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Shell pode comprar usina de etanol celulósico com 95% de desconto nos EUA

A Shell ofereceu US$ 26 milhões por uma usina de etanol da Abengoa que custou US$ 500 milhões e foi parcialmente custeada com dinheiro público.

A oferta preliminar da Shell, que ainda precisa receber o aval da Justiça americana, é mencionada nos autos de um processo que corre na Corte de Falências do Kansas (EUA). Caso a Abengoa receba outras ofertas pela usina, que tem capacidade anual para 95 milhões de litros, um leilão será realizado em 21 de novembro. O lance foi confirmado por Mark Kisler, diretor-gerente da Ocean Park Advisors, consultora da Abengoa.

“A ação está alinhada com a estratégia da Shell de desenvolver biocombustíveis que promovam cortes substanciais nas emissões de CO2 e façam uso de matérias-primas sustentáveis”, afirmou Natalie Mazey, porta-voz da Shell, em declaração por e-mail. “O uso das instalações com vistas a integrar o programa de biocombustíveis da Shell estará sujeito a uma futura decisão de investimento.”

Ao promulgar o Renewable Fuels Standard, que instaurou a mistura obrigatória em 2005, o Congresso americano esperava que o etanol celulósico preenchesse o grosso da demanda criada. Num esforço para reduzir os níveis de poluição e a dependência de fontes externas de energia, o decreto determina que as refinarias de petróleo misturem volumes cada vez maiores de biocombustíveis à gasolina e ao diesel. O programa desencadeou uma série de batalhas jurídicas entre adeptos dos combustíveis fósseis e dos biocombustíveis. Nos últimos anos, as agências reguladoras ajustaram para baixo as metas estipuladas, em parte porque o etanol celulósico ainda não possui a viabilidade comercial que se projetava.

Financiamento público

A usina de Hugoton, Kansas, é de propriedade da espanhola Abengoa, com sede em Sevilha, e foi projetada para produzir etanol celulósico a partir de resíduos agrícolas, evitando assim o emprego de matérias-primas usadas na alimentação, como o milho. Na época da construção, a Abengoa recebeu um empréstimo de US$ 132,4 milhões do Departamento de Energia dos Estados Unidos, além de um subsídio de US$ 97 milhões. O empreendimento levou quase uma década para ser concluído.

Segundo um porta-voz da empresa, o empréstimo já foi inteiramente quitado com o governo americano.

Em março deste ano, a Abengoa entrou com um pedido de falência na Justiça americana, com base no capítulo 15 do código falimentar. Boa parte das subsidiárias americanas da empresa estão sob recuperação judicial ao abrigo dessas leis, segundo um porta-voz. No mês passado, a Abengoa fechou a venda de três usinas de etanol para a Green Plains. (Bloomberg 19/10/2016)

 

Alta do etanol anidro impede redução do preço da gasolina na bomba, dizem postos

O sindicato que representa os postos de combustíveis no Estado de São Paulo informou nesta quarta-feira ser inviável qualquer redução no preço da gasolina comum, mesmo após a queda dos preços nas refinarias anunciado semana passada pela Petrobras.

Segundo o Sincopetro, a forte elevação nos últimos dias no custo do etanol anidro, produto que é misturado à gasolina pura nas distribuidoras antes de a gasolina comum chegar às bombas, vai neutralizar o corte no preço feito pela estatal petroleira.

O governo brasileiro contava com a queda da gasolina no varejo como um fator adicional de combate à inflação, de olho em um cenário que permita a queda dos juros e estimule a recuperação da atividade econômica.

"Mesmo com a redução de 3,2 por cento anunciado pela Petrobras no preço da gasolina, com o aumento do preço do etanol anidro, que entra em sua composição em 27 por cento, a redução do preço da gasolina torna-se inviável", disse o sindicato em nota.

"Atualmente a revenda não tem como absorver esse custo e não tem outra alternativa senão repassar aos consumidores os valores cobrados pelas distribuidoras."

De acordo com o indicator Cepea/Esalq, da Universidade de São Paulo, os preços do anidro subiram quase 15 por cento no último mês, à medida que se aproxima o fim da safra de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil.

As usinas brasileiras, além disso, têm dado preferência à produção de açúcar nos últimos meses, já que o produto registrou forte alta no último ano no mercado internacional devido a um déficit global na oferta.

Os futuros do açúcar bruto na bolsa de Nova York (ICE) estão nos maiores níveis dos últimos quatro anos. (Reuters 19/10/2016)

 

STJ suspende julgamento sobre arbitragem entre Abengoa e Ometto

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu novamente o julgamento sobre a homologação de duas arbitragens feitas em Nova York envolvendo a Abengoa e a Adriano Ometto Agrícola. Desta vez, o pedido de vista foi do próprio relator, ministro Félix Fischer.

As decisões americanas garantem uma indenização à espanhola Abengoa superior a US$ 100 milhões, por problemas decorrentes da aquisição de usinas da paulista Ometto e do grupo Dedini Agro.

Por enquanto, o placar é de três votos contra a homologação das sentenças arbitrais e um a favor. Na sessão de hoje, apenas o ministro Herman Benjamin votou contra a homologação.

Na sequência, o relator pediu vista regimental para examinar o voto de Benjamin, que teria trazido elementos novos à discussão. Por enquanto, apenas Fischer havia votado pela homologação das sentenças.

No caso, a Adriano Ometto Agrícola alega irregularidades nas arbitragens realizadas. A discussão chegou ao STJ após passar por tribunais arbitrais e pela Justiça dos Estados Unidos. No Brasil, a Corte Especial do STJ é a responsável por homologar sentenças arbitrais estrangeiras.

A disputa teve origem em um negócio firmado em 2007. A Abengoa pagou US$ 327 milhões pelas usinas paulistas. Porém, depois, questionou a capacidade de produção das unidades, alegando que não seria a prevista em contrato, além de apontar problemas com encargos trabalhistas. (Valor Econômico 19/10/2016)

 

Combustíveis fósseis mais baratos desafiam os renováveis, diz presidente da Unica

Apesar de ver positivamente a redução de preços da gasolina e do diesel, Elizabeth Farina afirma que o setor do etanol precisa de estratégias para manter a competitividade.

A Unica vê com bons olhos a redução do preço do diesel e da gasolina proposta pela Petrobras na última sexta-feira (14/10). Entretanto, a entidade reconhece que a competitividade do etanol hidratado será prejudicada. "Tiramos, acho que definitivamente, a interferência política da formação de preços dos combustíveis que prejudicou muito tanto a Petrobras quanto o setor de etanol. Porém, o petróleo [sendo vendido] a US$ 40 e US$ 50 é um desafio para todos os combustíveis renováveis", disse a presidente da entidade, Elizabeth Farina, durante a premiação Melhores do Agronegócio 2016, realizada pela Revista Globo Rural.

A executiva acredita que, da mesma maneira que a formação dos preços faz parte do mercado, do ponto de vista do etanol é importante que sejam reconhecidas as externalidades positivas do combustível verde. "Quando o consumidor vai na bomba e abastece com gasolina, ele está remunerando a exploração do combustível fóssil, mas não considera todo o custo social de emissão de gases do efeito estufa, poluição, entre outros, que aumentam a conta do SUS. De alguma maneira, temos que introduzir isso no nosso sistema de preços".

As soluções apontadas pela executiva são, entre outras coisas, a diferenciação tributária entre combustíveis fósseis e renováveis e a taxação sobre o carbono. "O etanol gera um benefício social maior que o benefício privado, os investimentos não vêm com o tamanho que deveriam vir nessa comparação de custo e benefício", critica.

A divulgação dos benefícios do etanol para ajudar na decisão de compra do consumidor também precisa ser intensificada. "Divulgar é importante, pois é a população que toma a decisão no fim. Mas essa decisão acaba sendo feita pelo preço da bomba, por isso é importante que existam esses mecanismos de precificação dessas externalidades [para equiparar preços]. O importante é o consumidor saber que ele leva o etanol e mais alguma coisa", finaliza Farina. (Globo Rural 19/10/2016)

 

Pesquisa da Embrapa identifica possíveis entradas de nova praga no Brasil

Áreas dos estados de Roraima, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Bahia, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espirito Santo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul foram priorizadas em estudo da Embrapa como as de maior probabilidade de a lagarta Chilo partellus entrar e se estabelecer no País.

O inseto foi catalogado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) como praga quarentenária A1, categoria que engloba ameaças de importância econômica potencial para cultivos nacionais e que ainda não estão presentes no território brasileiro.

O estudo "Identificação de regiões brasileiras suscetíveis ao ingresso e estabelecimento de Chilo partellus" foi realizado por pesquisadores da Embrapa Gestão Territorial e do laboratório de quarentena "Costa Lima" (LQC) da Embrapa Meio Ambiente e cruzou informações como rotas de transporte, possíveis pontos de entrada, culturas hospedeiras da praga, portos, fronteiras, aeroportos e condições climáticas propícias para que o inseto entre e se estabeleça no País. O resultado pode subsidiar o serviço de Vigilância do Mapa, responsável por fiscalizar as entradas de novas pragas quarentenárias no País.

A lagarta é originária do continente asiático, onde está presente em vários países, e já se encontra em áreas do Oriente Médio e da costa Leste da África, com uma ocorrência na Austrália. Embora a fase adulta do inseto seja uma mariposa, os danos da praga são reportados principalmente na sua fase jovem, como lagarta, em cultivos de milho, sorgo, arroz, trigo, cana-de-açúcar, milheto e gramíneas silvestres.

"Os ataques mais severos ocorrem em cultivos de milho e sorgo, variando de acordo com o local", conta a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Maria Conceição Pessoa, uma das autoras do trabalho. Como exemplo do potencial da praga, na África do Sul há ocorrências de danos nessas duas culturas que provocaram perdas de mais da metade da produção. Em Moçambique, infestações em milho tardio atingiriam 87% das lavouras e geraram estragos em 70% dos grãos.

Entre as regiões mais vulneráveis para a entrada da praga está uma extensa área que vai desde a fronteira do Brasil com o Paraguai até a região de Sorocaba no meio do Estado de São Paulo. "Essa área é importante, pois concentra lavouras de cana-de-açúcar, cultura atacada pela praga", explica Rafael Mingoti, analista da Embrapa Gestão Territorial que participou do estudo. Ele explica que as regiões mais propícias para a ocorrência e proliferação do inseto apresentam clima favorável, presença de culturas-alvo da praga, proximidade de fronteiras ou pontos de passagem, como vias e estradas, ou em áreas próximas a portos ou aeroportos. "A região reúne essas condições, pois além do clima propício para a praga e a presença das culturas, há o porto de Santos em São Paulo, aeroportos e a oeste há uma grande fronteira com o Paraguai", conta o especialista.

De acordo com os resultados, outra área que merece atenção é o sul do Estado do Rio Grande do Sul. Embora a região possua pastagens e uma variedade de plantações, a principal preocupação concentrou-se nas lavouras de arroz, característica que pode agravar o quadro, pois a área engloba uma enorme faixa de fronteira seca com o Uruguai. Na região Nordeste há uma estreita faixa litorânea entre Sergipe e Rio Grande do Norte que reúne lavouras e clima propícios para a praga. A área ainda congrega grandes portos e aeroportos internacionais que são pontos de atenção.

A lagarta também poderia se estabelecer no Norte do País, de acordo com os dados observados. Ela encontraria condições ideais para se proliferar em áreas ao Norte e Leste de Roraima, regiões fronteiriças com Venezuela e Guiana, respectivamente.

O estudo também considerou as prováveis vias de ingresso terrestres e marítimas, além de rotas com acesso às áreas de países já infestados pelo inseto. Ainda contemplou a proximidade a diferentes tipos de fronteiras (urbanas, rurais, florestas) e o potencial de adaptação e estabelecimento mundial do inseto, prospectado por meio de informações disponibilizadas pelo simulador Climex, software que vem sendo utilizado em vários países para estudos do potencial de estabelecimento de pragas exóticas.

No cruzamento das diferentes informações, foram utilizadas ferramentas de Sistema de Informação Geográfica (SIG). Desse modo, os trabalhos identificaram  municípios e microrregiões mais propícios para a entrada e o estabelecimento de C. partellus, indicando áreas para a realização de monitoramento local. Além disso, sinalizaram a capacidade de defesa agropecuária brasileira já instalada em áreas de potencial entrada do inseto.

Parceria com a vigilância

Pesquisas como essa subsidiam ações da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Ministério da Agricultura. Em parceria com a Embrapa, o Ministério pretende priorizar até o fim deste ano as 20 pragas quarentenárias ausentes no País com maior potencial de impacto para o setor produtivo. "Para cada uma delas, pretendemos coordenar a elaboração e execução de planos de contingência visando a ações de fiscalização nos pontos de entrada do País, levantamentos fitossanitários, além de procedimentos de controle e erradicação, caso a praga entre no Brasil", informa o coordenador geral de Proteção de Plantas do Departamento de Segurança Vegetal da SDA/Mapa, Paulo Parizzi. Para ele, a parceria com a pesquisa é fundamental nas ações de fiscalização e controle. "Informações como os pontos vulneráveis de entrada de pragas e diagnósticos fitossanitários de pragas ausentes subsidiam as ações dos planos de contingência de cada uma das ameaças priorizadas", afirma.

Os dados são utilizados em capacitações dos auditores federais agropecuários responsáveis pela vigilância das fronteiras, portos e aeroportos. O estabelecimento de métodos diagnósticos fitossanitários específicos facilitam a identificação rápida da praga ao deixar os laboratórios credenciados no País aptos a reconhecer espécies ainda não encontradas por aqui. "O objetivo é antever essas pragas e deixar o País preparado para barrá-las ou controlá-las com rapidez e eficácia, caso elas se estabeleçam. Nesse sentido, o trabalho conjunto entre o Mapa e Embrapa é fundamental", conta Parizzi.

Os resultados também subsidiaram outros trabalhos, em continuidade à parceria da Embrapa Meio Ambiente e Embrapa Gestão Territorial, objetivando estimar o tempo de desenvolvimento de C. partellus e de potenciais bioagentes de controle nas condições climáticas das microrregiões municipais priorizadas por estado.

A pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Jeanne Marinho Prado explica que essas informações são importantes para a defesa agropecuária nacional. "O ingresso da praga, sem o conhecimento prévio de sua biologia, comportamento ou de alternativas para a correta detecção, contenção e controle inicial, poderia causar danos significativos, inclusive pela demora na sua identificação de presença nos cultivos, podendo causar sérios problemas locais de ordem econômica", declara.

A pesquisadora Maria Conceição Pessoa acrescenta que prospectar a adaptabilidade dos potenciais bioagentes exóticos de controle biológico de C. partellus nas condições climáticas das áreas priorizadas é fundamental para subsidiar as estratégias de seleção de alternativas mais viáveis para o controle biológico da praga. (Embrapa 19/10/2016)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Ajuste à vista: O açúcar demerara registrou leve queda ontem na bolsa de Nova York em meio a especulações sobre uma possível realização de lucros dos fundos que operam nesse mercado. Os papéis com vencimento em maio fecharam a 22,29 centavos de dólar na libra-peso, recuo de 6 pontos. Segundo os analistas, o comportamento das cotações, oscilando numa menor faixa de valores, pode levar a uma queda abrupta das cotações conforme os fundamentos de alta se estabilizem no curto prazo. Segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities, os fundos reduziram pela segunda vez seu saldo líquido comprado no último dia 11, em 6,27% na comparação com o dia 4. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 98,66 a saca de 50 quilos, alta de 0,36%.

Café: Correção técnica: A desvalorização do dólar em relação ao real e a queda dos contratos do café robusta, em Londres, pressionaram as cotações do café arábica ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em março fecharam a US$ 1,6135 a libra-peso, recuo de 85 pontos. Os preços do arábica têm sido sustentados pela escalada nos preços do robusta, considerado de menor qualidade e cuja produção no Espírito Santo deve registrar a segunda quebra consecutiva. A escassez do grão faz com que a indústria local dispute com exportadores a oferta de arábica, elevando os preços no mercado interno e reduzindo a oferta no mercado internacional. No cenário doméstico, o indicador Cepea/esalq para o grão em São Paulo ficou em R$ 512,61 a saca de 60 quilos, recuo de 0,49%.

Algodão: Novas realizações: As realizações de lucros no mercado do algodão levaram a commodity a apresentar oscilação marginal ontem na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em março fecharam a 71,45 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 1 ponto. As cotações apresentaram volatilidade ao longo de toda a sessão, com os papéis sustentados pela perspectiva de uma menor produção e estoques nos EUA de um lado e os especuladores realizando lucros de outro devido à possibilidade de a China manter sua política de leilão de estoques. O país é o maior importador mundial da pluma e desde março tem vendido 30 mil toneladas diárias da pluma. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 85,07 a arroba, segundo a associação de produtores local, a Aiba.

Soja: Demanda firme: Novos sinais de demanda firme pela produção americana de soja deram sustentação às cotações da oleaginosa ontem na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em janeiro fecharam a US$ 9,905 o bushel, avanço de 9,25 centavos. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os exportadores do país relataram o fechamento de contratos para a exportação de 185 mil toneladas de soja para destinos desconhecidos, o que o mercado acredita ser a China. A remessa deve ser entregue ainda na atual safra, 2016/17, em fase de colheita. Ontem, o órgão já havia apontado a venda de outras 706,5 mil toneladas do grão da safra 2016/17. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 76,36 a saca de 60 quilos, recuo de 0,56%. (Valor Econômico 20/10/2016)