

Café: Ainda o robusta: A escalada nos preços do café robusta, negociado em Londres, continua dando sustentação à alta do café arábica, negociado em Nova York. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 1,6055 a libra-peso ontem, alta de 175 pontos. Para contornar a escassez de robusta e o consequente aumento da demanda pelo arábica, o governo brasileiro já realizou 24 leilões desde janeiro deste ano, nos quais já liquidou mais de 500 mil sacas de café arábica de um estoque de 1,25 milhão de sacas. Segundo análise do Escritório Carvalhaes, os estoques públicos brasileiros já estão abaixo de um milhão de sacas e terminarão ainda neste ano-safra. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica negociado em São Paulo ficou em R$ 510,46 a saca de 60 quilos, alta de 0,23%.

Algodão: Estoques apertados: A revisão nas estimativas de estoques mundiais dos EUA realizada pelo Departamento de Agricultura americano (USDA) desencadeou uma nova onda de alta nas cotações do algodão na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em março fecharam a 71,49 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 60 pontos. Segundo o USDA, os americanos devem estocar 936 mil toneladas ao final da safra 2016/17 ­ 131 mil abaixo do previsto anteriormente. Em nível mundial, a estimativa foi reduzida em 500 mil toneladas, para 19 milhões de toneladas. Os ganhos, no entanto, foram limitados pelos leilões de estoques na China. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 83,22 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Embarques em alta: Os embarques semanais de soja nos EUA endossaram a tese do mercado de que há maior demanda pela produção americana na safra 2016/17. Os papéis com vencimento em janeiro fecharam a US$ 9,86 o bushel na bolsa de Chicago ontem, alta de 15,75 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os americanos embarcaram 2,51 milhões de toneladas de soja na semana móvel encerrada em 13 de outubro ­ volume 39,3% superior ao registrado na semana anterior. A valorização do óleo de soja, cuja cotação atingiu o maior patamar em 15 meses, também dá sustentação aos contratos. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 75,86 a saca de 60 quilos, alta de 0,07%.

Trigo:Safra competitiva: Os preços mais competitivos da produção americana de trigo comparada à safra europeia segue dando sustentação aos contratos do cereal nas bolsas americanas. Em Chicago, os papéis com vencimento em março fecharam ontem a US$ 4,42 o bushel, alta de 2,75 centavos. Já em Kansas, o cereal com entrega para o mesmo mês fechou a US$ 4,39 o bushel, avanço de 4,25 centavos. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, os americanos embarcaram 450,61 mil toneladas do cereal na semana móvel encerrada no último dia 13, volume 3% superior ao registrado na semana anterior, encerrada no dia 6. No mercado interno, o preço médio do trigo no Paraná ficou em R$ 635,28 a tonelada, alta de 0,45%, segundo levantamento do Cepea. (Valor Econômico 18/10/2016)