Macroeconomia e mercado

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Fusão chinesa

As estatais chinesas Sinochem e ChemChina, que atuam nos mercados de químicos, defensivos agrícolas e fertilizantes, entre outros, avaliam a possibilidade de unir suas operações em uma nova empresa que teria receita anual da ordem de US$ 100 bilhões, informou na sexta-feira a agência Reuters com base em declarações de três fontes diferentes que acompanham as discussões.

Segundo a Reuters, a fusão foi proposta pelo governo da China, que quer administrar um número menor de estatais maiores e mais competitivas. No início deste ano, a ChemChina anunciou a compra da multinacional suíça Syngenta, uma das maiores empresas de agroquímicos e sementes do mundo.

O negócio engrossa uma tendência de consolidação em cursos nesse segmento, marcada também pela anunciada união entre as americanas Dow e DuPont e pela oferta de compra da americana Monsanto feita pela alemã Bayer. (Valor Econômico 19/10/2016)

 

Em 2030, apenas 10% dos brasileiros viverão no campo

Apenas 10% da população brasileira viverá no campo em 2030. A previsão é da encarregada nacional do Programa da Organização das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) no Brasil, Rayne Ferretti.

Ela lembrou que o Brasil está localizado no continente mais urbanizado do mundo, a América Latina, e se configura atualmente como o país mais urbanizado da região. Dados do último censo, realizado em 2010, indicam que 84,4% da população brasileira é urbana. A previsão é que, em 2030, esse índice chegue a 91,1% e que, em 2050, toda a América Latina seja 86% urbana.

A encarregada da ONU disse que a urbanização, muitas vezes, é vista como uma oportunidade e uma espécie de motor para o desenvolvimento, mas que os desafios relacionados ao tema persistem. Na América Latina, especificamente, ela citou problemas de ordem econômica e ambiental, expansão desordenada, segregação socioeconômica e questões relacionadas à saúde, segurança e efeitos da mudança climática. (Gazeta do Povo 18/10/2016)

 

MME lançará iniciativa para debater papel dos biocombustíveis

O Ministério de Minas e Energia e entidades ligadas ao MME iniciaram um grande debate com as representantes do setor de biocombustíveis, com o objetivo de aprimorar práticas e agendas importantes para o segmento. Segundo o ministro interino de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, esses esforços estão sendo agrupados na iniciativa BioBrasil 2030, para repensar o papel desses combustíveis na matriz energética. Pedrosa participou nesta segunda-feira (17/10) da 16ª Conferência Internacional da Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo (SP).

“Já estamos iniciando um grande diálogo com o setor produtivo do etanol, para podermos empreender essa agenda de futuro”, afirmou Pedrosa ao destacar a iniciativa BioBrasil2030, em seu discurso durante o evento. “No diagnóstico, já temos uma convergência muito grande, agora é pensar na agenda de trabalho para o encaminhamento operacional a partir das diretrizes que temos”, disse, destacando que uma dessas diretrizes é a competitividade.

O ministro interino afirmou que o País precisa aproveitar sua experiência no segmento de biocombustíveis, que se destaca no panorama mundial. “Será que é o caso de copiarmos a experiência internacional ou o Brasil teria como desenvolver uma solução brasileira, usando a capacidade produtiva nacional, em projeto integrado com o desenvolvimento do setor elétrico e energético como um todo?”, questionou o representante do MME.

O diálogo e a abertura para ouvir as propostas do setor produtivo já está em curso no Ministério de Minas e Energia, afirmou Pedrosa. Ele analisa que o setor sucroenergético tem grande endividamento, o que dificulta aumentar os investimentos, e que é urgente que o Brasil debata o papel dessa fonte energética na matriz.

“As demandas desse setor são parecidas com as do setor elétrico. O investidor quer confiança, previsibilidade, é isso que queremos construir a frente do MME”, afirmou Paulo Pedrosa.

Cide

Questionado por participante do evento e por jornalistas sobre qual é a visão do MME quanto ao aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre as operações realizadas com combustíveis (Cide-Combustíveis), Pedrosa afirmou que o assunto deve ser estudado pelo Governo Federal, mas de forma que a contribuição seja aplicada como um “tributo ambiental”, que possa capturar na formação de preços dos biocombustíveis o fator de contribuição que eles têm no meio ambiente.

“Precisamos fazer uma reflexão. Temos de buscar a melhor maneira de pautar isso no Governo, mas precisamos refletir sobre isso. Esses resultados (ambientais) tem de ser precificados e considerados. O MME está pronto a empreender essa discussão”, disse Pedrosa. (Ministério de Minas e Energia 18/10/2016)

 

Moro diz que compartilhar provas de negócios de Bumlai com BNDES atende ‘interesse público’

'A falta de adequada cooperação e compartilhamento de informações' é crítica recorrente às instituições encarregadas de prevenção e investigação de crimes, afirmou juiz da Lava Jato ao autorizar envio de documentos apreendidos com amigo de Lula para instrução de processo na área cível da Procuradoria, no Distrito Federal.

O juiz federal Sérgio Moro, dos processos da Operação Lava Jato, em Curitiba, afirmou que o compartilhamento de provas das investigações de cartel e corrupção na Petrobrás sobre o pecuarista José Carlos Bumlai – amigo do ex-presidente Lula – com processo da área cível, do Ministério Público Federal no Distrito Federal, que apura empréstimos de mais de R$ 500 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para suas empresas, é “oportuno” e “atende ao interesse público”.

“O compartilhamento dos elementos de informação colhidos nestes autos para fins de instrução de processos em que se apurem atos de improbidade administrativa e responsabilidades cíveis e administrativas mostra-se oportuno e atende suficientemente ao interesse público”, escreveu Moro, em despacho de 26 de julho, em que autorizou remessa de documentos para Brasília.

O Ministério Público Federal investiga se o Grupo São Fernando, de usinas de álcool, foi beneficiado em empréstimos concedidos pelo BNDES, entre 2008 e 2012, de mais de R$ 500 milhões. As participações do BTG Pactual, do falido BVA e do Grupo Bertin também estão sob suspeita.

A principal suspeita recai na concessão de R$ 101,5 milhões em 2012. O valor foi contratado em nome da São Fernando Energia 1 – unidade do grupo que geraria energia com o bagaço da cana-de-açúcar -, no plano de reestruturação financeira do grupo. A operação foi feita de forma indireta, via bancos BTG Pactual e Banco do Brasil, um ano antes de Bumlai entrar com pedido de recuperação judicial.

Desde agosto, os procuradores do Distrito Federal trabalham com materiais compartilhados pela força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba. Foram enviados documentos apreendidos na 21ª fase, batizada de Operação Passe Livre – referência ao livre acesso que o pecuarista tinha no Planalto, nos governos Lula. São e-mails e documentos apreendidos em endereços do pecuarista e dos filhos, Maurício de Barros Bumlai e Guilherme de Barros Bumlai, como os contratos e cartas trocadas com o BNDES na época das operações financeiras.

Os procuradores da República do Distrito Federal Sara Moreira de Souza e Claudio Drewes José de Siqueira, da área de combate à corrupção, investigam os negócios de Bumlai e o BNDES desde 2015. Essas frentes, em parceria com a Lava Jato, podem gerar novos processos contra o pecuarista.

“É crítica recorrente às instituições encarregadas de prevenção e investigação de crimes a falta de adequada cooperação e compartilhamento de informações”, afirmou Moro, ao autorizar o envio de documentos para as investigações na área cível. “Frases como ‘o Estado desorganizado contra o crime organizado’ tornaram-se até mesmo clássicas.”

Para o juiz da Lava Jato, a “cooperação entre as diversas instituições públicas, com compartilhamento das informações, é um objetivo político válido e que se impõe caso se pretenda alguma eficácia na investigação e persecução de crimes complexos, como os crimes de colarinho branco ou os crimes praticados por organizações criminosas”.

 “Tal objetivo favorece interpretações do sistema legal no sentido de admitir o compartilhamento de provas, desde que preenchidos os requisitos que autorizam a adoção do método especial de investigação e desde que o compartilhamento vise apenas atender ao interesse público.”

O juiz da Lava Jato citou em seu despacho haver “significativa jurisprudência em casos de compartilhamento de provas colhidas em interceptação telefônica para finalidades públicas que não a instrução criminal”.

“Não se pode dizer, ademais, que o compartilhamento com a esfera cível seria desnecessário diante da perspectiva de um processo criminal. Os ritmos do processo criminal e do cível são diferenciados, aquele infelizmente sujeito a enormes delongas. Além disso, são diferenciadas as cargas probatórias necessárias em um e outro processo. O que pode não ser suficiente para uma condenação criminal, que reclama prova acima de qualquer dúvida razoável, pode mostrar-se mais do que suficiente para a responsabilização por improbidade.”

 

Commodities Agrícolas

Café: Por Quinta alta seguida: Os contratos futuros do café arábica registraram sua quinta valorização consecutiva ontem na bolsa de Nova York, ainda sustentados pela perspectiva de menor oferta de robusta no Brasil. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 1,622 a libra-peso, avanço de 165 pontos. Com a escassez do robusta e os estoques de arábica praticamente esgotados, a competição entre indústria e exportadores pelo grão arábica disponível no Brasil deve aumentar. O país é o maior exportador mundial, responsável por 40% do mercado mundial, e terá uma safra certamente menor que a anterior, segundo os analistas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão arábica negociado em São Paulo ficou em R$ 515,16 a tonelada, alta de 0,11%.

Cacau: Atenção aos sinais: As primeiras notícias sobre a safra 2016/17 de cacau no oeste da África geraram nervosismo na bolsa de Nova York ontem. Após um pregão volátil, os papéis com vencimento em março ficaram estáveis, cotados a US$ 2.630 a tonelada. Segundo levantamento da Reuters, desde o início de outubro, 98 mil toneladas de cacau foram entregues nos portos da Costa do Marfim, dois terços do observado no mesmo período do ano passado. Embora o nível das entregas esteja mais baixo, elas ainda são superiores ao que muitos comerciantes esperavam ­ o que conferiu instabilidade às cotações. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, ficou em R$ 145 a arroba, recuo de R$ 1, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Realização de lucros: Um movimento de realização de lucros após os contratos da soja atingirem o maior valor em um mês derrubou as cotações da commodity ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em janeiro fecharam a US$ 9,8125 o bushel, recuo de 4,75 centavos. A realização foi motivada pela venda de produtores americanos, que buscam aproveitar o momento de alta do grão, e pelo otimismo com o avanço da colheita no país, concluída em 62% da área plantada no último dia 16. "A colheita da safra era a última chance de ter problema na produção. Não houve e isso está ficando cada dia mais para trás", destaca Glauco Monte, analista da FCStone. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 76,79 a saca de 60 quilos, alta de 1,23%.

Milho: Perdas modestas: Na esteira da desvalorização da soja, os contratos futuros do milho também registraram queda ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 3,635 o bushel, recuo de 0,50 centavo. A commodity alcançou o maior patamar em três meses na segunda-feira, o que motivou a realização de lucros, mas os fundamentos de alta limitaram as perdas. Segundo a consultoria Zaner Group, a empresa indiana de alimentos Bulog deve realizar o pedido de 200 mil toneladas de milho essa semana, enquanto a estatal chinesa Sinogram deve adquirir o grão a preço de mercado, sinalizando que o país não praticará mais a política de preço mínimo. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa ficou em R$ 42,57 a saca de 60 quilos, queda de 1,07%. (Valor Econômico 19/10/2016)