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Brasil deve continuar sem aumento expressivo na produção de cana, diz Rabobank

Apesar do cenário positivo de preços para açúcar e etanol, o setor sucronenergético do Brasil não deve ter aumentos de investimentos para o crescimento na produção e processamento de cana-de-açúcar com novas usinas, na avaliação do Rabobank.

De acordo Manoel Pereira de Queiróz, gerente sênior de Relacionamento do banco no País, além da expectativa de que o ciclo positivo para açúcar e etanol pode ser curto, o financiamento restrito é outro entrave para a retomada do crescimento do parque de usinas, com os chamados projetos greenfields.

"Os bancos estrangeiros estão sem apetite de risco para o Brasil, os bancos nacionais diminuem o capital econômico disponível e a chance de serem mais agressivos em crédito é pequena", disse. "O BNDES passa por um ajuste, o mercado de capitais local ainda é incipiente e o externo está fechado para o Brasil e para o setor", completou Queiróz durante reunião consultoria da Canaplan, em Ribeirão Preto (SP).

Em compensação, segundo o gerente do Rabobank, o momento é favorável para fusões e aquisições no setor. Os fatores que corroboram para esse cenário, segundo Queiróz, são a cotação do dólar, em torno de R$ 3,20, o que reduz o custo de produção no Brasil, principalmente do açúcar cotado na moeda norte-americana, bem como torna os ativos mais baratos.

"A gente começa a ver produtores de açúcar lá fora interessados em investir no Brasil. A depreciação do real torna ativos baratos, melhora perspectivas de preços e o fluxo de caixa é mais positivo. Se isso vai acontecer, não é possível falar, mas existe o interesse e há grande movimentação", afirmou.

Apesar do cenário positivo para fusões e aquisições, dados do Rabobank apontam que as companhias sucroenergéticas do setor ainda têm, na média, um alto endividamento. Análise feita pela instituição financeira com 35 grandes grupos que representam 50% da moagem da safra brasileira aponta que a dívida líquida dessas companhias chegou a R$ 135 a tonelada de cana moída na safra 2015/2016, abaixo apenas do pico de R$ 149,7/t da safra 2014/2015.

"Mesmo nesse grupo de empresas, que a gente considera a melhor metade do setor, essa dívida ainda é bastante elevada", disse Queiróz. "Além disso, há uma dispersão muito grande no endividamento, que é muito elevado para uns e pouco elevado para outros", concluiu. (Agência Estado 21/10/2016)

 

Fertilizantes Yara aponta Brasil como ponto brilhante em resultados

A fabricante norueguesa de fertilizantes Yara afirmou que seu negócio brasileiro é um ponto brilhante, em relatório sobre resultados do terceiro trimestre.

O diretor financeiro da companhia, Torgeir Kvidal, disse que as vendas no Brasil têm estado muito bem e subiram 11 por cento no último trimestre, acrescentando que viu a duplicação de produtos premium, que têm margens substancialmente mais altas.

Segundo ele, esse é provavelmente o motivo que levou os ganhos operacionais (Ebitda) a superarem as previsões de analistas.

A companhia reportou uma grande queda ano a ano em seus resultados globais nesta sexta-feira e disse que o mercado permanecerá com excesso de oferta por algum tempo, mas os ganhos ainda assim foram melhores do que havia sido antecipado por analistas. (Reuters 21/10/2016)

 

Gasolina sobe nos postos mesmo após redução de preço nas refinarias

A redução nos preços da gasolina e do diesel anunciada pela Petrobras na última sexta (14) não chegou ao consumidor. Pelo contrário, na média nacional, a gasolina subiu esta semana

De acordo com pesquisa semanal da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) divulgada nesta sexta (21), a gasolina foi vendida no país a um preço médio de R$ 3,671 por litro, 0,5% superior ao verificado na semana anterior.

Há uma semana, a Petrobras anunciou corte de 3,2% no preço da gasolina e de 2,7% no preço do diesel vendido pelas refinarias, sem considerar os impostos. Foi a primeira redução desde 1999.

A expectativa da estatal era de que o repasse às bombas seria de R$ 0,05 por litro.

Distribuidoras e postos dizem que o aumento do preço do etanol anidro, que é misturado à gasolina, compensou a redução promovida pela Petrobras.

A alta do etanol é normal neste período do ano, como reflexo do período de entressafra na produção de cana-de-açúcar.

O preço do etanol hidratado, vendido nas bombas, permanece em tendência de alta. Na última semana, subiu de 2,633 para 2,684 por litro (1,9%), em média, no país.

Em quatro semanas, o aumento acumulado é de 5,1%.

De acordo com a agência, o preço da gasolina subiu em dez estados e no Distrito Federal e ficou praticamente inalterado em outros sete.

Nos outros, houve pequena redução. Parte deles, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, são estados onde o etanol é mais barato.

A pesquisa da ANP mostra que também não houve queda no preço do diesel, que foi de R$ 3,005 por litro em média esta semana, contra R$ 3,002 na semana anterior.

Em São Paulo, o preço da gasolina subiu de R$ 3,458 para R$ 3,472 por litro, informa a pesquisa da ANP. Já litro do diesel teve uma pequena redução, de R$ 2,896 para R$ 2,887, queda de 0,3%.

No Rio, a gasolina subiu de R$ 3,865 para R$ 3,950 por litro. O diesel passou de R$ 3.059 para R$ 3,094. (Folha de Sã Paulo 21/10/2016)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Por Reversão de perdas: O cacau reverteu no pregão de sexta-feira as perdas registradas um dia antes na bolsa de Nova York, após os dados de moagem na Ásia e na América do Norte serem considerados neutros pelo mercado. Os papéis para março fecharam a US$ 2.642 a tonelada, alta de US$ 12. Enquanto na Ásia a demanda no terceiro trimestre do ano foi maior que a esperada ­ houve crescimento de 12,5% na moagem ­, na América do Norte o volume ficou praticamente estagnado, abaixo das expectativas. O investidores também acompanham com atenção a safra 2016/17 no oeste da África, onde é estimado um superávit de até 250 mil toneladas. Na Bahia, o preço médio pago ao produtor de Ilhéus e Itabuna ficou em R$ 145 a arroba, queda de 0,69%, segundo a Central Nacional de Produtores.

Algodão: Quatro quedas seguidas: Os contratos futuros do algodão completaram quatro sessões seguidas de queda na última sexta-feira na bolsa de Nova York, pressionados pela alta do dólar ante as principais moedas do mundo. Os papéis com vencimento em março fecharam a 69,47 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 61 pontos. No acumulado da semana, a commodity se desvalorizou mais de 2%, apesar das vendas semanais positivas dos EUA. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), foram fechados contratos para venda de 74 mil toneladas da pluma na semana móvel encerrada no último dia 13, aumento de 50% em relação à semana móvel anterior. Na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou em R$ 85,07 a arroba, segundo a associação local de agricultores, a Aiba.

Soja: Chuva no Meio-Oeste: As previsões climáticas para o Meio-Oeste dos EUA puxaram a alta da soja na bolsa de Chicago na última sexta-feira. Os papéis com vencimento em janeiro, fecharam cotados a US$ 9,92 o bushel, avanço de 7,5 centavos. As previsões de fortes chuvas no Meio-Oeste americano alimentam especulações de que o tempo úmido poderá atrasar a atividade de colheita em algumas áreas. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 62% da área plantada de soja no país havia sido colhida até o último dia 16. A alta do dólar em relação às principais moedas do mundo, no entanto, limitou os ganhos ao final do pregão. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a soja em Paranaguá ficou em R$ 76,37 a saca de 60 quilos, alta de 0,13%.

Milho: Atraso na colheita: As previsões de chuva para o Meio-Oeste dos EUA também deram sustentação aos papéis do milho na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em março fecharam a US$ 3,6225 o bushel na última sexta-feira, alta de 1,5 centavo. A perspectiva de tempo úmido gera especulações de que haverá um maior atraso na colheita nos EUA, realizada em 46% da área plantada no país até o dia 16, segundo o departamento de agricultura americano (USDA). O índice está abaixo dos 54% observados em igual período de 2015 e da média dos últimos cinco anos, de 49%. Os ganhos, porém, foram limitados pela perspectiva de safra recorde no país. No mercado interno, o indicador Esalq/BM%FBovespa para o grão ficou em R$ 41,1 a saca de 60 quilos, queda de 1,51%. (Valor Econômico 24/10/2016)